domingo, 26 de julho de 2026

Chafariz de Trovas * 23 *


Hoje em dia "heróis de guerra"
não mais empolgam ninguém.
- Os novos heróis da Terra
são os da paz e do bem!
A. A. DE ASSIS 
Maringá/PR
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O meu eu sofreu mudança,
uma mudança sem fim.
Só não mudou a criança
que eu fui e que vive em mim!
ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/RN, 1951 – 2013, Natal/RN
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Divide aquilo que tens
com quem tem fome e padece.
A partilha dos teus bens
tem mais valor que uma prece!
ALBA HELENA CORRÊA
Niterói/RJ
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Tão forte nos abraçamos
Confundidos no entrelaço,
Que eu acho que até trocamos
De corações nesse abraço...
ALMERINDA LIPORAGE 
Rio de Janeiro/RJ
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O meu melhor agasalho
é o colo de minha amada,
pois quando nele me encalho
não temo o frio ou geada!
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP
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Toda vez que você canta,
encanta e a palmas faz jus.
A plateia se levanta
e o seu canto se faz luz.
ANDRÉ RICARDO ROGÉRIO 
Arapongas/PR
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Hoje o sol nasceu tão lindo,
tão lindo, que eu me confundo:
- Será que Deus está rindo
ou rindo está o nosso mundo?
ARI SANTOS DE CAMPOS 
Balneário Camboriú/SC
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O que sabemos importa,
mas é nossa identidade,
a maravilhosa porta,
aberta à felicidade...
CARLA ALVES DA SILVA 
Curitiba/PR
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Já velhinho, sonha ainda,
mantendo o brilho no olhar,
que juventude só finda
quando é impossível sonhar!
CAROLINA RAMOS
Santos/SP
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Receba, de coração,
o que posso repartir:
à mesa, um pouco de pão,
e a alegria de sorrir.
CÔNEGO BENEDITO V. TELLES
Maringá/PR
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São flores, eu penso vê-las,
uma azul... outra dourada…
quando o sol colhe as estrelas
dos canteiros da alvorada!...
DOMITILLA BORGES BELTRAME 
São Paulo/SP
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Velhos sonhos, na lembrança,
vou mantendo em meu viver,
e nunca perco a esperança
de que vão acontecer!
ISTELA MARINA GOTELIPE LIMA
Bandeirantes/PR
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Ao ser preso, o vigarista,
explica, muito matreiro:
- Sou apenas cientista,
faço "clones" de... dinheiro!
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS, 1932 – 2013, São Paulo/SP
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Seu guarda, só tomei duas,
não sei se o senhor percebe,
mas o diabo dessas ruas
são estreitas pra quem bebe!
JOSÉ LUCAS DE BARROS
Serra Negra do Norte/RN, 1934 – 2015, Natal/RN
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Quebrado e quase a ruir,
o coqueiro sobre o mar
parece quem vai partir,
com vontade de ficar!
JOSÉ MESSIAS BRAZ 
Juiz de Fora/MG
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Flamboyant aparecendo
e quão bela é a Natureza
pelos jardins florescendo
em majestosa beleza.
JUDITH BERTAZOLLI
Campinas/SP
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Duas taças, queijo, pão,
um bom vinho e uma lareira
nos prometem, de antemão,
uma festa... a noite Inteira!...
LUCÍLIA TRINDADE DECARLI 
Bandeirantes/PR
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Ao redor daquela mesa
um olhar ela buscava,
tentando manter acesa
a chama que se apagava.
LU NARBOT
Campinas/SP
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Porque teme envelhecer?
Envelheça, a fronte erguida.
Um ano a mais quer dizer
que a vida lhe dá mais vida.
MAGDALENA LÉA
Rio de Janeiro/RJ, 1913 - 2001
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O pai, um anjo que vela
para o filho ser feliz,
sofrimentos não revela,
pelo contrário - os bendiz.
MAFALDA DE SOTTI LOPES
Irati/PR, 1919 – 1986
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Tudo sobe! Que desgraça!
Gasolina, açúcar, sal...
mas, se subir a cachaça...
eu puxo a greve geral!
MANOEL CAVALCANTE
Pau dos Ferros/RN
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Se caem do céu as águas
com tanta beleza e encanto,
porque desencanto e mágoas
há nas águas do meu pranto?
MARIA CONCEIÇÃO FAGUNDES
Curitiba/PR
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Contra este mundo selvagem,
para um filho defender,
um pai descobre a coragem
que nunca soubera ter!
MARINA BRUNA
Franca/SP, 1935 – 2013, São Paulo/SP
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Saibam todos que o trabalho
ao homem bom enobrece:
mas quem não pega no malho
seu espírito empobrece!
MAURÍCIO NORBERTO FRIEDRICH
Porto União/SC, 1945 – 2020, Curitiba/PR
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Vendo em teus olhos um brilho
tão repleto de esplendor,
eu te amei... e o nosso filho
foi a resposta do amor!
MILTON NUNES LOUREIRO
Campos/RJ, 1923 – 2011, Niterói/RJ
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Deus, com seus poderes plenos,
fez todos homens iguais.
Mas sabe que valem menos
os que pensam valer mais...
MILTON SEBASTIÃO SOUZA
Porto Alegre/RS, 1945 – 2018, Cachoeirinha/RS
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O melhor amigo, em tudo,
de atitude sempre pronta,
nos quer bem, e não é mudo:
nossos erros nos aponta.
NEI GARCEZ
Curitiba/PR
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Não haja competições
mas sim, a fraternidade
entre povos e nações,
banindo a desigualdade.
NILSA ALVES DE MELO
Maringá/PR
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Que menina tão graciosa
que me fez assim amar,
tão meiga, linda, mimosa,
mil beijos vou lhe mandar!
PAULO VILLALBA
Campinas/SP
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O rancor sempre me diz,
num tom de quem não caçoa:
Se quem se vinga é feliz,
mais feliz é quem perdoa!
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN
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Isto se dá com cachaça,
com mulher e artigo raro:
- às vezes, quando é de graça,
o preço sai bem mais caro.
SERGIO FONSECA
Rio de Janeiro/RJ
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Ao vir de fogo recua
gritando, após à topada:
- Que faz um poste na rua
às duas da madrugada?
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
São Paulo/SP
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Mensagem na Garrafa 200 = O copo d'água

Imagem criada com IA Microsoft Bing

AUTOR ANÔNIMO

O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

- "Qual é o gosto?" perguntou o Mestre.

