Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 22 de dezembro de 2013

Lourival Açucena (1827 – 1907)

Joaquim Eduvirges de Mello Açucena, ou Lourival Açucena ou Lorênio (Natal, 17 de Outubro de 1827 – Natal, 28 de Março de 1907) foi o primeiro poeta do Rio Grande do Norte.

Sua poesia era ligada ao Romantismo, mas tinha forte relação tardia com o Arcadismo.

Teve uma vida agitada e participava ativamente dos serões boêmios de Natal.

Para visitar sua amada, chegava a atravessar o Rio Potenji a nado e ainda andar algumas léguas até o município de São Gonçalo do Amarante, onde ela morava.

Ficou preso por dois meses no Forte dos Reis Magos, acusado de desfalque.

Figura emblemática em Natal, Lourival Açucena foi funcionário público, juiz de paz, delegado de polícia, oficial de gabinete do Presidente da Província, seresteiro, ator e poeta.

Como cantor, alcançou fama nos festejos religiosos, Diz-se que era cantor de grandes qualidades e que se acompanhava ao violão. Há também notícias de que não teria se limitado a cantar apenas em Natal, chegando a se apresentar em Pernambuco com reconhecimento e aplauso. Tendo sido entre os nosso poetas um dos de mais longa existência (viveu 80 anos incompletos), ele notabilizou-se não apenas pela qualidade da sua poesia e talento de modinheiro, mas pela agitação que lhe marcou a vida, de modo especial no complicado relacionamento coma elite política da Província.

Não teve livro publicado em vida, mas, chegaria a ver poemas seus, impressos em várias publicações

Em 1853, representou o Capitão Lourival na peça O Desertor Francês, e sua performance rendeu-lhe o apelido que carregaria por cinquenta anos.

Escreveu para quase todos os jornais da cidade, mas não chegou a publicar livro algum em vida.

Ele teve seus textos publicados pela primeira vez com o surgimento do pioneiro jornalzinho O Recreio, em 1861, pois seu talento e agitada vida pessoal acabaram se tornando objeto de interesse entre os que residiam na capital e arredores.

Lourival casou-se por três vezes e teve 32 filhos.

Trinta dias após a morte de Lourival Açucena os amigos publicaram uma Poliantéia, breve reunião de poemas seus, para homenagear-lhe a memória. O pequeno volume saiu pela Oficina Literária Norte-Rio-Grandense. Coube, porém, a Luiz da Câmara Cascudo, contando coma colaboração do filho do poeta, querida personalidade natalense, Joaquim Lourival (o "professor Panqueca", proprietário de uma concorrida escola particular), a tarefa de reunir tudo o que pode recolher dos seus poemas, publicando um volume a que chamou de Versos, em 1927.

Em 1987 a Universidade Federal do Rio Grande do Norte voltaria a editar este trabalho.

Coincidindo com a irrequieta personalidade do autor, a sua poesia não revela unidade, um traço comum, capaz de caracterizá-la. Ao contrário, é fácil perceber lendo os seus poemas, que a ele não preocupou filiar-se a qualquer escola, (embora seja forte em sua pequena obra a presença do arcadismo). Tal diversificação encontraria uma possível justificativa em sua condição de modinheiro, pressupondo-se, aí, a obrigação de variar o repertório e o seu estilo, com vistas a atender à solicitação popular. Assim, é possível vê-lo também como romântico e até como poeta clássico. Mas, é justamente quando adota a maneira mais próxima do povo, nas quadras, nos termas satíricos, que se percebe um Lourival Açucena mais autentico. Isto é fácil de comprovar em "A Política" onde ele "filosofa" a respeito desta prática à época do Império.

Em sua homenagem, Ferreira Itajubá escreveu o poema No Campo Santo:

Morreste e não soubeste, ó grande veterano,
Que, quando por Natal, a rosa todo ano
Floresce alegremente, entre as demais roseiras,
O prado embalsamando, ao lado das primeiras,
esta alma não rebenta em rosas de ilusão
Como quando cantaste ao som do violão.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lourival_A%C3%A7ucena
http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090308125215AAmCLnE

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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