Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Trovadores Potiguares que Deixaram Saudades (L – W)


Apesar do arranha-céu,
Natal mostra a mesma lira
dos versos de Otoniel
e dos poemas de Palmyra.
Luiz de França Morais
Belém/PA 1916 – ????, Natal/RN


Rugas são marcas da vida
que a mão do tempo traçou,
lembrando à face esquecida
que a mocidade passou.
Luiz Dutra Borges
????


Trova – rosário de contas,
de sete contas de luz...
– Estrela de quatro pontas
a iluminar minha cruz.
Luiz Rabelo
Natal, 1921 – 1996


Não fico mais esperando
aquilo que sonho ter,
pois sinto que estou plantando
onde nunca vai chover.
Luiz Francisco Xavier
Santana do Matos, 1935-????, Natal


Ó! Que manhã sacrossanta!
Ó! Que vivenda querida!
Como é doce a voz que canta
na manhã rósea da vida.
Manoel Rodrigues de Melo
Macau, 1907-????, Natal


O vento como em gemidos,
que só a dor sabe tê-los,
gelado, como a saudade,
vem me beijar os cabelos.
Manuel Lins Caldas
????


E se os meus rumos mudaram,
deles me restam lembranças
que, em meu coração, ficaram
como fontes de esperanças!
Maria Antonieta B. D. de Sousa
Baixa Verde, 1931 – ???? Natal


A vida, esse mar de abrolhos,
ensinou-me a navegar
no lago azul dos teus olhos
quando se põem a chorar.
Maria Eugênia M Montenegro
Lavras/MG 1915 – ???? Natal


Da senzala ao pelourinho
era bem pequeno o espaço...
– Mas tão largo o seu caminho,
quão sinistro o seu abraço!
Maria Silva Carriço
????


Comparo os meus pensamentos
às aves de arribação
que, em bando, ao sabor dos ventos,
navegam pela amplidão.
Mariano Coelho
Assú, 1899 – 1985, Natal

A corrente de esplendores
que trazes sempre no olhar
é tecida dos amores
da lua beijando o mar.
Minervino Wanderley
????

Qual andorinha tristonha
do seu bando desligada,
a minha alma sempre sonha,
mesmo que esteja acordada.
Nati Cortez
????


Minha mãe quando rezava
aos pés da Virgem Maria,
ao meu olhar que a fitava,
outra santa parecia.
Olegário Júnior
????


Felicidade, onde moras?
O teu rumo desconheço.
Parece que me mandaram
errado o teu endereço.
Palmira Wanderley
1894-1978


Do viver enfrento as provas,
e de alma alegre ou sofrida,
vou compondo minhas trovas
pelos caminhos da vida.
Reinaldo Aguiar
Natal, 1921 – 2010


É feliz o desgraçado
tombado no chão da vida,
que pode ser levantado
pelas mãos da mãe querida.
Renato Caldas
Assu. 1902 – 1991


Certo vaqueiro, tristonho,
já vencido pela idade,
afaga, como num sonho,
seu alazão – a saudade...
Revoredo Netto
Natal, 1930 – 1995

O Amor – bom senso ou loucura –
é como a fatalidade:
foge de quem o procura
e chega em qualquer idade.
Rômulo Wanderley
Assu, 1910 – 1971


Eis o futuro ou destino
desta pobre humanidade:
o lengalenga de um sino,
uma cova... uma saudade...
Sebastião Soares
Pau dos Ferros, 1918 – 2008, Natal


Possui um divino encanto,
é mais um gênio, talvez,
quem de preces faz um manto
para cobrir a nudez.
Segundo Wanderley
????


Contemplo o céu estrelado
no silêncio da amplidão,
e penso que ele é bordado
de rendas feitas à mão.
Ulisses Freitas Júnior
????

Esta flor da mocidade
passando com tanta graça,
me faz pensar, com saudade,
ser o antigo amor que passa.
Wilson Correia Dantas
Ceará-Mirim, 1920 – 1998, Natal


Fonte:
Luiz Gonzaga da Silva

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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