- "Ruim " disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

- "Beba um pouco dessa água".

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o Mestre perguntou:

- "Qual é o gosto?"

- "Bom!" disse o rapaz.

- Você sente gosto do "sal" perguntou o Mestre?

- "Não" disse o jovem.

O Mestre então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:

- A dor na vida de uma pessoa não muda.

Mas o sabor da dor depende do lugar onde a colocamos. Então quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas. Deixe de ser um copo. Torne-se um lago...

Cailin Dragomir (O Guardião de Prata da Ponte de Pedra)


A névoa do crepúsculo descia rapidamente pelas gargantas profundas dos Cárpatos, trazendo um frio que anunciava o inverno definitivo. Moșneagul caminhava com passos calmos e medidos, o som rítmico de seu cajado de ferro batendo nas rochas era o único aviso de sua presença. Ele precisava cruzar o Desfiladeiro do Lobo antes que a noite fechasse os caminhos, mas para isso precisava passar pela Ponte de Pedra Antiga, uma estrutura milenar construída pelos antepassados que ligava duas montanhas sobre um abismo sem fim.

Ao se aproximar da cabeceira da ponte, o Moșneagul parou. A passagem estava bloqueada.

Deitado exatamente no meio da entrada da ponte estava um lobo monumental. Não era um animal comum: sua pelagem era cinzenta, quase prateada, e seus olhos brilhavam com uma inteligência ancestral. No entanto, a criatura estava ferida. Uma armadilha de ferro de caçadores ilegais havia se prendido à sua pata traseira, e o sangue escuro manchava a pedra antiga. Mesmo debilitado e arquejante, o lobo ergueu a cabeça ao ver o ancião, arreganhou os dentes afiados e soltou um rosnado profundo que fez o ar vibrar. Ele preferia morrer lutando a permitir que um humano se aproximasse.

Moșneagul não recuou e não demonstrou medo. Em vez disso, fincou seu cajado de madeira firmemente no chão e tirou o chapéu de lã, curvando a cabeça em sinal de respeito. 

No folclore dos Cárpatos, o lobo é considerado o irmão mais velho do homem e o guardião dos segredos da floresta.

— Saudações, Guardião — falou Moșneagul, com sua voz mansa que parecia o sussurro do vento nas folhas. — Eu não trago o fogo e não trago o ferro da destruição. Trago apenas o respeito de quem caminha nesta terra sob as mesmas leis que você.

O lobo diminuiu o rosnado, mas manteve os olhos fixos no ancião.

Moșneagul ajoelhou-se lentamente na terra úmida. Ele abriu sua algibeira de couro e retirou um punhado de absinto seco e um frasco com banha de urso benzida — o remédio tradicional que os camponeses usavam para fechar feridas profundas. Com movimentos suaves e previsíveis, Moșneagul arrastou-se para perto do animal.

— Sei que a dor cega os olhos para a bondade, meu irmão — murmurou o velho sábio. — Mas lembre-se do pacto antigo. Os homens do cajado e os lobos da montanha partilham o mesmo topo. Deixe-me aliviar o seu fardo.

O lobo soltou um último ganido baixo, quase como um lamento, e esticou a pata ferida, permitindo, em um ato de extrema confiança mística, que o humano se aproximasse.

Com a força que ainda restava em suas mãos calejadas, Moșneagul forçou as garras da armadilha de ferro para trás, abrindo-a e libertando o animal. Em seguida, limpou o sangue com o absinto e aplicou a banha de urso sobre o ferimento. O lobo estremeceu, mas sentiu o alívio imediato da queimação da carne.

Assim que o curativo foi finalizado, o lobo levantou-se com dificuldade. Ele não atacou Moșneagul. Em vez disso, aproximou o grande focinho do peito do velho e bufou suavemente, um sinal de gratidão e reconhecimento de parentesco espiritual.

Nesse momento, a criatura deu três passos à frente na ponte, olhou para trás como se chamasse Moșneagul e soltou um uivo longo que cortou a noite. O eco do uivo viajou pelas montanhas e, em resposta, a névoa densa que cobria o abismo e tornava a ponte invisível e perigosa começou a se dissipar, revelando o caminho seguro até a outra margem. O lobo correu em direção à escuridão da floresta, curado e livre, deixando a passagem completamente desimpedida para o ancião.

Moșneagul levantou-se, limpou a terra de suas calças e pegou seu cajado. Sorriu ao ver o céu estrelado se abrir sobre a ponte.

