Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 10 de março de 2013

Antonio Brás Constante (Tá Com Pressa? Então Se Vira e Come Cru)

A pressa move o mundo moderno. Move tão rápido que as vinte e quatro horas do dia já não são suficientes para que possamos cumprir com todas as nossas obrigações. Logo teremos um projeto no senado propondo que os dias passem a ter trinta horas. Afinal, se políticos já quiseram mudar o curso dos rios, porque não alterar o tempo também?

Claro que para mudar o calendário dessa forma haveria a necessidade de se suprimir o sábado. Em compensação o domingo passaria a ter trinta horas, e com um pouco de ajuda do marketing moderno (e com muita maionese) a população acabaria acreditando e engolindo que isso seria algo bom. Os dias ficariam estranhos, a noite invadiria o dia e vice-versa, mas o poder de adaptação do brasileiro (quem sabe se a ideia pega, vire até algo mundial) é incrível e deve se ajustar a este inconveniente fuso horário caótico.

Mas a pressa não mexe apenas com a criatividade de nossos políticos e escritores. Cada vez mais vivemos envolvidos em uma correria louca, e é por causa dessa correria que se criaram os lanches rápidos, as fotos instantâneas, as comidas prontas, as vias de trânsito rápido e (principalmente entre os famosos) os tais casamentos rápidos.

Fulano, astro do futebol, contrai núpcias com Beltrana (expressão estranha, parecida com “contrai doenças”). Passam a compartilhar de todas as alegrias e dissabores da vida de casados (com um mundo voyeur a observá-los). Ao final de poucos meses se separam (em determinados casos, em apenas poucos dias), sem maiores explicações.

Alguns podem achar que isto acontece porque as raízes religiosas dos noivos lhes impedem de simplesmente ficarem juntos sem um cerimonial milionário para sacramentar e divulgar essa união, pois eles encarariam a união sem o ato de se casar como uma obra pecaminosa, pesando em suas consciências. Após o casamento e toda superexposição ocasionada por ele, percebem então o erro que cometeram e resolvem desfazer a união. Isso em alguns casos acontece repetidas e repetidas vezes, em um eterno ciclo de tentativas e erros matrimoniais, que já há muito tempo alimentam a indústria de fuxicos e suas incontáveis mídias e revistas caras.

Para outros, o que existe é a necessidade do casamento como um compromisso, que mesmo não sendo muito duradouro, ao menos servirá para que no momento da perda, haja também os “ganhos”, oriundos da aquisição de parte do patrimônio de seu “ex” cônjuge, e assim os patos de nosso mundo são feitos de patos e acabam pagando o pato, fazendo-nos pensar que para alguns o matrimônio pode fortalecer o patrimônio.

O que assistimos com cada vez mais frequência, são “casamentos” alardeados aos quatro ventos por celebridades, que juram terem encontrado suas almas gêmeas. Dizem que sua união é fruto de um amor lindo como cristal e forte como uma rocha.

Na realidade essas metáforas acabam sendo divulgadas de forma errônea (talvez pela embriaguez causada pela paixão e toda aquela bebida servida nas festas de casamento). O certo seria dizer que essas relações são lindas como uma pedra e fortes como cristal. Ao primeiro choque se quebram em mil pedaços, restando apenas cacos, varridos para baixo da tal pedra que é colocada sobre o assunto.

Realmente estamos em uma época de pessoas apressadas. Mas principalmente agora, uma frase antiga se faz valer como verdade (com um pequeno adendo): “O apressado come cru... Mas paga o preço do assado”.

Fonte:
O Autor

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to