quarta-feira, 14 de novembro de 2012

João Anzanello Carrascoza (Ponta da Língua)


Ilustração: Clouds

Cheia de graça é a nossa língua, portuguesa.
 Você nem precisa aprender o á-bê-cê para rir com ela.
 Desde pequeno já ouve dizer que mentira tem pernas curtas.
 E mentira tem pernas?
 E a verdade? A verdade tem pernas longas?
 E quando dói a barriga da perna?
 Ou quando ficamos de orelha em pé?
 O que a barriga tem a ver com a perna, e orelha com o pé?
 Pra ser divertido, não leve nada ao pé da letra!
 Até porque letra não tem pé. Ou tem?
 Pé-de-meia é o dinheiro que a gente economiza.
 Pé-de-moleque, doce de amendoim.
 Dedo de prosa é papo rápido.
 Dedo-duro é traidor.
 Pão-duro, pessoa egoísta.
 E boca da noite? E céu da boca?
 É uma brincadeira atrás da outra!
 Cabeça de cebola, dente de alho, braço de mar.
 Com a nossa língua, a gente pode pegar a vida pela mão.
 Pode abrir o coração. Pode fechar a tristeza.
 A gente pode morrer de medo e, ao mesmo tempo, estar vivinho da silva.
 Pode fazer coisas sem pé nem cabeça.
 Mas brincar com palavras também é coisa séria.
 Basta errar o tom e você vai parar no olho do furacão.
 Então, divirta-se. Cuidado só para não morder a língua portuguesa

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