sábado, 18 de abril de 2026

Mensagem na Garrafa 173 = A Pedra da Felicidade


AUTOR ANÔNIMO

Conta a história que uma fada perdeu pelo caminho uma pedra encantada, a Pedra da Felicidade.

Apressada como estava, resolveu seguir seu caminho e mais tarde através da sua magia, descobriu que a Pedra havia sido encontrada por um rapaz muito pobre que a levou para casa.

Ao ver a casa do rapaz, a fada achou que a Pedra da Felicidade poderia ficar com o rapaz haja vista a sua situação muito humilde.

Então nessa noite ela apareceu no sonho do rapaz e explicou-lhe que aquela Pedra que ele havia
achado era a Pedra da Felicidade e que ele poderia fazer 3 desejos para pessoas que realmente necessitassem:

Uma pessoa poderia pedir para a prosperidade, uma pessoa pediria para saúde e a outra para felicidade...

Ao acordar o rapaz lembrou-se do sonho e ficou extremamente irritado...:

- Como pode ser isso? Eu encontro a Pedra da Felicidade e tenho que passar os desejos para os outros... não meu Deus ...não é possível...

Irritado pegou a pedra na mão e esfregou fazendo pedidos de dinheiro, riqueza, e nada...

Mais nervoso pegou a Pedra e jogou-a em uma gaveta...

Os anos passaram... passaram... e encontramos o nosso jovem de outrora, transformado em um
senhor idoso, morando naquele casebre miserável...

Não havia se casado, pois sua rabugice espantava as pretendentes, tinha pouquíssimos amigos, haja vista sua mesquinhez.

Então em uma noite lembrou-se da Pedra da Felicidade e, encontrou-a largada na gaveta...

Pensou que, já que estava no fim da vida poderia pelo menos ajudar a alguém... e saiu pela vila...
Logo na entrada da cidade encontrou uma família miserável esmolando pelas ruas... ficou penalizado de ver as crianças com pé descalço e cara de fome... chamou a senhora que os acompanhava e falou:

- Quero te dar uma fortuna para que nunca mais sofras da miséria.

Esfregando a Pedra, a senhora recebeu ouro suficiente para levar uma vida de rainha...

Sem saber como agradecer, a senhora partiu para comprar uma casa e finalmente dar conforto aos filhos...

Logo à frente, nosso velhinho encontra uma mulher chorando e pergunta o que estava acontecendo. Ela responde que seu único filho está morrendo de uma doença que nenhum médico conseguiu identificar...

Ele pede então para a mulher segurar a Pedra e pedir saúde para seu filho...

E em poucos minutos o menino aparece a porta milagrosamente curado...

A mulher não sabia mais como agradecer o milagre...

Mas ele continuou sua caminhada e encontrou um orfanato miserável e entrou para ver se podia ajudar...

Imediatamente esfregou a Pedra da Felicidade e o casebre do orfanato transformou-se numa linda casa...

Os quartos ganharam camas novas, as crianças brinquedos, roupas e tudo foi inundado de felicidade...

As crianças o cercaram, cantaram para ele, beijaram-no e pela primeira vez em muitos anos... Ele chorou de felicidade...

Por que não usaste antes?

- Por causa do meu egoísmo, perdi a chance de fazer tantas pessoas felizes e até de melhorar minha vida... Meu desejo nesse momento é que eu possa esquecer toda essa história, para tentar ao menos ser um pouco feliz...

Há as vezes maior prazer em dar do que receber... "Os barcos estão seguros se permanecem no porto, mas não foram feito para isto".

Então, busque, tente, ouse, invente, experimente, arrisque, realize, tenha coragem, acredite, tenha fé e jamais deixe de "sonhar", de "desejar"! Só assim, poderá realizar!!!

Viver sempre vale a pena, e passa muito rápido! Você tem talentos e pode fazer a diferença!
Então faça!

Renato Benvindo Frata (As madrugadas são desiguais)


Nas madrugadas acontecem espetáculos grotescos de magia. Aqui, ali, lá. Também no meu e no seu quarto. Com truques variados e, claro, cada qual com a concepção própria do artista. 

Todos se dão no escuro, no silêncio do aposento, quando uma das mãos vira lousa e a outra, um giz invisível.

Só o vê quem o manipula. Esse artista insone sou eu, é você. Que, apesar de não sentirmos, às vezes nos pomos a fazer cálculos intrincados de matemática e até de física, para tecer fórmulas.

Usamos expoentes, apêndices, colchetes. Sinal de maior e menor, percentuais nas operações de subtração, multiplicação, divisão. Não há soma: só subtração. Para encontrar, no final, o sinal de desigualdade.

Por que o fazemos? Por várias razões, mas, no mais das vezes, para encontrar uma saída, um esticar, até onde puder, o salário do mês. E quitar, fechando, os furos deixados pelos do mês anterior e do outro.

Confesse que não é assim!

Nesse ambiente do quarto, tornado insalubre em face dos olhos cansados e do sono mais uma vez abalado, ficamos.

Muitas vezes não entendemos, mas, ali do lado, como companhia muda, porém esperta, os olhos vermelhos do despertador, em razão dessa desdita, também lacrimejam. Com pesar.

Parece usar as mesmas lágrimas do artista insone, gastas com rabiscos inúteis nas mãos. Ambos comungam tristeza e insatisfação convertidas em planejamentos que, embora tenham sido bem pensados e argumentados, não serão concretizados.

Para provar, pela física e quaisquer ciências, que por mais rocambolescos que sejam os cálculos, as tentativas de espichar salários feitas nas madrugadas não produzem bons resultados.

Enquanto isso, nos porões palacianos, ternos e togas brindam com mulheres bem-vestidas e perfumadas. E dançam ao arrepio da verdade, na lentidão delirante que o bolero do poder concede.

Para esses não há contrassenso, nem preocupação com o dia que logo irá amanhecer e exigir cumprimento de horário, abastecimento de dispensa, liquidação de pendências financeiras a impedir nosso sono e, com ele, a nossa paz.

Até quando as madrugadas permanecerão tão desiguais?
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Renato Benvindo Frata nasceu em Bauru/SP, radicou-se em Paranavaí/PR. Formado em Ciências Contábeis e Direito. Professor da rede pública, aposentado do magistério. Atua ainda, na área de Direito. Fundador da Academia de Letras e Artes de Paranavaí, em 2007, tendo sido seu primeiro presidente. Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Seus trabalhos literários são editados pelo Diário do Noroeste, de Paranavaí e pelos blogs:  Taturana e Cafécomkibe, além de compartilhá-los pela rede social. Possui diversos livros publicados, a maioria direcionada ao público infantil.

Fontes:
Texto enviado pelo autor.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing  

Washington Daniel Gorosito Pérez (O escritor uruguaio José Enrique Rodó)

(tradução do espanhol por José Feldman)

José Enrique Rodó (Montevidéu, Uruguai, 1871 – Palermo, Itália, 1917) foi um filósofo, ensaísta, escritor, orador, professor e político uruguaio. Pertenceu à Geração de 1900. Sua obra deixou uma marca profunda na literatura e no pensamento latino-americanos. Sua vida e obra estão intrinsecamente ligadas a um contexto histórico e cultural que moldou seu pensamento e estilo, tornando-o uma figura central do movimento modernista.

