Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Edmar Japiassú Maia (Caderno de Trovas)


Desvio o olhar quando passa,
num receio, que alimento,
de que a volúpia devassa
devasse o meu pensamento.

Arranchei duas esteiras
na varanda, à luz de velas,
mas receio que não queiras
tomar posse de uma delas...

Pelo amor que a mim ressoa,
migro ao topo das venturas...
e um pássaro, quando voa,
já não receia as alturas!

Atento às mentiras rotas
e ao “farto” amor que proclamas,
receio falsas as gotas
das lágrimas que derramas...

Não receio a tempestade,
se é por você que me arrisco:
para alguém que tem saudade,
a tempestade é um chuvisco!

Nem morto!”... grita o coveiro
reconhecendo o finado.
“Só enterro esse caloteiro
se me pagar adiantado!”

Caloteiro conhecido
fez a promessa... E, no entanto,
depois de ser atendido
deu um calote... no santo!

Ao agiota em apuros,
o caloteiro afirmava
que fez o empréstimo a juros...
mas não jurou que pagava!

CORAÇÃO – no árduo destino
de penas de amor que oferto,
és o falcão peregrino
na solidão de um deserto!

O ciúme nos desvenda
um deserto imenso e atroz...
Mas no deserto há uma tenda
que o amor ergueu para nós!

Nosso quarto, onde acoberto
momentos de amor frustrados,
para mim hoje é um deserto
de poucos metros quadrados...

Por um amor clandestino,
preso a mágoas indefesas,
asilei o meu destino
num deserto de incertezas!

Aos sentimentos alheia,
recusas tudo o que oferto:
teu amor é um grão de areia...
mas faz falta em meu deserto!

Na aldeia, as índias se arriscam
pescando no igarapé...
Se os peixes pouco beliscam,
quem mais belisca é o pajé!

O ex-pescador tem idéias
de guiar carretas cheias,
para ganhar nas boléias
o que perdeu nas baleias!

Porque neles pode expor
sua emoção mais secreta,
são sempre em versos de amor
as súplicas de um poeta...

Ergui à estrela mais bela
minha súplica veemente...
Foi em vão... pois justo aquela
era uma estrela cadente!

Ante uma dor mais acesa,
quando o amor não se dispersa,
suplico trégua à tristeza
que insiste em puxar conversa...

Um réu na luta constante
por carinhos que cobiça,
sou aquele suplicante
que espera amor... por justiça!

AMOR – que loucura estranha!
- Chicoteia com rigor,
e a gente suplica... apanha...
mas não desiste da dor.

Faminta e, pelo seu porte,
mal cabendo no maiô,
pediu: “me indique um esporte...”
E o terapeuta: - SUMÔ!

Obeso e não tendo escolhas,
vive no SPA um calvário:
faminto, ele come folhas
e o SPA... seu saldo bancário!

Faminto o velho é de fato;
porém, no amor, a mulher
pra ele é sopa no prato:
- Como faz falta a colher!

Comeu cuscuz, pão dormido,
torresmo, farofa e angu...
Só não comeu o cozido
porque ainda estava cru!

Faminto, gritou na festa:
- Eu quero comer bobó!
E o surdo vovô protesta:
- rapaz... respeite a vovó!

Meus avós são um casal
que, à noite, o amor sempre uniu...
Quando um só geme, é sinal
de que o outro... já dormiu!

Porque é demais concorrido
e a gemeção é geral,
o forró tem o apelido
de “Emergência de Hospital”!

Vive a “coroa” adoentada,
com o esposo desnutrido:
de dia... tome gemada;
de noite... tome gemido!

Em casa ela não tem paz,
se as filhas vêm namorar.
E a um gemido dos sofás,
ela “só faz” reclamar!

Porque a um gemido que dê
a babá corre e vai lá,
à noite é o pai do bebê
quem geme pela babá!

Entre os múltiplos pecados
que a noite me vem propor,
os sonhos mais desvairados
são sempre os sonhos de amor!

O ciúme incontrolado
que me toma, pouco a pouco,
vai tornando desvairado
nosso amor... já meio louco!

Ao perceber que ela finge
meus desejos reprimir,
o desvario me atinge...
e eu não consigo fingir!

Meu amor que é mais intenso
quando assume os desafios,
abre mão do teu bom senso,
em favor dos desvarios...

Nas asas do desvario,
tentando um sonho alcançar,
eu despenquei no vazio,
mas... aprendi a voar!

Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
- a porca... tem masculino?
- tem, fessora... o parafuso!

- Comadre!... a velha gemia,
confusa e passando mal.
Veio a outra!... Ela queria
a "comadre"do hospital !

Na baiana refeição
da festa do padroeiro,
o excesso de confusão
foi por falta de banheiro!

Ao ver o exame agendado,
fez confusão no hospital...
Seu "pré-natal" foi marcado
para depois do Natal !

Desnorteado e confuso,
diz o luso, na excursão:
- O meu horário é sem fuso;
com fuso... é mais confusão !

Da paixão em nós presente
fulge um desejo tão farto,
que a lua, em quarto crescente
parece cheia em meu quarto...

Noite fria... e, em minha rua,
tantos sonhos idealizo,
que vou pisando na lua
em cada poça que piso!

O bom senso preceitua
não se entregar... mas, cativo,
vivo no mundo da lua,
e por amor é que eu vivo!

Brigas de amor são um risco
que não se pode evitar.
São como um breve chuvisco
numa réstia de luar!

Talvez porque a noite esconda
sombras de amor... é que a lua
põe mais luz em sua ronda,
quando ronda a minha rua!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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