Eu vejo sempre a esperança
e a beleza singular,
no riso de uma criança...
no brilho do seu olhar!
José Feldman – PR
Cada vez que nasce uma criança há uma possibilidade de adiamento. Cada criança é um novo ser, um profeta em potencial, um novo príncipe espiritual, uma nova centelha de luz que se precipita na escuridão (Ronald Laíng).
O tema criança é abordado aqui porque ela representa a esperança de vermos um mundo melhor, um mundo onde a ambição, a desigualdade e a miséria sejam abolidas das nossas vidas. Mas também porque a criança, assim como a mulher, até o século XIX não era vista como um cidadão, não era levada em conta nas decisões estatais e civis, E é pela boa formação da criança que deve começar o exercício da cidadania.
Quando nasce uma criança,
brota no mundo uma flor...
Flor de uma nova esperança,
nova esperança de amor!
Professor Garcia - RN
Como se fosse riqueza,
inda guardo essa lembrança:
- Um dia eu vi a pureza
nos olhos de uma criança.
Ivaniso Galhardo - RN
Em meus sonhos de criança
desejei pescar a lua
e pus anzóis de esperança
nas poças d'água da rua.
Delcy Canalles - RS
Um sorriso de criança
mostra um momento profundo,
onde vigora a esperança
de ressurgir novo mundo!
Taciana Canales da Trindade - RS
Infelizmente milhões de crianças vivem abandonadas, sem esperança. É triste vermos todos os dias o que fazemos com as nossas crianças, Elas são as vítimas mais frágeis do nosso desespero e da nossa violência. Sem rumos, perdidos num mundo de violência, não sabemos o que fazer para livrar as nossas crianças do horror e do abandono.
Num mundo sem esperança,
perdido na violência,
como acolher a criança,
tão frágil em sua inocência?
Gonzaga da Silva - RN
Chego a perder a esperança,
vendo ao relento, a dormir,
uma sofrida criança
sem lar, sem paz, sem porvir!
José Valdez de Castro Moura - SP
Vi o pranto derramado
na face de uma criança.
O mundo desnaturado
lhe roubava uma esperança.
Maria Silva Carriço - RN
Passam sempre em meu portão,
trazendo um fardo de dor,
crianças que não têm pão,
pedindo "um pão por favor"!...
Ademar Macedo - RN
Bem caprichosa é a sorte
da infância desprotegida
que vive à espera da morte,
por nada esperar da vida.
Almerinda Fernandes Líporage – RJ
Quanta miséria contida
no olhar tímido e tristonho
de uma criança perdida
entre farrapos de sonho...
Elen de Novais Félix - RJ
Anoitece… aumenta o frio...
E para os guris sem nome,
surge um novo desafio:
dormirão ao lado da fome!
Elen de Novais Félix - RJ
Algumas dessas crianças abandonadas vivem um pouco mais confortáveis quando recolhidas a instituições, uma solução provisória. A adoção poderia ser uma solução mais adequada. Muitos casais anseiam por um filho e gastam enormes somas de dinheiro em clínicas de fertilização. Por que não adotar uma dessas crianças?
Por que crianças com frio
não tem o sol de um abraço,
se em tanto braço vazio
há desperdício de espaço?
Almerinda Fernandes Liporage - RJ
Quem adota uma criança,
e, além do amor, dá guarida,
abre a porta da esperança
como pai que gera a vida.
Hélio Pedro Souza - RN
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LUIZ GONZAGA DA SILVA é um respeitado trovador e articulador cultural radicado em Natal/RN. No universo da poesia clássica e das competições de trovas, ele se destaca como uma das figuras mais ativas do movimento trovadoresco do Nordeste brasileiro. Nasceu em São José do Campestre/RN, em 1940. Aos doze anos sua família mudou-se para o Rio de Janeiro, mudando definitivamente para Natal/RN, em 1975, onde reside até hoje e concentra suas atividades literárias e profissionais. É um dos principais pilares da trova em Natal. Ele atua frequentemente como coordenador, organizador de certames e interlocutor da poesia potiguar com trovadores de todo o Brasil. É um mestre na composição da trova tradicional. Seus versos transitam com facilidade entre o lirismo filosófico, o amor ao chão nordestino e o humor sutil. Por sua competência técnica e sensibilidade, acumula premiações e classificações de destaque em concursos nacionais de trovas promovidos por diferentes ramificações da trova no Brasil. Atuação como Julgador e Coordenador: É recorrentemente convidado para presidir comissões julgadoras ou coordenar concursos de âmbito nacional, avaliando trovas enviadas por poetas de todas as regiões brasileiras sob temas específicos.
Entre suas contribuições impressas para a preservação do movimento poético, destaca-se: "Trova e Cidadania" (Natal/RN): Obra que reúne parte de sua sensibilidade poética e reflete sobre o papel social da poesia na construção da cidadania; Coletâneas Didáticas: Participação ativa em antologias locais e nacionais, além de registrar suas produções na antologia digital coletiva A Trova Potiguar.
A relevância de Luiz Gonzaga da Silva concentra-se na salvaguarda e difusão da trova na Região Nordeste. Em uma era dominada por versos livres e mídias rápidas, o trabalho de preservação das formas poéticas fixas (como a trova e o soneto) exige dedicação e paixão. Ao capitanear concursos nacionais a partir do Rio Grande do Norte, ele insere o estado na rota dos grandes trovadores do país, garantindo que a tradição lírica originada em solo potiguar permaneça vibrante, acessível e atraente para as novas gerações de escritores.
Fonte:
Luiz Gonzaga da Silva (org.). Trova e Cidadania. Natal/RN, abril de 2019.
Livro enviado pelo autor.

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