Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Paulo Mendes Campos (Apanhadas no Chão)


 - De um amigo meu, no bar: "Trabalho tanto que não tenho tempo para nada; à noite, bebo um pouco para lembrar as minhas mágoas."

 - De um vendedor de cinzeiros de barro em Belém: "Se eu escrever com C, em vez de S, ninguém vai comprar."

 - De um conhecido meu, quando lhe disse que certo homem público, embora de poucas luzes, era grave e honesto: "O jumento também é grave e honesto."

 - Do mais preto, passando por mim, quando o menos preto lhe disse que ele só pensava em mulher: "Ué, pensar então em quê?"

 - De uma expressão mineira: "Fala mais que pobre na chuva."

 - Do finado Humphrey Bogart: "Um homem está sempre duas doses abaixo do normal."

 - De um forjador de provérbios: "Caranguejo idoso pensa muito e brinca pouco." 

 - De um velhinho, ante o ar conjectural do caixeiro, quando pediu na livraria um manual sobre limitação de filhos: "Não é para mim; é para papai."
  

- Do matuto para o médico: "Foi tiro e queda, doutor: a pílula desceu e parou direitinho na casa da dor."

 - De um velho do interior ao provar soda pela primeira vez: "Tem um gostin de pé dormente."

 - De Jaime Ovalle: "O importante não é saber se a pessoa gosta de uísque, mas se o uísque gosta da pessoa."

 - De Camilo Paraguassu, em um poema: "Vista de Paquetá, a lua é linda."

 - De Garrincha, muito absorto, meio segundo antes de ser dada a saída no jogo do Brasil com o selecionado soviético em 1958: "Olha ali, Nilton, aquele bandeirinha é a cara de seu Carlito..."

 - Do mesmo, contando ao colega onde comprara uma gravata (Roma): "Foi naquela cidade onde seu Zezé levou aquele tombo no vestiário."

 - Do mesmo para um companheiro de pelada: "Quer parar de driblar!" 

 - De Osvaldo Cabeça de Ovo, no dia em que seu time de areia perdia de cinco a zero: "Arrecui os arfe para invitar a catastre."

 - Do treinador, também de praia, Trindade: "A missão do centrefór é atrapaiar os beque."

 - De um outro treinador para o goleiro: "Carambolou, arreia."

 - De um torcedor a meu lado, vendo uma jogada magistral do enciclopédia Nilton Santos, errando, paroxismado, na tônica: "Dá-lhe, catédra!"

 - De Graciliano Ramos, quando ouviu pela primeira vez um rouxinol: "Eta passarinho chato!"

 - Do cabo Firmino, na revolução de 30, promovido pelo comandante da Força Pública Mineira, por ato de bravura em batismo de fogo: "Uai, seu coronel, tava pensando que era manobra."

 - De Hemingway sobre a famosa modelo Kiki de Montparnasse: "A única mulher que nunca dormiu em sua própria cama."

 - De um estudante para mim: "Escritor é o Euclides! Olha só: O sertanejo é — vírgula! — antes de tudo — vírgula! — um forte — ponto!"

Fonte:
Rir é o único jeito.SP: Editora Tecnoprint,, 1976.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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