— Quem ajuda o guardião da terra, encontra o caminho aberto — disse o velho para si mesmo, cruzando a ponte de pedra em direção ao seu próximo destino.
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O medo e a dor frequentemente fazem com que aqueles que sofrem reajam com agressividade e desconfiança diante do mundo. A sabedoria nos ensina que não devemos responder à hostilidade com mais violência, mas sim com paciência, humildade e respeito pelas dores do outro. Ao estendermos a mão para curar as feridas daqueles que cruzam o nosso caminho, desarmamos o ciclo do ódio e descobrimos que os maiores obstáculos da nossa jornada se transformam nos guias que abrem as portas para o nosso futuro.
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CAILIN DRAGOMIR nasceu em 1949, na cidade de Timișoara, na Romênia. Desde cedo, demonstrou uma paixão inata pela literatura e pela arte das palavras. Ele cresceu em um ambiente que refletia a rica herança cultural da sua cidade, onde a música e a poesia se entrelaçavam nas conversas cotidianas. Após concluir o ensino médio, ingressou na Universidade, onde se destacou em seus estudos de literatura. Sua dedicação e talento o levaram a continuar sua formação acadêmica, culminando em um pós-doutorado. Durante esse período, ele mergulhou na obra de grandes poetas romenos e internacionais, desenvolvendo um estilo próprio que misturava o lirismo clássico com uma abordagem contemporânea. Em 1992, tomou a decisão de se mudar para o Brasil, em busca de novas oportunidades e experiências. Ao chegar ao país, ele se estabeleceu em São Paulo, onde rapidamente se destacou como professor de literatura. Suas aulas eram conhecidas pela abordagem criativa e envolvente, inspirando os estudantes a apreciar a literatura de maneira profunda e significativa. Além de sua carreira acadêmica, cultivava uma paixão pelo xadrez. Ele se tornou um jogador forte e respeitado, participando de torneios e promovendo o jogo entre seus alunos. Dragomir acreditava que o xadrez, assim como a literatura, era uma forma de arte que desenvolvia o pensamento crítico e a estratégia, habilidades essenciais tanto na vida quanto na escrita. E em um clube de xadrez ele veio a conhecer o diretor dele, José Feldman, com quem estreitou laços de amizade não só pelo jogo, mas pela literatura, além do fato de que ambos possuíam uma paixão pela música e Feldman ser filho de pais romenos. Ao longo de sua vida, Cailin Dragomir se estabeleceu como uma figura influente na cena literária e educacional, deixando um legado duradouro tanto na Romênia quanto no Brasil. A influência da cultura romena em sua poesia se manifesta em diversos aspectos de sua obra. A rica tradição literária da Romênia, que inclui poetas como Mihai Eminescu e George Coșbuc, moldou a sensibilidade estética dele. Ele usa uma linguagem lírica e metafórica, incorporando elementos do folclore e da mitologia romena, que são essenciais na poesia romena clássica. A natureza é um tema recorrente na poesia romena, e Dragomir não é exceção. Suas descrições vívidas de paisagens romenas, como as montanhas dos Cárpatos e os campos de flores, refletem uma profunda conexão com o ambiente natural, transmitem uma sensação de integração e nostalgia.
       A riqueza do folclore romeno permeia sua poesia, com referências a mitos, lendas e tradições populares. Utiliza esses elementos para criar uma ponte entre a modernidade e as raízes culturais, trazendo à tona a sabedoria ancestral que ainda ressoa na vida contemporânea. A poesia romena é conhecida por sua profundidade emocional e introspecção. Seguindo essa tradição, explora sentimentos complexos como amor, perda e saudade, utilizando uma abordagem que reflete tanto a sensibilidade individual quanto a experiência compartilhada do povo romeno. Ele muitas vezes incorpora ritmos e cadências que evocam a sonoridade da música popular romena, criando uma harmonia entre palavra e som que enriquece a experiência do leitor.
       Após sua mudança para o Brasil, passou a incorporar a experiência da diáspora em sua poesia. Essa nova perspectiva enriqueceu sua obra, permitindo uma fusão de influências culturais que resultou em uma poesia mais ampla, reflexiva e acessível a diferentes públicos. 
       Em suas obras faz referências a figuras mitológicas romenas, como "Zmeu", um dragão que frequentemente aparece em contos populares. Ele utiliza essa figura para simbolizar desafios e superações, inserindo a luta contra o Zmeu como uma metáfora para as dificuldades da vida. Também é comum encontrar menções a "nossas montanhas", como os "Cárpatos", que não apenas servem como cenário, mas também como símbolo de resistência e força. Cailin pode descrever a beleza dessas montanhas em relação à história do povo romeno, evocando sentimentos de pertencimento. Ele inclui personagens folclóricos como "Moșneagul" (o velho sábio) e "Zână" (a fada), representando a sabedoria ancestral e a proteção, respectivamente. Esses personagens são frequentemente utilizados para transmitir lições de vida e a importância das tradições. Além disso, faz alusão a festivais tradicionais, como "Mărțișor", que celebra a chegada da primavera. Em seus versos, ele descreve a troca de fitas brancas e vermelhas como um símbolo de renovação e esperança, refletindo a alegria da vida. Histórias de amores impossíveis, como a lenda de "Făt-Frumos" e "Ilena Cosânzeana", podem ser exploradas em seus escritos. Ele usa essas narrativas para abordar temas de amor e sacrifício, conectando a experiência pessoal com a tradição. Há a presença de criaturas míticas, como o "Chimera" ou o "Roc", descrevendo esses seres como guardiões de segredos e mistérios, simbolizando os desafios que todos enfrentamos em busca de conhecimento. Esses elementos folclóricos não apenas enriquecem a poesia de Cailin Dragomir, mas também criam uma ponte entre o passado e o presente, permitindo que ele dialogue com suas raízes culturais enquanto se adapta a novas influências. Essa fusão é uma das marcas distintivas de sua obra.
          Como poeta, Dragomir publicou três livros : 1. "Ecos da Alma" - Uma coletânea de poemas introspectivos que exploram a complexidade das emoções humanas; 2. "Sussurros da Memória" - Uma obra que reflete sobre o passado, a nostalgia e a busca pela identidade; 3. "Caminhos de Luz" - Uma série de poemas que celebram a beleza da natureza e a conexão entre o ser humano e o mundo ao seu redor.

Fontes:
Texto enviado pelo autor.

Minhas Trovas Premiadas * 5 *


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JOSÉ FELDMAN (71), trovador desde 1991, pertenceu à Seção São Paulo/SP, Delegacias de Arapongas/PR e Campo Mourão/PR, Delegado de Ubiratã/PR. Radicado em Maringá/PR desde 2011, representa a cidade de Floresta/PR

Miriane Willers (Domingos de Inverno)


Acordar mais tarde nas manhãs de domingo, especialmente no inverno, é um prazer que me permito, após a intensidade da semana. Depois do amor, o banho quente e o sol no rosto. Explico: pela manhã, o sol entra pela janela do banheiro e se derrama em pura luminosidade, deixando sensação revigorante no corpo e na alma. O cheiro de café me invade e sinto-me viva, plena e tranquila.

