Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Concurso Nacional de Poesias de Ponta Grossa/PR (Resultado Final)

Mais de 400 trabalhos foram inscritos nas categorias local e nacional do Concurso de Poesias 2013, que conheceu os vencedores esta semana. O edital foi promovido pela Fundação Municipal de Cultura (FMC) e Conselho Municipal de Política Cultural (CPMC). A homenageada deste ano é a poeta ponta-grossense Sônia Ditzel Martelo. Os demais concursos literários ainda não divulgaram os resultados.

A Comissão Avaliadora, composta por Sônia Ditzel Martelo, Diego Gomes do Valle e Ubirajara Araújo Moreira, escolheu vencedores locais e nacionais. Cada premiado recebe um prêmio no valor de R$ 1 mil.

O concurso, que acontece desde 2008, visa incentivar a produção literária local e o intercâmbio com brasileiros que gostam das letras. Nesta edição, o edital recebeu centenas de inscrições, dificultando o trabalho da comissão, como explica a professora Sônia Ditzel Martelo. Ela e os demais avaliadores leram 362 poemas nacionais e 63 de Ponta Grossa. “Foi muito intenso e gratificante participar de um concurso nacional dentro da maior seriedade como são os trabalhos desenvolvidos pela Fundação”, reforça Sônia.

O presidente da Fundação Municipal de Cultura, Paulo Eduardo Goulart Netto, lembra que os interessados com residência em Ponta Grossa puderam se inscrever nos dois níveis, bastando enviar trabalhos diferentes e inéditos. “O grande número de inscrições mostra que Ponta Grossa se firma no cenário nacional como uma grande incentivadora e aglutinadora da produção literária, além de mostrar a seriedade do trabalho desenvolvido pelo órgão gestor de Cultura ao longo dos últimos anos”, revela.

Por iniciativa da Comissão Avaliadora, foram conferidas ainda 12 menções honrosas (quatro para poetas ponta-grossenses e oito para outras cidades brasileiras), devido à alta qualidade das produções apresentadas. As obras premiadas e as menções honrosas serão publicadas em antologia, numa edição especial dos concursos de Contos, Poesias e Crônicas de 2013, com 1.500 exemplares, editada pela Fundação Municipal de Cultura no 1º semestre de 2014.

Vencedores

Categoria Nacional:


1º Lugar – Vó e Vô – André Telucazu Kondo, Jundiaí/SP

2º Lugar – Ananás – Rei! – José Jair Batista Filho, de Arujá/SP

3º Lugar – A Vertigem - Adriano Apocalypse de Almeida Cirino, Belo Horizonte/MG

Categoria Local

1º Lugar – Cheiro de Sítio – Elioenai Padilha Ferreira, de Ponta Grossa/PR

2º Lugar – Fugas Caseiras – Kleber Bordinhão, de Ponta Grossa/PR

3º Lugar – Conexão Virtual – Cássia Letícia Miranda Rodrigues, de Ponta Grossa/PR

Menções Honrosas - Local


Escape – Hellen Andréia da Silva Bizerra, de Ponta Grossa/PR

Dez para as Sete – a.m. – Ana Carolina Gilgen, de Ponta Grossa/PR

Testamento - Rosana de Hollebem, de Ponta Grossa/PR

Marés – Samuel Antunes dos Santos, de Ponta Grossa/PR

Menções Honrosas - Nacional

Acróstico – Carlos Alberto de Assis Cavalcanti, de Arcoverde/PE

Poeta Analfabeto – Rômulo César L. Rodrigues de Melo, de Recife/PE

O Milagre dos Corpos - Odenir Paim Peres Júnior (Odemir Tex Jr), de Santa Maria/RS

Poema de Insetos - Marcelo Melo Soriano, de Santa Maria/RS

Porque os Amavam... - Maria Apparecida S. Coquemala, de Itararé/SP

Ilusionismo – Carlos Henrique Costa, de Rio de Janeiro/RJ

Insônia – Rodrigo Ladeira, de Itanhaém/SP

Falado! – Geraldo Trombin, de Americana/SP

Fonte:
http://www.culturaplural.com.br/concurso-de-poesias-revela-resultado/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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