Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 10 de março de 2013

III Festival Nacional do Conto (Desde 19 a 23 de Março, em Florianópolis)

O Festival Nacional do Conto, único evento dedicado ao gênero na América, acontecerá pela primeira vez em Florianópolis, a partir de 19 de março, no Teatro do Sesc Florianópolis Prainha. Serão cinco dias dedicados ao tema, neste projeto de difusão, discussão e fomento, que traz para Santa Catarina o debate sobre um dos gêneros literários mais populares do globo.

O evento, idealizado pelo escritor Carlos Henrique Schroeder, que assina a curadoria, é uma realização do Sesc e da Design Editora, com apoio da Editora UFSC, e pretende revitalizar o gênero e aquecer o debate. Para isso, aposta na nova geração de escritores brasileiros, também premiada e reconhecida no exterior.

Para esta terceira edição, os nomes confirmados são Luiz Vilela (MG), Ronaldo Bressane (SP), Luci Collin (PR), Marcelo Moutinho (RJ), Antônio Xerxenesky (SP), Leandro Sarmatz (SP), Julián Fuks (SP), Luiz Felipe Leprevost (PR) e Silveira de Souza (SC).

O Festival

Livremente inspirado no Festival Europeu do Conto (realizado em Zagreb, na Croácia), o Festival Nacional do Conto é um projeto de difusão, discussão e fomento, e traz para Santa Catarina o debate sobre um dos gêneros literários mais populares do globo. Realizado desde 2011, o evento chega à terceira edição para revitalizar o gênero e aquecer o debate.

O festival aposta na nova geração de escritores brasileiros, também premiada e reconhecida no exterior, para promover um novo olhar sobre o conto.

Autores como  Veronica Stigger, Santiago Nazarian, Ivana Arruda Leite, Marcelino Freire, Nelson de Oliveira, Joca Reiners Terron, Daniel Galera, Tony Monti, Marne Guedes, Diogo Henriques, Elvira Vigna, João Anzanello Carrascoza, Paulo Scott, Luiz Felipe Leprevost, André de Leones,  Luís Henrique Pellanda, Ricardo Lísias e Luiz Ruffato já passaram pelo evento.

“Apostamos nas novas gerações e também na diversidade dos narradores, são autores de grande qualidade que nem sempre são conhecidos do grande público, e é para isso que serve um festival, mediar conhecimento e difundir novas ideias” afirma Carlos Henrique Schroeder, o curador do evento. O Festival é uma realização do SESC SC e da Design Editora e conta com o apoio da Editora UFSC.

Programação

Todas as mesas do evento ocorrem no Teatro SESC Prainha (Travessa Syriaco Atherino, 100, Centro, Florianópolis), com entrada franca.

19 de março de 2013, terça-feira

20h – O tremor da terra:  abertura oficial com o convidado de honra Luiz Vilela
Leitura de um conto inédito do livro “Era Aqui”, de contos, a sair pela Editora

Record ainda no primeiro semestre deste ano, seguida de um bate-papo com Luiz Vilela. Autor de vários livros de contos, entre os quais A Cabeça, Vilela é, inegavelmente, um dos maiores contistas brasileiros de todos os tempos. Escreveu também novelas, como “Bóris e Dóris”, e romances, como “Perdição”, este seu mais recente livro, publicado em 2011 e que recebeu o Prêmio Literário Nacional PEN Clube do Brasil 2012.

20h40min – A estranheza do conto, com Luci Collin

As fronteiras do conto e o espaço que o gênero ocupa na produção de Luci Collin. A  curitibana Luci Collin conquistou seu espaço como uma das grandes vozes do conto com “Precioso impreciso”, “Inescritos”, “Vozes num divertimento”  e “Acasos pensados”. A curitibana é pós-doutora em literatura irlandesa pela USP e já traduziu Gary Snyder, Gertrude Stein, E. E. Cummings, Eiléan Ní Chuilleanáin e Jerome Rothenberg, entre outros.

20 de março de 2013, quarta-feira

20h – A diversidade no conto brasileiro contemporâneo, com Marcelo Moutinho (RJ), Antônio Xerxenesky (SP) e Ronaldo Bressane (SP)


Três contistas absolutamente diferentes numa conversa franca sobre os caminhos da prosa brasileira contemporânea. Autor dos livros de contos “A palavra ausente”, “Somos todos iguais nesta noite” e “Memórias do barco”, o carioca Marcelo Moutinho conversa com o gaúcho radicado em São Paulo, Antônio Xerxenesky, autor de “A página assombrada por fantasmas” e “Areia nos dentes”, e com o paulista Ronaldo Bressane, autor da trilogia de contos A Outra Comédia, composta por “Os infernos possíveis”, “10 presídios de bolso” e “Céu de Lúcifer”. Organizou a coletânea de contos “Esta História Está Diferente”, pela  Cia das Letras e é roteirista da novela gráfica V.I.S.H.N.U. (Cia das Letras).

21 de março de 2013, quinta-feira

20h – Tradição e contemporâneidade, com Leandro Sarmatz e Julián Fuks

Os fantasmas que rondam a escrita e o peso da tradição na produção contemporânea. Gáucho radicadoem São Paulo, o descendente de imigrantes judeus Leandro Sarmatz, autor de “Logocausto” e “Uma fome”, debate com o paulista e filho de argentinos Julián Fuks, autor de “Fragmentos de Alberto,Ulisses, Carolina e eu”, “Histórias de literatura e cegueira” e “Procura do romance”.

22 de março de 2013, sexta-feira

20h – Ecos: uma conversa com Silveira de Souza


Uma homenagem para um dos grandes contistas catarinenses, autor de “Ecos no porão – Volumes I e II”, “Relatos escolhidos” e “Janela de varrer”. A conversa será mediada pelo poeta e diretor da  Editora da UFSC, Sérgio Medeiros.

23 de março de 2013, sábado

20h – Show “Já tive uns ataques, vou ter mais uma síncope” e lançamento do EP homônimo, com Luiz Felipe Leprevost

O curitibano Luiz Felipe Leprevost é poeta, dramaturgo, contista, músico, ator e diretor teatral.  É autor do livro/CD “Fôlego”e dos livros “Tornozelos Deitados”, “Cecília Roendo as Unhas”, “Ode Mundana”, “Pífio, monólogos dos psicotrópicos que não fazem mais efeito”  e “Inverno dentro dos Tímpanos”.

Oficina de criação literária com João Silvério Trevisan

João Silvério Trevisan é autor de “Ana em Veneza”, “Troços & Destroços”, “O Livro do Avesso” (os três vencedores do Prêmio Jabuti) e de “O rei do cheiro” (Prêmio APCA).

Sexta-feira, 22 de março de 2012: 19h até 22h

Sábado, 23 de março: 16h até 19h

Inscrições até 19 de março com Patrícia Galeli: patriciagaleli@sesc-sc.com.br

Fonte:
http://festivalnacionaldoconto.com.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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