Lareira acesa, crepitar da lenha. Esquento as mãos com a xícara fumegante. Meu cachorro apoia a cabeça em meu colo. Sensações incomparáveis, que se inscrevem na memória. Há quem reclama do frio e se encolhe. Na vida, tem gente assim em todas as estações. Prefiro aproveitar o que de bom cada passagem do tempo tem a oferecer. No inverno, tão gostoso é estar junto, perto, abraçados, aconchegados aos nossos amores.

Tem domingos que prefiro ler, horas e horas. Outros, conversar. E ainda, alguns que gosto de permanecer em silêncio, sem a obrigação da palavra, sem precisar dizer e nem fazer nada. É o dia da semana em que o chimarrão tem gosto de afeto. O almoço, o churrasco, sabor de família. A taça de vinho é apreciada com serenidade. Respirar o ar puro, admirar a roseira que floriu ontem. Abraçar minha mãe, que desafia o tempo e me agracia com sua presença forte e inspiradora. Ouvir música, caminhar no parque. Fazer uma oração na igrejinha do bairro. Meditar, agradecer. Absoluta tranquilidade e simplicidade.

Os domingos de inverno, com sol, neblina, geada ou chuva, têm peculiar poesia. São uma pausa nas atribulações da vida. Uma pausa para respirar, sem as pressões do trabalho. Folga dos prazos, dos compromissos, das leituras técnicas, das reuniões, tarefas e mais tarefas cotidianas. É tanta correria que quase esqueço quem sou, o que quero, meus sonhos, e vou me perdendo no caos da semana. Tantas fatias de tempo destinadas a coisas desimportantes. É urgente viver mais e consumir menos!

São os domingos de inverno que propiciam um intervalo para sentir a vida em todas as suas dimensões. Fechar os olhos. Respirar fundo. Deixar de lado, mesmo que momentaneamente, os acontecimentos corriqueiros: aumento do gás, oscilação no preço da gasolina, violência, acidentes no trânsito, cassação de um político, feminicídios, fraudes, corrupção, preconceito, desigualdades e tantas outras mazelas dessa sociedade doente e entorpecida. Mas é somente uma pausa. Não significa omissão e braços cruzados.

É parênteses para acalmar o coração, refletir, esquecer uma velha saudade, energizar o pensamento. Esquecer todas as coisas materiais, o ter. Apenas ser... mulher, humana, bruxa das palavras. E desacelerar os sentimentos. Nos domingos de inverno só quero sossego. São essas pausas que me permitem manter a sanidade e a alegria de estar viva, nelas eu me permito

No dia seguinte, tudo acelera de novo, enquanto o próximo domingo não chega.
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A escritora e advogada MIRIANE MARIA WILLERS possui uma trajetória ativa no cenário intelectual, jurídico e literário do Sul do Brasil. Tem forte ligação com a região das Missões, no Rio Grande do Sul, residindo e atuando em cidades como Santo Ângelo e São Luiz Gonzaga. Atua como Advogada Municipal na Procuradoria-Geral do Município de Santo Ângelo. Professora universitária no curso de Direito na Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI) — Campus de São Luiz Gonzaga, lecionando disciplinas como Direitos Humanos, Direito Administrativo e Tributário. Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais, Especialista em Direito Civil e Processual Civil, além de Mestra em Direito pela URI. Integra grupos de pesquisa voltados aos Direitos Humanos, Cidadania e a relação entre Literatura/Cinema e o Direito.
Transita entre a escrita técnica-jurídica, a prosa e a poesia, publicando em jornais, revistas e coletâneas. Aperfeiçoou sua escrita participando do Curso de Formação de Escritores da Metamorfose Cursos e das dinâmicas da Oficina Santa Sede. Integrou a Associação São-Luizense de Autores (ASAS). Premiada em concursos literários regionais, tendo textos selecionados para coletâneas oficiais. Seus textos literários (contos e crônicas) e artigos acadêmicos foram publicados em diversas obras coletivas: Apesar de Nós (Coletânea de crônicas, 2024); Crônicas de Inverno (E-book de crônicas, 2023); Coletânea do 4º Concurso de Contos de Santo Ângelo (2018); Minicontos Coloridos (2015); Capítulos de livros e artigos jurídicos focados em direitos das mulheres, cidadania e inclusão social (ex: "A mulher no constitucionalismo brasileiro: marcha pelo direito a ter direitos").
A relevância do trabalho de Miriane Willers reside na intersecção humanista entre o Direito e a Literatura. Suas crônicas e contos abordam com sensibilidade as miudezas do cotidiano, memórias, o envelhecimento e o papel social da mulher. Ao usar a literatura como ferramenta de reflexão e denúncia social, ela humaniza o discurso jurídico e enriquece a produção cultural contemporânea do interior do Rio Grande do Sul.

Fontes:
Kethlyn Machado (org.). Crônicas de Inverno. Publicado em 21 de junho de 2023 pela Editora Metamorfose. https://www.escritacriativa.com.br/cronicasdeinverno
Biografia = Escavador, Editora Ilustração, Site Miriane Willers, Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Direito.

Nilto Maciel (As luvas de Vulpino)


Quando desapareceu das ruas (e seu passo pesado e cadenciado de autômato deixou de ser medido com os olhos até dos mais velhos), a criançada nem percebeu, mas já brincava mais sossegada. Recolheram-no as autoridades da nova segurança, psiquiatras, algum padre caridoso, damas unidas da beneficência.

O passo medido, cronometrado do velho Vulpino costumava fazer mexerem-se milimetricamente as pupilas de todos – parentes de desaparecidos, gerentes bancários, mocinhas caseiras. O mundo inteiro da cidade se hipnotizava por onde aquele homem calado passava, pedra a pedra pisada e repisada.

Uns achavam-no soberbo em sua musculatura de touro, e berravam por dentro. De noite, em sonhos sangrentos, choravam. Cada banana esmagada ao pisar de Vulpino virava pasta para o escorregão de vacas, bois e bezerros. Vaiavam-nos seus vizinhos, risonhos.

