sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Rafael Arráiz Lucca (1959)

(Caracas, 3 de janeiro de 1959) é um ensaísta, poeta, historiador e professor venezuelano.

Atualmente, Arráiz é professor da Universidade Metropolitana de Caracas (Unimet). Desde 2001 está cedido à "Fundação para a cultura urbana" de Caracas. Se licenciou advogado em 1983 pela (Universidade Católica Andrés Bello - UCAB), especialista em comunicações integradas em 2002 (Unimet) e Mestrado em História em 2005 (UCAB). Foi presidente de Monte Ávila Editores e Diretor do Conselho Nacional da Cultura. É membro da Academia de Gastronomía Venezuelana desde 2004. Em novembro de 2005 convidado a ingressa na Academia de Letras da Venezuela como indivíduo de Número, ocupando a cadeira 5, em reconhecimento a sua obra intelectual.

Escreveu vários livros de poemas incluindo: Balizaje (1983), Terrenos (1985), Almacén (1988), Litoral (1991), Pesadumbre en Bridgetown (1992), Batallas (1995), Poemas Ingleses (1997), Reverón 25 poemas (1997) y Plexo Solar (2002).

Escreveu também ensaios como: Venezuela en cuatro asaltos (1993), Trece lecturas venezolanas (1997), Vueltas a la patria (1997), Los oficios de la luz (1998), El recuerdo de Venecia y otros ensayos (1999), El coro de las voces solitarias, una historia de la poesía venezolana (2002) y ¿Qué es la globalización? (2002).

Es autor de una Antología de Poesía Venezolana (1997); de El libro del amor (Antología de poesía amorosa universal, 1997) y de la selección Veinte poetas venezolanos del Siglo XX (1998).

Desde 1983, Arráiz Lucca escreve semanalmente uma coluna de opinião no diário El Nacional. Prêmio Municipal de Literatura 1993 com a obra El abandono y la vigilia, no gênero: Poesia.

Poesias:

Dieciocho

¿Acaso no son tres las dimensiones
que salvan al plano de su opacidad
y causan el prodigio del volumen?
¿No son tres las personas del verbo
y la trinidad un misterio divino?
¿No fueron tres las veces que negaron a Cristo
y no fue el tercero el día de su resurrección?
¿No son tres los poderes de la república
y un tercero el fruto de dos?
¿No empuña Poseidón un tridente
y tres los sujetos de un engaño?
¿No son tres los lados del tallo de un papiro
y triangulares los cuatro planos de la pirámide
y el trébol de cuatro hojas la excepción más infrecuente?

Cuatro

He muerto.

Desde que el desvarío de mis pupilas
anunciaba el estado de coma,
mis hijos han permanecido como canoas
en los costados del lecho.
Hilda, la enfermera que me asiste en el tránsito,
cata las intermitencias del pulso cada vez más lejano,
oye los murmullos de un gato agonizante sobre los rieles del tren.
Mis ojos abiertos están en blanco
y mi boca se abre aspirando las últimas bocanadas
del aire dichoso.
Un latigazo eléctrico sacude mis piernas
como el estertor del toro después de la puntilla:
mi corazón ha dejado de latir.

He muerto.

La sangre ha dejado de recorrer mi cuerpo en su frenesí.
Lo que sustentaba mi piel como una vieja promesa
le ha cedido el espacio al color amarillento de los papeles
decrépitos.
Soy una suerte de hoja ocre plagada de hongos,
un papiro abandonado sobre el tope de una nevera
inservible.
Mi sangre, que durante años fue fiel en su periplo rutinario,
no recibe el impulso para su itinerario retórico.
Soy una casa olvidada por la suerte del fuego
que le ha dejado su reino al hielo más seco.

He muerto.

Una sola instrucción he dejado a mis deudos:
al apoderarse de mí la tiesura,
abran las ventanas para que mi alma encuentre su rumbo,
déjenla ir,
no interpongan ningún obstáculo a su vuelo,
el aleteo de las palomas que se anuncian
con el carraspeo de sus gargantas
les anunciará la ascensión del espíritu que encontró en mí
la hospitalidad de un cuerpo romo,
poco filoso, naturalmente tibio, herbívoro,
proclive al regazo de las hembras.

