Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Samuel C. da Costa (Série Amor em Vermelho) 1


A CIDADE DAS CHUVAS

Na cidade das chuvas
Ela decidiu ganhar as ruas
Em um ledo dia de sol

Aquela jubiloso dia de sol
Ela toda radiante
Vestiu o que de melhor tinha
Seu sorriso perolado
Em um diáfano vestido floral

Na cidade das chuvas
Justamente naquele dia de sol
Ela ganhou as ruas dissolutas
E foi se reunir
Com o que melhor existe
Na vastidão cósmica sem fim
Foi se encontrar consigo mesma

A NEGRA AURORA AUSTRAL

Toque-me!
Como se eu fosse de aço.

Toque-me
Como se tu fosses de vidro!

Toque-me
Como se eu não fosse nada.

Toque-me
Como se tu soubesses de tudo!

Toque-me
Como se eu fosse um poema
Inacabado sem poesia

Toque-me
Como se não houvesse amanhã

Toque-me
Antes que o mundo acabe

AS LUZES DA RIBALTA
De tudo que eu sou
E de tudo
Que eu sou capaz
De ser

Que as cósmicas
Luzes da ribalta
Façam-me brilhar
Mais e mais
Para além das múltiplas
Inexistências reinantes

De tudo que eu posso ser
E do muito que eu sou
Capaz de ser

Que as milenares
Luzes da ribalta
Façam-me trespassar
A realidade fluída
Em que vivo

CANDURA (ELOGIO A LIBERDADE)

Naqueles turbulentos dias
De abissais confusões inexatas
Ela decidiu quebrar
Os milenares grilhões

Naquele entardecer sem fim
Tempo de dores infindas
Ela se rebelou por completo

Naquele anoitecer sem fim
A manopla deixou de sufocá-la
Aquela negra alma sofrega
Mergulhada em infindáveis dores

Naquela alvorada
Ela simplesmente sorriu para a vida

EPIFANIA ABSTRATA
Para o jornalista Luiz Gonzaga Mattos

O palco é o habitat
Dos artistas

Ah as luzes
As luzes da ribalta
A ciclorama
Os aplausos
Os gritos
Os vivas efusivos
E a saudação curvilínea
Dos artistas ao público
Que pede estridente
Um bis
Ao ver descerrar a cortina

Eu?
Eu fico na porta de entrada
Uniformizado estático
À espera por tudo que não vem

O palco é o habitat natural
De todos os artistas
O microfone
Os alto-falantes
E voz estridente
Que retumba para o além
Da infinitude cósmica

Eu?
Eu esqueço o texto

Eu?
Eu destoa de tudo
E de todos
Com a voz embargada
Olhando para a público sentado
Que espera e espera
Por aquilo que não vem
E que nunca virá

Eu?
Sou eu tentando ser maior
Que a censura cibernética
Facebookiana
E não consigo

Eu?
Eu admiro extasiado
A artista no palco
A minha vaporosa negra musa
Distante de tudo
E de todos

Eu?
Eu tomo a pena
E o mata-borrão
A hialina folha em branco

Eu?
Tento compor um poema
Com poesia abstrata
E não consigo

Eu?
Eu martelo o teclado
Com fúria titânica
Tento compor uma prosa simbolista
E não consigo

Eu?
Tento me exilar
Na arte absoluta
E não consigo

Eu?
Tento esquecer de mim mesmo
Mas não consigo

GAIA ( MAIS PROFUNDA QUE O MAR)

Queria fazer amor perdidamente
Tendo o astros-mortos
Como testemunhas
E com as bênçãos de Gaia

Não! Não queria viver enclausurado
Em um níveo mundo
De sonhos vagos
Presa ad aeternum
Em contemplações quiméricas furtivas

Queria arder em chamas
Entregar-se por inteiro
Na mais profundas das fossas abissais

Qualquer coisa que faça quase sentido
Olho para o mar
Na minha frente
E desejo perdidamente
Que qualquer coisa
Nesta vida
Faça quase sentido

Olho para o mar
E desejo desesperadamente
Que eu possa
Tirar o meu traje de civilizado
De usar somente as roupas
Que Deus me deu
E caminhar celestialmente
Pelas hialinas areias
Da praia

Olho para o mar revolto
Sinto o álgido vento
Revoltar-me o cabelo
E desejar
Que qualquer coisa faça
Realmente sentido
Na minha vida

Olho para imensidão azul
Para o céu sem nuvens
Na esperança vil
Que qualquer coisa faça
Quase sentido
Nesta vida apoplética

Fonte:
Poemas enviados pelo poeta

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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