Muitos comparavam suas pernas grossas e seu calção preto a craques mitológicos de seleções e times imbatíveis. Mais adiante, no entanto, todos, ao mesmo tempo, cuspiam e escarravam recordações de copas, campeonatos e vitórias. E brigavam como nas eras de brigas.

Havia quem pensasse em vestir camiseta qualquer, de portuário, carregador de fardos, como aquela de Vulpino. Mas pensava duas vezes e não saía da beira da fantasia. O touro mudo podia se ofender. Perceber ironias, heresias no imitador. E acordar, enfurecer-se.

O nome Vulpino seria obra de intelectuais ou de seus pais. Dele mesmo ou do folclore. Não escondia qualquer razão e tanto podia ter sido Getulino como Mussolino. Porém os mais medrosos viviam de olho no latim, às escondidas.

O pobre homem, no entanto, não fazia mal a ninguém. Não espancava cachorros, não olhava para crianças, não falava a desconhecidos. E até um dia se disse incompreendido, desprezado, esquecido, apesar de tudo o que fizera, a vida inteira dedicada ao trabalho. Assim mesmo, sentia-se bem e realizado. Daí seu passo cadenciado, seu silêncio, seu orgulho.

Nunca contou um só capítulo de sua epopeia, porém os mortos, se pudessem falar ou escrever, teriam incontáveis histórias para atormentá-lo.

Esses mortos viveram instantes terríveis nas mãos de Vulpino. Seus punhos de aço, escondidos por grossas e invejadas luvas, quebraram ossos como se quebram ovos, sangraram peitos como se sangram porcos, fizeram gemer por noites e dias as vozes de muitos presos.

Tudo isso, porém, é apenas passado. E nem os mais velhos se lembram dos tempos áureos de Vulpino.
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O escritor e pesquisador NILTO MACIEL nasceu em Baturité (CE) em 1945 e faleceu em Fortaleza (CE) em 2014, aos 69 anos. Ele consolidou uma trajetória marcante na ficção e na edição cultural do Brasil. Na cidade natal passou a infância e fez os primeiros estudos. Mudou-se para Fortaleza (CE) na adolescência para estudar e iniciar sua vida pública e literária. Residiu em Brasília (DF) de 1977 a 2002 por razões de trabalho. Retornou à Fortaleza nos seus últimos anos de vida, residindo no bairro Monte Castelo até o seu falecimento. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Atuou no serviço público federal ocupando cargos administrativos de destaque em Brasília Serviu na Câmara dos Deputados, no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF). Co-fundou em Fortaleza a revista vanguardista O Saco (1976), que agitou a cena literária cearense. Editou e dirigiu por 16 anos a prestigiada revista Literatura (1992 a 2008) em Brasília, divulgando novos autores nacionais. Traduziu e escreveu contos e poemas publicados internacionalmente em esperanto, espanhol, italiano e francês. Viu seu conto O Cabra que Virou Bode ser adaptado para o cinema em 1993 pelo cineasta Clébio Ribeiro. Membro associado da Associação Nacional de Escritores (ANE) em Brasília, Apesar de sua imensa relevância e trânsito na Academia Cearense de Letras (ACL), atuou nela como forte colaborador de suas revistas e ensaísta, sem ocupar cadeira efetiva de imortal.
Prêmio Brasília de Literatura (1990) pelo livro A Última Noite de Helena; Prêmio Cruz e Sousa (Santa Catarina) pelo romance A Rosa Gótica; Prêmio Graciliano Ramos (Alagoas) pela obra Os Luzeiros do Mundo; Prêmio da Fundação Cultural de Fortaleza. Nilto Maciel publicou dezenas de obras entre romances, novelas, crônicas e contos. Algumas de suas obras incluem: Itinerário (1974) – Contos; Tempos de Mula Preta (1981) – Contos; Estaca Zero (1987) – Romance; Os Guerreiros de Monte-Mor (2008) – Romance; Pescoço de Girafa na Poeira (2006) – Contos; Menos vivi do que fiei palavras (2012) – Seus cadernos de diários e críticas literárias.
É considerado um pilar da literatura de resistência e da difusão cultural da segunda metade do século XX. Sua importância reside em três vertentes fundamentais:
1. Voz de Liderança e Agregação: Ele atuou como um grande elo entre diferentes gerações de escritores brasileiros de 1970 até a década de 2010. Suas revistas serviram de vitrine descentralizada, quebrando o monopólio editorial do eixo Rio-São Paulo.
2. Estilo Prosaico Rigoroso: Possuía um domínio técnico incomum que transitava pelo trágico, cômico, fantástico e reflexivo com a mesma fluidez. Sua prosa capturava com crueza e lirismo a fragilidade psicológica do ser humano.
3. Internacionalização e Pesquisa: Ao escrever também em esperanto e divulgar ativamente a ficção nacional no exterior, abriu caminhos para que a literatura nordestina contemporânea dialogasse diretamente com o mercado europeu e hispânico.
“Nilto possui esta capacidade de fazer com que nossas almas percorram desde um estado de profunda tristeza ao de êxtase. Não é apenas um escritor, são muitos escritores dentro de um só. A cada conto terminado, aflora o anseio pelo próximo. Aonde Nilto nos conduzirá agora? Cada conto é um conto, que faz com que nossa imaginação nos leve às vezes a adentrar dentro dele e participar, deixando que nos levemos pelo seu encanto, pela sua linguagem simples e deliciosa.” (José Feldman, em Nilto Maciel o mago das almas, 18/12/2010)

(Nilto Maciel. As Insolentes Patas do Cão. SP: João Scortecci, 1991. Enviado pelo autor.)

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Chafariz de Trovas * 22 *



Se alguém se torna importante,
por certo alguém o ajudou.
Mesmo o Amazonas, gigante,
de afluentes precisou.
A. A. DE ASSIS
- - - - - -

Pela ambição do poder,
até guerra o homem faz.
Traz a morte por não ver
que o poder está na paz.

