Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Antonio de Trueba (1819 – 1889)


Antonio de Trueba y de la Quintana (conhecido também como «Antón el de los Cantares») nasceu na comarca Las Encartaciones, em Montellano, município de Galdames, província de Vizcaya, Espanha, a 24 de dezembro de 1819. Filho de camponeses muito obres, sua vocação literária começou com os romances cegos (literatura de cordel) que seu pai lhe trouxe quando veio visitar uma feira. Ele teve que sair da escola em breve para trabalhar na terra e nas minas de Las Encartaciones, sua terra natal. Quando tinha quinze anos de idade (1834), foi a Madri para a primeira Guerra Carlista; Ele foi usado na loja de ferragens de um tio e usou do tempo para dormir para autodidatismo e leitura de autores românticos espanhóis.

Em 1845, ele obteve uma posição burocrática na Câmara Municipal de Madrid e com isso ele obtém mais tempo livre para se dedicar à literatura. Em 1851, ele publicou seu primeiro título, El libro de los cantares, versos com um tema variado que já lhe deu algum renome. Ao mesmo tempo, ele colabora com poemas, artigos e histórias em La Correspondencia de España, El Museo Universal, Correo de la Moda e La Ilustración Española y Americana.

Deu atenção à literatura infantil, colaborando nas publicações infantis da época e elaborou inclusive um livro de canções natalinas, ¡Tin tin tin!. Na continuação vieram Cuentos populares (1853), Cuentos de color de rosa (1859) com uma segunda edição a cargo da rainha Isabel II, Las hijas del Cid (1859) y Cuentos campesinos (1860), entre outras muitas obras.

Em 1862 foi proclamado pelas Juntas Generales de Vizcaya, cronista e arquivista do Señorío de Vizcaya e se mudou para Bilbao para desempenhar essas funções, apesar de reconhecer sua precária formação histórica. Alí se ocupou de recopilar informação para escrever «una modesta historia general de Vizcaya» que os distúrbios políticos posteriores lhe impediram concluir. Deste período são Capítulos de um livro, sentidos e pensados viajando pelas Provincias Vascongadas (1864), Defensa de un muerto atacado (los Fueros) por el Exmo. Sr. D. Manuel Sánchez Silva (1865), La paloma y los halcones (novela histórica sobre as guerras de bandos, 1865), Cuentos de varios colores (1866), El libro al las montañas (1867), Resumen descriptivo e histórico del M. N. y M. L. Señorío de Vizcaya (1872) etc.

Após o espaço da terceira guerra carlista, durante a qual teve de marchar a Madrid (1873) acusado de uma suposta simpatia ao carlismo, voltou a Bilbao onde foi reabilitado e nomeado padre de la província (1876) e desenvolveu uma grande atividade: fundou a seção literária do diário El Noticiero Bilbaíno, que mais tarde dirigiria, e publicou bom número de obras sobre didática, genealogia, literatura, historia e lendas (o pior de sua produção).

Em Madrid publicou Mari Santa, quadros de um lugar e seus contornos, Narraciones populares, Cuentos de hogar, El redentor moderno. 

Morreu em Bilbao a 10 de março de 1889. 

Com os fundos recolhidos entre os vascos da América e de Vizcaya se lhe custeou um monumento realizado por Mariano Benlliure, que foi inaugurado em 1895 nos Jardins de Albia de Bilbao. Seguiram publicando-se algumas obras póstumas. A maior parte de seus escritos se recolheu em Obras, Madrid, A. Romero. 1905-1914, 10 vols.

A produção de Trueba é ampla e abarca desde a lírica Libro de Cantares (1852), até a novela histórica Paloma y halcones (1865) e a novela de costumes El gabán y la chaqueta (1872), mas se destacou sobretudo na narrativa curta quando reflete a vida rural de Castilla y País Vasco da época, cenários habituais de suas histórias. Destacam lendas como La azotaina, tradição do século XVI, ou La novia de piedra em que a crueldade de Marichu causa a morte de seu amado. Se estima que sua melhor coleção de narrações é Cuentos populares (1853).

Em sua obra reflete tradições e costumes campesinos que, como consequência do impacto da crescente Revolução Industrial, estavam desaparecendo de uma Espanha até então fundamentalmente agrária e rural. Assim mesmo, reivindicou a cosmovisão e os valores associados a esta forma de vida patriarcal que começava a declinar, de uma forma candorosa e idealizada. Para a Enciclopedia Auñamendi, "sofre de falta de garra e excessiva simplicidade enquanto aos personagens; o voo rasante desmonta suas novelas, que resultam falidas. Inclusive seus contos (seu gênero ótimo), ainda que bem escritos e aparentemente recolhidos em sua terra, só tem que ver com ela em detalhes acessórios como peregrinações, paisagens, topografia, anedotas, etc.".​ Para isso elo foi inspirado na literatura coletiva popular, que considerava dotada de uns valores estéticos superiores fundados na autoridade do povo para determinar o que é arte e o que não. Por tudo isto costuma-se agrupar com autores como Francisco Navarro Villoslada (1818-1895), José Selgas (1822-1882), Vicente Barrantes, José María de Pereda, Fernán Caballero, etc.
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Nota:
Os títulos dos textos do autor, cidades e entidades foram mantidas como no original espanhol.
Tradução do espanhol para o português por José Feldman.

Fonte:

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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