Nascido em Montevidéu, capital do Uruguai, Rodó cresceu em um ambiente intelectual e em uma família que fomentou seu amor pela literatura e pelo pensamento. Desde jovem, foi atraído pelas obras de pensadores de diferentes épocas, especialmente os gregos, leituras que mais tarde se refletiriam no conteúdo de alguns de seus trabalhos.

Em 1900, publicou uma de suas obras fundamentais, "Ariel". Na época, era diretor interino da Biblioteca Nacional. Um ensaio considerado um clássico da literatura latino-americana. Em seu conteúdo, há um apelo à busca de ideais elevados e à formação de um novo homem latino-americano, que transcenda a materialidade e a superficialidade.

Rodó utiliza a figura de Ariel, o espírito da poesia e da beleza, para contrastar com Calibã, que representa a brutalidade e o materialismo. Em Ariel, ele defende a espiritualidade e a cultura, algo que exerceu grande influência por décadas, tornando José Enrique Rodó uma figura de destaque no pensamento idealista latino-americano.

Em Ariel, ele combina os valores do idealismo espiritualista com os princípios do evolucionismo de Herbert Spencer, a lei geral do progresso. Ele explica o desenvolvimento da sociedade e da humanidade, ao mesmo tempo que promove uma consciência superior centrada nos mais elevados valores morais e intelectuais.

Subjacente a isso está uma crítica ao utilitarismo americano, já que o que faltava à cultura americana, segundo Rodó, era inteligência, sentimento e idealismo. Ariel despertou o espírito da consciência latino-americana.

Além de "Ariel", Rodó escreveu outros ensaios importantes, como "O Espírito da Letra" e "A Luta com o Anjo", onde aborda temas como educação, cultura e identidade latino-americana. Seu estilo é poético e reflexivo, imbuído de um profundo senso de estética e beleza.

Sobre a obra de José Enrique Rodó, o escritor e poeta uruguaio Mario Benedetti (Paso de los Toros 1920 – Montevidéu 2009 – Uruguai) afirmou:

“A maior injustiça que se pode cometer em relação a Rodó é não o situar, ao considerar e julgar sua obra, em seu contexto histórico.”

A vida de Rodó foi marcada por seu compromisso com a educação e a cultura. Ele foi um fervoroso defensor da educação laica e do papel da cultura na construção de uma sociedade mais justa e equitativa, algo que teve a oportunidade de defender em diversas ocasiões como membro do parlamento pelo Partido Colorado.

Sua visão era de uma educação integral, humanista e anti-pragmática, que transcendesse a mera instrução utilitarista. Sua proposta inclui formação ética e estética e busca cultivar cidadãos que desenvolvam o pensamento crítico e sejam cultos, não meramente tecnicamente capacitados. Infelizmente, na América Latina atual, a educação é o completo oposto do que esse pensador uruguaio idealizou.

Lembremos que a obra de José Enrique Rodó não foi isenta de críticas. Ele foi acusado de elitismo e de estar alheio às realidades sociais de sua época, de ser um utópico.

Sua abordagem idealista era frequentemente vista como uma forma de escapismo dos problemas concretos enfrentados pela sociedade uruguaia e latino-americana. Apesar disso, seu legado perdura e sua obra continua a inspirar novas gerações de leitores e pensadores nesta região.

Entre suas obras mais importantes estão: "O Novo Romance" (1897), "Ariel" (1900), "Liberalismo e Jacobinismo" (1906), "O Mirante de Próspero" (1913), "A Estrada de Paros" (1918) e "Epistolar" (1921). Rodó é o principal expoente do ensaio literário do Modernismo Hispano-Americano.

Como político e membro do parlamento, opôs-se a regimes oligárquicos, defendeu a democracia e os princípios fundadores e contribuiu com seus ideais para a consolidação da República Oriental do Uruguai. Exaltava o trabalho dos operários, considerando-os a única classe social de verdadeiro valor, pois eram eles que trabalhavam.

A vida e a obra de Rodó são um testemunho da busca por ideais em um mundo em constante transformação. Seu pensamento nos convida a refletir sobre a importância da cultura e da educação na construção da identidade coletiva e na busca por um futuro mais promissor.

Em um momento em que as sociedades enfrentam desafios extremamente complexos, a voz do orador e ensaísta José Enrique Rodó ressoa fortemente, destacando a necessidade de resgatar aqueles valores que transcendem o material e nos conectam com a essência do ser humano. Sua obra é uma luz guia na tempestade de anti-valores em que nos encontramos imersos, conduzindo-nos à busca de uma existência significativa, na qual a beleza e o idealismo são as forças motrizes da mudança e da necessária transformação social. Por seu trabalho incansável e altruísta em prol da juventude, ele é conhecido como "O Mestre da Juventude da América".

José Enrique Rodó faleceu em um hotel em Palermo, Sicília, Itália, em 1º de maio de 1917, vítima de febre tifoide. Coincidentemente, Rodó faleceu na data em que se comemora o Dia do Trabalho. Na época, trabalhava como correspondente da revista argentina Caras y Caretas, viajando por toda a Europa durante a Primeira Guerra Mundial.

Seus restos mortais foram repatriados para o Uruguai em 27 de fevereiro de 1920, com todas as honras fúnebres e um grande cortejo em Montevidéu. Seu túmulo pode ser visitado no Cemitério Central de Montevidéu.

No Parque Rodó, em Montevidéu, encontra-se um belo monumento em sua memória, criado pelo grande escultor uruguaio José Belloni. Esta obra escultórica inclui a figura alada de Ariel, do ensaio mais influente do escritor uruguaio. 
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COMPLEMENTO PELO BLOG 
"Ariel" (1900) foi escrito em tom de lição para a juventude, utiliza personagens de A Tempestade de Shakespeare. Ariel representa a espiritualidade e a cultura, enquanto Calibã representa o materialismo pragmático. Defende uma identidade cultural latino-americana, criticando a influência norte-americana. Além de Ariel, produziu textos importantes na Revista Nacional de Literatura y Ciencias Sociales. Suas cartas revelam uma rede de influência com intelectuais hispânicos e brasileiros. Rodó defendia um estado focado no desenvolvimento humano, não apenas no lucro ou progresso material. 

Trecho de “Ariel”:

Naquela tarde, o velho e venerado mestre, a quem costumavam chamar de Próspero, em alusão ao sábio mago de *A Tempestade*, de Shakespeare, despedia-se de seus jovens discípulos, após um ano de trabalho, reunindo-os mais uma vez ao seu redor.

Eles já haviam chegado à espaçosa sala de estudos, onde um gosto refinado e austero era evidente em todos os cantos, honrando a nobre presença dos livros, fiéis companheiros de Próspero. Dominando a sala — como o espírito que guiava sua atmosfera serena — estava um requintado bronze representando Ariel, de *A Tempestade*. O mestre costumava sentar-se ao lado desse bronze e, por isso, o chamavam pelo nome do mago a quem o personagem fantástico, retratado pelo escultor, serve e favorece na peça. Talvez, em seus ensinamentos e caráter, houvesse uma razão e um significado mais profundos para o nome.

