Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

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sexta-feira, 10 de julho de 2009

Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette



A história da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette tem suas origens, ainda que indiretamente, no Grêmio Literário Napoleão Reys, fundado em Queluz de Minas, entre as décadas de 20 e 30, no século passado. Era uma época de efervescência cultural na cidade que já havia sido cognominada por Nelson de Senna, no início daquela centúria, como cidade “dos livros e das flores”. A existência do Grêmio foi efêmera, mas o espírito sensível às letras e às artes em geral continuou a mover muitos queluzenses e lafaietenses, que voltaram a tentar se reunir em um sodalício na década de 80.

Passados cerca de 50 anos, o professor Alberto Libânio Rodrigues, que por meio do jornal Panorama, o qual dirigia, dava um novo impulso às manifestações culturais, começou a reorganizar a Academia Lafaietense de Letras, tendo, inclusive, começado a divulgar a biografia dos futuros acadêmicos nas páginas de seu hebdomadário e a formar a diretoria. Mas o ideal, por motivos vários, arrefeceu-se. No entanto, o professor guardou consigo o projeto e, dez anos depois, com um grupo de idealistas como ele, reorganizou o silogeu, com a denominação de Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette (ACLCL).

A ACLCL foi instalada em 18/09/1993, em sessão solene realizada no Teatro Municipal “Placidina de Queirós”. O evento integrou a programação oficial das comemorações do 203o aniversário da emancipação política do município. O presidente de honra da sessão foi o historiador Fenelon Ribeiro, membro do Instituo Histórico e Geográfico de Minas Gerais, empossado na cadeira 9. Naquela ocasião, foram aprovados os estatutos da entidade, elaborados por uma comissão formada por um grupo de 13 intelectuais, responsáveis pela organização da entidade. Também foram empossados 65 acadêmicos.

A princípio, a ACLCL era formada por 100 cadeiras, pois seus idealizadores desejavam que ela abrangesse todos os segmentos das ciências, letras e artes, por isso demandaria um número maior de vagas, a modelo, também, do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais. No entanto, após alguns anos, deliberou-se reduzir esse número para 80, a fim de reunir apenas os expoentes das ciências e letras que sejam, realmente, uma referência em sua respectiva área, não obstante o ideal fosse ter como paradigma a Academia Francesa, assim como o fez as academias Brasileira e Mineira de Letras, com 40 cadeiras...

A primeira diretoria ficou assim formada:

Presidente - Alberto Libânio Rodrigues
Vice-presidente - Luiz Antônio da Paz
1º secretário - Márcia Terezinha Carreira Rodrigues
2º secretário - Paulo Roberto Antunes
1º tesoureiro - Geraldo Augusto de Freitas
2º tesoureiro - Aloísio do Carmo Elói.

O conselho superior compunha-se dos seguintes acadêmicos: Antônio Francisco Pereira (presidente), Efigênia Chaves Janoni (secretária), Carlo José de Menezes, João Batista Ferreira Lima, Márcio Verdolin Hudson, Benedicto Fernandes Carlos, Edir Pires.
Participaram da comissão organizadora dos atos constitutivos da ACLCL: Alberto Libânio Rodrigues, Antônio Francisco Pereira, Antônio Luiz Perdigão Batista, Benedicto Fernandes Carlos, Carlo José de Menezes, Carlos Elói Castro Trajano, Dimas da Anunciação Perrim, Fenelon Ribeiro, Geraldo Augusto de Freitas, Hortência Hudson Vilela, Márcio Verdolin Hudson e Zeni de Barros Lana.

O primeiro membro efetivo empossado por ocasião da fundação foi a acadêmica Avelina Maria Noronha de Almeida, que, na ocasião, recebeu o título de “Madrinha dos Poetas Lafaietenses”, representado por um diploma especial que lhe foi entregue durante a solenidade.

De acordo com os estatutos, são os objetivos da ACLCL:

- Promover e difundir as ciências humanas, letras e artes;
- Promover reuniões e eventos lítero-musicais, seminários e encontros nas áreas pertinentes às suas atividades;
- Exposições de arte (pintura, escultura, fotos etc.);
- Incentivar e colaborar, na medida do possível, com o incremento ao teatro, música, jograis e outras atividades afins;
- Promover cursos e concursos literários;
- Colaborar com todos os esforços particulares e oficiais que visem ao aperfeiçoamento constante do nosso idioma;
- Apoiar as manifestações culturais de Lafaiete e de outros municípios, que envolvam os interesses dos sócios da entidade nas cidades em que eles estejam residindo;
- Manter intercâmbio cultural com entidades congêneres;
- Outras atividades literárias e culturais.

