Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Irmãos Grimm (O Rato, o Pássaro e a Salsicha)

Era uma vez um rato, um pássaro e, uma salsicha que ficaram amigos, e cuidavam juntos de uma casa, viviam bem e eram felizes uns com os outros, e de forma maravilhosa conseguiram aumentar o patrimônio. O pássaro tinha como tarefa voar todos os dias para a floresta trazendo lenha para casa. O rato tinha que trazer água, acender o fogo, e arrumar a mesa, mas era a salsicha que tinha de cozinhar.
 
Quem está muito bem está sempre desejando algo melhor. Um dia, portanto, o pássaro conheceu um outro pássaro no caminho, a quem ele relatou a ótima situação em que se encontrava e que era motivo de muito orgulho para ele. O outro pássaro, todavia, disse que ele era um tolo por trabalhar tanto assim, e disse que os dois que ficavam em casa se divertiam muito mais. Pois quando o rato tivesse acendido o fogo e ido buscar água, ele ia para a sua pequena caminha descansar até que o chamassem de novo para colocar a mesa. A salsicha tinha de ficar perto da panela, observando se a comida estava cozinhando bem, e, quando estava quase chegando a hora do jantar, a salsicha entrava dentro do caldo e ficava se mexendo uma ou duas vezes nos vegetais e para que o caldo ficasse engordurado, salgado e estivesse pronto.
 
Quando o pássaro voltou para casa e descarregou a lenha que trazia, eles se sentaram para jantar, e depois de terem comido toda a refeição, eles dormiram até não aguentar mais até a manhã seguinte, e aquela era uma vida maravilhosa.
 
No próximo dia o pássaro, aconselhado pelo outro pássaro, não queria mais ir para a floresta, dizendo que ele estava cansado de ser escravo, e que havia sido enganado pelos dois, e que a tarefa que eles faziam, precisava ser diferente, e que as tarefas deveriam ser trocadas. E mesmo que o rato e a salsicha implorassem para ele com toda sinceridade, o pássaro se manteve irredutível, e disse que eles deveriam tentar. Eles fizeram um sorteio, e a sorte caiu sobre a salsicha que deveria ir buscar lenha, o rato deveria cozinhar, e o pássaro buscar água.
 
O que aconteceu? A pobre salsicha se enveredou floresta a dentro, o passarinho acendia o fogo, e o rato ficava perto da panela e esperava ansioso até que a salsicha voltasse para casa e trouxesse lenha para o dia seguinte. Mas a salsicha se demorou tanto no caminho e os dois ficaram com medo que ela houvesse se perdido, até que o passarinho decidiu voar para ver se a encontrava. Não muito longe dali, todavia, ela encontrou um cachorro no meio do caminho que se apoderou da coitada da salsicha como se ela lhe fosse uma presa por direito, e abocanhando a salsicha, engoliu-a. O pássaro acusou o cachorro dizendo que ele era um ladrão descarado, mas não adiantava falar, pois disse o cachorro que ele encontrou com a salsicha cartas falsas, cujo conteúdo colocaria em risco a vida dele.
 
Presa de grande consternação, o pássaro deixou a floresta, e voou para casa, e contou o que tinha visto e ouvido. Eles ficaram muito assustados, mas concordaram que deviam fazer o melhor e permanecer juntos. O pássaro então, colocava a toalha, e o rato preparava a comida, e quando quis temperar o alimento, o rato entrou dentro da panela como a salsicha costumava fazer, e rolava e ficava se mexendo no meio dos vegetais para que ficassem bem misturados; mas antes que ele se misturasse no meio deles ele parou, e foi perdendo a pele e os pelos e perdeu a vida nessa tentativa.
 
Quando o pássaro retornou para fazer o jantar, o cozinheiro não estava lá. Aflito o pássaro deixou cair a lenha por toda parte, chamando e procurando, mas o cozinheiro não foi encontrado! Por causa do seu descuido a madeira pegou fogo, e o fogo se alastrou por toda parte, o pássaro correu para buscar água, mas o balde caiu de suas garrinhas e foi para dentro do poço, ele perdeu o equilíbrio e caiu também, mas não conseguiu se salvar, e morreu afogado dentro do poço.

Fonte:
Contos de Grimm. Wikipedia.
Imagem = http://www.grimmstories.com/pt/grimm_contos/o_rato_o_passaro_e_a_salsicha

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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