Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Raílda Masson (Poemas Seletos)


AOS IMORTAIS

Não poderia confessar aos homens,
então segredo aos Imortais,
o motivo dos olhos perderem o viço.
Difícil falar de sentimentos aos comuns,
deixemos que eles vivam felizes em dúvida.
Para os Imortais das Letras é fácil explicar,
o negrume do pensamento quanto ao amado,
pois eles definharam pelo mesmo tormento.
Eis que na hora inquisitória do julgamento,
confesso aos algozes da alma,
que o "eu" poeta escreve aleatoriamente,
inspirado em histórias de desamor que ouve,
Eles acreditam na minha inocência
e seguem absortos em pensamento,
enquanto eu continuo rabiscando
o nome dele no subliminar de um escrito.
Aplausos ao "fingidor" e aos que creem
na soberania da mentira branca,
para serem os poetas isentos de pilhérias.

QUERO UM CANTO

Quero um canto.
Quem sabe em uma ilha com gaivotas,
num abrigo onde a razão fique,
impreterivelmente do lado de fora.
Quero o sossego do ventre ou do ninho,
com o burburinho do mar na encosta.
Pode ser num farol abandonado,
tendo apenas tocos de velas e livros;
nalgum ponto sem ordem de despejo
e sem a visita de navios à deriva.
Quero um canto.
Onde o pensamento não me atormente,
trazendo-me o passado como companhia.
Quisera seja na Ilha de Santa Helena,
ou até mesmo em Pasárgada!
E se porventura lá um Bandeira me espera,
que seja o ator Antônio ou o poeta Manoel.
Quero um recanto.

MEIGA E DOCE

Tu pedes para eu ser meiga e doce,
como se fosse possível longe de ti.
Aos olhos dos outros,
sou uma mulher independente,
em teus braços submissa e aprendiz.
Meiga e doce apenas sendo amada,
num dado momento emprestado.
No apogeu, digo que és meu dono
e enquanto me chamas tua escrava,
fico à disposição de suas carícias,
roubadas do fuso horário.
Longe de ti escondo as doçuras,
numa arca lacrada de fetiches,
empoeirada pelo desuso.
Constato no ínterim da ambiguidade:
Fui feminina, feminista e fêmea,
num caleidoscópio aos teus apelos,
Mediante a luz da realidade,
longe de teus afagos roubados:
Meiga e Doce que nada!

Fonte:
Poemas entregues pela poetisa

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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