terça-feira, 18 de agosto de 2026

Asas da Poesia * 215 *

Imagem criada com IA Microsoft Bing

Trova de
GISLAINE CANALES
Herval/RS, 1938 –, Porto Alegre/RS

Aquela ponte que unia
nossas vilas ribeirinhas,
une, ainda, por magia,
tuas saudades e as minhas.
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Poema de
CARLOS LÚCIO GONTIJO
Belo Horizonte/MG

Frutos e gente

Frutos e gente são iguais
Ambos acabam amadurecendo
Quem o colha deseja o fruto
Quem o acolha almeja o homem
Frutos e gente têm sabor
Somente renascem se provados
O fruto através da semente
O homem pelo milagre do amor
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Trova de 
NEI GARCEZ
Curitiba/PR

Por ganância de riqueza,
desrespeito, e até trapaça,
o homem queima a Natureza
com a indústria da fumaça!
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Poema de
SAMUEL DA COSTA
Itajaí/SC

Arco-íris das dores 
Para Luana D’Oliveira 

Envolto em um mundo liquefeito 
O metro brotou da pena do Brado 
Correu metrificado das páginas em branco 
Ganhou vida 
Criou asas 
Voou livremente mundo afora 
Transmutou-se em... 
Um rio de lava incandescente 
Correu furiosamente para o mar 
Para jazer em ouvidos surdos 
A perde-se em mentes vazias 
Na pós-modernidade 
Na realidade líquida pós-moderna 
 
Acima de um oceano de lágrimas 
Brilha um arco-íris de dores 
Pois poeta morreu de amores 
Pela musa sagrada 
Afogado em lágrimas secretas 
 
O Aedo jaz solitário... 
Na estante virtual! 
Também jazem no mundo imaterial 
A arte e a poesia 
A musa santificada 
O estro! 
 
Jazem unidos na contemporaneidade atroz 
Em um ‘’supermercado’’ irreal... 
Que vende palavras.
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Trova de 
HAROLDO LYRA
Fortaleza/CE

Essa fumaça abismal
configura um retrocesso
atroz e paradoxal,
nas esteiras do progresso.
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Soneto de
HÉRON PATRÍCIO
Ouro Fino/MG, 1931 –, Pouso Alegre/MG

Tudo isto existe

Quando, nas tardes calmas, eu passeio 
no velho bosque que há na minha rua,
em mantos de lembranças eu me enleio...
vem a saudade – e como é bom senti-la!

De uma galhada, a brisa, num meneio,
balança um velho ramo – e o ramo oscila
querendo desgarrar-se, em justo anseio
de ser ave que pelo céu desfila.

Nessa paz, que tem forma de carícia
- e no silêncio que ela me oferece –
uma voz vem de longe, vem e insiste,

num sussurro que é mágica delícia,
para dizer-me, feito um fim de prece 
“Tudo isto existe ... porque Deus existe!”
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Haicai de
ANIBAL BEÇA 
Manaus/AM (1946-2009)

Cochicho de folhas.
Varre o vento na calçada
secas lembranças.
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Poema de
LUÍS ROBERTO ALVES MEIRA
Bauru/SP

O Baú da minha vida

No porão da minha mente,
Guardei histórias,
Fotografias e glórias;
Panfletos e um monte de asneiras,
Mais o que eu guardei mesmo;
Está em uma caixinha,
Guardado em um sótão,
Em um castelo Medieval.
Dentro de um baú, 
Escrito Astúrias,
Com letras minúsculas.
E só eu tenho a chave deste cadeado.
Ninguém maias...
Um dia eu abro e conto a vocês,
O que escondi lá dentro... 
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Trova de
FLÁVIO ROBERTO STEFANI
Porto Alegre/RS

Lá vai a jangada ao mar,
com ela, meu coração.
Quando, enfim, ela voltar,
voltará a inspiração!...
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Sonetilho de
OLIVALDO JUNIOR
Mogi-Guaçu/SP

Minha casa, meu amigo

Minha casa, meu amigo,
tem espaço para nós,
tem o tempo como abrigo,
tem abrigo para a voz.

Minha casa, meu amigo,
tem espelho para os sós,
tem o vento como umbigo,
tem umbigo sem os nós.

Minha casa, meu irmão,
só não tem a sua alma,
suas mãos num violão...

Minha casa, coração,
só não tem a sua calma,
violão de amigo irmão.
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Trova de
GERALDO AMÂNCIO PEREIRA
Fortaleza/CE

Da velhice não me contem
a solidão que apavora,
o que vovô sentiu ontem
eu estou sentindo agora.
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Soneto de
FERDINANDO FERNANDES
Vila das Aves/Portugal

Sorriso perdido
 
Recolho ainda os restos de um vazio
Ficados no eflúvio som dos tempos,
Janela aberta nas margens de um rio
Onde medram tristes meus lamentos.
 
O Sol que alimentava esse teu brio
Que se perdeu no gemer dos ventos,
E torna o meu anseio sempre frio
Como a vida feita de tormentos...
 
O amor que incendiou o nosso olhar
Mendiga, na esperança de encontrar
A sombra que escondeu o teu sorriso...
 
Lembro ainda o gosto do teu beijo
E a pura carne, quente de desejo
Na liberta expressão de um paraíso.
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Poema de
ALBERTO PEYRANO
Santa Fé/Argentina

Água na alma

Eu vi tuas lágrimas a correr por tuas bochechas
E essa água benta, que minha sede matou,
Chegou até minha boca num suspiro
E inundou meu coração.
 
Que felicidade sem fim senti naquele instante,
Quanto de ti passou à minha alma...
Um pássaro cantava no jardim
Sob a intensa chuva de teu amor.
 
Peguei tua mão e a fiz tocar meu rosto
E, oh, milagre!... de teus dedos
Brotaram rosas encarnadas
Que o orvalho de minhas lágrimas cobriu.
(Tradução por Ógui Lourenço Mauri)
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Trova de
GERALDO LYRA
Recife/PE

Motorista da ilusão,
pelas estradas da vida
vou deixando o coração
no adeus de cada partida!
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Poema de
MARIA LUIZA WALENDOWSKY
Brusque/SC

Tristeza

Tristeza d´alma
vá para longe...
não fiques me sufocando
com esta angústia,
dor no peito
sem fim.
- De onde vens?
São tantos os motivos...
mas por que insistes em ficar?
Deixe-me ser livre... solta!
Voar bem alto
e, no infinito,
mergulhar em meu íntimo,
a sorrir com orgulho,
de uma vida prestes
a desabrochar...
tímida e imprevista.
- Por favor,
não insistas mais
em ficar.
= = = = = = = = = = = = = =  

Trova de
GILBERTO GUERREIRO BARBALHO
São José do Mipibu/RN

Há tanta leveza e graça
no teu porte, ao caminhar,
que o vento forte que passa,
faz-se brisa ao te encontrar…
= = = = = = = = = = = = = =  

Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Quadro nostálgico

Eu sou a saudade
que você deixou
na hora amarga
do seu adeus...
Sou o “TUDO”
Que restou do “NADA”;
as lágrimas dos meus 
e dos olhos seus...
= = = = = = = = = = = = = =  

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