He muerto.

Las campanas de la iglesia vecina han propagado su eco
a la misma hora de mi nacimiento:
son las doce y treinta del mediodía de una fecha imprevista.
No recuerdo cuántos años han pasado desde mi llegada,
pero sé que la misma luz que me recibió me despide.

He muerto.

Asciendo en volandas hacia un espacio de luz
más blanco que las volutas de algodón,
pero nada hay en mi vuelo que perturbe la paz
de creer que he concluido todas mis batallas.
Atrás queda la ventana de mi apartamento
y más lejos aún la cama donde he rendido mis últimas fuerzas.
Ya Caracas es un paisaje abstracto que se divisa
entre el fragor de las nubes quiméricas.
Ya América se escruta entre la bruma
con su figura de trompo alargado y difuso.
Ya la tierra es una sola esfera azul que se achica
como una fortuna majestuosa que se pierde en el tiempo.

He muerto.

Asciendo hacia el punto donde todas las preguntas
adquieren respuesta.
Voy entrando en un túnel que acelera mi vuelo,
soy lo que siempre he sido:
una mínima partícula amada por un Dios memorioso.
Mis fragmentos de pronto han sido tocados
por el rayo de la totalidad:
todo en un segundo lo comprendo.
Las escenas centrales de mi tiempo terreno,
de las que ignoraba su carácter principal,
han salido al damero del entendimiento ejecutando su danza.
Todos los puntos que no advertía cercanos
han revelado ahora sus conexiones ocultas:
una araña teje su tela en la penumbra,
tengo en mis manos el Aleph de Carlos Argentino Daneri.

He muerto.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Categoria:Escritores_da_Venezuela
http://www.festivaldepoesiademedellin.org/pub.php/en/Revista/ultimas_ediciones/62_63/arraiz.html

Khaled Hosseini (1965)

(Cabul, 4 de Março de 1965) é um romancista e médico afegão, com naturalização estadunidense. É o autor do romance best seller, O Caçador de Pipas.

Biografia

Hosseini nasceu na capital do Afeganistão, Cabul. Sua mãe era professora de uma escola de segundo grau para garotas em Cabul. Seu pai se envolveu com o Ministério do Exterior afegão. Em 1970, o Ministério do Exterior enviou sua família para o Teerã, Irã, onde seu pai trabalhou para a Embaixada Afegã. Em 1973, Hosseini e sua família retornam à Cabul. Em Julho de 1973, na mesma noite em que nasce o irmão mais jovem de Hosseini, o reino do Afeganistão muda de mãos através de um golpe sem derramamento de sangue.

Em 1976, Khaled Hosseini e sua família se mudam para Paris, França, por conta do novo emprego do seu pai. Eles não voltam ao Afeganistão porque, enquanto estavam em Paris, comunistas tomaram o poder do país por meio de um golpe cruel. Deste modo, foi consentido à família Hosseini, asilo político, nos EUA, onde passaram a residir em San Jose, Califórnia. Suas propriedades foram todas deixadas no Afeganistão e eles foram forçados a sobreviver com ajuda governamental por um curto período.

Hosseini graduou-se na escola secundária em 1984 e inscreveu-se na Universidade de Santa Clara, onde ganhou título de Bacharel em Biologia, em 1988. Após alguns anos, ele ingressou na Universidade da Califórnia, San Diego, escola de Medicina, onde recebeu o título de Doutor em Medicina em 1993. Ele completou o período de residência em Medicina Interna na Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, no ano de 1996. Khaled Hosseini continua praticando medicina.

Influências

Quando Hosseini era criança, leu desde poesias persas à romances como "Alice no País das Maravilhas" e a série do detetive "Mike Hammers", do escritor Mickey Spillane. As memórias de um Afeganistão pré-invasão soviética e suas experiências pessoais, o levaram a escrever o seu primeiro romance, The Kite Runner (O Caçador de Pipas). Um homem hazara, chamado Hossein Khan, trabalhou para os Hosseini quando eles moravam no Irã. Quando Hosseini estava cursando seu terceiro grau, ensinou Khan a ler e a escrever. Ainda que o relacionamento com Hossein Khan tenha sido breve e um tanto formal, a afeição de Hosseini por esta rápida amizade serviu como inspiração para o relacionamento entre Hassan e Amir em O Caçador de Pipas.

