Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Lairton Trovão de Andrade (Panaceia de Trovas) 6


Ao contrário da mentira,
é reta a sinceridade;
aquela desperta a ira,
esta, a credibilidade.

Ao político a advertência
- muito bom lembrar de novo:
Que jamais perca a consciência
de que o Poder é do povo.

Aproveita a solidão
medita nos males teus!
Coloca-te em oração
e, assim, encontrarás Deus.

A razão pura do amor
que surge no coração,
cura sintomas de dor,
apaziguando a paixão.

A sabedoria diz,
até parece um revés:
"A inveja de um, que maldiz,
é como o elogio de dez".

Assim diz o pensador:
"O tempo passa veloz".
Mas, eu digo, meu senhor,
velozes passamos nós.

Assim se porta o covarde,
com ares de valentão,
ao percorrer toda parte,
com escopeta na mão.

A trova que, num repente.
surge livre no meu ser
diz o que minh’alma sente
naquele instante a viver.

A trova, toda alegria,
ao colorir sua rima,
propaga nova harmonia,
criando até obra-prima.

A vida é o luzir veloz,
encanto em fugaz momento,
apenas um sonho atroz
nas asas sutis do vento.

Canto sempre a natureza
e as rosas do meu caminho;
nestas flores há realeza,
apesar de muito espinho.

Com seus voos de condor,
recriando alma florida,
trova que fala de amor
é a melhor trova da vida.

Contemplo o rio da cidade
da minha terra natal...
e vejo calamidade
sobre agonia fatal...

Corre a tristeza salgada
numa cruel soledade,
e a desventura é calada
na lágrima da saudade.

Elevo meu pensamento
em delírio natural;
meu pátrio devotamento
é a minha terra natal.

Em sendo o "fiel da balança",
a Justiça é protetora;
dos povos - a segurança,
e dos maus - a vingadora.

Grande síntese é a trova:
concentra numa quadrinha
o muito que se comprova
até na mera entrelinha.

Há muita autobiografia
que está longe da verdade;
mostra farta fantasia,
cobrindo falsa deidade.

Meras conquistas terrenas,
inúteis preciosidades,
deixam nossas almas plenas
de tolices e vaidades.

Meu coração franciscano
vive feliz neste aprisco;
tenho a UBT por arcano,
co'a bênção de São Francisco.

Minha mãe deixou-me, sim,
mergulhado em soledade;
mas ressuscitou, enfim,
no coração da saudade.

Muitas vezes, a vaidade
lembra o manto colorido
que disfarça a nulidade
de um caráter iludido.

Na ideia de eternidade,
relógio não há, pois sim;
perante Eterna Verdade,
a hora ali é sem fim.

No íntimo mais profundo,
fingindo santa inocência,
quem mostra o porão imundo
da sua própria consciência?

No lume que a trova leva
rebrilha a literatura,
dissipando a inculta treva
que inda ocultava a cultura.

O rio, outrora galante,
tristonho, já sem beleza,
parece um velho arquejante,
expulso da natureza.

Quem é vazio de interior
não suporta a solidão;
quer convívio, quer amor,
mesmo que seja o de um cão.

Se tivesse inspiração,
escreveria um poema;
certamente, com razão,
amor seria o meu tema.

Um país equilibrado
ruma firme para o norte;
tem povo politizado
com salário digno e forte.

Fonte:
Lairton Trovão de Andrade. Perene alvorecer. 2016.
Livro enviado pelo autor.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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