Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Reinaldo Pimenta (Origem das Palavras 6)


PLANTAR BANANEIRA
Plantar bananeira é se pôr de cabeça para baixo, com as mãos apoiadas no solo e as pernas esticadas para o alto, semelhantemente às folhas de uma bananeira. Sim, às folhas. Pare de pensar bobagem: mulheres também plantam bananeira.

PÔR AS BARBAS DE MOLHO
Para andar na moda do pescoço para cima, o homem é menos abençoado que a mulher. Elas se valem de penteados, maquiagens e adereços. Eles, já que nada conseguem fazer com as sobrancelhas, ficam restritos ao cabelo e à barba. A ausência do cabelo, provocada ou natural, pode até virar moda, mas passa. Bom mesmo é dispor de uma vasta cabeleira e levá-la ao túmulo com imponência de efígie. O sonho maior de todo careca não é fortuna em dólar, nem a Adriane Galisteu, mas tão-somente uma, apenas uma única coisa: cabelo.
No caso da barba, se nenhuma, é rotina; se escassa, é desleixo, mas também já virou moda. Então ficamos assim: a barba é o ponto a atacar. Se o prezado leitor não é um Adônis, vá por aí. Antigamente, como os mendigos duravam pouco e não existia a gravata, a barba era sinal de honra, prestígio, poder. Uma grande humilhação era ter a barba cortada. Daí se fizeram vários provérbios sobre a importância da barba como elemento de aferição do valor de um homem. No latim (importado do grego): "Barba non facit philosophum", a barba não faz o filósofo; no francês: "Du cotê de la barbe est la toute-puissance", a barba traz o poder absoluto.
Do espanhol, que produz uma singela rima, o provérbio veio parar no português: "Quando las barbas de tu vecino veas pelar, pon las tuyas a remojar", "Quando vires as barbas do vizinho pelar (escassear), põe as tuas
de molho". E assim o uso popular ficou com o pedaço final do provérbio e pôr as barbas de molho passou a ser usado como sinônimo de acautelar-se.

BARBEIRO
O nome do profissional veio de barba + a terminação designativa de profissão -eiro.
Agora, veja os seguintes trechos extraídos do verbete "barbeiro" no dicionário Morais Silva:
"Homem que tem por ofício rapar ou aparar barbas e cortar o cabelo. Dentista, curandeiro. Havia antigamente barbeiros de lanceta, isto é, sangradores. Indivíduo que não é hábil na sua profissão."
No Brasil e em Portugal, até as primeiras décadas do século XIX, os barbeiros também praticavam odontologia e medicina, chegando até a realizar pequenas cirurgias (médico especialista era coisa de rico, de gente da corte). E aí imagine o que deve ter acontecido com os pobres clientes. Quantos dentes mal arrancados? Quantas bocas feridas? Quantas punções geradoras de infecções terríveis? Quantos quelóides? Associe a isso o fato de o ofício de barbeiro, em sentido restrito, não exigir uma especialização, mas tão-somente certa habilidade manual (com todo o respeito aos profissionais do ramo). Pronto! Não foi difícil a palavra ganhar aquela última acepção, "indivíduo que não é hábil na sua profissão". Daí também se formou barbeiragem como sinônimo de incompetência.
Já o nome do inseto é outra história.
Em abril de 1909, o jovem cientista mineiro Carlos Chagas, então com 30 anos, assim se pronunciava num comunicado:
"Saibam todos que o inseto conhecido por barbeiro ou chupão, encontrado nas casas de pau-a-pique dos sertanejos do Brasil, é portador de um parasita que causa febre, anemia, cardiopatias e aumento dos gânglios."
E todos ficaram sabendo que Chagas havia identificado o agente causador da doença, um protozoário (transmitido pelo barbeiro) que ele chamou de Trypanosoma cruzi, em homenagem ao sanitarista Oswaldo Cruz. A partir daí, foi o povo que se encarregou de outra homenagem, batizando o mal como "doença de Chagas".
O barbeiro deve seu nome popular ao fato de ele chupar o sangue da sua vítima quase sempre no rosto, enquanto ela dorme (na verdade, o barbeiro não tem uma predileção especial por rostos, é que, ao dormirmos, essa parte do corpo se acha sempre descoberta e ao inteiro dispor do vampirinho).

BESTA QUADRADA
Besta veio do latim besta, animal feroz. Besta quadrada não tem nenhum ingrediente geométrico, o que faria supor a existência da besta redonda. Trata-se da simplificação de besta elevada ao quadrado. E a superbesta, o grande imbecil.

Fonte:
PIMENTA, Reinaldo. A casa da mãe Joana 2. RJ: Elsevier, 2004

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to