Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Sarah Goulart (A Relação do Artista com a Mídia e a Arte da Boa Comunicação)


No último final de semana (9/maio/2009) participei do evento Papo de Artista, promovido pelo Portal Artistas Gaúchos, na Farol, em Porto Alegre, com o tema “A relação do artista com a mídia”. A grande quantidade de artistas presentes, para uma tarde de sábado, comprovou que este tema chama a atenção da classe artística. Ficou clara a dificuldade sentida por eles em conseguir um mínimo espaço junto aos veículos de comunicação para divulgarem seus projetos, seus trabalhos, sua arte. São artistas visuais, músicos, escritores, poetas, entre outros, que batalham e acreditam na sua arte e desejam vê-la reconhecida. Querem que sua mensagem chegue aos seus públicos e precisam da mídia para isso.

A questão é essa, uma boa comunicação com a imprensa também pode ser considerada uma arte. Não uma arte do artista e sim do assessor de imprensa cultural. Um jornalista formado, preparado para ajudar o artista a disseminar o conteúdo de seu trabalho. Todo o artista deveria ter o direito de exercer com plenitude e tranqüilidade o seu talento, assim como todo o artista tem o direito de ter seu talento divulgado com profissionalismo.

Junto com a jornalista Luciana Thomé, também assessora de imprensa cultural, conversamos sobre isso, abrindo espaço para que os artistas presentes expusessem suas dúvidas. Como produzir um bom release? Qual o melhor horário para fazer uma ligação para a imprensa? O que rende uma nota exclusiva em alguma coluna? Como agendar uma entrevista? Quanto tempo antes do lançamento a pauta deve ser encaminhada? O que é um press kit?

A relação do assessor com os jornalistas (seus colegas de profissão) facilita esse trabalho e garante melhores resultados. O profissionalismo evita erros comuns que podem ser cometidos quando a divulgação do trabalho do artista fica a cargo de alguém não especializado no assunto (em geral um parente ou um amigo).

Sabemos que nem sempre o artista tem orçamento disponível para poder custear uma assessoria de imprensa. Não há uma tabela de valores para isso. Tudo dependerá das demandas de trabalho. O Um lançamento de livro, por exemplo, é muito mais em conta do que um lançamento de filme, que geralmente tem financiamento. Essa é outra questão importante e deve ser abordada. Muitas vezes o artista esquece de acrescentar ao seu projeto o orçamento para divulgação. Chegada a hora do lançamento, precisa tirar do próprio bolso, ou fazê-lo de forma precária.

Uma artista presente afirmou durante o bate-papo ter gasto mais na impressão de panfletos, do que investiria em um profissional de assessoria de comunicação. É preciso medir o custo benefício. Um bom relatório de imprensa, com análises qualitativas e quantitativas da clipagem publicada, pode ser muito útil, para obter apoios e patrocínios - afinal quando apóia ou financia um projeto, a empresa e/ou entidade quer dar visibilidade a sua marca.

Para melhores resultados, o ideal é o assessor acompanhar o projeto desde o princípio. Ele poderá auxiliar o artista desde as definições de datas, o que é fundamental em alguns casos, através de um planejamento estratégico de comunicação, até a elaboração do relatório final. O assessor redigirá e aprovará com o artista os releases, notas exclusivas e sugestões de pauta, de acordo com a linguagem necessária, unificando o discurso. Ele sabe como devem ser encaminhadas as imagens para ilustrar a pauta – digo e repito, uma boa foto vende uma nota. Ele tem um mailing completo, com praticamente todos os contatos dos jornalistas que escrevem sobre arte e cultura em jornal, revista, rádio, TV, sites e blogs. Mas principalmente, ele tem essa relação, tão almejada pelos artistas e que fará com que seu projeto se dissemine.
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Sarah Goulart

Jornalista, atuante na área de assessoria de imprensa cultural.
Entre os trabalhos já realizados, destacam-se a divulgação local e nacional de importantes projetos culturais de Porto Alegre, como lançamentos de filmes, espetáculos teatrais, livros, exposições e festivais.
Na área de cinema é responsável pela CineEsquemaNovo – Festival de Cinema de Porto Alegre, desde sua primeira edição.
Fez os lançamentos dos filmes “Cão Sem Dono”, de Beto Brant e Renato Ciasca (em Porto Alegre); “3 Efes”, de Carlos Gerbase (nacional); “Nome Próprio”, de Murilo Salles (na última edição do Festival de Gramado e seu lançamento no RS e SC); “Ainda Orangotangos”, de Gustavo Spolidoro (filmagens e lançamento).
Atualmente atende o núcleo de cultura do Instituto Cultural Brasileiro Norte-Americano. Em abril fez assessoria de imprensa para a segunda edição da FestiPoa Literária.
É a responsável pela implantação da área de Assessoria de Imprensa na Maria Cultura, empresa gaúcha que trabalha com comunicação cultural.


Fonte:
Artistas Gaúchos

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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