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Khaled_hosseini

Schneider Carpeggiani (Cronica: 100 anos e a imortalidade pela frente)

Como uma tentativa de preservar a cultura do estado, a academia pernambucana de letras foi fundada no tempo em que o recife vivia seu jeito francês de ser.

Sempre ranzinza e irônico, o escritor Carlos Heitor Cony certa vez disse que não conseguiria levar muito a sério um século no qual ele vivia. Mesmo para quem teve de conviver diariamente com o Século XX, é difícil fazer um balanço equilibrado desses últimos 100 anos, que deixaram a impressão de ter passado rápido demais para a quantidade de pestes e feitos, alguns fundamentais outros deliciosamente fúteis, que deixou como legado: duas guerras mundiais, Aids, ditaduras abomináveis, Internet, a guitarra elétrica, o astro pop, o videocassete, o CD... A lista é interminável.
Com pouco mais de 20 dias de vantagem em relação ao contraditório século que acaba de se encerrar, a Academia Pernambucana de Letras comemora no dia 26 de janeiro o seu centenário - fundada por Carneiro Vilela, como a Terceira do Brasil, só perdendo para a Brasileira e a Cearense. Singular desde o seu princípio, tanto por ter permitido o ingresso de nomes que se distinguiam não só no campo da literatura, mas também no da filosofia, ciências e história, pela eleição vitoriosa da primeira mulher a fazer parte de uma instituição de letras, a professora e poeta Edwiges de Sá Pereira - como pelo caráter irreverente do seu registro civil, escrito, em tom humorístico, pelo poeta Gregório Júnior:

"Ergamos, pois a nossa própria estátua!
Dos célebres nós temos monopólio,
Deixemos a modéstia vil e fátua.
Fundada a grei, a nossa panelinha,
Exclame cada um no capitólio -
Zoilos, tremei! Posteridade, és minha"

A fundação da APL pode ser encarada como uma tentativa de sobrevivência da cultura pernambucana, que se via ameaçada pelos problemas econômicos do Estado, que já não era mais a potência de antes. Até meados do Século XIX, o Recife era um dos maiores centros culturais do Brasil. Para isso, dois fatos colaboravam de forma fundamental: pela sua posição geográfica, (esse era o primeiro destino de navios vindos da Europa para a então capital do Brasil, Rio de Janeiro). Antes de chegar à corte, inúmeras companhias de teatro e ópera aportavam primeiro por aqui; e a Faculdade de Direito do Recife, naquele período, era uma das duas únicas do Brasil. Intelectuais de todas as partes, como Castro Alves, acabavam vindo estudar na cidade, criando um intenso intercâmbio cultural.

Enquanto surgia, a APL via o Brasil começar a ser dominado pela chamada "república do café com leite", centrada em São Paulo e Minas Gerais, que não precisava do nosso açúcar para "adoçar" a mistura do poder.

Naquele princípio de século, continuávamos sendo um mero satélite espiritual da França. A tal ponto que nossa vida intelectual podia ser comparada com o que acontecia na Rússia czarista, onde os membros da aristocracia costumavam comunicar-se em francês, relegando o russo para as relações com os criados. Reza a lenda que, no centro do Recife, havia até um mendigo que pedia esmolas no idioma de Racine. "Donnez moi l" argent, si vous plait", pedia aos passantes, surpresos diante de tal refinamento.

As idéias que orientavam os fundadores de nossa República, aglutinando-se ao Positivismo, eram de origem francesa. Lia-se muito Anatole France, Zola, Flaubert e Maupassant. A grande exceção nesse terreno era o ferino português Eça de Queiroz. A "ecite" contaminava a todos - alguns gostavam outros não. Indiferença era o que não havia.

Para os mais abastados, nada como fluir anualmente à cidade-luz. Nenhum outro destino era melhor para, digamos, a cabeça. No campo da literatura, ela se tornava um laboratório de tendências. Parnasianismo ou simbolismo? Realismo ou naturalismo? Ao mesmo tempo em que Machado de Assis penetrava de maneira sutil na alma humana, revelando suas ambigüidades, Aluízio de Azevedo contrapunha a esse realismo psicológico um naturalismo à Zola, no qual as mazelas sociais assumem o primeiro plano.

