Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

O Índio na Literatura Brasileira (Estante de Livros) 1

ALENCAR, José de. O Guarani.

Narra a história do chefe Aymoré Peri, que encarna um herói de romance de cavalaria. Destemido, cheio de sentimentos nobres, apaixonado e bom, Peri se envolve em batalhas e aventuras em nome de sua amada, Ceci, filha do invasor branco. Com músculos de aço e coragem invencível, Peri (palavra que significa “junco silvestre” em Guarani) luta contra os conquistadores e é capaz de realizar todos os sacrifícios por amor a Ceci (termo Guarani equivalente a “magoar”).

ALENCAR, José de. Iracema: lenda do Ceará.

Narra a história de um irresistível e proibido amor, entre Iracema, a mais bela de todas as índias Tabajara, e Martim, um bravo guerreiro português. Na história tem origem o local que um dia veio a tornar-se o estado do Ceará.

ALENCAR, José de. Ubirajara: lenda Tupi.

Narra a história de Jaguarê, figura central do romance, que procura derrotar outros guerreiros para, com isto, vir a ser considerado o mais forte e valente índio do povo Araguaia. Durante sua busca pelos adversários, conhece Araci, índia Tocantim, por quem se apaixona, mesmo já estando comprometido com Jandira, jovem Araguaia como ele. A busca pelo seu reconhecimento como guerreiro e pela conquista de seu amor são elementos que estão presentes em toda a narrativa e que se cruzam para a criação dos episódios que estruturam a obra.

ALMEIDA, Gercilga. O mistério do Memuã.

Narra a história de Lalá e Tito, que são amigos de Piá, filho do chefe dos Kamayurá. Um dia, recebem de presente uma linda arara azul, e vovô Eraldo percebe que este pássaro lhe traz uma mensagem, um mistério para ele resolver. Logo que chegam as férias, as crianças e o avô viajam para o Parque do Xingu, onde aprendem como os índios trabalham e vivem. Para encontrarem a solução do mistério, eles viajam também para Brasília.

ALVAREZ, Reynaldo Valinho. Um índio caiu do céu.

Apresenta a história de Ariranha, personagem central de Um índio caiu do céu, representante de todas as nações indígenas brasileiras. As ações do personagem retratam a vivência do trágico processo de desestruturação cultural.

AMADO, Roberto. As aventuras de Iakti, o indiozinho.

Narra a história de Iakti, um indiozinho muito inteligente e esper to que se envolve em várias aventuras na floresta. Primeiro, recebe a missão de recuperar a voz de um amigo, roubada por Puara, um espírito brincalhão da selva. Depois, apaixona-se pela lua e sonha com um jeito de alcançá-la. Acordado desse sonho, Iakti vive, juntamente com seus amiguinhos, uma disputa acirrada com os meninos da aldeia vizinha. Por fim, nosso herói é injustamente acusado de ter roubado um arco e uma flecha que pertenceram a um grande guerreiro. Assim, Iakti foge da aldeia e vai viver com um ermitão, que lhe transmite muitos ensinamentos sábios.

AMARAL, Maria Lúcia. O robô e o índio.

Narra o encontro entre um robô e um índio, intermediado por dois meninos, levados num passeio cheio de aventuras pela cidade grande. O contraste, mesmo no terreno do faz-de-conta, é dos mais insólitos. A magia da fábula se intensifica com o convívio entre o robô e o índio, provando que a harmonização das diferenças é possível quando se opera numa atmosfera de entendimento e de amor.

ANDRADE, João Batista de. A terra do Deus dará.

Narra a aventura de dois adolescentes da cidade que, em viagem à fazenda do tio, chamado Olavo, localizada em Minas Gerais, conhecem Tuim, um rapaz mestiço, cujo pai, o líder camponês Ramiro, fugira para o Paraná depois de ter matado um capataz numa briga. Interessados pelo destino de Ramiro, os dois colegas decidem acompanhar Tuim na busca do pai, na “terra do Deus dará”. Esta aventura os levará a uma região violenta, marcada por conflitos entre índios, posseiros e grileiros.

ANDRADE, Telma Guimarães Castro. Uma aldeia perto de casa.

Conta a história de um menino que, para fazer uma pesquisa escolar, visita uma aldeia Guarani. Observa a rotina diária da aldeia, aprendendo sobre a cultura, a educação e, principalmente, sobre a luta dos índios pela terra e por seus direitos.

ANDRADE E SILVA, Waldemar. Lendas e mitos dos índios brasileiros.

Apresenta 24 lendas indígenas, selecionadas e interpretadas pelo pintor-contador de histórias Waldemar de Andrade e Silva. Ilustrado com 25 obras deste grande artista, o livro é fruto de sua convivência de oito anos com os principais povos do Xingu. De um lado, a obra mostra a riqueza de detalhes e as cores vibrantes da pintura naturalista, do outro, um texto revelador da sensibilidade desse “aluno do índio e da natureza”.

AQUINO, Rubim Santos Leão de. Os primeiros brasileiros.

Apresenta, em quadrinhos e literatura, o resgate da Pré-História do Brasil, com um texto emocionante e original. O resultado são aventuras incríveis, capazes de empolgar até mesmo quem nunca se interessou por História.

AUSTRIANO, Poliana. Três histórias do povo das terras do Brasil

Aborda a história da formação do povo brasileiro, enfocando o índio, o branco e o negro. Tudo começa quando os portugueses decidem colonizar o Brasil. Isto aconteceu há 500 anos!

AZEVEDO, Ricardo. Armazém do folclore.

Apresenta o Saci, a Iara, o Curupira, o Bichopapão, o Lobisomem e muitas outras personagens do imaginário popular. Coletânea de contos, quadras populares, frases-feitas, adivinhas, ditados, trava-línguas e receitas culinárias, que abre ao leitor o vasto universo do folclore brasileiro.
Fonte:
Moreira, Cleide de Albuquerque; Fajardo, Hilda Carla Barbosa. O índio na literatura infanto-juvenil no Brasil. - Brasília: FUNAI/DEDOC, 2003.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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