quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Professor Garcia (Poemas do Meu Cantar) Trovas – 2 –


A dor das ondas e as minhas,
são ante as queixas do mar,
consolo das ladainhas
que a noite vive a cantar!
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Ante os teus ciúmes loucos
e a loucura desmedida;
o amor, vai sentindo aos poucos,
os desencantos da vida!
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Caicó - a idade avança,
mas no meu imaginário...
És linda moça criança
no teu sesquicentenário!
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Coração - cofre sagrado,
és o mais secreto cofre.
Só tu sabes do passado
das ilusões de quem sofre!
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É quando a mágoa me açoita
que busco em meus alfarrábios,
a resposta que se amoita
no silêncio de teus lábios!
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É tarde!... Em tua moldura,
logo assim que o sol se esconde;
uma saudade murmura,
por outra, que não responde!
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Fecho a janela, abro as portas
aos sonhos sentimentais...
Não quero esperanças mortas,
presas aos meus madrigais!
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Foto antiga!... E, pelos gestos,
por culpa de um neto ingrato...
Há cupins, comendo os restos,
do resto do teu retrato!
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Meu sabiá, tão contente,
cantas, fingindo o teu pranto;
nem vês que o pranto da gente
é triste quanto o teu canto!
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Meu versinho é uma criança,
que sozinho me insinua...
A levar paz e esperança
onde faltar paz na rua!
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O silêncio mais profundo,
me inspira e nele eu medito.
Ouço as torturas do mundo
no silêncio do infinito!
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Ostentação, nada diz.
Pobre e feio, também ama...
O sapo é pobre e feliz
mantendo os pés sobre a lama!
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Ouço um canto, me arrepio
e, aquela voz diferente,
vem da cascata de um rio
pranteando as mágoas da gente!
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Passando sem percebê-los,
os anos, de forma ingrata,
deixam-me a cor dos cabelos,
branquinhos, da cor de prata!
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Passo a passo e, sem alarde,
prossegue o pobre velhinho...
Tão perto do fim da tarde,
tão longe do velho ninho!
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Percebo que as mãos do outono
pintam na dor do poente,
cores das tardes sem dono,
donas das tardes da gente!
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Pobres cabelos grisalhos,
encanecidos, tão velhos;
fibras de tantos retalhos
que tecem meus evangelhos!
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Por teu amor, me proponho
a ser fiel ante a dor!...
Quem vive de amor e sonho,
vive as neuroses do amor!
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Qualquer adeus, nesta vida,
deixa um sabor tão cruel...
Que o gosto da despedida
amarga mais do que fel!
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Revivendo os sonhos vãos,
pelo tempo, envelhecidos;
trocamos beijos pagãos
por beijos prostituídos!
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Se amas a luz do luar,
te encantas, com tanto brilho;
vê quanto brilho, há no olhar,
da mãe que amamenta o filho!
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Se nossas almas se enlaçam,
ouço fingidos rumores,
entre corpos- que se abraçam
nos braços de outros amores!
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Toda tarde, em meus cansaços
ouço os teus conselhos belos,
na cantiga de teus passos,
no estalo de teus chinelos!
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Um grande amor não fenece,
resiste ao tempo que passa;
quanto mais ele envelhece,
mais tem ternura e tem graça!
- - - - - –
Vida dura!... Mil percalços,
e, essa ausência, inesperada,
me deixa de pés descalços
no meio da caminhada!

Fonte:
Professor Garcia. Poemas do meu cantar. Natal/RN: Trairy, 2020.
Livro enviado pelo autor.

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