ADÉLIA WOELLNER
- - - - - -

Perante a linda criatura,
cujo fascínio me inquieta,
a minha temperatura
sobe de forma indiscreta...
ALMEIDA CORRÊA
- - - - - -

A vida é dura, patrão,
rarissimamente bela...
Porém não há solução
senão conviver com ela.

ANTÔNIO DA SERRA
- - - - - -

Se as mulheres falam tanto,
o motivo é elementar:
quer no riso, quer no pranto,
têm preguiça de pensar!
ANTÔNIO TORTATO
- - - - - -

Na casa de uma vizinha,
na confusão me meti.
Pela porta da cozinha,
eu nem sei como sai...

ARI RODRIGUES ALVES
- - - - - -

Tão grande amor se notou
entre o Sinfrônio e a Raquel,
que a cegonha os visitou
em plena lua-de-mel...
BENEDITO MACHADO HOMEM
- - - - - –

Disseste, altivo e casmurro:
— "Não sou burro!" Não duvido.
Como tu podes ser burro,
se há tanto burro sabido?
COLBERT RANGEL COELHO
- - - - - –

Tornou-se enfim deputado
o bom maestro de outrora,
E faz, com muito cuidado,
outros arranjos agora...
ILDEFONSO DE PAULA
- - - - - -

Menina, toma cuidado
nesse namoro escondido,
pois talvez teu namorado
não pretenda ser marido!...
JADIR VILELA JÚNIOR
- - - - - -

A saia    curta,    menina,
não lhe fica muito bem,..
Assim como eu vejo tudo,
todos enxergam também!
JAIME RIBEIRO DA SILVA
- - - - - -

Cabeludos! Sinto, ao vê-los,
na patusca saliência,
que mostram muitos cabelos,
porém pouca inteligência...
JANE PIRES PALUMA
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Nas tuas tranças mimadas
de moça namoradeira,
como estavam humilhadas
as flores de laranjeira!
JOÃO RODRIGUES
- - - - - -

O cão que ladra — por isso
não morde, diz o rifão...
Todo mundo sabe disso,
disso, acaso, sabe o cão?
JOAQUIM CARVALHO
- - - - - -

Se o decote tanto desce
e se a saia ganha altura,
qualquer dia, me parece,
vão se encontrar na cintura!
JORGE ROCHA
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Negas a mim tuas culpas,
mas uma coisa te aviso:
— não vais chegar com desculpas
à porta do Paraíso.
JOSÉ AMARAL
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Muita gente sempre houve
com sina de couve-flor:
pouco vale por ser couve,
vale menos por ser flor...
JOSÉ AUGUSTO RITTES
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No ciúme só se enleia
quem gostar de mulher bela;
quem casar com mulher feia
não terá ciúmes dela!
JOSÉ COELHO DE BABO
- - - - - -

Menina, é bom você note
como o sol está vermelho
por causa do seu decote
que desce até no joelho.
JOSÉ COUTINHO DE OLIVEIRA
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Quem tem sonhos hoje em dia
nunca perca a esperança.
Diz velha sabedoria:
"Quem espera sempre alcança".

JOSÉ FELDMAN
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O Chico, simplório, asnático,
vai lendo as trovas de alguém.
E ao final exclama, estático:
— Como ele troveja bem!
LAURO SILVA
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Quando o amor é só desejo
e doida alucinação,
nesse caso, nem um beijo
resolve a situação!...
LÉA PINTO CORDEIRO
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Primeira noite... pijama,
camisola de babado...
Ela acordada na cama,
tudo o mais... desacordado!

LUCÍLIA A. T. DECARLI
- - - - - -

Homem casado não logra
harmonia conjugal,
se tiver em casa a sogra
dando lições de moral...
MANOEL ABRANTES
- - - - - -

A janela de teu quarto
fica bem defronte à minha.
Tua sombra na vidraça
nunca vi passar sozinha...
MANOEL ROSA BARENCO
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Há coisas que não aguento,
difíceis de se entender:
tanta cabeça de vento,
com letreiro de saber!
MARIA DA COSTA LAGE
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Quem se gaba de valente,
neste verso bem repare:
— Nunca vi homem sem capa
que da chuva não dispare.
NEMAR GIL LIMEIRA
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Para esquecer-te, menina,
junto a ti eu me condeno.
É como na medicina:
— veneno mata veneno.
NEMÉCIO CALAZANS
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Isto acontece amiúde
na vida de muita gente:
bebendo muito "à saúde",
ficar em breve doente.,.
NENÊ CARVALHO
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Minha vizinha — que coisa! -
anda sempre prevenida:
tem língua, olhos, ouvidos
cuidando da minha vida.
OSMAR SILVA
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Perdão, senhora, se falo
das mulheres com ironia.
— Quem já caiu de cavalo,
cavalo algum elogia...
PAULO EMÍLIO PINTO
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Eu não troco o meu feitiço
por um feitiço qualquer;
meu charme eu não desperdiço:
meu feitiço é ser mulher!

ROZA DE OLIVEIRA
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Nos acordes da poesia,
versos de muito valor
traduzem a nostalgia
do peito de um trovador.

SÕNIA MARIA DITZEL MARTELO
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Eu sonho no meu viver
e vivo no meu sonhar...
Na saudade o reviver,
no presente o caminhar...

VIDAL IDONY STOCKLER
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Estando o pobre em jejum,
ante o despacho, sem mofa,
após dizer: "Salve Ogum!"
leva a galinha e a farofa...
WILSON MONTEMÓR

Fontes:
Aparício Fernandes. A Trova no Brasil: história e antologia. São Cristovão/RJ: Artenova, 1972
A. A. de Assis. Revista Virtual de Trovas "Trovia". n. 129 - setembro de 2010.

Eduardo Martínez (Rita, a mamãe coruja)


Rita acordou eufórica, olhou para o lado da cama, onde o marido, barrigão pro teto, roncava sem dó nem piedade. Nem ligou, não era aquilo que tiraria a alegria do seu domingo, dia de comemorar o primeiro mês do Osvaldinho, o filho que tanto desejou depois de tantas e tantas tentativas frustradas. 

