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| Imagem criada com IA Microsoft Bing |
Diz-se que a internet encurtou distâncias, mas a verdade é que ela criou uma nova geografia da alma. Nela, o afeto viaja na velocidade da luz, mas a empatia, às vezes, empaca na primeira esquina de um mal-entendido.
Ricardo e Magda habitavam essa geografia flutuante há anos. Entre eles, não havia carne, mas havia essência. Ricardo era o amigo seguro de Magda, o mestre generoso que partilhava lições, o poeta que devolvia versos em dias sem par e o riso frouxo que iluminava os dias cinzentos. Nos invernos da vida, quando o chão de Magda cedia, era a mão invisível de Ricardo que a sustentava através de uma tela. Construíram um castelo de confidências, tijolo por tijolo, palavra por palavra.
Até que veio o cataclisma. Uma brincadeira boba, um chiste mal medido por ele, ou talvez mal traduzido por ela. No tribunal silencioso das telas, a palavra escrita não tem tom de voz, não tem o brilho do olhar, não tem o recuo do sorriso. Magda sentiu o golpe, a piada transformou-se em desrespeito em sua mente.
O que se seguiu foi o verdadeiro desrespeito: o silêncio punitivo.
Sem o benefício da dúvida, sem o direito à defesa, Magda acionou o carrasco moderno: o botão de bloquear. Apagou anos de dedicação com o mesmo peso de quem descarta um anúncio indesejado. Ricardo, o amigo de tantas batalhas, foi reduzido a zero. Virou um fantasma digital, condenado sem julgamento, sentenciado sem saber exatamente o tamanho de sua culpa. Ela o julgou pelo pior de seus momentos, ignorando a soma de tudo o que ele sempre foi.
Moral:
O desrespeito nem sempre se veste de agressão escancarada; muitas vezes, ele se esconde na recusa em ouvir o outro. Descartar uma longa história de amizade e cumplicidade por causa de um único erro, sem dar a chance de explicação ou pedido de desculpas, não é amor-próprio — é a arrogância de quem prefere ter a razão do que manter o amigo. No tribunal do orgulho, a justiça é sempre cega, surda e solitária.
JOSÉ FELDMAN (Floresta/PR)

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