Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

João Freire Filho (Caderno de Trovas)


A lua, que nos clareia,
é diferente de quem,
recebendo luz alheia,
não ilumina ninguém!

Ante a dor... não esmoreço,
sabendo, em meu caminhar,
que a Vida não cobra preço
que não se possa pagar

A Terra vive conflitos,
sangrando, de guerra em guerra,
e é com voz branda... e, não, gritos...
que se há de ter Paz... na Terra!

A saudade é dependência...
É meu vício, em tal medida,
que você se fez a ausência
mais presente em minha vida!

As revoltas não têm fim
e explodem cada vez mais,
que a fome acende o estopim
das convulsões sociais!

A tormenta, que atordoa,
não distingue, em mar bravio,
a humildade da canoa...
da soberba do navio!...

A Verdade anda tão rara,
que a Mentira, sorridente,
já nem sequer se mascara
para enganar tanta gente!

A vida me presenteia
com tamanhas alegrias,
que a tristeza é um grão de areia
na ampulheta dos meus dias!

Bendita a fonte escondida...
que escorre e, por onde passa,
trazendo a graça da vida,
dá tanta vida de graça!

Cai na rua... Perde o tino,
no alcoolismo em que se esvai...
E, aos passantes... um menino
diz, inocente: - "É meu pai"...

Cantando terno estribilho
e esquecendo que era escrava,
Mãe Preta aleitava o filho
de quem os seus açoitava!...

Com sabor de penitência...
de brinde contra a vontade,
vou bebendo a tua ausência...
em meus porres de saudade!

Da ternura ao desvario..
do desvario à ternura,
nosso amor vive no fio
da mais sublime loucura...

Distante, a lua prateada,
entre nuvens de inconstância,
me lembra a mulher amada...
mais amada... se à distância!

Distante do olhar das ruas,
num sonho que me enternece,
em nosso céu brilham luas
que só nosso amor conhece!...

Dos meus tempos mais risonhos
descubro, agora, os segredos:
- cabia um mundo de sonhos
no meu mundo de brinquedos!

É o desvario do mando
de alguns Senhores da Terra...
que implanta, de quando em quando,
os desvarios da guerra!

Eu compreendo os desvios
a que leva uma paixão...
As vezes, são desvarios
que dão à vida... razão!...

Fim do amor... Desiludidos,
sabemos juntos, mas sós,
que há silêncios inibidos...
tentando falar por nós!

Hoje, em meu leito, sem ela,
enquanto resisto ao sono,
a Saudade é sentinela...
dando plantão... no abandono!

Imperfeito, eu rogo, aflito,
por nosso amor, que é perfeito:
- Não faças de mim um mito...
que mitos não têm defeito!

Liberdade -- sentinela
da Paz, em qualquer lugar!
E quem não lutar por ela...
não tem mais por que lutar!

Lutando por ideais,
mesmo à beira da utopia,
tenho enfrentado os "jamais"
com meus "sempres" de ousadia

Meu coração se acautela
e, imerso em desilusões,
faz da razão sentinela...
contra novas invasões!

Meus ideais mais risonhos
correm livres, sempre em frente,
numa corrente de sonhos,
que rompe qualquer corrente!

Na vida, que te conduz
às mais diversas pelejas,
se não puderes ser luz,
que, ao menos, sombra não sejas!

Nosso amor, desde o começo,
tem tal alcance e medida,
que, quanto mais envelheço,
mais o sinto... além da vida!

O meu amor te ocultei!
Seguimos rumos diversos...
Passou-se o tempo, e, hoje, eu sei:
- permaneceste em meus versos!

Poeta é aquele que abraça
a noite, sentindo-a sua,
e bebe estrelas na taça
inspiradora... da lua!

Quem ama... libera o ardor
dos impulsos naturais,
que, em desvarios de amor,
loucura alguma é demais !

Quem tem a luz do saber,
muito mais que outro qualquer,
tem de cumprir o dever
de ser luz... onde estiver!

Saudoso, namoro a Lua
e sinto, por seu feitiço,
que o nosso amor continua,
embora nem saibas disso!

Sonhador, poeta... e amante
de quanto a vida me dá,
que importa a lua distante...
se os meus sonhos chegam lá ?!...

Tenho um segredo profundo
- e, é de amor... – e, tarde ou cedo,
eu gostaria que o mundo
soubesse desse segredo!

Teu ciúme, cortando os laços
do nosso amor, me magoa...
mas meu amor abre os braços
e, por amor, te perdoa!

Toda noite ela regressa
em meus sonhos erradios...
Não há distância que impeça
de eu tê-la... em meus desvarios !

Vem do sol a luz de prata
que parte da lua encerra...
E a lua, modesta e grata,
deita pratas sobre a terra!

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to