Ariel, o espírito do ar, representa, no simbolismo da obra de Shakespeare, a parte nobre e alada do espírito. Ariel é o reinado da razão e do sentimento sobre os impulsos básicos da irracionalidade; ele é o entusiasmo generoso, o motivo nobre e altruísta em ação, a espiritualidade da cultura, a vivacidade e a graça da inteligência, o ideal ao qual a seleção humana ascende, retificando no homem superior os vestígios tenazes de Calibã, símbolo da sensualidade e da inaptidão, com o cinzel persistente da vida.

A estátua, uma obra de arte, retratava o espírito etéreo no momento em que, libertado pela magia de Próspero, está prestes a alçar voo para desaparecer num lampejo. Suas asas estão desdobradas; sua túnica leve, que o toque da luz sobre o bronze damasquinado com ouro, é solta e esvoaçante.

Sua testa larga erguida; seus lábios entreabertos num sorriso sereno; tudo na postura de Ariel revelava admiravelmente o início gracioso de seu voo. E, com inspiração divina, a arte que conferira firmeza escultural à sua imagem conseguira preservar nela, simultaneamente, tanto sua aparência seráfica quanto sua leveza ideal.”

O livro pode ser obtido no Projeto Gutemberg (em espanhol), no link
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WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ nasceu em 24 de junho de 1961, em Montevidéu, Uruguai. Desde 1991, reside em Irapuato, Guanajuato, México. Naturalizado cidadão mexicano em 1999. É formado em Jornalismo aplicado às Mídias Sociais pelo Uruguai, possui bacharelado em Sociologia da Educação pelo México, mestrado em Sociologia da Educação pelo México e é doutorando em Pedagogia pelo México.

*Escritor, poeta, ensaísta, pesquisador, jornalista, palestrante e professor universitário. É autor da coluna "Encuentro con Gorosito" (Encontro com Gorosito), que aborda política internacional e temas culturais e é publicada em países das Américas e da Europa. É analista de informação e defesa internacional. Algumas de suas obras literárias e jornalísticas foram traduzidas e publicadas em inglês, russo, japonês, italiano, romeno e português. Ele recebeu prêmios de poesia, ensaio, conto e jornalismo no Uruguai, México, Brasil, Chile, Argentina, Estados Unidos, Espanha, França e Alemanha.

Fonte:
Sumar Literomania nr. 401-402 (04.04.2026)
https://www.litero-mania.com/el-escritor-uruguayo-jose-enrique-rodo/

sexta-feira, 17 de abril de 2026

José Feldman (Entre a Lua e o Vizinho)


Crônica tendo por base a trova abaixo

Hoje é simples ir à Lua:
fica ali… basta um pulinho…
Proeza é cruzar a rua
para abraçar o vizinho.
A. A. DE ASSIS 
Maringá/PR

Esta trova, com a precisão de um bisturi, corta o tecido da nossa modernidade e expõe uma ferida que insistimos em cobrir com telas e fibra ótica. Ela nos lembra que, enquanto expandimos as fronteiras do universo, estamos encolhendo os limites da nossa própria calçada.

Hoje, ir à Lua virou questão de logística e alguns bilhões de dólares. Temos foguetes recicláveis, sondas em Marte e telescópios que flagram o nascimento de galáxias a trilhões de anos-luz. O céu, antes o reino do impossível, tornou-se um destino com check-in e contagem regressiva. O "pulinho" não é apenas ironia; é o retrato de uma humanidade que aprendeu a vencer o vácuo, mas desaprendeu a vencer o asfalto.

A verdadeira proeza, o "salto gigante para a humanidade" que nos falta dar, está a menos de dez metros de distância: na porta da frente do vizinho.

Cruzamos oceanos em horas, mas levamos meses para descobrir o nome de quem mora no 402. Conhecemos a rotina de influenciadores que vivem em fusos horários distantes, sabemos o que comeram no café da manhã e qual a cor de suas novas cortinas, mas ignoramos o luto ou a alegria que habita a casa ao lado. O vizinho tornou-se um fantasma que compartilha o mesmo CEP; um vulto que evitamos no elevador fingindo uma urgência súbita no celular.

Abraçar o vizinho exige uma coragem que a NASA não ensina. Requer a audácia de ser visto sem filtros, de interromper o isolamento produtivo da rotina e de admitir que, sob o mesmo teto ou na mesma rua, somos todos tripulantes de uma mesma solidão. Cruzar a rua é um ato de subversão. É dizer que o aperto de mão real vale mais que o "joinha" virtual.

Talvez o problema seja o foco. Olhamos tanto para as estrelas buscando sinais de vida inteligente que esquecemos de emitir sinais de vida afetuosa para quem está ao alcance da voz. O espaço é silencioso e frio, fácil de mapear. O ser humano, por outro lado, é um território caótico, cheio de relevos e crateras emocionais — e é por isso que o abraço dá tanto medo.

No fim das contas, a tecnologia nos deu asas para tocar a Lua, mas a pressa e o individualismo nos tiraram as pernas para atravessar a rua. Que saudade do tempo em que o mundo era grande e os vizinhos eram próximos. Hoje o mundo é pequeno, mas a calçada... ah, a calçada virou um abismo.
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JOSÉ FELDMAN (71), poeta, escritor, professor, copidesque e gestor cultural de Floresta no estado do Paraná. Pertenço a diversas academias de letras do Brasil, Portugal, Suíça e Romênia. Fui Delegado da UBT em Ubiratã, ajudei na coordenação das Delegacias de Arapongas e Campo Mourão. Organizei diversos torneios de trovas, assim como elaborei centenas de boletins e e-books de trovas. Aposentado. Dezenas de premiações em crônicas, contos, poesias e trovas no Brasil e exterior. Possuo 8 livros publicados e 4 em andamento. Editor dos blogs Singrando Horizontes, Pérgola de Textos, Chafariz de Versos e Voo da Gralha Azul (dedicado à trova).

Fontes:
José Feldman. Pérgola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine.
Imagem: www.freepik.com

Qual valor devo vender meu livro?


Imagem criada com Microsoft Bing
Deve-se levar em conta o valor do conteúdo, o esforço da escrita e o desejo de valorizar o produto final. No entanto, analisando o cenário atual do mercado editorial brasileiro, um preço de R$ 100,00 para um livro de ficção (que não seja uma edição especial de colecionador, capa dura ou de um autor consagrado internacionalmente) situa-se, infelizmente, fora da realidade de consumo da grande maioria dos leitores brasileiros.

No Brasil, o público leitor é sensível a preços, especialmente em publicações independentes ou de novos autores. Valores acima de R$ 50-60 já impõem uma barreira significativa de entrada.

Mesmo autores com prêmios de ficção científica no exterior raramente lançam obras no Brasil com valores tão altos, pois o objetivo é, geralmente, conquistar leitores e aumentar a base de fãs. Um preço muito elevado pode limitar a circulação da obra e prejudicar a construção de seus leitores.

Para garantir maior acessibilidade, volume de vendas e visibilidade, seria avaliar um preço mais acessível garantindo assim uma melhor competitividade.

