(Primeiro sonho de amor)
Personagens esparsos... pela vida
caminhamos, atrás de uma quimera.
Alguns se acham... o amor lhes dá guarida,
juntos mudam o inverno em primavera!
E sonhei que assim fosse… embevecida,
ao dar contigo, como se soubera
que à tua sombra, cálida e querida,
acharia a ventura à minha espera!
- Errei! Tinhas as mãos de amores cheias...
E o jovem coração, já saturado,
no fogo das paixões, ainda incendeias,
pensando ser feliz, quem sabe, assim!
Nosso romance, apenas esboçado,
"sem nunca ter começo, teve fim". (*]
(* Chave de Ouro de Guilherme de Almeida)
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DISTÂNCIA
Dois corações vazios, sem compasso,
pulsando apenas para não morrer!
Em meio à névoa… o encontro e o brilho escasso,
num milagre de amor a resplender!
Esquecemos de tudo, quando o espaço
nos arrancou da terra, a surpreender!
E, arrebatados por um terno laço,
entre os astros nós fomos esconder!
A girar sob um eixo de amargura,
frente a frente, abraçamos a ventura,
num eclipse total! E o adeus, depois...
Da angústia agora és rei! Sou a rainha!
Eu sou a tua luz!... Tu és a minha...
mas a saudade é sombra entre nós dois!
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ENCONTREI O AMOR
Quando não esperava, ele nascia!
Pensei vê-lo morrer e mais crescia,
envolvendo-me toda em seu calor!
Eis porque, tão confusa e comovida,
eu clamo, aos quatro ventos, incontida;
- Graças, meu Deus! Enfim, achei o amor!
Quando surgiu, não sei... E ninguém sabe
quando deixou de ser mera amizade,
para eclodir sincero e tão consciente!
O certo, é que minha alma transportou,
de uma ternura imensa a inundou
e em mim há de viver eternamente!
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O MOMENTO SUPREMO
O amor, esse eterno tema,
nossos sonhos enlaçou
e fez de nós um poema
que a própria vida rimou!
Esquece os receios nos meus braços...
que a vida é curta e o amanhã é incerto!
Deixa que minha mão apague os traços
de angústia, dos teus olhos. Vês? - Bem perto,
Escondida entre nuvens, há uma aurora
à espera do momento benfazejo!
Que o céu se expanda... e o sol rebrilhe, agora,
no infinito esplendor do nosso beijo!
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PRESENÇA
Tão feminina e triste, minha amiga,
não queiras, com teu jeito amargo e doce,
instilar-nos no sangue o fel da intriga:
- basta o suplício que este adeus nos trouxe!
Nosso amor é tão grande... não periga!
Ao teste da distância, confirmou-se.
Deixa que a vida sua estrada siga...
Nossa estrada, por ora, bifurcou-se.
Terna, dizes que beijas seus cabelos...
Eu asseguro que não tenho zelos
por estares, fiel, sempre ao seu lado:
- Ora, saudade, não me fazes ciúmes!
- Ao lado dele, minha forma assumes
e, junto a mim, tens o seu rosto amado!
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VIAGEM DE ESPERANÇA
Peregrino do sonho, o Poeta é um ser errante
no encalço da Verdade. Em eterna procura,
a criar o que não tem, vai seguindo adiante,
sob o impulso do ideal, que abraça com ternura!
Asa aberta à Esperança! Em cada porto, o instante
de anseio e de beleza... onde nada o segura!
Quando tange-lhe a alma um apelo cantante,
ele parte outra vez... em festa, ou em amargura.
O farnel? - Ilusões! O passaporte? - A rima!
As vestes? - Fantasia... e muito Amor por cima!
Embora preso à terra, a um destino tristonho,
o Poeta é livre sempre! É livre de alma inteira!
- É dono do Universo e não teme fronteira,
quem tem o espaço aberto à Nave Azul do Sonho!
Fonte:
Carolina Ramos. Destino: poesias. São Paulo: EditorAção, 2011.
Enviado pela poetisa.
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