O Recife vivia sua belle époque tardia dos anos 20 na Esquina do Lafayette. Era por lá que os intelectuais, especialmente os poetas, se reuniam para conversar sobre literatura, a sua e a dos outros - o que, até hoje em dia, ainda deve ser bem mais interessante.

Em seu ensaio "A Esquina do Lafayette", o acadêmico da APL Rostand Paraíso ressaltou que naquele tempo o Recife vivia uma verdadeira "febre" de academias paralelas à APL: "Houve o Cenáculo Pernambucano de Letras que, segundo Luiz do Nascimento, seu participante, morrera da doença da desídia e do abandono. Da mesma doença, haviam desaparecido a Academia Recifense de Letras, de Fernando Pio e Mauro Mota, o Silogeu Pernambucano de Letras, de Berguedof Elliot, o Grêmio Recifense de Letras, a Falange Literária Dr. Oliveira Lima, e o Cenáculo da Livraria Silveira, entre outras instituições que chegaram a ter seus momentos de glória". Nesse período, a Academia Pernambucana de Letras tinha apenas 20 cadeiras. Um número reduzido para abrigar a quantidade de intelectuais que habitavam o Recife. Em 1921, o número subiu para 30 e, finalmente, em 1960, para 40 cadeiras, igualando-se à Academia de Letras Francesa, o padrão para todas as outras.

Apesar de viver em uma cidade cheia de crioulas tradições francesas e repleta de intelectuais, a APL não repetia o seu glamour em termos econômicos. A grande prova disso é que suas reuniões aconteciam em salas emprestadas do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico do Recife. "O certo é que quase todas as Academias no Brasil passaram por grandes dificuldades financeiras para terem condições de funcionar como desejavam seus criadores. A Casa de Machado de Assis (a Academia Brasileira de Letras) sofreu grandes dificuldades nos seus primeiros tempos. Não possuía sede desejada. Rodrigo Otávio e outros valores intelectuais chegaram a ceder parte de seus escritórios de advocacia para abrigar colegas intelectuais. Não foi diferente com a Casa de Carneiro Vilela (como é conhecida a instituição)", declara o atual presidente da APL, Luiz de Magalhães, reeleito por quatro vezes por unanimidade.
A sede de fato da Academia, situada na Rui Barbosa, número 1596, só foi doada em 1966, durante o governo de Paulo Guerra, que assumiu o comando do Estado após Miguel Arraes ter sido exilado devido ao golpe militar de 64. Interessante foi que o pedido de Luiz Delgadom então presidente da APL, para o governador declarava que todos os acadêmicos eram "uns pobretões".

O solar que hoje abriga a APL havia sido residência do barão Rodrigues Mendes, no Século XIX. Na época em que foi doado, estava tão abandonado que as vacas dos herdeiros tiravam o seu merecido descanso noturno nos salões onde hoje se reúnem os acadêmicos.

Cedido o casarão, os móveis e obras de arte da Academia foram doados, em sua maioria, pela sociedade pernambucana da época. Inclusive por Dom Helder Câmara.
E foi nessa sua atual sede que a APL recebeu o ingresso de dois senhores com estilo notadamente anti-acadêmico, mas cuja obra falava por qualquer ato excêntrico ou mesmo pela ausência de postura: João Cabral de Melo Neto e Gilberto Freyre, eleitos por unanimidade.

João Cabral, sempre introspectivo e avesso a solenidades, nem mesmo foi à sua posse. Alegou estar doente. "Não tenho qualquer lembrança da presença de João Cabral na Academia", lembra o presidente Luiz de Magalhães. Já Gilberto Freyre, despojado e sem maiores rodeios, não se conteve em reclamar do demorado discurso proclamado por Waldemar Lopes durante sua posse. "Minha bunda já está doendo" - disse, levando todos os presentes a cair na gargalhada.

