CAROLINA RAMOS
Santos/SP
Versejas... contenho o amor,
numa ternura discreta,
me esquecendo de compor,
por ver compor meu poeta!
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Poema de
JOSÉ MENDONÇA TELES
Hidrolândia/GO
Instante dez
Passei o dia todo
com tantas coisas na
cabeça.
Passei a semana toda
com tantas coisas na
cabeça.
Aliviei-me dos problemas
quando você chegou
e virou minha cabeça.
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Haicai de
GUILHERME DE ALMEIDA
Campinas/SP, 1890-1969, São Paulo/SP
Hora de ter saudade
Houve aquele tempo...
(E agora, que a chuva chora,
ouve aquele tempo!)
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Poema de
MARI REGINA RIGO
Canoas/RS
No mundo da poesia
Todos nós somos iguais.
Loucos de amor
Mas só mostramos os sinais.
Nos alimentamos de quimeras
E assim vamos atravessando
Várias eras.
Nascer e viver, sonhar e amar
Lutar para merecer
Crer e sobreviver.
Para dizer que a lua é tua
É só passear pela rua
De mãos dadas com seu amor
As palavras são apenas sinais
De sentimentos iguais
À todos os mortais.
Homem, poeta e trovador.
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Trova de
CEZAR A. DEFILIPPO
Astolfo Dutra/MG
Na boemia, no abandono...
de tanta dor eu suspeito,
que até saudade sem dono
faz morada no meu peito!
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Poema de
ROGÉRIO SALGADO
Belo Horizonte/MG
Sobre todas as coisas
O meu amor tem dessas coisas
de cultivar estrelas
no céu da tua boca
ser criança, como quem ama
adolescentemente
pela primeira vez.
O meu amor tem dessas coisas
de dizer silêncios
quando te observa e se encanta
no encontro de fazer milagres
no coração.
Assim, o meu amor adormece
e acorda no acorde de ser canção
sobre todas as coisas assim
o meu amor tem dessas coisas
de sobre todas as coisas amar.
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Quadra de
IDEL BECKER
Porto Casares/Argentina, 1910 – 1994, São Paulo/SP
Eu não quero, nem brincando,
dizer adeus a ninguém:
quem parte, leva saudades,
quem fica, saudades tem.
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Poema de
ANA MARIA FÁZIO DE FREITAS
Assis/SP
Como é grande o meu engano
Quando penso que deixei de te amar
Eu percebo que te amo com loucura.
Não consigo sem ti me imaginar,
Minha alma em meus sonhos te procura.
Quando penso em ir embora e te deixar,
Ao teu lado uma força estranha me segura.
Já nem sei mais se devo ir ou se devo ficar,
Pois os meus olhos só te enxergam com ternura.
Quando penso em minha vida recomeçar,
Partir para sempre, para bem longe, te esquecer,
Meu coração em desespero começa a se agitar,
Não adianta agir contrário ao seu querer.
Quando cansada da fadiga deste amor,
Sonho encontrar nova paixão, me refazer,
É tua imagem que me enche de calor,
Percebo então que sem ti não sei viver.
Quando penso em desistir, seguir em frente,
Mudar meu rumo, construir um novo ninho,
A tua imagem serpenteia em minha mente,
A cada passo eu tropeço em teu caminho.
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Trova de
MARIA NELSI SALES DIAS
Santos/SP
Nem bem partiste... e a saudade
já me causando transtorno,
não vê num mar de ansiedade
a hora do teu retorno.
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Poema de
ANA ROSÁRIA SOARES DA SILVA
Caxias/MA
Amor morto
Quando o silêncio me furtar a voz
E meus olhos não enxergarem os teus
É sinal que tua falta Amor,
Já não faz chorar os olhos meus.
Quando a noite me vier escura
E o dia não der mais clarão
É sinal que tua falta, amor,
Encheu de pedra o meu coração.
