Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Salomão Sousa (Poemas Avulsos)

Ela espera com as verbenas boas...

Ela espera com as verbenas boas
e em repouso todos guerreiros mortos
A luta esqueceu de bater na porta
e buscavam guerreiros de bom garbo
as chamas das verbenas sobre as águas
Estariam após as portas do sol
Schiller ameaçou tocá-las em Jena
e antes que as alcançasse houve a cegueira
Erguiam pontes e nelas se agarravam
e iam e se perdiam fundos nos lamaçais
Eram milhões para depois do gelo

E ao lado dos mortos fervem as hienas
vorazes nas vísceras dos guerreiros
e jamais se juncarão de verbenas
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E é o veneno que cresce no silêncio...

E é o veneno que cresce no silêncio
E é até o broto da lágrima
que está seco dentro de uma rocha
E é um vazio como um grão de ouro
e é uma tortura como o sentir de um coice
A mão esquecida sobre a bainha
e não há um corte para esvaziar o escarro
Há o pressentir de um estouro
e há um campo cheio de quietos touros
e não há uma queda onde quebrar a cara
e não há uma vara para escapulir da tara
Sem um gorjeio sequer num vento livre
e tudo é vendaval sem pedir ajuda
Não há o corte fino de uma lâmina
sobre o desejo que escurece
a passagem que vai dar ao ânimo
Não era para ficar uma pétala
Não era para bater um coice
E caem alimárias e crescem galhos
Fundição num domínio de pedra
e não há o bafejar do vento
e não há o entranhar de uma gota
e não há o pulsar de um malho
Irá inocular e será inócuo
Será sem sentido e falhas puras
O bote cairá numa pedra
e o brilho será jacinto murcho
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Mede o universo verde...
 

Mede o universo verde
a lacraia no caule da piteira
Queimará seu dia de sol
Passará pela última lança
com as cem patas ondeadas
Não sou nem mesmo o eunuco
cuidando das fibras
das damas verdes
Não sou nem mesmo a pata
fritando dentro da trempe
Chegarei a esmo à ultima lança
e não terei atravessado
o cabo das tormentas
Meço o universo
e não sou nem mesmo o louco
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Nula fístula na língua...

Nula fístula na língua
Nulos lambris de nylon
Nulos pára-choques
pára-brisas parangolés
Nulo curral de lama
Desentupir nas bisnagas
e nas agulhas
os debruns
de enfeitar os nulos trapos
Desentupir nas tetas
o leite para as nulas goelas

Desfincar as estacas
que estancam as bocas dos sapos
Admirar ser a nula lacraia
debaixo do cavaco
A nula tartaruga demaiada
com a nula areia no sovaco
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Nasci entre toras...

Nasci entre toras
Só entendo
de maneira entre
cortada
De carne em cubos
De esterco
esfarelado
De madeira em
cavacos
Frases de três
duas palavras
Uhm?
Posso perguntar
sem nenhuma frase
Além de nascer
entre lenhas
entre pirilampos
Posso
esbarrar no silêncio
uhm rhum!
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Para quando será a entrega?

Para quando será a entrega?
Está sendo aguardada
com todas as ardentias
Virá num ribombar de raios
e nada deixará sobre o solo
Não será o tridente
ou a tocha de ferro dos deuses
Também a semente prepara
o estalo de alguma entrega
Dará as veias da madeira
ou a arrogância do espinheiro
Também o sol prepara
o esvaziamento de uma entrega
Dará um barro quebrado
no poço onde estaria a aguada
Virão as ardências da pele
e a esfrega será putrefata
Virá a violência do meteoro
e a estrela será de pedra
Se não for de fogo
derramará seus grotões de água
E se a entrega for de leite
este também será derramado
nos intentos de impedir a trégua
E será possível tocar na dor
com a entrega do balde de lágrima
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Ame com as forças e os frouxames...

Ame com as forças e os frouxames
derramado corpo entre as águas
bóiá-lo molhado entre velames
Ame com as águas e os vexames
nenhum vulto de pedra aos pássaros
encorpá-la a freguesia de chamas
Ame com os pássaros e os enxames
enxotá-los os melros do torpor
afundar nos porões do prazer
corpo úmido abri-los os tapumes
Ame de braçadas entre melames
decantado ópio da podridão
corpo lavado levantar novas façanhas
Para atravessar atravessá-los os baldrames
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No espelho o nó...

No espelho o nó
a estação sem vitrines
e no lugar do seio
sem nódulos
veio uma verruma
Este espelho está
de olho velho
Perde um talho
na partição do acaso
Perde um artelho
na caminhada lerda
Perde a erva
após o ânimo
do último animal
E se fosse uma casa
iria perder as telhas
E se fosse uma árvore
perderia o verde
Tenta lançar
um tentáculo
Está lá o galho de arruda
Tenta
e nem o vento a favor
ajuda
Está de olho velho
está sem tentáculos
este espelho
Desaparece entre
os atalhos das aparências
a tentação da última prece
e o eco da última vítima

Fontes:
http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/salomao_sousa.html
http://www.jornaldepoesia.jor.br/ssousa.html

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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