segunda-feira, 3 de agosto de 2026

José Feldman (A Lâmpada Mágica)


À beira de uma praia deserta, dois amigos de longa data, Joca e Cido, caminhavam sob o sol quente quando algo brilhou na areia. Era uma lâmpada de bronze, antiga e descascada.

Cido, o mais apressado, limpou o objeto e, num estalar de dedos, um gênio surgiu entre fumaças azuis.

— Por terem me libertado, concederei um único desejo que valerá para os dois — trovejou a entidade. — Mas cuidado: o desejo deve ser escolhido em comum acordo até o pôr do sol, ou a lâmpada desaparecerá.

Cido, cujos olhos já brilhavam com a cobiça, gritou imediatamente:

— Quero uma montanha de ouro! Seremos os homens mais ricos do mundo, Joca! Pense nas festas, nos palácios e no poder!

Joca, porém, sentou-se na areia e olhou para o horizonte.

— Cido, o ouro traz ladrões e preocupações. Se tivermos uma montanha de ouro, nossa amizade morrerá na disputa por cada grama. Eu prefiro desejar uma fonte eterna de saúde e paz. Com o corpo são e a mente tranquila, podemos trabalhar e conquistar o que quisermos, sem medo.

A discussão começou. Cido chamava o amigo de tolo; Joca chamava o outro de imprudente. O sol começou a beijar o mar, tingindo o céu de laranja. A ganância de um não cedia à cautela do outro. Cido queria o mundo aos seus pés; Joca queria o mundo dentro de si.

Quando o último raio de sol sumiu no oceano, o gênio soltou uma gargalhada profunda e desapareceu, levando a lâmpada consigo para as profundezas. Os dois ficaram ali, parados na areia escura, com as mãos vazias. Tinham perdido a oportunidade não porque o gênio era ruim, mas porque a ambição de um e a intransigência do outro impediram o equilíbrio.

Moral: 
A oportunidade perdida por falta de entendimento é o maior prejuízo que dois amigos podem sofrer; a teimosia em querer tudo impede que se ganhe o essencial.
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), em 1954,: sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Curitiba e Ubiratã e em Maringá (PR) no ano de 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister, em Portugal; No Brasil, Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias do célebre. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Fontes:
José Feldman. Pergola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.
Biografia: Antonio Miranda; Ed. Pragmatha; Confraria Brasileira de Letras, Bonde; Francisco Pessoa, UFRJ, etc.

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