ADILSON DE PAULA
Joaquim Távora/PR
Saboreando a lembrança
das artes de um meninote,
me sinto outra vez criança
roubando doces de um pote.
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Soneto de
RACHEL DOS SANTOS DIAS
Campinas/SP
As palavras de um poeta
As palavras de um poema
levam junto os sentires do poeta...
Não importa qual seja o seu tema
É como se fosse uma carta aberta...
Até nas entrelinhas o poeta conta
Suas mágoas, sua vida, seus amores...
Se recebeu sorrisos ou afronta,
Coisas sem valor ou com valores...
O poeta fica desnudo quando escreve
A verdade nua e crua ou só de leve,
Sem medo de se expor à multidão!
O poeta é doce, real e corajoso,
É a um tempo humilde e vaidoso!
Ele é o que é com todo o coração!
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Haicai de
GUILHERME DE ALMEIDA
Campinas/SP, 1890-1969, São Paulo/SP
Caridade
Desfolha-se a rosa
parece até que floresce
o chão cor-de-rosa.
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Poema de
ADRIANO GAMA
Campinas/SP
A rosa que te dei
Tomas esta rosa
singela e perfumada que feriu
com teus espinhos os tatos
de quem a extraiu
Não aceites como ofensa
visto que o sangue na cor
que contemplas evanesce
para te acolher
Viver este Amor eterno
flor da minha intenção
há mero segredo plantado
aos genes semearão
E se perguntas onde guardei
está na rosa em tuas mãos.
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Trova de
OCTÁVIO VENTURELLI
Rio de Janeiro/RJ
Um dia a mão branca e forte
de uma mulher decidida
deu às mãos negras a sorte
de serem livres na vida.
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Poema de
FRANCISCO UBALDO VIEIRA
Campinas/SP
A garça
Uma ave graciosa pousou em minha cabeça,
Cor rosa, garça rosada, pés delicados.
Queria meu coração fosse um rio,
cheio de peixes coloridos
que a prendesse para sempre.
Entardecia,
Nossa sombra refletia-se no espelho d’água
de um lago no meio de praça.
As garças sempre voam para outros lagos,
Juntam-se a outros bandos
E não voltam aos antigos corações
Outras garças virão?…
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Trova de
J. CABRAL SOBRINHO
Olinda/PE
Apesar da longa idade,
eu vivo sempre contente,
porque a minha saudade
faz do passado… o presente.
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Poema de
MARINA TSVETAEVA
Moscou/Rússia, 1892 – 1941
Do ciclo , o aluno
Pelos montes - túmidos e úmidos,
Sob o sol - potente e poento,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - roxo e roto.
Pelas areias - ávidas e ácidas,
Sob o sol - candente e sedento,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - rasto e rasto.
Pelas ondas - rábidas e rápidas,
Sob o sol - idoso e iroso,
Com a bota - tímida e humilde -
Atrás do manto - que mente e mente…
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Trova de
HÉRON PATRÍCIO
Ouro Fino/MG, 1931 – 2018, Pouso Alegre/MG
A gente vê, de manada,
estrela...lua...e planeta...
Basta uma boa topada
numa quina de sarjeta!
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Soneto de
DIOGO BERNARDES
Ponte da Barca/Portugal, 1520 – 1605
As plantas rindo estão, estão vestidas
De verde variado de mil cores;
Cantam tarde e manhã os seus amores
As aves, que d'Amor andam vencidas.
As neves, já nos montes derretidas,
Regam nos baixos vales novas flores;
Alegram as cantigas dos pastores
As Ninfas pelos bosques escondidas.
O tempo, que nas cousas pode tanto,
A graça, que por ele a terra perde,
Lhe torna com mais graça e formosura.
Só pera mim nem flor nem erva verde,
Nem água clara tem, nem doce canto,
Que tudo falta a quem falta ventura.
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Trova de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR
Discussão para ele é pouco,
tem fama de arruaceiro;
muitos dizem que ele é louco,
mas nunca rasgou dinheiro...
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES
Óbito de vida
1
Meu coração
Coitado, veio a óbito
por conta de umas batidas
Mais fortes e eu,
eu não estava preparado...
Assustado, me deparei
com o sorriso da morte.
Contudo, por pura sorte
acordei transformado
foi, de fato, uma grande emoção...
Desse sonho insano
meu morrer,
graças a Deus, foi engano...
no meu lugar levaram o Trajano
e eu voltei pra Terra, ressuscitado
2
Quase ressuscitado
A fumaça do meu
Passado
Ofusca o meu agora
E me faz um ser
atormentado...
Ao meu redor,
Imagens carbonizadas
Destroem o meu melhor.
Continuo só,
Só e desesperado.
Para meu azar
Minha alma se fez vazia
de lembranças despedaçadas...
Estou preso num chão de terra fria,
Sem conseguir me levantar
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Trova de
FRANCISCO NEVES DE MACEDO
Natal/RN, 1948 – 2012
Bateu na porta da frente
e correu para a de trás.
Desta forma inteligente,
pegou dez “sócios” ou mais!
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Soneto de
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN
Cinzas
Foi pisando nas cinzas do passado
que entre as cinzas dos sonhos tropecei!
Tantas cinzas de sombras ao meu lado,
que aos encantos das cinzas me abracei!
Sobre as cinzas do chão já castigado,
eu nem sei quantas sombras eu beijei;
mas ao ver, de saudade, o chão bordado,
a tristeza da infância, eu disfarcei!
Ante as cinzas do tempo envelhecendo,
meu passado distante foi morrendo
como quem diz adeus, à primavera...
E eu sozinho, naquela solidão,
vi nas cinzas tristonhas do meu chão,
minha infância, nas cinzas da tapera!
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Quadra Popular de
SERRO/MG
Na verdade nunca sonhei
quem tanto assim me quisesse,
mas também nunca encontrei
quem mais trabalho me desse.
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Poema de
LAIRTON TROVÃO DE ANDRADE
Pinhalão/PR
Lágrima de uma mulher
Por que essa chuva salgada que
Cai do céu dos teus olhos, Mulher?
Não! Assim não pode ser!
Porque, em ti, tudo é ternura sem par,
Símbolo nobre dos sonhos,
Centro cativante do romance real,
Razão maior do caminhar do homem,
Começo, Meio e Fim da vida humana sobre a Terra...
Este cálice transbordante
É motivo de veneração incontida,
Porque , Mulher, és o santuário da criação,
A deusa visível deste contraditório Planeta!
Portanto,
Diante da tua realidade,
Devemos, todos, refletir!…
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Trova de
NEI GARCEZ
Curitiba/PR
Escrever é um simples conto
que não é grande epopeia:
maiúscula, mais o ponto
e, no meio, só a ideia!
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Soneto de
ZALKIND PIATIGÓRSKY
Rio de Janeiro/RJ, 1935 – 1979
Ciclo do amor (IV)
Vieram, com a primavera, as novas flores
e o bando de amistosos passarinhos.
E houve a festa do sol jogando cores
nas sombras preguiçosas dos caminhos.
E a meiga alacridade e os sons vizinhos
das folhas balouçadas nos verdores...
E o riso tagarela e a voz sem dores
talvez de igarapés e ribeirinhos.
O céu tornou-se azul. E de repente,
com ele a natureza e toda gente
tornou-se mais afável, mais cortês.
Tudo cantava. Terminara o inverno.
Somente o coração, num gelo eterno,
chorava ainda por ti mais uma vez.
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Trova de
A. A. DE ASSIS
Maringá/PR
Creio na força do amor,
creio na força do exemplo.
Um credo com tal teor
nem necessita de templo.
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