Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 26 de maio de 2019

Ialmar Pio Schneider (A Leitura que Atrai é a que Fica)


Se alguém me perguntar o que estou lendo atualmente, responderia que é um dos livros mais conhecidos e apreciados em todo o mundo depois da Bíblia. E com justa razão: as qualidades e os defeitos do ser humano, como indivíduo e não como peças de uma sociedade fria e desumana, tecem o pano de fundo destas aventuras sensacionais que ninguém se cansa de ler e reler ao longo dos tempos”. Isto li na contracapa deste romance que atravessa décadas e gerações e todos encontram em suas páginas aventuras cinematográficas insuperáveis. Lembro-me que o li na adolescência em texto reduzido e agora o faço em edição de texto integral. Assisti a alguns filmes que fizeram baseados em sua história. Sempre com sucesso. E o lema perdurará – “Todos por um, um por todos.”
 
Sabe-se que os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas, pai, eram na realidade quatro com a incorporação do jovem e belo d’Artagnan, que tanto atrai o público feminino e as aventuras de capa-e-espada que empolgam os leitores. Seus nomes serão sempre lembrados: Athos, Porthos, Aramis e d’Artagnan, e quantas pessoas conhece-se com os nomes que os pais escolheram para os seus filhos. Isto prova a força que a literatura criativa e engenhosa exerce sobre o público de todas as idades.

Mas por que me ocorreu escrever a respeito deste famoso romance daquela época romântica da França? Justamente para justificar o título desta crônica despretensiosa. Também por que ouvi professores abordando o tema de leitura em um programa de rádio, em que uma pesquisa acusou que cerca de 60% disseram que leem livros regularmente, 24% o fazem ocasionalmente e 17% simplesmente não.

É possível que a enquete demonstre a realidade, não obstante saiba-se que hoje em dia a leitura de livros para entretenimento só seja realizada por aficionados, uma vez que existem tantos outros canais de diversão, tais como cinemas, TV aberta e a cabo, Internet, etc.

Outrossim, o desemprego que grassa em nossa sociedade leva as pessoas a procurarem se especializar em moderna tecnologia que abrange, com certeza, a Informática. Acontece que não sei até quando isto é válido, uma vez que a leitura sistemática de bons livros de assuntos os mais variados, sempre nos abre novos horizontes e a visão de empreendimentos de sucesso.

Aos que rebatem dizendo que não têm tempo para ler, respondo com a resposta que ouvi de uma psicóloga em programa de TV: “Não é a falta de tempo o problema para não lerem, e sim a falta de prioridade”. Digo mais: é a falta de gostar de ler. E está, mais uma vez, formado o círculo vicioso: não sabe, por que não lê; e não lê porque não sabe.

Espero que me compreendam, ou reflitam. Um dos nossos melhores poetas escreveu: “Ler um livro é desinteressar-se a gente deste mundo comum e objetivo para viver noutro mundo. A janela iluminada noite adentro isola o leitor da realidade da rua, que é o sumidouro da vida subjetiva. De vez em quando passam passos. Lá no alto estrelas teimosas namoram inutilmente a janela iluminada. O homem, prisioneiro do círculo claro da lâmpada, apenas ligado a este mundo pela fatalidade vegetativa de seu corpo, está suspenso no ponto ideal de uma outra dimensão, além do tempo e do espaço. No tapete voador só há lugar para dois passageiros: leitor e autor.” Augusto Meyer (1902-1970), À Sombra da Estante: “Do Leitor”. – Dicionário Universal de Citações – Paulo Rónai.

Quero acrescentar que o escritor acima citado, foi nosso representante na Academia Brasileira de Letras para a qual foi eleito em 12.05.1960.

(Publicado em 23 de julho de 2003 – no Diário de Canoas)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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