Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cristina Arraes Moreira (Reflexões Após Leitura)


Acabo de reler o livro “O Retrato de Dorian Gray” de Oscar Wilde, onde se encontra muitas reflexões que são inerentes ao ser humano. Ali se pode ter a oportunidade de ver retratado as preocupações com a beleza, em contraponto com nossa própria essência. Opções de vida, decisões que podem transformar nossa realidade também é ali apresentado de forma cativante e real.

Começo pela preocupação por uma beleza, muito menos desejada e muito mais imposta por um mundo, cuja população tem necessidade de modelos para se tornarem semelhantes. Mas o que é esta perfeição física, sem um espírito que a anime e a faça presente e participante?

Se pudéssemos separar a alma do corpo, como se fossem dois, o que seria um disparate, com qual parte gostaríamos de ficar? Optando pela alma, tenho o corpo físico junto porque ela é a verdadeira essência de ser. Mas o que acontece se, como o autor descreve, tem-se um desejo profundo de se tornar eternamente jovem, sem que as experiências da vida tenham qualquer sinal no que as pessoas podem ver.

Realmente fiquei muito pensativa, perdida nestas reflexões. Olho-me ao espelho e posso vislumbrar uma vida toda, de amores e decepções, tristezas, alegrias, dúvidas, realizações, tudo enfim que me fez ser o que sou hoje.

Lembro então do personagem desta obra, que fez a opção de não ver exteriorizado todo este caminho, sua verdadeira história. O autor consegue transmitir o completo vazio que se apodera do ser humano, ao se ver separado de suas emoções.

O mundo ocidental apresenta uma super valorização da juventude, sua disponibilidade, seu frescor, sua forma de sonhar e buscar seus projetos. As “não marcas” em seu corpo por uma história que apenas se inicia. Tudo isto é perfeito, na hora certa, no momento certo. Mas tentar eternizar esta condição, seria loucura, um desmando em relação à própria natureza.

História... A minha história, a sua história... Quantas coisas se perderiam se não houvesse um registro de fatos e emoções. E que são estes registros? Marcas que o tempo coloca em nosso corpo, mapa de uma existência que é dádiva e que se deve preservar. O personagem, provavelmente se olhava no espelho e deveria sentir o vazio de sua aparência, sua identidade se tornava algo irreconhecível, perdido no desejo da vaidade.

Gosto de minha vida, gosto de minha história, gosto de minhas experiências, gosto de me olhar e sentir que realmente vivi, que fiz diferença neste mundo, para mim, para os que encontrei, para os que amo. Não renuncio a isto por uma bonita imagem que o mundo anseia por impor. Que venha a maturidade, com suas transformações físicas, emocionais, espirituais, presentes de anos de vivência, ricos de tentativas, sucessos, derrotas.

Para tudo há o seu momento e, infeliz daquele que ousar modificar a ordem natural das coisas. Como é bom, como é gratificante ir conhecendo, aos poucos, tudo que se adquire com os anos que passam. Melhor ainda chegar à compreensão de que, por mais que se estude, mais teremos a aprender. A constatação de que a vida é um livro que não tem fim. A morte vem e interrompe o simples passar das páginas. Fica o enredo, fica a história, que servirá para outros continuarem.

Mate-se os sinais da própria vida, mate-se as emoções retratadas nas mãos, nos olhos, no corpo e há que se ter a morte que se precipita, chega-se ao fim, prematuramente.

Fonte:
http://www.vaniadiniz.pro.br/

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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