Atente que editoras cobram preços absurdamente diferentes, mas a qualidade geralmente é a mesma. O mesmo livro uma editora pode cobrar 25,00 por livro, com páginas couchê, capas coloridas, etc. enquanto uma outra cobra 80,00 pela mesma qualidade.

Para que um livro tenha um preço acessível à grande maioria do público no Brasil, é necessário atacar o chamado "ciclo vicioso" das baixas tiragens e altos custos de distribuição.

Fatores que impedem a comercialização de livros a altos valores:

PODER DE COMPRA E RENDA MÍNIMA: 
Em um país onde grande parte da população vive com um salário mínimo, comprometer cerca de 7% a 10% da renda mensal em um único livro de ficção (entre R 80 - 100) torna o produto um item de luxo, competindo diretamente com gastos essenciais como alimentação e transporte.

A "Barreira dos R$ 50,00 tendem a afastar o leitor de massa e o público jovem, que é um dos maiores consumidores de ficção, mas possui orçamento limitado.

CUSTO DE OPORTUNIDADE : 
O livro de ficção disputa o tempo e o dinheiro do brasileiro com outras formas de lazer mais acessíveis. Por exemplo, o valor de um livro de R$ 90,00 equivale a quase três meses de assinatura de um serviço de streaming (como Netflix ou Amazon Prime), que oferece milhares de histórias.

HÁBITO DE LEITURA: 
Segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, o preço é frequentemente citado como um dos principais obstáculos. Quando o livro é caro, ele deixa de ser uma "compra por impulso" e passa a ser uma compra planejada, o que reduz drasticamente o volume de vendas de autores novos ou menos conhecidos.

EDUCAÇÃO VS. LAZER: 
No Brasil, o investimento em livros caros costuma ser tolerado para fins didáticos ou profissionais (o livro como ferramenta de ascensão social). Quando o objetivo é apenas "lazer" (ficção), o público tende a buscar opções mais baratas, como sebos, e-books ou promoções agressivas.

Em resumo, o preço alto seleciona um público de elite, deixando de fora a grande massa que poderia sustentar tiragens maiores e tornar a indústria mais forte.

Aqui estão os pilares fundamentais para baixar o preço de capa:

ALTA TIRAGEM: 
O custo fixo (revisão, diagramação, capa) é diluído conforme o número de exemplares aumenta. Imprimir 10.000 cópias reduz drasticamente o custo unitário em comparação a imprimir apenas 1.000.

VENDA DIRETA E REDUÇÃO DE INTERMEDIÁRIOS: 
Livrarias físicas e distribuidores costumam ficar com 40% a 60% do valor do livro. Vender diretamente pelo site da editora ou do autor permite baixar o preço sem perder margem de lucro.

SIMPLIFICAÇÃO GRÁFICA: 
Optar por edições sem orelhas, com papéis mais baratos (como o Pólen ou jornal) e capas sem acabamentos especiais (como verniz localizado ou relevo) diminui o custo de produção na gráfica.

AUTOPUBLICAÇÃO E DIGITALIZAÇÃO: 
Focar no formato e-book elimina custos de impressão, papel e logística. Plataformas como o Kindle Direct Publishing da Amazon permitem que o autor defina preços baixos mantendo uma boa margem de royalties.

LEIS DE INCENTIVO E EDITAIS: 
Utilizar leis de incentivo à cultura (como a Lei Rouanet ou editais estaduais) para cobrir os custos de produção permite que o livro seja vendido a preço de custo ou até distribuído gratuitamente.

FINANCIAMENTO COLETIVO: 
Usar plataformas de "vaquinha" como o Catarse para garantir a venda de uma tiragem mínima antes mesmo da impressão. Isso elimina o risco de estoque parado, que é um dos maiores custos "invisíveis" das editoras.

Marcelo Coelho (A inconsciência dos corpos à beira-mar)


Sempre fui, sempre me considerei um gordo. A frase é — hum— pesada demais. Chamar alguém de gordo é dos piores xingamentos que conheço e, no meu caso, posso mesmo assegurar que se trata de injustiça. Há tempos, fiz um regime bem-sucedido; observadores objetivos dirão que hoje pertenço, sem dúvida, ao time dos magros.

Mas sentir-se gordo — a culpa na balança, a desestima diante do espelho, a lembrança do peso perdido —, isso continua. Tudo se torna mais difícil no verão, é claro. A praia humilha demais os que têm barriga.

Ou melhor: o espantoso é que ninguém (exceto nós mesmos) está nem aí para o problema. Foi grande a minha surpresa, numa das primeiras vezes que fui ao Rio, encontrar na praia gente feia de todo tipo — e não a desdenhosa população de modelos e atletas que a fama da cidade fazia prever.

Passei uns dias no litoral paulista, num lugar que não é dos piores. Fiquei impressionado (e contente, admito) com a sem-cerimônia dos que são muito, mas muito mais gordos do que eu.

Um tipo clássico, instituído há décadas nas praias brasileiras, é o da mulher muito gorda que usa maiô inteiriço preto. O maiô molhado adquire o brilho daquelas câmaras de pneu de caminhão, por sua vez também clássicas nas represas, pesqueiros, rios e cascatas de nosso país. Por algum motivo, a mulher corre rumo ao mar. Ela é muito branca; deve ser o calor. A corrida é dificultada pelas suas próprias pernas, cujo movimento obedece a eixos de rotação opostos; ela parece que vai cair. E de fato cai ao choque da primeira onda: entrou na água com êxito.

Pois bem, a gorda do maiô inteiriço preto hoje usa biquíni — também preto, é claro. E não há motivo para que não use.

Ela não é mais estranha, afinal, do que sua contrapartida masculina, conhecidíssima de Cabrália até Cananéia pelo menos: o homem grávido. Esse não entra na água. Caminha paralelo ao mar, de perfil; está sempre de perfil, aliás. As pernas finas, o rosto magro, os braços longos, tudo destaca a barriga de vários meses, que ele porta sem orgulho, mas também sem embaraço.

Bem diferente é o tipo do ex-magro. Trata-se de figura mais recente; pelo jeito de vestir, diríamos que remonta no máximo aos tempos do governo Figueiredo. Usa sunga e tênis com meia branca. É um sujeito muito esportivo, faz cooper o tempo todo, tem porte de atleta, mas de algum modo, foi acrescido de 20 ou 30 quilos, que contudo, não lhe pesam. Tem preparo físico justamente para carregá-los, e disso se envaidece.

Versão anterior dessa personagem é muito comum, creio, nas praias do Rio: falo de um tipo de militar aposentado, craque furioso da peteca, um tanto calvo, que talvez fosse mais gordo se não estivesse seriamente desidratado. Sua pele, com efeito, adquiriu um aspecto que não é do bronze, mas do couro curtido, do qual brotam tufos de pelo branco.

Corpos, corpos, quantos corpos na praia, Deus meu! Costas cobertas de pelos, de espinhas, de protetor solar... Colunas vertebrais, como pipas, inclinadas nos mais diversos ângulos. Há pescoços que se perderam nos entroncamentos da Piaçaguera ou da rodovia Pedro Taques; rolaram pelo acostamento e seus donos, já na praia, não perceberam ainda a dimensão do acidente.

