Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Anfrísio Lima (1887 – 1973)


Anfrísio Lima é um nome, uma legenda histórica, símbolo cultural do Município de Manga/MG.

Político, foi antes de tudo um cultor das letras. É patrono da Cadeira nº 09, da Academia de Letras, Ciências e Artes do São Francisco, ocupada pelo acadêmico Ronaldo José de Almeida.

Ele nasceu no tempo do Império, na cidade de Cabrobó - Estado de Pernambuco, sendo seu pai o farmacêutico Domiciano Pastor Ferreira Lima, e sua mãe dona Almerinda Omenídia Gonzaga Lima, de famílias cearenses e pernambucanas.

Fez o curso primário e o secundário na cidade de Petrolina - Estado de Pernambuco. Transferiu-se para Simplício Mendes, no Piauí, e de lá para São João do Piauí, no mesmo Estado, onde exerceu o magistério público, trabalhou na Justiça Criminal e militou na imprensa local, colaborando com o semanário “A Voz do Sertão”, onde publicou suas primeiras produções poéticas.

Em 1914, transferiu-se com seus pais para a localidade de Manga no Estado de Minas Gerais, na época, um pequeno burgo.

Já como pessoa influente, Anfrísio trabalhou pela emancipação político-administrativa do distrito, então pertencente ao município de Januária, marcando sua presença na história do novo Município.

Foi eleito, por unanimidade de votos, o primeiro Presidente da Câmara e Agente Executivo Municipal (cargo que equivale ao de Prefeito atualmente). Exerceu na ditadura “Getúlio Vargas”, o cargo de Prefeito Municipal de Manga por diversas vezes. Foi Diretor-Gerente da Cia. Manga Industrial e Exportadora S/A e trabalhou, até o seu último dia de vida, no escritório de advocacia do Dr. Luís Carneiro Vianna.

Suas produções literárias constam de várias antologias e coletâneas, como “A Sombra do Arco-Iris” de Malba Tahan e “Trovadores do Brasil” de Aparício Fernandes.

Foi delegado da União Brasileira de Trovadores, em Manga.

O mestre, poeta e imortal Anfrísio Lima deixou o convívio dos mortais no dia 02 de agosto de 1973, aos 86 anos, em Manga, cidade que ele adotou, de coração, como a sua verdadeira terra.

O curso de sua proveitosa existência publicou:
“Sombras” (poesias),
“Flagrantes da Vida” (poesias).
“Últimas sombras” (poesias e poemas),
“Espinhos de Mandacaru” (romance regional),
“Vozes d’alma” (trovas),
“Trovando a Vida” (trovas),
“Pauta com o Diabo e outros contos” (contos regionais) e
“O Rio São Francisco” (poemas).

Por ocasião de seu falecimento, entre tantas homenagens merecidas, o ilustre advogado Adalberto Pereira da Silva fez importante pronunciamento:

Manga e sua gente não poderiam jamais se ausentar nesta hora de extrema dor. E coube-me, por todos, o triste e doloroso dever de prestar as últimas homenagens àquele que tanto fez por merecê-las. Não posso, entretanto, encarregar-me de contar agora a história de sua vida, isto porque seria o mesmo que contar a história da vida manguense, tanto foi sua influência nos destinos desta “Terra querida de fértil chão”.

O seu nome ilustre, a sua figura inconfundível encontra-se tomando lugar proeminente nas fases mais brilhantes da nossa história, porquanto aqui ocupou os mais variados cargos e funções políticas. E, em todos eles (os cargos) e em todas elas (as funções), soube se conduzir com energia, sabedoria e inteligência incomuns. Todos os que aqui se encontram - tanto os seus correligionários, como os seus adversários políticos, sentem esta partida inesperada, esta perda inexorável, porque acima das paixões e lides políticas está o homem amigo, o cidadão íntegro, o bate-papo agradável e confortante do Mestre e Poeta Anfrísio Lima.

Também eu, talvez mais do que qualquer um de vocês, sinto profundamente a morte deste homem, porque era meu sonho maior, de há muito acalentado, fazer meu DEBU no campo das Ciências Jurídicas, introduzido pelas mãos e orientado pela inteligência deste homem a quem me orgulho de chamar de Mestre. Na verdade, Mestre quer no campo jurídico, quer no campo literário, porque disso nos deu provas soberbas e porque disso somos testemunhas – tantas foram as obras de sua lavra. O Mestre e Poeta Anfrísio Lima foi homem que conheceu a riqueza e dividiu-a com todos. Foi também homem que conheceu infortúnios e humilhações e guardou-as consigo, e, no entanto, soube perdoar a todos, indistintamente
”.

Fonte:
O Norte de Minas
Caleidoscópio, por Petrônio Braz. 29 abr 2009.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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