Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Academia Peruibense de Letras (Poesias Escolhidas)


EDWALDO CAMARGO RODRIGUES
Cadeira n. 28

Morar no litoral

A casa tão sonhada à beira-mar. Da rede
estendida no alpendre ensombrado por densas
samambaias, diviso as gradações extensas
das serras a distância esvaírem-se. Cede

aos poucos o calor da tarde. Vindo a sede
saciar, os colibris das campânulas pensas
dos lises ao redor voam. Tornam-se intensas
as sombras vesperais. E a calma que precede

a noite enfim se instala, ao cessar repentina
a arenga da cigarra. Acendo a lamparina,
e logo a multidão de frementes falenas

espalha em torno a mim misteriosa alternância
de sombras e clarões. E é como desde a infância
eu tenho desejado: esta ventura apenas.

Elizabeth Cury Bechir Watanabe
Cadeira n. 34

Rio Itanhaém

Vislumbrando a beleza
da boca da barra,
o rio, que realeza!
Barcos retornando,
fim de pescaria
temporal anunciando...

Admirada paisagem
refletida no espelho
das águas do rio.
Momento prazeroso,
profunda paz...

Sapucaitava mais verdejante
cercado de seus habitantes
nesta tarde pacata,
esbanjando tranquilidade...

ESTHER FELICIDADE R. ROMANO
Cadeira n. 13

Perfume de âmbar

Teu suave perfume de âmbar
Inebria meus sentidos
Teu corpo vibra
Ao toque de tua mão
Me perco no universo
Desse amor tão lindo
Envolvida em teus braços
Nessa mágica paixão

Adormeço serena
Nesta noite inebriante
Sentindo em teu peito meu abrigo
Ouvindo o pulsar do teu coração
Essa doce lembrança
Guardarei comigo
Desses momentos sublimes
Que passei contigo.

JOÃO LÍBERO ROSA MARQUES
Cadeira n. 31

O Retorno

Lentamente o homem abriu o portão.
Parou, resistiu à imensa vontade de voltar,
E angustiado pensou como seria a reação dela,
Ao vê-lo voltar depois de tanto tempo.
O cachorro latiu, alerta, quando abriu o portão.
Ao reconhecê-lo, o amigo fel parou de latir
E começou a pular freneticamente, contente.
O homem ajoelhou, abraçou o cachorro,
E, emocionado, começou a soluçar.
Após se recompor, levantou-se, olhou,
E lentamente foi em direção a casa.
Passou pela porta devagar e estacou.
A sala estava silenciosa e fresca,
Com um leve cheiro de cera e lavanda,
Exatamente como ele sempre lembrava.
Olhou feliz e com os olhos marejados
Para os quadros e fotos na parede,
De tantas lembranças e tão familiares.
A mulher parada na porta do corredor
Olhava ansiosamente para ele, que,
Absorto, olhando as fotos e os quadros,
Não a ouviu entrar, quando de repente,
Um soluço baixo o fez olhar em sua direção.
Soluçando, a mulher abriu os braços amorosa,
Dizendo que o amava e que era bem vindo!
Ele rompeu num choro convulsivo e libertador,
E toda sua angustia e medo se foram.
Quando ela o abraçou com grande amor,
Disse que estava arrependido e pediu perdão.
E chorando falou: - Eu te amo, Mãe e voltei pra ficar!

JOSÉ ROMEU DUTRA
Cadeira n. 22

Minha Jovem

Deitei em teu colo,
Em tuas areias,
Adormeci.
Na brisa que o vento traz,
A mistura de aromas,
Da mata,
Do mar.
Aos olhos,
O imponente,
O majestoso,
Sempre inspirador,
Itatins.
Verdejante sentinela,
Guardando às costas,
A terra procurada,
Riqueza de teu seio,
Peruíbe,
Minha jovem amada.

MARTHA ZELIA ZACHAR FUJITA
Cadeira n. 18

Muito além

Sonhei que andava na praia,
e nas águas via passar
cenas da minha vida...
Nas ondas que quebravam,
via os momentos difíceis,
onde me sentia morrer...
Mas, a vida continua
e somos eternos aprendizes...
Amar a si mesmo,
para saber amar ao próximo...
Não viver sem ver a vida.
Não sofrer pelo passado.
O presente é passageiro...
A existência perde
o sentido do existir.
Forte diante da vida,
aceito o tempo que sobra
para ainda ser feliz.
A vida não é em vão…

TEREZINHA F. DO NASCIMENTO DANTAS

A Rosa do Abismo

Por que chora rosa do abismo
Perdida em um recanto só;
Entre as árvores da mata
Neste abismo que dá do?

Choro a solidão
De ter perdido o meu paraíso;
Perdida neste abismo
Não diviso um sorriso.

Trago uma recordação
Do mundo em que vivi;
Era a mais bela das rosas
Beleza igual, nunca vi.

Um dia eu fui banida
Pelo Senhor do jardim;
Porque era muito orgulhosa
Da beleza que havia em mim.

O Senhor então me disse:
Vai para o abismo aprender;
A humildade é uma virtude
Pra nunca mais esquecer.

Me achava melhor que as outras
Humilhava sem compaixão;
Hoje neste abismo me sinto
Sou livre, nesta prisão!

Fonte:
Academia Peruibense de Letras. ROSA DO ABISMO.  9ª Coletânea da Academia Peruibense de Letras. São Paulo/SP: All Print Editora, 2018.

Nenhum comentário:

Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

Enviar a pagina em pdf por e-mail

Send articles as PDF to