Levantou ligeira, silenciosa como uma gata, como se possuísse almofadas nos pés. Foi até o berço ao lado, onde o pequenino ainda adormecido, como se nem desconfiasse que a vida não é apenas feita de peitos jorrando leite. Nada como a inocência dos primeiros momentos fora da placenta!

A mãe de primeira viagem passou boa parte da manhã arrumando os últimos detalhes para o tão esperado evento. Por um bom tempo, teve que dedicar atenção quase exclusiva ao filho, apesar da insistência do marido, o Osvaldão, que como se fosse ainda menino, recorria a olhares tristonhos e bicos para ganhar mais uma lata de cerveja, enquanto permanecia com o traseiro pregado ao sofá diante da televisão. 

Às 16h, os convidados começaram a chegar. Não muitos, já que Rita não havia se dado conta do feriado prolongado, quando várias amigos viajaram para a praia. Seja como for, ela não se cansava de carregar seu bebê no colo e, toda orgulhosa, o exibia para todos.

– Não é lindo demais o meu Osvaldinho?

Todos, sem exceção, concordavam com um aceno de cabeça, às vezes até mesmo com um largo sorriso, o que só aumentava o estado de euforia da Rita. Certa ela estava que o Osvaldinho era mesmo o menino mais lindo do mundo. Um príncipe!

A festa ia avançando, as pessoas se despedindo da anfitriã, carregada de uma boa dose de alegria materna, enquanto o Osvaldão, ainda com os gordos glúteos pregados ao sofá, tentava acertar a boca com mais um gole de cerveja. Enquanto isso, o Osvaldinho descansava o sono dos inocentes lá no seu berço esplêndido.

Solange e Augusta, duas amigas de longa data da Rita, já estavam na esquina, quando começaram a conversar sobre a festa.

– Já fui a velórios mais animados.

  – E você viu aquela coxinha toda cheia de óleo? Vou ter que tomar um remédio pro fígado,

– E o Osvaldinho? Que menino mais feio! Será que a Rita tá ficando cega?

– Solange, por acaso você já viu uma coruja achar o filho feio?
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    O escritor EDUARDO MARTÍNEZ (nome artístico de Eduardo Cesario-Martínez) é um dos nomes de destaque da literatura contemporânea independente no Brasil, reconhecido por sua impressionante trajetória polímata. Atualmente radicado em Porto Alegre, ele consolidou uma escrita que une sensibilidade artística ao olhar analítico de suas múltiplas formações.
    Nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 1967. Embora sua produção literária transite por vivências em Brasília e no Rio de Janeiro, ele reside e desenvolve suas principais atividades culturais em Porto Alegre desde o ano de 2021. Concilia três graduações distintas que enriquecem diretamente sua visão de mundo e sua escrita: Jornalismo: Sua primeira área de graduação, responsável por lapidar seu estilo direto de escrita, o domínio da técnica da crônica e sua atuação na imprensa; Medicina Veterinária: Graduou-se em 1999 pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ o que lhe deu uma compreensão profunda sobre a biologia e a fragilidade da vida; Engenharia Agronômica: Formou-se pela Universidade de Brasília, agregando conhecimentos em ciência aplicada e na relação humana com a terra.
A caminhada literária de Martínez começou oficialmente nos anos 2000 e ganhou forte projeção nacional por meio de premiações de relevância no meio independente. Em 2004, publicou seu primeiro romance, Despido de Ilusões, livremente inspirado na jornada de um egresso de Medicina Veterinária da UFRRJ. O livro obteve excelente recepção, figurando na época entre os títulos mais lidos no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-RJ). É editor e colunista do portal Notibras (https://www.notibras.com/site/), onde comanda a editoria Café Literário e já ultrapassou a marca de 600 contos e crônicas publicados. Também escreve ativamente para o Blog do Menino Dudu e o Jornal Cultural ROL. Além de participar de mais de 40 antologias coletivas, é autor de quatro livros principais, destacando-se Despido de Ilusões (2004), Meu melhor amigo e eu, Raquel e a aclamada coletânea 57 Contos e Crônicas por um Autor Muito Velho (2024). Foi semifinalista do 3º Prêmio MicroConto de Ouro em 2023 e viveu o ápice de seu reconhecimento ao vencer o conceituado Prêmio Literário Clarice Lispector 2025 na categoria de Livro de Contos, em cerimônia realizada no Copacabana Palace.
A relevância da prosa curta de Eduardo Martínez para o cenário literário nacional atual apoia-se em aspectos técnicos e pedagógicos:
1. Estética do cotidiano e mistério acessível: Ler Martínez desperta um turbilhão de reflexões éticas e existenciais a partir de situações inusitadas. O autor consegue aproximar os questionamentos psicológicos densos (herdados de influências de Dostoiévski) de uma narrativa fluida, prazerosa e de fácil absorção para o leitor comum.
2. Função didática nas escolas: Seus textos alcançaram uma importância pedagógica prática significativa, sendo adotados e utilizados por diversas instituições de ensino no Rio de Janeiro e em Brasília para fomentar o poder transformador da leitura nas salas de aula.
3. Estímulo à literatura independente e contemporânea: Como comandante do Café Literário e autor premiado fora dos grandes conglomerados editoriais comerciais, Martínez tornou-se uma voz ativa na defesa e na visibilidade de novos talentos e pequenas editoras no país. Ele atua como uma importante "válvula de escape" para a resistência da produção de contos e crônicas em língua portuguesa.

José Feldman (Confusões para todos os gostos)


O Valdir estava arrumando as prateleiras de ração quando ouviu o sino da porta tocar com um som tão forte que quase derrubou o copo de água na balcão.
 
— Bom dia, senhora! Como posso aju… — começou ele, mas parou de vez ao ver dona Maricota com o gato Mimo dentro de uma bolsa de compras rosa.

— Bom dia, Valdir! Trouxe o Mimo para escolher um brinquedo novo. Ele é bem exigente, você sabe.

— Percebo. Mas… por que ele está na bolsa de compras?