Com uma história marcada por problemas financeiros, feministas, anti-acadêmicos e postura à francesa de ser, a APL chega aos seus 100 anos com uma recepção em 26 de janeiro, na qual será entregue a medalha do centenário para os seus 40 membros, entidades e personalidades homenageadas. "A data que vamos comemorar será o coroamento vivo do que foi possível traduzir ou realizar em homenagem à cultura, como para dar relevo e dignidade à própria instituição a que pertencemos", declarou Luiz de Magalhães.

Durante a recepção que marca o centenário, será realizada a inauguração da nova sala de reuniões da instituição, cujo nome do patrono ainda será escolhido.

Lista dos primeiros acadêmicos da APL :
Antônio Joaquim Barbosa Viana; João Gregório Gonçalves; Bianur Gadault Fonseca de Medeiros; Carlos da Costa Ferreira Porto Carreiro; Gervásio Fioravanti Pires Ferreira; Arthur Orlando da Silva; João Batista Regueira Costa; Joaquim Maria Carneiro Vilela; Francisco Augusto Pereira da Costa; Eduardo de Carvalho; Alfredo Ferreira de Carvalho; José Antônio de Almeida Cunha; José Isidoro Martins Júnior; Henrique Capitolino Pereira de Melo; Ernesto de Paula Santos; Joaquim José de Faria Neves Sobrinho; Sebastião de Vasconcelos Galvão; Luiz de França Pereira; Manuel Teotônio Freire; Celso Vieira.

Fonte:
http://apl.iteci.com.br/

Academia de Letras (Origem)

Para a maioria, o termo "academia de letras" é tão compreensível, tanto em definição, critérios para escolha de seus membros e função, como uma tábua etrusca: ilegível e totalmente por fora da realidade. Não é bem assim. Para se entender melhor o que ela significa, é necessária uma não muito breve viagem no tempo.

A primeira academia foi uma escola fundada, próxima a Atenas, quase quatro séculos antes de Cristo, por Platão e dedicada às musas. Era formada por uma biblioteca, uma casa e um jardim. Pela tradição, o jardim teria pertencido ao herói ateniense Academus, da guerra de Tróia, nome que deu origem ao termo "academia". Nessa escola, de maneira informal, mestres e discípulos trocavam experiências sobre filosofia, matemática, música, astronomia e legislação. Os jovens seguidores do filósofo dariam continuidade a esse trabalho que viria a se constituir num dos capítulos mais importantes da história do saber ocidental.

As mais conhecidas academias gregas foram a Antiga Academia, fundada por Platão, que teve como um dos seus discípulos Aristóteles; a chamada Academia do Meio, fundada pelo filósofo platônico grego Arcesilaus; e a Nova Academia, fundada pelo filósofo grego Carneades. Essa tradição, que deu origem a todas as academias e universidades de ensino superior do Ocidente, foi interrompida com o seu fechamento pelo imperador romano Justiniano, em 529 depois de Cristo.
Nos séculos XIII e XIV, quando o renascimento começou a tirar a Europa das trevas da Idade Média, seguindo a tradição clássica, diversas academias de poetas e artistas começaram a se estabelecer na França e Itália. A mais famosa, a Accademia Platônica, fundada em Florença por volta de 1440, se dedicou a aprofundar o discurso da obra de Platão, Dante e do aprimoramento da língua italiana.

Em 1635, com a finalidade de tornar a língua francesa "pura, eloqüente e capaz de tratar das artes e ciências", com autorização do rei Luís XIII, o Cardeal Richelieu funda a Academia Francesa, que até hoje serve de base para todas as outras academias. Constituída por 40 cadeiras, cujos ocupantes perpétuos são eleitos pelos mais antigos, depois de apresentarem suas qualificações. É interessante ressaltar que durante o discurso de posse, o novo acadêmico tem de lembrar os seus antecessores. Provavelmente, devido a essa lembrança, que sempre tem de ocorrer, surgiu a origem da enigmática expressão `acadêmico imortal`.