Mulheres inteiras parecem se desfazer como castelos de areia no contato com o mar; há cabeças que sobrevivem a uma espécie de erupção vulcânica, boiando sobre lavas de carne; aqui e ali, passam homens como palafitas, que mal se equilibram sobre as canelas vergadas ao peso do conjunto.

E ninguém está ligando a mínima. Não digo que haja bem-estar, um cego contentamento com o próprio físico, mas o que se nota em quase todo mundo, na praia, é uma forma fundamental de inconsciência: aquela inconsciência que deriva do simples fato de existir.

Gordo ou magro, velho ou jovem, o sujeito está ali, ao sol. Considerá-lo "exposto" ao olhar alheio já é, de certo modo, um abuso, um atentado à privacidade. Quem está na praia não se sente o tempo todo sob a avaliação crítica de seus dessemelhantes. É fator de sobrevivência psicológica, sem dúvida, o dom que todos temos de nos esquecer de como somos.

Mas deve haver algo de errado numa população que corresponde tão mal a seus próprios padrões de beleza física. Passamos o dia vendo mulheres lindíssimas e homens perfeitos nas revistas, nos outdoors e na TV. Há academias e regimes por toda parte. A inconsciência de todos os corpos na praia logo se interrompe em vergonha, resoluções de Ano Novo, esforços de pedestrianismo ou algum momentâneo impulso de correr -sim, talvez a isso estivesse entregue a gorda do maiô preto lá em cima.

Na praia é que vemos, na verdade, a enorme desadaptação da maioria da classe média, ou seja lá que nome tenha, à vida ao ar livre. Só os muito jovens ainda não sofreram alguma das deformações causadas pelo cotidiano. São tanto as deformações do trabalho – computador, telefone, escritório, carro — como as do ócio — comida, bebida, TV, por exemplo.

Não vou defender nenhum tipo de "volta à natureza", mas não deixa de ser irônico que tenhamos tantas invenções destinadas a poupar trabalho e energia, de um lado, e tantos recursos para evitar a subnutrição e o tédio alimentar, de outro, e que isso termine sendo fonte de descontentamento na grande maioria da classe média.

Infelizes com seus corpos, as pessoas depositam suas esperanças — sem muita persistência, é verdade — na adesão aos rigores do trabalho braçal e da fome. Claro que o nome é diferente: busca-se o trabalho braçal nas academias de luxo e a fome nos livros de regime para gourmets. Classe é classe. Perder peso, com sorte, até que dá; mas daí a perder posição social é outra história.
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Marcelo Coelho (1959) é paulista e formou-se em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Trabalhou por alguns anos como professor universitário antes de dedicar-se à atividade jornalística na “Folha de S. Paulo”. Iniciou sua trajetória no jornal como editorialista e participou do grande projeto de reforma do jornal em 1984 liderado por Otavio Frias Filho. Foi coordenador de editoriais e a partir de 1990 começou a assinar uma coluna semanal no caderno “Ilustrada”. Publicou os romances Noturno (1992) e Jantando com Melvin (1998), traduziu obras de Voltaire e Paul Valéry, entre outros, e escreveu livros infantis. Seleções de textos publicados na Folha de S. Paulo estão reunidos em dois volumes, Gosto se Discute (1995) e Trivial Variado (1998). Desde 1994 leciona jornalismo cultural nas Faculdades Cásper Líbero, em São Paulo. Criou uma modalidade particular de crônica, que combina o ensaio acadêmico, o resenhismo dos cadernos culturais e o comentário do detalhe cotidiano e discute aspectos sociológicos, antropológicos e estéticos do impacto dos produtos culturais na vida contemporânea. 

Fontes:
Jornal “Folha de São Paulo”, SP: 15/01/2003.

Machado de Assis (Vênus! Divina Vênus!)


- Vênus! Vênus! Divina Vênus!

E despegando os olhos da parede, onde estava uma cópia pequenina da Vênus de Milo, Ricardo arremeteu contra o papel e arrancou de si dois versos para completar uma quadra começada às sete horas da manhã. Eram sete e meia; a xícara de café, que a mãe lhe trouxera antes de sair para a missa, estava intacta e fria sobre a mesa; a cama, ainda desfeita, era uma pequena cama de ferro, a mesa em que escrevia era de pinho; a um canto um par de sapatos, o chapéu pendente de um prego. Desarranjo e falta de meios. O poeta, com os pés metidos em chinelas velhas, com a cabeça apoiada na mão esquerda, ia escrevendo a poesia. Tinha acabado a quadra e releu-a:

Mimosa flor que dominas
Todas as flores do prado,
Tu tens as formas divinas
De Vênus, modelo amado.

Os dois últimos versos não lhe pareceram tão bons como os dois primeiros, nem lhe saíram tão fluentemente. Ricardo deu uma pancadinha seca na borda da mesa, e endireitou o busto. Concertou os bigodes, fitou novamente a Vênus de Milo - uma triste cópia em gesso - e tratou de ver se os versos lhe saíam melhores.

Tem vinte anos este moço, olhos claros e miúdos, cara sem expressão, nem bonita nem feia, banal. Cabelo reluzente de óleo, que ele põe todos os dias. Dentes tratados com esmero. As mãos são delgadinhas, como os pés, e tem as unhas compridas e encurvadas. Empregado em um dos arsenais, vive com a mãe (já não tem pai), e paga a casa e parte da comida. A outra parte é paga pela mãe, que, apesar de velha, trabalha muito. Moram no bairro dos Cajueiros. O ano em que isto se dava era o de 1859. É domingo. Dizendo que a mãe foi à missa, quase não é preciso acrescentar que com um surrado vestido preto.

Ricardo prosseguia. O amor às unhas faz com que não as roa, quando se acha em dificuldades métricas. Em compensação, afaga a ponta do nariz com a ponta dos dedos. Esforça-se por sacar dali dois versos substitutivos, mas inutilmente. Afinal, tanto repetiu os dois versos condenados, que acabou por achar a quadra excelente e continuou a poesia. Saiu a segunda estrofe, depois a terceira, a quarta e a quinta. A última dizia que o Deus verdadeiro, querendo provar que os falsos não eram tão poderosos como supunham, inventara, contra a bela Vênus, a formosa Marcela. Gostou desta ideia; era uma chave de ouro. Ergueu-se e passeou pelo quarto, recitando os versos; em seguida, parou diante da Vênus de Milo, encantado da comparação. Chegou a dizer-lhe em voz alta:

- Os braços que te faltam são os braços dela!

Também gostou desta ideia, e tentou convertê-la em uma estrofe, mas a veia esgotara-se. Copiou a poesia - primeiramente, em um caderno de outras; depois, em uma folha de papel bordado. Acabava a cópia quando a mãe voltava da missa. Mal teve tempo de guardar tudo na gaveta. A mãe viu que ele não bebera o café, feito por ela, e posto ali com a recomendação de que o não deixasse esfriar.

"Hão de ser os malditos versos!", pensou ela consigo.

- Sim, mamãe, foram os malditos versos! - disse ele.

