Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 13 de março de 2010

Dante Mendonça (Pela Própria Natureza)


São diversos os mapas do Paraná. Norte, Sul, Leste, Oeste, cada qual enxerga o Paraná conforme lhe parece. Com o sol das três fronteiras alargando o horizonte, me acomodei no alto de uma árvore do Parque do Iguaçu e desenhei o mapa do Paraná, segundo a divisão geopolítica vista pela República Independente de Foz do Iguaçu.

Foz do Iguaçu é independente por natureza. E se assim não é de fato e de direito, falta pouco para o brado retumbante às margens plácidas do lago Itaipu. Visto lá do alto, o território de Foz do Iguaçu abrange a Argentina, o Paraguai e mais uma área de 199.314 km² que se estende até o Ocenao Atlântico. Terras essas pertencentes à 5ª Comarca de São Paulo, até 1853, e que agora, pelo menos na cartografia oficial, diz-se de jurisdição do Estado do Paraná. O que parece verdade, em parte: do ponto de vista das Cataratas, Curitiba nem mesmo é capital. Para alguns iguaçuenses, não passa de nascente do Rio Iguaçu. Outros, mais benevolentes, admitem Curitiba como a Cidade Industrial da Foz.

Isto, Serra Acima. Serra Abaixo, Paranaguá é o entreposto de importação da Região Metroplitana de Foz do Iguaçu, que comprende Puerto Iguazu, Ciudad del Leste e mais algumas povoações da Argentina e Paraguai. Antes de grande valia para o intercâmbio comercial com o mundo, o Porto de Paranaguá hoje é de relativa importância para a Costa Oeste, dizem os entendidos da logística muambeira: depois que o governador Roberto Requião trancou com a chave da discórdia o livre comércio portuário, o calado do Canal da Galheta pouco importa. Um metro ou dez metros, tanto faz. Através da bacia do Prata, agora os navios de todas as bandeiras descarregam os containers “in loco”, na barranca do Rio Paraná.

A única preocupação da República Independente de Foz é que, num próximo decreto sem pé nem cabeça (até ano passado, pelo menos 13 leis e decretos do governo haviam sido derrubados pelo Supremo), Roberto Requião decrete os importados como produtos transgênicos. Com isso, o “vizinho” governador só iria desmerecer o conceito de seriedade do comércio local perante o mundo.

Não fossem os escorchantes pedágios do Paraná, Foz do Iguaçu contaria com uma infraestrutura até razoável. Apesar de acanhado porte, o aeroporto Afonso Pena vem cumprindo sua função de trampolim para as Cataratas. De Curitiba, onde passa algumas horas conhecendo a cidade do alto do ônibus para depois comer galinha com polenta em Santa Felicidade, o turista tem algumas opções menores no Paraná: passeio de litorina na Serra do Mar, seguido do Barreado em Morretes; turismo rural nas coxilhas de São Luiz do Purunã, com suas belas pousadas; os campos de Guarapuava; uma ou outra fazenda de café em extinção na região de Londrina; comprar bonés em Apucarana; a Festa Nacional do Porco no Rolete de Toledo; isso antes do destino final: Cataratas do Iguaçu, uma das 7 Maravilhas do Mundo.

Com se não bastasse tanta autossuficiência (citar energia é covardia), a República Independente de Foz do Iguaçu possui dois dos melhores times de futebol do mundo, Grêmio e Internacional.

E mar, quem precisa de mar, tendo o Oceano de Itaipu a seus pés?

(*) Dante Mendonça é jornalista e artista gráfico em Curitiba, Pr. O texto foi publicado originalmente na Coluna de Dante Mendonça no Paraná Online

Fonte:
Jornal Guatá.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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