Em seu livro Inútil Poesia, a professora Leyla Perrone-Moisés definiu da seguinte forma o desenvolvimento da literatura nos séculos posteriores à formação da Academia Francesa de Letras: "Como atividade autônoma, ela data de meados do Século XVIII. Como instituição e matéria de ensino, ela alcança o seu auge de prestígio no período que vai do início do Século XIX até meados do Século XX. Seu prestígio decorria, então, de uma determinada concepção de cultura, que implicava a estima consensual pelas humanidades e a valorização da tradição escrita. Essa tradição estava sacramentada num cânone, fundamentada em determinados valores, o qual orientava a organização dos programas e manuais escolares".

Então capital brasileira e com uma vida cultural marcada por reunião de intelectuais e diversas publicações voltadas à literatura, o Rio de Janeiro foi a sede da primeira academia de letras brasileira. Em pontos de encontro como a livraria Garnier, surgiu a idéia de sua fundação, inicialmente proposta por Lúcio Mendonça, que toma forma em 1896. Em seu comando, o presidente Machado de Assis e, como primeiro-secretário, um nome pernambucano, Joaquim Nabuco.


Fontes:
FUNDAÇÃO Joaquim Nabuco. Disponível em http://www.fundaj.gov.br/notitia/

Academia Pernambucana de Letras

A Academia Pernambucana de Letras foi fundada em 26 de janeiro de 1901, no Recife, por Joaquim Maria Carneiro Vilela e outros escritores pernambucanos da época, com um total de 20 cadeiras tendo como objetivo "promover a defesa dos valores culturais do Estado, especialmente no campo da criação literária".

É uma instituição civil, de utilidade pública e foi a terceira academia de letras fundada no Brasil. A primeira foi a do Ceará, criada em 1894, três anos antes da Academia Brasileira de Letras (1897).

No início, as reuniões da APL eram realizadas em salas do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano. Em 1966, passou a funcionar em sede própria, num casarão na Av. Rui Barbosa, n. 1596, que pertenceu ao Barão Rodrigues Mendes, João José Rodrigues Mendes um comerciante português. O Governo do Estado de Pernambuco, na época do então governador Paulo Guerra, desapropriou o imóvel, doando-o à Academia, através do Decreto n.1.184, de 14 de janeiro de 19666. O edifício-sede da Academia é conhecido como a Casa de Carneiro Vilella.

Os móveis e as obras de arte foram doados, em sua maioria, pela sociedade pernambucana, incluindo doações do arcebispo Dom Helder Câmara.

Em 1911, foi aumentado o número de acadêmicos de vinte para trinta e, em 1960, passou para quarenta cadeiras, por sugestão do acadêmico Mauro Mota. Compõe-se hoje de quarenta membros, podendo ter o mesmo número de sócios correspondentes, residentes em outros Estados ou no Exterior.

Os acadêmicos não usam o fardão, como na Academia Brasileira de Letras. O fardão foi substituído por um colar dourado, com medalhão distintivo.

A APL possui uma biblioteca, um auditório e edita a Revista da Academia Pernambucana de Letras, que apesar de ter uma periodicidade irregular, é publicada desde 1901. Promove e estimula iniciativas de caráter cultural, concede prêmios literários, medalhas, troféus e títulos honoríficos, realiza cursos, reuniões e simpósios destinados ao estudo, pesquisa e discussões sobre literatura, especialmente a pernambucana.

Atualmente é presidida pelo Acadêmico Waldenio Porto (Cadeira nº 15).

Os patronos das cadeiras são pernambucanos, com exceção de Bento Teixeira, da Cadeira nº 1, que se declarou português.

Podemos citar alguns Acadêmicos como:

Amílcar Dória Matos - Nasceu no Recife, a 24 de janeiro de 1938. É bacharel em Direito pela Universidade de Pernambuco, e possui o diploma de Mestrado em Direito Comparado da Southern Methodist University, do Texas, Estados Unidos. Jornalista profissional, tendo trabalhado em jornais como O Estado de São Paulo e Jornal do Commercio, recebeu diversos prêmios pelos seus trabalhos na área de ficção. Entre eles: Prêmio Recife de Humanidades e Prêmio José Conte. No terreno de ficção, suas principais obras são: A Morte do Papa, A Trama da Inocência, Os Olhos da Insônia, Os Doze Caminhos, Cartas ao Espelho. Nos últimos anos, começou a se dedicar também à poesia, com o lançamento de dois livros de poemas.