Quando a lua eu não puder tocar
E o sol não me der mais calor
É sinal que tua falta, amor,
Eu já não sinto, tornou-se em dor.
Se meus versos não falarem mais
A poesia não descer em mim
É sinal que tua falta faz
O meu amor não pertencer a ti.
Se tua música eu ouvir tocar
E nela eu não encontrar você
É sinal que tua falta, amor,
Foi a causa do nosso Amor morrer.
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Trova de
NEY DAMASCENO
Curitiba/PR, 1924 – 2005, Rio de Janeiro/RJ
De uma longa enfermidade
que lhe minou os pulmões,
Jacob morreu, na verdade,
em suaves prestações.
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Poema de
CARLOS JORGE AZEVEDO
Santa Marinha do Zêzere/Baião/ Portugal
Carrossel
Ninguém diria que ao rodar
O carrossel embriaga
Entre tanto voltear
Disfarça-se qualquer chaga…
As voltas no carrossel
Escondem a realidade
Não são só rosas e mel
Simulam-nos a verdade.
Ombreiam quase colados
Os mais díspares intentos
Giram juntos, irmanados,
Parecem ir desatentos!
No meio de mais uma volta
Entre tal ruído reinante
Espreita bem desenvolta
A morte, essa farsante!
Perversa crava o punhal
No inocente coração
Depois do golpe fatal
Mistura-se à confusão…
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Trova de
WANDA DE PAULA MOURTHÉ
Belo Horizontes/MG
No barco, em águas da vida,
nosso amor desliza manso...
Já foi torrente incontida,
hoje se espraia em remanso...
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Poema de
CATARINA DINIS PINTO
Amarante/Portugal
Grão de saudade
Guardo na mão,
Pequenos grãos de areia
Que se vão diluindo
No tempo, em forma
De desilusão secular.
Fecha-se o ciclo,
A vida aos círculos,
A respiração torna-se pesada
E o coração apenas desassossego
Saudade do que não te pode tocar.
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Trova de
ELTON CARVALHO
Rio de Janeiro/RJ, 1916 – 1994
A consciência, tirana
que não perdoa ninguém,
é a corte mais desumana
das cortes que o mundo tem.
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Poema de
CONCEIÇÃO MACIEL
Capanema/PA
O encanto do sabiá
Há que se sentir
O cheiro que vem do mar
A brisa da beira-mar
O vento que toca o luar.
O beijo a encantar
O toque do teu olhar
O verso que vem de lá
No voo do Sabiá.
Há que se ouvir
A prosa no teu falar
O canto que aqui há
O verso a declamar.
A alegria no teu cantar
O amor a declarar
A beleza e o encanto
No canto do Sabiá.
Há que se olhar
A beleza em cada lar
O amor no teu cantar
O carinho no tocar.
O pássaro a voar
As nuvens a vagar
A Poesia a declarar
O encanto do Sabiá.
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Trova de
RENATO MATTOSINHOS
Juiz de Fora/MG
Na noite fria, esquecido,
eu vejo dramas bisonhos,
seu um boêmio perdido,
sem a mulher dos meus sonhos.
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Poema de
ENI ILIS
Campinas/SP
Ontem possuidores
Hoje caminhantes
Amanhã?
Tudo o que era urgente
necessário
ambicionado
ficou em algum lugar
quebrou
esfarelou.
Tudo o que parafusava rotina
forjava identidades
repetia rituais
ficou em algum lugar
desmanchou esvaneceu.
Tudo,
tudo.
Ficou o corpo e no corpo o cansaço
o frio
o medo
os passos.
Seguir, seguir adiante nos passos.
Seguir, seguir com outros passos.
Muitos.
Muitos que seguem para o amanhã.
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Trova de
FRANCISCO ASSIS MENEZES
Porangatu/GO
Vendo o mundo sem brandura,
só cogitando da guerra,
tenho medo que a ternura
fuja da face da Terra.
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