Maria dos Anjos, espantada:

- Você adivinhou o que eu pensei?

Ricardo podia responder que já lhe ouvira muitas vezes aquelas palavras, acompanhadas de certo gesto característico; mas preferiu mentir.

- O poeta adivinha. A inspiração não serve só para compor versos, mas também para ler na alma dos outros.

- Então, você leu também que eu rezei hoje na missa por você...?

- Li, sim, senhora.

- E que pedi a Nossa Senhora, minha madrinha, que acabe com essa paixão por aquela moça... Como se chama mesmo?

Ricardo, depois de alguns instantes, respondeu:

- Marcela.

- Marcela, é verdade. Não disse o nome, mas Nossa Senhora sabe. Eu não digo que vocês não se mereçam; não a conheço. Mas, Ricardo, você não pode estar neste estado. Ela é filha de doutor, não há de querer lavar, nem engomar.

Ricardo teve moralmente náuseas. Aquela ideia reles de lavar e engomar era própria de uma alma baixa, ainda que excelente. Venceu o asco, e olhou para a mãe com um gesto igualmente amigo e superior. No almoço, disse-lhe que Marcela era a mais famosa moça do bairro.

- Mamãe acredita que os anjos venham à terra? Marcela é um anjo.

- Acredito, meu filho, mas os anjos comem, quando estão neste mundo e se casam... Ricardo, se você anda com tanta vontade de casar, por que não aceita Felismina, sua prima, que gosta tanto de você?

- Ora, mamãe! Felismina!

- Não é rica, é pobre...

- Quem lhe fala em dinheiro? Mas, Felismina! Basta-lhe o nome; é difícil achar outro tão ridículo. Felismina!

- Não foi ela que escolheu o nome, foi o pai, quando ela se batizou.

- Pois sim, mas não se segue que seja bonito. E depois, eu não gosto dela, é prosaica, tem o nariz comprido e os ombros estreitos, sem graça; os olhos parecem mortos, olhos de peixe podre, e fala arrastado. Parece da roça.

- Também eu sou da roça, meu filho - replicou a mãe com brandura.

Ricardo almoçou, passou o dia agitado, felizmente lendo versos, que foram o seu calmante. Tinha um volume de Casimiro de Abreu, outro de Soares de Passos, um de Lamartine, não contando os seus próprios manuscritos. De noite, foi à casa de Marcela. Ia resoluto. Não eram os primeiros versos que escrevia à moça, mas não lhe entregara nenhum - por acanhamento. De fato, esse namoro que Maria dos Anjos receava acabasse em casamento não passava ainda de alguns olhares e durava já umas seis semanas. Foi o irmão de Marcela que apresentou ali o nosso poeta, com quem se encontrava, às tardes, em um armarinho do bairro. Disse que era um moço de muita habilidade. Marcela, que era bonita, não deixava passar olhos sem fazer-lhes alguma pergunta a tal respeito, e como as respostas eram todas afirmativas, fingia não entendê-las e continuava o interrogatório. Ricardo respondeu pronto e entusiasmado; tanto bastou para continuarem uma variação infinita sobre o mesmo tema. Entretanto, não havia nenhuma palavra de boca, trocada entre eles, coisa que parecesse com declaração. Os próprios dedos de Ricardo eram frouxos, quando recebiam os dela, que eram frouxíssimos.

"Hoje dou o golpe", ia ele pensando.

Havia gente em casa do Dr. Viana, pai da moça. Tocava-se piano; Marcela perguntou-lhe logo com os olhos do costume:

- Que tal me acha?

- Linda, angélica - respondeu Ricardo pelo mesmo idioma.

Apalpou a algibeira do fraque; lá estava a poesia metida em sobrecarta cor-de-rosa, com uma pombinha cor de ouro, em um dos cantos.

- Hoje temos solo - disse-lhe o filho do Dr. Viana -. Aqui está este senhor, que é excelente parceiro.

Ricardo quis recusar; não pôde, não podia. E lá foi jogar o solo, a tentos, em um gabinete, ao pé da sala de visitas. Cerca de hora e meia não arredou pé; afinal confessou que estava cansado, precisava andar um pouco, voltaria depois.

Correu à sala. Marcela tocava piano, um moço de bigodes compridos, ao pé dela, ia cantar não sei que ária de ópera italiana. Era tenor, cantou, romperam grandes palmas. Ricardo, ao canto de uma janela, fez-lhe o favor de umas palminhas, e esperou os olhos da pianista. Os dele meditavam já esta frase: "Sois o mais belo, o mais puro, o mais adorável dos arcanjos, ó soberana do meu coração e da minha vida". Marcela, entretanto, foi sentar-se entre duas amigas, e de lá perguntou-lhe:

- Pareço-lhe bonita?

- Sois a mais bela, a mais...

Não pôde acabar. Marcela falou às amigas, e encaminhou os olhos para o tenor, com a mesma pergunta:

- Pareço-lhe bonita?

Ele, pela mesma língua, respondeu que sim, mas com tal clareza e autoridade, como se fora o próprio inventor do idioma. E não esperou nova pergunta; não se restringiu à resposta; disse-lhe com energia:

- E eu, que lhe pareço?

Ao que Marcela respondeu, sem grande hesitação:

- Um belo noivo.

Ricardo empalideceu. Não somente viu o significado da resposta, mas ainda assistiu ao diálogo, que continuou com vivacidade, abundância e expressão. De onde vinha esse pelintra? Era um jovem médico, chegado dias antes da Bahia, recomendado ao pai de Marcela; jantara ali, a reunião era em honra dele. Médico distinto, bela voz de tenor... Tais foram as informações que deram ao pobre-diabo. Durante o resto da noite, apenas pôde colher um ou dois olhares rápidos. Resolveu sair mais cedo para mostrar que estava ferido.

Não foi logo para casa; vagou uma hora ou mais, entre o desânimo e o furor, falando alto, jurando esquecê-la, desprezá-la. No dia seguinte, almoçou mal, trabalhou mal, jantou mal, e trancou-se no quarto, à noite. A consolação única eram os versos, que achava lindos. Releu-os com amor. E a musa deu-lhe a força d`alma que a aventura de domingo lhe tirara. Passados três dias, Ricardo não pôde mais consigo, e foi à casa do Dr. Viana; achou-o de chapéu na cabeça, esperando que as senhoras acabassem de vestir-se; iam ao teatro. Marcela desceu daí a pouco, radiante, e perguntou-lhe ocularmente:

- Que tal me acha com este vestido?

- Linda - respondeu ele.

Depois, animando-se um pouco, perguntou Ricardo à moça, sempre com os olhos, se queria que também ele fosse ao teatro. Marcela não lhe respondeu; dirigiu-se para a janela, a ver o carro que chegara. Ele não sabia (como sabê-lo?) que o jovem médico baiano, o tenor, o diabo, Maciel, em suma, combinara com a família ir ao teatro, e já lá os estava esperando. No dia seguinte, com o pretexto de saber que tal andara o espetáculo, correu à casa de Marcela. Achou-a em conversação com o tenor, ao lado um do outro, confiança que nunca lhe dera. Quinze dias depois falou-se da possibilidade de uma aliança; quatro meses depois estavam casados.

