Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Bartolomeu Pinheiro de Lira (Entre a Gaveta e o Coração)



Remexendo as gavetas, me lembrei de certo apartamento onde moramos. Não é uma foto ou documento que me traz à tona nossa passagem por lá. Aparentemente algo tão insignificante e comum que dificilmente despertaria maior atenção, não fosse determinada característica que ela possuía.

Quando vi aquele bichinho pela primeira vez, não dei muita importância. Sempre chegava à noite do trabalho, cansado e faminto. Abria a porta maquinalmente e mal observava os dealhes, como era do meu feitio. Me preocupava apenas com a direção da chave e pronto, entrava e fechava a porta. Mas, com o desgaste da fechadura, comecei a dar uma maior atenção, uma pausa a mais. Foi quando dei de cara com uma aranhazinha. Ela não correu de imediato, quando girei a chave. Ficou me olhando cautelosamente e parecia balançar a cabeça, como uma lagartixa. Era tão minúscula que dificilmente eu poderia descrever sua reação a olho nu. Tratava-se de uma suposição. Segundos depois ela se escondia num buraquinho na madeira da parede. E isto foi tudo.

Nas noites seguintes, sempre que chegava, tomava o cuidado em não assustar a aranhazinha. Ela também tinha que ficar atenta para não ser espremida quando a porta fosse fechada. E formou-se um elo entre nós, um respeito mútuo, uma dedicação, e por que não dizer, uma amizade. Ela parecia sempre atenta aos meus passos, ao meu horário, ao cheiro do meu perfume! Minha esposa não acreditava fielmente nas minhas observações. Ficava sempre desconfiada, descrente, e muitas vezes até enciumada. Sim, porque nem sempre me dirigia a ela. Ficava parado na porta, observando se a aranhazinha iria entrar, se esconder dos predadores. Sempre apareciam insetos e bichinhos oportunistas. Era bom não vacilar.

Os meses foram passando e nossa amizade foi ficando mais firme. O carinho dela comigo foi estendido à minha esposa. A coisa ficou tão séria que tinha flagrado o bichinho se alimentando e, quando minha esposa abriu a porta para me receber, ela parou tudo e pulou em seu pulso, numa autoconfiança de surpreender. Ficamos perplexos. Parecia um pulo de satisfação. A aranhazinha ficava nos observando, olhando para um e virando para o outro. Um animalzinho de estimação. Coisinha fofa.

Certo dia, tivemos que viajar, passar alguns dias fora. Rolou uma preocupação. O que fazer agora? Pensamos em levá-la conosco. Mas onde a deixaríamos? Ela estava acostumada com aquela casinha. O clima para onde íamos era mais frio. Tudo isso pesou em deixá-la onde estava. Mas era o melhor para ela. São apenas alguns dias!

Vou confessar: senti saudades. Verdade! Era como se tivesse deixado para trás um ente querido, um amigo, sei lá! Talvez fosse uma paranóia. Ficava olhando para porta, sem acreditar que ela não estava ali. Ia ao banheiro. Mas era em vão procurar. Nada havia naquela porta.

Resolvemos antecipar nossa volta. Ficamos envergonhados em assumir a saudade daquele bichinho. Se ele precisava de carinho, se algum inseto o pegasse…

Ao chegar, corremos em direção à porta, não à fechadura. Nem chegamos a abrir a porta. Nada. Nem sinal. Esperamos desesperadamente. Resolvemos abrir a porta, fazer barulho. Nada e nada. Olhamos para o alto. Havia uma pequena lagartixa que nos olhava assustada. Imaginei que ela a havia devorado. O bucho cheinho e transparente. Chegamos tarde demais. Ficamos frustrados pela desatenção e tristes pelo falecimento do nosso bichinho de estimação. Tive uma ideia! Afinal, a esperança é a última que morre. Adentrei no nosso quarto e apanhei o frasco de perfume que costumávamos usar. Passei em uma das mãos e esperei pelo resultado. Incrível. Ela colocou a cabecinha do lado de fora do buraquinho, feliz da vida. E como foi gratificante aquele encontro! Ficamos até emocionados. Parecíamos pinto no lixo.

Mas tivemos que deixar o apartamento. Tomamos a decisão de transportar a aranhazinha conosco. Ela teria que se adaptar à nova residência. Cavaríamos um buraquinho só para ela. Não mais na porta, mas na gaveta. Protegida dos predadores e dos homens.

E é ao abrir a gaveta que lembrei do apartamento. Sim, porque é nela que se esconde o bichinho, num buraquinho bem no fundo, pra não ser incomodada. Ela vive bem feliz lá dentro. Faço tudo por ela. Quero que ela viva sempre em paz. Não quero que ela sofra. Ela mora na gaveta, no meu apartamento, no meu coração. Porque desde aquele dia da viagem, ao chegar, não a encontrei jamais.

Fonte:
http://www.bienalpernambuco.com/
Montagem da imagem utilizando imagens de http://nepo.com.br (gavetas) e http://blog.br.inter.net (coração)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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