Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 25 de novembro de 2012

Geraldo Majela Bernardino Silva (Funções da Mensagem Literária) Parte 4


3. FUNÇÃO CONATIVA, APELATIVA ou IMPRESSIVA:

A palavra como “apelo”.

Bühler atribui às palavras a função de “apelo”, na medida em que o emissor pretenda, com sua mensagem verbal, agir sobre o interlocutor, convidando-o a realizar algo.

De natureza volitiva ou coercitiva. Centrada no destinatário, visa a influenciar seu comportamento. É representada pelo vocativo ou pelo imperativo nas ordens, nas propagandas, nas admoestações, nas persuasões. Tem em vista provocar um resultado.

Em situações do cotidiano, empregando a língua oral, é muito comum utilizar-se a palavra como “apelo”... Imagine, por exemplo, que você encontre na rua um amigo de quem goste muito. Há algum tempo vocês dois não se vêem. Conversam sobre vários assuntos e então você se despede, fazendo-lhe um convite:

“Aparece lá em casa sábado, prá gente papear mais e ouvir uns discos novos que comprei.”

Alguns linguistas denominam essa função de “impressiva”. A função “impressiva” (ou “apelativa”) é observada não só na linguagem cotidiana, mas também na literatura e sobretudo na propaganda, já que, nesse caso, o objetivo é agir sobre o “recebedor”, induzindo-o a consumir o produto anunciado. Procure observar os anúncios que você vê na televisão, em revistas, jornais e nos “out-doors” espalhados pela cidade. Você vai perceber que o “apelo” às vezes não se faz lingüisticamente de maneira explícita, direta, mas sempre vem implícito, subentendido nos recursos visuais, utilizados para impressionar o recebedor, possível consumidor do produto.

Os recursos lingüísticos que possibilitam ao recebedor o reconhecimento da função “impressiva” na mensagem enunciada são os seguintes:

= na língua oral:       
 - emprego do verbo no imperativo (afirmativo ou negativo),
                                   - tom de ordem, pedido ou súplica, observado na enunciação da mensagem,
                                   - emprego do vocativo;

= na língua escrita:  
- emprego do verbo no imperativo (afirmativo ou negativo),
                                   - pontuação,
                                   - emprego do vocativo.

Um exemplo literário para a função impressiva da linguagem:

Brisa  (BANDEIRA, Manuel)
Vamos viver no Nordeste, Anarina.
Deixarei aqui meus livros, meus amigos, minhas riquezas, minha vergonha.
Deixarás aqui tua filha, tua avó, teu marido, teu amante.
Aqui faz calor.
No Nordeste faz calor também.
Mas lá tem brisa:
Vamos viver de brisa, Anarina.

Observamos a função impressiva sobretudo no primeiro, terceiro e último versos do poema.
É possível encontrar a função impressiva também em letras de música:
“Ëspere por mim, morena, espere, que eu chego lá,
  o amor por você, morena, faz a saudade me apressar.”
  (Gonzaga Jr. - “Espere por mim, morena”).
Considerando as observações feitas e os exemplos dados, podemos concluir que:
a função da linguagem será IMPRESSIVA, quando as palavras forem utilizadas como APELO  ao RECEBEDOR, atuando sobre este, no sentido de o influenciar, convidando-o a tomar uma atitude qualquer.

Continua…

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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