Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 19 de junho de 2011

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 242)


Uma Trova Nacional

Sabendo o que sei agora,
pudesse voltar atrás,
voltaria sem demora
aos meus tempos de rapaz.
–ZÉ REINALDO/AL–

Uma Trova Potiguar

Já ando quase às escoras,
cansado e muito nervoso,
pois foi na dança das horas
que o tempo me fez idoso.
–ZÉ DE SOUZA/RN–

Uma Trova Premiada

2007 - Bandeirantes/PR
Tema: ENCANTO - M/H

Saudosismo, este legado,
que o tempo deixou-me a esmo,
guarda o encanto do passado,
em saudades de mim mesmo.
–WANDIRA FAGUNDES QUEIROZ/PR–

Uma Trova de Ademar

Tudo o que me fez contente
e o tempo ingrato desfez;
busco as lembranças na mente
e vivo tudo outra vez...
–ADEMAR MACEDO/RN–

...E Suas Trovas Ficaram

Tão linda a estrela cadente
quando risca o firmamento!
Mas lembra a vida da gente
que se apaga num momento.
–JOÃO PEREIRA DA SILVA/MG–

Simplesmente Poesia

MOTE:
Quem tanto cantou saudade,
deixou saudade na gente.

GLOSA:
Tristeza em toda cidade,
choram nobres e plebeus
pois se foi sem dar adeus
quem tanto cantou saudade.
Em busca da eternidade
resolveu partir na frente,
foi seu último repente,
sua única derrota,
Grande Mestre Chico Mota
deixou saudade na gente.
–FRANCISCO JOSÉ PESSOA/CE–

Estrofe do Dia

Pra retratar o sertão
em sete versos apenas,
mergulho na natureza
busco inspirações serenas
e qual um grande pintor
para a obra ter mais valor,
crio minhas próprias cenas!
–ADEMAR MACEDO/RN–

Soneto do Dia

–SERGIO AUGUSTO SEVERO/RN–
Soneto

Vou lhes dizer num Soneto,
o que falei num Cordel:
-Em Natal, estou no Céu,
pois Natal é meu "coreto"!

"Sou um cabra "Zona-Norte",
não me acostumo com o luxo,
Tomo Cana, como bucho,
e sei "andar de transporte".

Cresci na Cidade-Alta,
mas nunca fui da Ribalta,
sou do capim, sou da grama...

sou do Alecrim, do Areal,
sou das Dunas de Natal...
EU SOU DO BECO-DA-LAMA!!

Fonte:
Textos enviados pelo Autor

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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