Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Heloisa Buarque de Holanda (26 Poetas Hoje Digital)


"Frente ao bloqueio sistemático das editoras, um circuito paralelo de produção e distribuição independente vai se formando e conquistando um público jovem que não se confunde com o antigo leitor de poesia."

O parágrafo acima poderia se referir ao novo paradigma surgido com a era digital, ou às dezenas de saraus de poesia que surgem hoje na perifeira de São Paulo, mas não. Consta no prefácio escrito por Heloisa Buarque de Hollanda para o livro 26 poetas hoje (Aeroplano, 2007, 6° ed.), em 1975. Naquela época, enquanto no mundo girava a roda de aquários e a geração hippie, inspirada na sua predecessora beat, vivia sua onda, no Brasil corria solta a censura e a repressão militar. Foi o período do chamado vazio cultural, diagnosticado pelo jornalista Zuenir Ventura e decorrente do silenciamento forçado das vozes criativas.

À margem das atenções, pelo seu poder de audiência reduzido, a poesia tornou-se uma área de livre manifestação, abarcando frustrações, fosse da juventude, fosse da esquerda. Proliferavam os volumes de produção independente, vendidos diretamente pelo autor, impressos em mimeógrafos, confeccionados com originalidade e esgotados rapidamente. A poesia, pelo menos no Rio de Janeiro, acontecia e parecia estar em toda parte: em recitais, lançamentos, portas de teatro e bares da moda.

O livro organizado por Heloisa tinha por intenção "reunir num livro 'de editor', e, portanto num livro que se insinuasse num circuito mais amplo, manifestações isoladas ou praticamente isoladas, que eu percebia como importantes no campo da cultura e no campo da literatura", disse a crítica literária à revista José no ano seguinte da publicação do livro. Os poetas escolhidos, de diferentes gerações e motivações, portanto desorganizados como grupo, eram todos praticantes de uma mesma dicção ligada ao cotidiano e donos de uma atitude de desierarquização do espaço nobre da poesia. Uma revisitação mais forte do ideal modernista de 1922. 26 poetas hoje (Aeroplano) foi além do pretendido e virou espécie de retrato oficial do que é considerado o último grande rótulo da poesia brasileira: a poesia marginal.

Logo de cara, o livro obteve enorme repercussão nos jornais e atiçou como nunca o meio acadêmico, impulsionando a carreira de crítica literária da já estabelecida professora universitária Heloisa Buarque. Essa história está contada em Escolhas: uma autobiografia intelectual (Lingua Geral): "Para meu espanto, a antologia teve uma repercussão inexplicável. Sou convidada para conferências, seminários, entrevistas. O pequeno volume da Editora Labor foi resenhado e escrutinado em um sem número de jornais e revistas. Os jornalistas se entusiasmavam com uma 'novidade' para os espaços melancolicamente vazios de seus cadernos e suplementos culturais. Os professores e criticos dividiam-se frente à uma possivel 'agressão' à instituição literária", escreveu Heloisa no seu mais recente livro.

Hoje, 26 poetas hoje (Aeroplano) transformou-se em uma antologia clássica. Os poetas nela presentes, por ironia, se tornaram cânone e temas de teses de mestrado e doutorado, quando antes eram sequer considerados literatura. Alguns já estão mortos, como Torquatto Neto, Ana Critina César e Waly Salomão; outros ainda vivem a poesia, como Roberto Piva e Chico Alves; um, Roberto Schwartz, um dos maiores críticos literários em atividade; outros, como Chacal, Capinam e Geraldo Carneiro, roteiristas e compositores.

Fonte:
http://portalliteral.terra.com.br/blogs/26-poetas-hoje-digital

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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