Quisera contar aqui as lágrimas de Ricardo; mas não as houve. Imprecações, sim, protestos, juramento, ameaças, vindo tudo a acabar em uma poesia com o título Perjura. Publicou esses versos, e, para lhes dar toda a significação, pôs-lhe a data do casamento. Marcela, porém, estava na lua de mel, não lia outros jornais além dos olhos do marido.

Amor cura amor. Não faltavam mulheres que tomassem a si essa obra de misericórdia. Uma Fausta, uma Doroteia, uma Rosina, ainda outras, vieram sucessivamente adejar as asas nos sonhos do poeta. Todas tiveram a mesma madrinha:

- Vênus! Vênus! Divina Vênus!

Choviam versos; as rimas buscavam rimas, cansadas de serem as mesmas; a poesia fortalecia o coração do moço. Nem todas as mulheres tiveram notícia do amor do poeta; mas bastava que existissem, que fossem belas, ou quase, para fasciná-lo e inspirá-lo. Uma dessas tinha apenas dezesseis anos, chamava-se Virgínia e era filha de um tabelião, com quem Ricardo se fez encontradiço para mais facilmente penetrar-lhe em casa. Foi-lhe apresentado como poeta.

- Sim? Eu sempre gostei de versos - disse o tabelião - se não fosse o meu cargo, escreveria alguns sonetinhos. No meu tempo compus fábulas. O senhor gosta de fábulas?

- Como não? - redarguiu Ricardo -. A poesia lírica é melhor, mas a fábula...

- Melhor? Não compreendo. A fábula tem conceito, além da graça de fazer falar os animais...

- Justamente!

- Então, como é que disse que a poesia lírica era melhor?

- Num sentido.

- Que sentido?

- Quero dizer, cada forma tem a sua beleza; assim, por exemplo...

- Exemplos não faltam. A questão é que o senhor acha a poesia lírica melhor que a fábula. Só se não acha?

- Realmente, parece que não é melhor - confessou Ricardo.

- Diga logo inferior. Luar, névoas, virgens, lago, estrelas, olhos de anjo são palavras vãs, boas para poetas apatetados. Eu, tirando-me a fábula e a sátira, não sei para que serve a poesia. Para encher a cabeça de caraminholas, e o papel de tolices...

Ricardo aturou toda essa rabugice do notário, para o fim de ser admitido em casa dele - coisa fácil, porque o pai de Virgínia tinha algumas fábulas antigas e outras inéditas e poucos ouvintes do ofício, ou verdadeiramente nenhum. Virgínia acolheu o moço com boa vontade; era o primeiro que lhe falava de amores - porque desta vez o nosso Ricardo não se deixou ficar atado. Não lhe fez declaração franca e em prosa, dava-lhe versos às escondidas. Ela guardava-os "para os ler depois" e no dia seguinte agradecia-os.

- Muito mimosos - dizia sempre.

- Eu fui apenas secretário da musa - respondeu ele uma vez -; os versos foram ditados por ela. Conhece a musa?

- Não.

- Veja no espelho.

Virgínia entendeu e corou. Já os dedos de ambos começaram a dizer alguma coisa. O pai ia muitas vezes com eles ao Passeio Público, entretendo-os com fábulas. Ricardo estava certo de dominar a mocinha e esperava que ela fizesse os dezessete anos para pedir-lhe a mão, a ela e ao pai. Um dia, porém (quatro meses depois de conhecê-la), Virgínia adoeceu de moléstia grave, que a pôs entre a vida e a morte. Ricardo padeceu deveras. Não se lembrou de compor versos, nem tinha inspiração para eles; mas a leitura casual daquela elegia de Lamartine, em que há estas palavras: "Elle avait seize ans; c'est bien tôt pour mourir," (Ela tinha dezesseis anos; muito jovem para morrer) deu-lhe ideia de escrever alguma coisa em que aquilo entrasse por epígrafe. E trabalhava, à noite, de manhã, na rua, tudo por causa da epígrafe.

- "Elle avait seize ans; c'est bien tôt pour mourir!"- repetia ele andando.

Felizmente, a moça arribou, ao fim de quinze dias, e, logo que pôde, foi convalescer na Tijuca, em casa da madrinha. Não foi sem levar um soneto de Ricardo, com a famosa epígrafe, o qual principiava por estes dois versos:

Agora, que a mimosa flor caída
Ao terrífico vento da procela...

Virgínia convalesceu depressa; mas não voltou logo, ficou lá um mês, dois meses, e, como eles não se correspondiam, Ricardo vivia naturalmente ansioso. O tabelião dizia-lhe que os ares eram bons, que a filha andava fraca, e não desceria sem estar inteiramente restabelecida. Um dia leu-lhe uma fábula, composta na véspera, e dedicada ao bacharel Vieira, sobrinho da comadre.

- Compreendeu o sentido, não? - perguntou-lhe no fim.

- Sim, senhor, entendi que o sol, disposto a restituir a vida à lua...

- E não atina?

- A moralidade é clara.

- Creio; mas a ocasião...

- A ocasião?

- A ocasião é o casamento da minha pequerrucha com o bacharel Vieira, que chegou de São Paulo; gostaram-se; foi pedida anteontem...

Esta nova desilusão atordoou completamente o rapaz. Desenganado, jurou acabar com mulheres e musas. Que eram musas senão mulheres? Contou à mãe esta resolução, sem entrar em pormenores, e a mãe o aprovou de todo. De fato, meteu-se em casa, as tardes e as noites, deu de mão aos passeios e aos namoros. Não compôs mais versos, esteve a ponto de quebrar a Vênus de Milo. Um dia soube que Felismina, a prima, ia casar. Maria dos Anjos pediu-lhe uns cinco ou dez mil-réis para um presentinho; ele deu-lhe dez mil-réis, logo que recebeu o ordenado.

- Com quem casa? - perguntou.

- Com um moço da Estrada de Ferro.

Ricardo consentiu em ir com a mãe, à noite, visitar a prima. Lá achou o noivo, ao pé dela, no canapé, conversando baixinho. Depois das apresentações, Ricardo encostou-se ao canto de uma janela, e o noivo foi ter com ele, passados alguns minutos, para dizer-lhe que estimava muito conhecê-lo, tinha uma casa às suas ordens e um criado para o servir. Já o tratava por primo.

- Sei que meu primo é poeta.

Ricardo, com fastio, deu de ombros.

- Ouvi dizer que é um grande poeta.

- Quem lhe disse isso?

- Pessoas que sabem. Sua prima também me disse que fazia bonitos versos.

Ricardo, após alguns segundos:

- Fiz versos; provavelmente não os farei mais.

Daí a pouco estavam os noivos outra vez juntos, falando baixinho. Ricardo teve-lhes inveja. Eram felizes, uma vez que gostavam um do outro. Pareceu-lhe até que ela gostava ainda mais, porque sorria sempre; e daí talvez fosse para mostrar os lindos dentes que Deus lhe dera. O andar da moça também era mais gracioso. "O amor transforma as mulheres", pensava ele; "a prima está melhor do que era." O noivo é que lhe pareceu um tanto impertinente, só a tratá-lo por primo... Disse isto à mãe, na volta para casa.

