Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de janeiro de 2014

Eunice Tomé (Canais de Santos – Nossas referências)

 Praia José Menino - 1902
Pintura de Benedito Calixto.
Todas as cidades têm seus ícones. Entre os vários marcos que Santos possui, sem dúvida alguma, os canais são os mais referenciais. São como colunas vertebrais que sustentam a parte física de seu traçado, vindas de dentro para fora, do centro para a orla.

Engendrado o projeto pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito, solução para o fluxo de águas servidas, seu criador nem imaginava que, por outro lado, suas funções seriam ampliadas como outros meios: de comunicação, de marco simbólico, de brincadeiras e de visual urbanístico.

Vale a pena trabalhar com essa idéia e pensar a obra com olhos poéticos e saudosistas. Quem foi criança em tempos idos, teve, principalmente os meninos, a oportunidade de pegar peixinhos no interior dos canais, pular de um lado para outro e de se perder na longitude de suas águas que avançavam para o mar em dias de maré cheia e de chuva. Esse é um dos registros memoráveis de uma geração inteira, que fugia aos olhos da mãe e, curtindo a liberdade, entrava naquele espaço de prazeres sem fim, inclusive viajando nos barquinhos de papel que chegavam até a barra e atingiam os oceanos.

Na fase juvenil, as beiras ou pontes do canal eram os pontos de encontro dos garotos, que sentavam nas grades para jogar conversa fora e trocar as suas experiências de descobertas de um mundo novo. Era como um santuário, onde eles confessavam que já eram homens adultos, com todos os hormônios a aflorar. Nem tudo era pureza, mas comparando com o momento atual, sem dúvida, eram sacanagens permitidas.

Como marco de comunicação, os santistas costumam dizer que moram no canal 1, 2, 3..., quando na verdade residem em ruas próximas, transversais ou paralelas aos canais. É uma forma de situar, como se dissessem o nome do bairro ou da região. Isso também acontece com os turistas que pouco conhecem o desenho do município, mas acabam por localizar-se pelos canais que cortam toda a avenida da praia.

A sua numeração define ainda, em seu entorno, alguns points marcantes e conhecidos de todos e acabam por ser referências de baladas, de esportes, lazer, ginástica, gastronomia e, bem recentemente, de passeios ciclísticos. Turmas e grupos de jovens também são denominados e conhecidos por esses marcos simbólicos, às vezes havendo até disputa entre eles.

Embora todos os sete canais (sem contar alguns menores que deságuam nos principais) tenham semelhanças em seu visual, cada qual conta com suas diferenças – um tipo de árvore que o ladeia (os jamboleiros do canal 3), uma altura maior mais, uma abertura mais ampla, maior ou menor quantidade de pontes para pedestres e veículos, que cruzam de um lado a outro, e outros tantos detalhes característicos. Todos com sua personalidade própria, completamente integrados ao aspecto urbano.

Os moradores mais velhos, aqueles que têm tempo de refletir sobre a vida e seus enigmas, param para olhar aquelas águas passadas e que, repetidamente, chegam ao mar, em fluxos e refluxos, levando não só dejetos, mas tantos sonhos, lembranças e alegrias. É como um ritual de passagem, onde pela canalização fossem ocorrendo fenômenos de purificação e renovação.

Tudo vai mudando, inclusive as gerações. Só os canais ficam como personagens oculares e guardiões da cidade, nesses cem anos de existência. Seus traçados, como vimos, são mais que marcos físicos. São como veias que singram o corpo e a alma dos santistas.

Fonte:
http://www.geocities.ws/maniadeler_1/cronicas.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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