Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

domingo, 8 de dezembro de 2013

Nei Garcez (Despedida de Luis Renato Pedroso da Presidência do Centro de Letras do Paraná)

O Desembargador, aposentado, Dr. Luis Renato Pedroso, depois de 12 anos como Presidente, ativo, do Centro de Letras do Paraná, está se despedindo de suas funções de Presidente daquela Instituição Cultural. Inclusive, ontem, 07, sábado, aconteceu um almoço, por adesão, de confraternização e ao mesmo tempo de despedida, no Mabu Hotel, em Curitiba.

De todos os seus grandes feitos e vencimento de tantas dificuldades, nestes últimos 12 anos, coube-lhe a gloriosa oportunidade em ser o Presidente que comemorou, na Presidência, o Centenário do Centro de Letras do Paraná, no dia 19 de Dezembro de 1912, cuja comemoração ainda, por muito tempo, será uma inesquecível e agradável fragrância das letras.

De eloquente oratória, prosador à toda prova, o Dr. Pedroso, conserva a humildade de declarar, sempre, o seu "profundo sentimento em não ser um Poeta", mas que por outro lado, tem a gratidão e alegria de conviver com a inspiração dos Poetas que lhe cercam junto ao Centro de Letras.

Na verdade, a prosa do Dr. Luis Renato Pedroso, sem quaisquer bajulações, é uma verdadeira poesia, não só no conteúdo, sábio, mas também na própria expressão  e colocação de cada palavra, sonoramente agradabilíssimas.

Tanto o é que o defini assim:

De oratória majestosa,
doutor em sabedoria,
Luis Renato tem, na prosa,
todo o encanto da poesia!


Enfim, o Dr. Pedroso, carismático de nascença (só pode ser), natural de Foz do Iguaçu, sempre se refere ao Centro de Letras do Paraná como:

"O Centro de Letras do Paraná é a Casa de todos nós."

Na próxima terça feira, 10, às 17 horas, haverá, no Centro de Letras do Paraná - em Curitiba - uma das maiores comemorações que será a transmissão da presidência para

ALZELI BASSETTI
-Cadeira Poética número 24 - Patrono: Altivir Bassetti

Curitibana e Vulto Emérito da cidade, Alzeli Bassetti é licenciada em Letras/Inglês pela UFPR, com especialização em francês, italiano, alemão, latim e português. Obteve o 1º lugar em concursos nacional e estadual de monografias. Sua longa luta pela paridade de gênero valeu-lhe a Medalha de Ouro outorgada pelo Conselho de Ministros da Itália; o engajamento cultural premiado com a Medalha Cultural de Ouro "D'Almeida Vitor" (DF).

Fonte:
Nei Garcez
UBT-Curitiba/Paraná/Brasil
Academia Paranaense da Poesia

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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