— Porque a caixa de transporte quebrou na rua. É mais prático assim. — No mesmo instante, o gato espetou a cabeça por cima da bolsa e gritou um "MIAAAAAU" tão alto que fez os periquitos na gaiola estremecerem.

— Ai, meu ouvido! Ele tem voz de soprano!

— É que ele gosta de cantar. Principalmente quando está incomodado.

— E ele está incomodado agora?

— Pelo jeito, sim. — Aí, Mimo pulou de dentro da bolsa e subiu direto na prateleira dos aquários pequenos.
 
— Valdir, ele está em cima do aquário do peixe-dourado!

— Eu vejo, dona Maricota.

— E ele está mexendo com a tampa!

— Eu vejo.

— Ele vai derrubar tudo!

— Eu… acho que já derrubou. — O aquário caiu no chão com um "PLASHP" e o peixe-dourado nadou desesperadamente numa poça d’água no piso.
 
Enquanto eles corriam para pegar o peixe, entrou o senhor Epaminondas com o cachorro Melão — um bassê que parecia ter o rabo com vida própria.
 
— Olá, Valdir! Trouxe o Melão para cortar o pelo. Ele está parecendo um urso.

— Olá, senhor Epaminondas. Perdoe a bagunça, mas temos um gato na prateleira e um peixe no chão.

— Um peixe no chão? Que modernidade! Eu só vi peixe na tigela, na frigideira ou no prato.

— Não é para comer, senhor! É para salvar!

— Ah, é mesmo? Então Melão não pode ajudar não. Ele só sabe salvar ossos. — Enquanto falava, Melão sentiu o cheiro do gato e saiu correndo, puxando a coleira com tanta força que o senhor Epaminondas resvalou na poça d’água e caiu pra trás.

 — Melão, volta aqui! Meu traseiro está doendo mais que quando eu cai no quintal da vizinha!

— Senhor, não se preocupe — disse Valdir, tentando segurar o cachorro — ele só quer brincar com o gato.

— Brincar? Ele brinca como um torneio de luta livre!

— É verdade, dona Maricota. Ele quase quebrou a minha cadeira semana passada.
 
Naquele momento, chegou uma jovem chamada Lara com um coelho branco na caixa de transporte.
 
— Oi! Venho comprar ração para o Nuvens. Tem ração de coelho que não seja tão seca? Ele é meio caprichoso.

— Oi, Lara. Claro que tem, mas… cuidado com a caixa, que aqui está um pouco…

— Um pouco o quê? — A caixa escorregou das mãos dela e abriu. O Nuvens pulou para fora e correu direto para o saco aberto de sementes para pássaros.

— Meu coelho! Ele está comendo sementes! Vai ficar cheio de penas?

— Não, Lara, ele não vai ficar com penas. Mas pode ficar com barriga cheia.

— E ele está indo para a gaiola dos periquitos!

— Ai, não! — gritou dona Maricota — os periquitos vão voar pra todos os lados!
 
E foi exatamente o que aconteceu. Os periquitos, assustados com o coelho na grade, começaram a voar em círculos, soltando penas por toda parte. O gato Mimo, vendo o caos, pulou da prateleira e foi atrás do Nuvens. O Melão, latindo de alegria, foi atrás do Mimo. E o senhor Epaminondas, de pé mas com a calça toda molhada, foi atrás do Melão.
 
— Valdir, ajude-me! O Mimo está tentando pegar o Nuvens!

— Eu estou tentando, dona Maricota! Mas o Melão está na frente!

— O Melão está na frente porque o senhor Epaminondas não consegue segurá-lo!

— Eu não consigo segurá-lo porque ele é mais forte que um cavalo!

— Cavalo? Ele é um bassê! É menor que o meu gato!

— Menor, mas mais bravo!
 
Valdir, que já estava com penas na cabeça e água na camisa, pegou um saquinho de petiscos para gato e balançou:
 
— Mimo! Venha aqui, tem bolinha de frango!

— Ele adora bolinha de frango! — disse dona Maricota. O gato parou de correr e veio devagar até eles.
 
Depois, Valdir mostrou um biscoito grande para o Melão:
 
— Melão! Venha, tem biscoito de carne!

— Ele não resiste a biscoito de carne! — gritou o senhor Epaminondas. O cachorro sentou na hora, educado.
 
E para o Nuvens? Valdir pegou uma cenoura fresca e estendeu:
 
— Nuvens! Venha, tem cenoura docinha!

— Ele ama cenoura! — disse Lara. O coelho parou e foi lamber a sua mão.
 
Os periquitos, já calmos, voltaram para os poleiros. O peixe-dourado foi colocado em um aquário novo. A poça d’água foi limpa e as penas varridas.
 
— Puxa vida… — suspirou Valdir — hoje a loja foi mais confusa que um filme de comédia.

— Confusa? Para mim foi um terror! — disse dona Maricota — o Mimo quase quebrou tudo.

— O meu Melão quase quebrou meu quadril! — completou o senhor Epaminondas.

— E o Nuvens quase se transformou em um pássaro! — riu Lara.
 
— Da próxima vez, trago o Mimo na caixa de transporte nova — disse dona Maricota.

— Da próxima vez, deixo o Melão em casa com a mulher — disse o senhor Epaminondas.

— Da próxima vez, trago o Nuvens em uma caixa que não escorrega — disse Lara.
 
— E da próxima vez, eu vou colocar uma placa na porta: "Atenção: loja sujeita a imprevistos" — riu Valdir.
 
Todos saíram com o que precisavam e uma história para contar. E Valdir, ao fechar a loja, pensou: "trabalhar com animais nunca é chato — e isso é o melhor de tudo."
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      JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Ocupa cadeira na Academia Rotary de Letras, Artes e Cultura, Academia do Movimento Internacional, Confraria Brasileira de Letras e Academia de Letras Internacional Brasil-Suíça. Agraciado com o título de Comandante do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo "Euclides da Cunha", em Berna/Suiça; título de mérito das Letras, em Portugal; Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica. No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa. Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente.

(José Feldman. Pérgola de Textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.)