Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Antonio Carlos de Barros (Nilo Bairros de Brum: Tropeiros)


O Rosariense NILO BAIRROS DE BRUM, vencedor de muitos Festivais da Canção Gaúcha no Rio Grande do Sul e em outros Estados, autor da letra TROPEIROS, cujo tema vamos abordar, é formado em direito, Procurador de Justiça aposentado, advogou na área do Direito Autoral e dedica-se à pesquisa independente de História. Tem seis livros publicados e centenas de letras de músicas de muito sucesso.

Livros: 
- Requisitos Retóricos da Sentença Penal, publicado pela Editora Revista dos Tribunais, São Paulo (edição esgotada);
- Caminhos do Sul, pesquisa de história, republicado pelo Clube de Autores;
- Inconfidências Gaudérias, crônicas e conto, republicado pelo Clube de Autores;
- Clave e Lua, Poemas e Letras de Música, publicado pelo Clube de Autores;
- O Homem Metáfora, poemas para declamar, publicado pelo Clube de Autores;
- Cartilhas do Tropeirismo, pesquisa de História, publicado pelo Clube de Autores.


Vamos então ao tema de: Tropeiros. 

O amigo Nilo Bairros de Brum, em uma conversa informal comigo, contou-me uma história interessante sobre essa música, Tropeiros.

Ele me contou que a princípio, o verso onde diz: João Miguel era Tropeiro, ele havia escrito assim: Meu avô era Tropeiro... e diz que, não sabe o porque, alterou a letra para: João Miguel era Tropeiro. Ofereceu então a letra para o amigo, cantor e compositor Léo Almeida colocar melodia. Após, concluída a melodia, enviaram para o Festival: SAPECADA DA CANÇÃO DE LAGES – SANTA CATARINA. A música foi classificada para o Festival. E para lá se deslocaram.

A interpretação do Léo Almeida foi brilhante e a música encaixou como uma luva para a população de Lages, pois muitos dos habitantes tinham descendência Tropeiras.

Moral da história, a música além de ganhar o Festival, fez um enorme sucesso perante todos os que lá estavam e até hoje é muito requisitada pelos ouvintes das rádios que apresentam músicas Gaúchas.

O detalhe dessa música fica por conta quando, na hora em que os autores recebem a premiação, o Nilo nos fala, até emocionado, que uma família de Lages, em prantos o procura e o questionam como ele, o Nilo, conheceu o João Miguel. Que, Ele era o seu avô paterno, que saiu para uma tropeada e nunca mais voltou para casa. O que havia acontecido com o João Miguel? Se ele estava ferido gravemente, se ainda vivia ou se estava morto? E como ele sabia do desaparecimento do João Miguel. E que a sua avó, enquanto vivia, todos os dias ficava com bem diz a música: com um olho nas crianças e o outro fitando a estrada. Enfim, após as devidas explicações dadas pelo Nilo, que nem ele mesmo soube explicar direito aos familiares, deixo as devidas conclusões para os leitores dessa verídica história, analisando o conteúdo da letra.

Tropeiros - Interprete: Léo Almeida

"O romantismo rendeu versos ao Gaudério* e a história decantou
Bandeirantes mas foram eles, os Birivas*, que fizeram
a integração destes povoados tão distantes"

João Miguel era tropeiro gastou a vida na estrada
Levando mulada* xucra do Rio Grande a Sorocaba
Aprendeu nas arribadas* que a sorte a gente é que faz
Um Biriva de vergonha não deixa mula pra trás

O facão Sorocabano levado sem aparato
O chapéu de abas largas as botas de cano alto
O trajar era modesto, mas a mirada era altiva
Subindo ou descendo a serra João Miguel era Biriva.

Bota n'água esta madrinha, madrinheiro*
Que a tropa vai seguindo enfileirada
Vou na balsa segurando o meu cargueiro*
Com as bruacas* de paçoca bem socada.

Maria murchou na vida de casa e cabo de enxada
Com um olho nas crianças e o outro fitando a estrada
João Miguel virou lembrança na cruz à beira da trilha
E Maria foi plantada lá no alto da coxilha*.

João Miguel era tropeiro, seus netos tropeiros são
De esperanças mal domadas que desgarrando se vão
A esperança madrinha segue na frente entonada
E seu cargueiro de sonhos traz a bruaca lotada.

GLOSSÁRIO:

- Arribadas - consistia em procurar e resgatar animais extraviados e devolvendo-os à tropa.
- Birivas – nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de Bandeirantes, ou aos Tropeiros Paulistas.
- Bruacas – espécie de mala de couro cru, com alças laterais, apropriada para ser conduzida em lombo de animal, pendurada na cangalha, uma de cada lado.
- Cargueiro – animal utilizado para conduzir cargas, em geral muar.
- Coxilha – grande extensão ondulada de campinas cobertas de pastagens, que constituem a maior parte do território Rio Grande do Sul e onde se desenvolve a atividade pastoril dos Gaúchos.
- Gaudério – denominação dada ao antigo Gaúcho, em sentido depreciativo.
- Madrinha – era a égua madrinha. A égua mais experiente, de muitas tropeadas.  
- Madrinheiro - era a pessoa que cavalgava a égua madrinha, seguindo na frente da tropa, para regular a marcha da mesma.
- Mulada – Tropa de mulas.

Fonte:
Texto enviado pelo autor.

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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