A ACLCL promove as reuniões ordinárias sempre no último sábado de cada mês, às 15h, em sua sede, na Casa de Cultura “Gabriella Mendonça”. Também são promovidas, mensalmente, uma Reunião de Estudos, cada uma com um tema específico, bem como as sessões solenes em ocasiões especiais, como no aniversário de fundação, a 18 de setembro, e no final do ano, quando são premiados os vencedores do Concurso Literário Internacional Prêmio Cidade de Conselheiro Lafaiete.

A sede da ACLCL abriga uma biblioteca contendo, principalmente, trabalhos dos acadêmicos e de seus patronos. A este acervo se juntaram outros, por doação, como o do Monsenhor José Sebastião Moreira, do Dr. Luís Bonifácio Lafayette de Andrada e do fundador Prof. Alberto Libânio Rodrigues. Também na sala-sede da entidade está o arquivo com as pastas dos acadêmicos, contendo documentos e trabalhos vários, e a galeria de fotos dos patronos das cadeiras.

Os membros

As categorias de membros da entidade são: membros efetivos, aqueles que ocupam uma determinada cadeira; membros correspondentes, os que residem fora de Lafaiete; membros eméritos, concedido àquelas pessoas que se destacam pela qualidade de sua obra ou atuação no meio cultural, mas que, por algum motivo, estão impedidas de cumprir com as disposições estatutárias, mas mantêm uma relação de cordialidade com a ACLCL, engrandecendo-a mais e mais.

Atividades diversas

Desde a sua fundação, a ACLCL desenvolve diversos projetos. Alguns tiveram execução temporária, outros se mantêm até hoje, como o das Academias Mirins criadas nas escolas. A proposta é incentivar o hábito de leitura nos alunos e a produção literária. Hoje, esse projeto já dá bons frutos, graças à dedicação da acadêmica Lêda Maria Augusta Vieira de Faria, que não mede esforços, mesmo com as limitações que a saúde lhe impõe. Na Escola Estadual “Professora Maria Augusta Noronha”, por exemplo, já foram quatro edições da antologia “Escrevendo com a alma”, com trabalhos dos alunos. Nessas escolas realizam-se, também, as Olimpíadas Literárias, surpreendendo, a cada ano, com um número maior de livros lidos por eles, que são argüidos sobre as obras.

Esse projeto nas escolas fortaleceu-se, mais ainda, após o lançamento do Movimento Caravelas. Idealizado pelos acadêmicos Avelina Maria Noronha de Almeida e Carlo José de Menezes, a declaração assinada em 1999 propunha a inserção, na grade curricular do ensino fundamental ou médio, do estudo da Literatura Mineira. O projeto foi muito bem recebido nos meios intelectuais de Minas, no entanto, a Assembléia Legislativa de Minas Gerais não atentou pela sua importância e logo o resumiu a um “adendo” à matéria de Literatura geral que já existia no currículo.

Diversas datas históricas marcantes são lembradas pela Academia, em suas reuniões e publicações, como o aniversário de nascimento ou de morte dos patronos das cadeiras ou de algum vulto célebre. Vários livros de acadêmicos também foram lançados durante as festividades da entidade. Há também a promoção de uma Exposição Bienal Temática de Pintores Lafaietenses, reunindo os nomes expressivos das artes plásticas na cidade.

A ACLCL, promovendo a difusão dos acadêmicos e escritores lafaietenses, mantém a publicação do Informativo Caravelas e apóia a edição da antologia “Lafaiete em Prosa e Verso”, desde 1994, onde publica-se o Anuário da Academia, com as principais efemérides. Sempre que possível, apóia também a publicação de outras obras, tendo já realizado a do poema épico “Queluzíadas”, de autoria do Prof. Alberto Libânio Rodrigues, que canta, em versos decassílabos (a exemplo de Camões), a história de Conselheiro Lafaiete, desde os tempos de Carijós e Queluz. Sua publicação foi comemorativa no cinqüentenário de seu nascimento, em 2004.

Assim, a ACLCL dá continuidade aos trabalhos, inspirada na gesta de seus fundadores, tendo como norte a promoção e difusão das ciências e das letras, soando aos ouvido de seus membros a sonoridade poética do canto que envolve as suas armas: Labore scriptisque ad immortalitatem.

Fonte:
Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafayette

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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