- Mas que tem isso?

Sonhou nessa noite que assistia ao casamento de Felismina, muitos carros, muitas flores, ela toda de branco, o noivo de gravata branca e casaca preta, ceia lauta, brindes, recitando ele Ricardo uns versos...

- Se outro não recitar, se não eu... - disse ele de manhã, ao sair da cama.

E a figura de Felismina entrou a persegui-lo. Dias depois, indo à casa dela, viu-a conversar com o noivo, e teve um pequeno desejo de atirá-lo à rua. Soube que ele ia na manhã seguinte para a Barra do Piraí, a serviço.

- Demora-se muito?

- Oito dias.

Ricardo visitou a prima todas essas noites. Ela, aterrada com o sentimento que via nascer no primo, não sabia que fizesse. A princípio resolveu não aparecer-lhe; mas aparecia-lhe, e ouvia tudo o que ele contava com os olhos postos nos dele. A mãe dela tinha a vista curta. Na véspera da volta do noivo, Ricardo apertou-lhe a mão com força, com violência, e disse-lhe adeus "até nunca mais". Felismina não ousou pedir-lhe que viesse; mas passou a noite mal. O noivo regressou por dois dias.

- Dois dias? - perguntou-lhe Ricardo na rua onde ele lhe deu a notícia.

- Sim, primo, tenho muito que fazer - explicou o outro.

Partiu, as visitas continuaram; os olhos falavam, os braços, as mãos, um diálogo perpétuo, não espiritual, não filosófico, um diálogo fisiológico e familiar. Uma noite, Ricardo sonhou que pegava da prima e subia com ela ao alto de um penedo, no meio do oceano. Viu-a sem braços. Acordando de manhã, olhou para a Vênus de Milo.

- Vênus! Vênus! Divina Vênus!

Atirou-se à mesa, ao papel, meteu mãos à obra, para compor alguma coisa, um soneto, um soneto que fosse. E olhava para Vênus - a imagem da prima -, e escrevia, riscava, tornava a escrever e a riscar, e novamente escrevia até que lhe saíram os dois primeiros versos do soneto. Os outros vieram vindo, cai aqui, cai acolá.

- Felismina! - exclamava ele - O nome dela há de ser a chave de ouro. Rima com divina e cristalina. E concluía assim o soneto.

E tu, criança amada, tão divina,
Não és cópia da Vênus celebrada,
És antes seu modelo, Felismina.

Deu-lhe nessa noite. Ela chorou depois que os leu. Tinha de pertencer a outro homem. Ricardo ouviu essa palavra e disse-lhe ao ouvido:

- Nunca!

Indo a acabar os quinze dias, o noivo escreveu dizendo que precisava ficar ainda na Barra umas duas ou três semanas. Os dois, que iam dando pressa a tudo, trataram da conclusão. Quando Maria dos Anjos ouviu ao filho que ia desposar a prima, ficou espantada, e pediu que se explicasse.

- Isto não se explica, mamãe...

- E o outro?

- Está na Barra. Ela já lhe escreveu pedindo desculpa e contando a verdade.

Maria dos Anjos abanou a cabeça, com ar de reprovação.

- Não é bonito, Ricardo...

- Mas se nós gostamos um do outro? Felismina confessou que ia casar com ele, à toa, sem vontade; que sempre gostara de mim; casava por não ter com quem.

- Sim, mas palavra dada...

- Que palavra, mamãe? Mas se eu a adoro; digo-lhe que a adoro. Queria que eu ficasse a olhar ao sinal, e ela também, só porque houve um equívoco, uma palavra dada sem reflexão? Felismina é um anjo. Não foi à toa que lhe deram um nome, que é a rima de divina. Um anjo, mamãe!

- Oxalá sejam felizes.

- Com certeza; mamãe verá.

Casaram-se. Ricardo era todo para a realidade do amor. Conservou a Vênus de Milo, a divina Vênus, posta na parede, apesar dos protestos de modéstia da mulher. Convém saber que o noivo casou mais tarde na Barra, Marcela e Virgínia estavam casadas. As outras moças que Ricardo amou e cantou tinham já maridos. O poeta deixou de poetar, com grande mágoa dos seus admiradores. Um deles perguntou-lhe um dia, ansioso:

- Então você não faz mais versos?

- Não se pode fazer tudo - respondeu Ricardo, acariciando os seus cinco filhos.
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JOAQUIM MARIA MACHADO DE ASSIS (1839-1908), mais conhecido como Machado de Assis, foi um dos maiores escritores brasileiros, um gênio literário que revolucionou a literatura brasileira e deixou um legado imenso para as gerações futuras. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 1839, e faleceu na mesma cidade, em 29 de setembro de 1908. De família humilde, com um pai pintor e uma mãe portuguesa. Sua infância foi marcada por dificuldades e pela fragilidade de sua saúde, sendo gago e epilético. Apesar das dificuldades, ele demonstrou grande talento para a escrita desde cedo, publicando seu primeiro soneto, "Ela", aos 15 anos. Trabalhou em diversos cargos, incluindo revisor, tipógrafo e funcionário da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas. No entanto, sua paixão pela literatura era inegável, e ele dedicou-se à escrita de romances, contos, crônicas, poesias e peças de teatro. É conhecido por suas obras de profunda análise psicológica, crítica social e escrita elegante e irônica. Algumas de suas obras mais famosas incluem: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881): Um dos seus romances mais emblemáticos, que marcou o início do Realismo no Brasil; Dom Casmurro (1899): Uma obra que explora a infidelidade e a obsessão de Bento em relação a sua esposa, Capitu; Esaú e Jacó (1904): Um romance que aborda a questão da raça e da identidade brasileira; Memorial de Aires (1908): Um romance que traz um tom mais melancólico e reflexivo, explorando a nostalgia e a solidão; Quincas Borba (1891): Um romance que critica a hipocrisia e a falsidade da sociedade; Helena (1876): Um romance que retrata a vida amorosa de uma mulher que se apaixona por um homem casado; A Mão e a Luva (1874): Uma peça teatral que aborda a questão do casamento arranjado. 
Machado de Assis foi o primeiro diretor da Academia Brasileira de Letras, instituição que ele ajudou a fundar. Sua obra foi traduzida para diversas línguas e é considerada uma das mais importantes da literatura brasileira e mundial. Ele é reverenciado como um dos maiores escritores brasileiros, um gênio literário que deixou um legado imenso e duradouro. Era um mestre na análise psicológica de seus personagens, explorando seus sentimentos, pensamentos e motivações. Sua obra fazia uma crítica mordaz à sociedade brasileira do século XIX, expondo as desigualdades sociais e as contradições da elite burguesa. Usava uma linguagem refinada, com um tom irônico e cheio de sutilezas, que o tornava um escritor único. Sua escrita era marcada por uma linguagem ambígua, que permitia diferentes interpretações e leituras da sua obra. Machado de Assis foi um dos primeiros a se aproximar do Realismo, mas com um toque próprio, criando um estilo único e original.

Fontes:
Machado de Assis. Outros contos - Fase 10. Publicados em 1893-1907. Disponível em Domínio Público.  
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