Ariano Suassuna - Nasceu em João Pessoa, na Paraíba, em 16 de junho de 1927. É advogado, professor, teatrólogo e romancista. É o idealizador do Movimento Armorial, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. É também acadêmico da Academia Brasileira de Letras. Entre as suas principais obras estão: Romance da Pedra do Reino, Auto da Compadecida, O Santo e a Porca, Farsa da Boa Preguiça, O Rico Avarento e O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna. O filme O Auto da Compadecida, baseado no seu livro, tornou-se a maior bilheteria da história do cinema nacional.

Cláudio Aguiar - Nasceu a 3 de outubro de 1944, em Paranga, CE. Formado em Direito, é também Doutor pela Universidade de Salamanca, na Espanha. Entre suas principais obras, estão: Os Espanhóis no Brasil, Franklin Távora e Seu Tempo, Suplício de Frei Caneca e Caldeirão. Autor de inúmeros ensaios e romances, atua também como dramaturgo. Para 2001, espera a montagem de sua adaptação do livro A Emparedada da Rua Nova, de Carneiro Vilela, que realizou para o teatro.

Flavio Chaves - Pernambucano, nascido em Carpina, a 17 de outubro de 1958, onde fez os seus estudos primários e secundários, com passagem pelo seminário Salesiano. Iniciou sua carreira literária com o livro de poesia Digitais de um Coração, em 1983. E tem como suas principais obras os livros Poemas de Sal e Sol, Aragem do Subterrâneo, Território das Lembranças e Aragem do Subterrâneo. Idealizou e organizou no Recife, junto à Fundarpe e UNICAP, a I Caminhada Poética Brasileira. É filiado à União Brasileira de Escritores, UBE - Secção Pernambuco, exercendo o cargo de presidente nos biênios 95/96, 97/98, tendo sido reeleito novamente em 99/2000.

Francisco Bandeira de Melo - Nasceu no Recife, a 29 de abril de 1936. Formou-se em Direito pela UFPE e trabalhou, nos anos 50, como jornalista do Jornal do Commercio. No mesmo veículo, desde 91, escreve crônicas aos domingos. Foi assessor da Delegação do Brasil junto a ONU, em 63, quando nesse período colaborou como correspondente para publicações na revista Manchete. Exerceu os cargos de presidente da Empetur e Secretário de Cultura, Turismo e Esportes do Estado de Pernambuco. Entre suas principais obras estão Pássaro Narciso, Sol Amargo e o recente Baú de Espelhos, coletânea com poemas novos e antigos.

Jarbas Maranhão - Nasceu em Nazaré da Mata, a 22 de janeiro de 1916. É formado em Direito pela UFPE. Participou da fundação de numerosas entidades técnicas e culturais, entre elas o Instituto Rui Barbosa, de São Paulo. Recebeu medalhas de mérito e comendas por instituições culturais e órgãos do poder público, entre as quais a Comenda da Ordem dos Guararapes, a Comenda da Ordem do Capibaribe e a Comenda da Ordem Camoniana. É Cidadão Benemérito do Estado do Rio de Janeiro. Tem mais de 30 livros publicados sobre temas jurídicos, políticos ou literários.

Lucila Nogueira - Carioca, nascida a 30 de março de 1950, radicou-se no Recife no mesmo ano. É poeta, crítica, tradutora, professora de literatura portuguesa e brasileira, língua portuguesa e teoria da literatura do Departamento de Letras da UFPE. Seus poemas já foram traduzidos para o inglês, espanhol, francês e alemão. Tem como seus principais trabalhos Peito Aberto, Livro do Desencanto, Ilaiana, Zingamares, Imilce, todos eles de poesia. Para 2001, espera a publicação do livro Amaya, pela editora portuguesa Arion e a sua primeira coletânea de contos.

Luiz Marinho - Nasceu em Timbaúba, PE, a 8 de maio de 1926. Dividiu sua formação intelectual entre sua cidade natal e Recife. Na prática, teve sua vida profissional ligada ao trabalho na Caixa Econômica Federal. É considerado um dos maiores nomes da dramaturgia pernambucana, sendo o autor de Um Sábado em 30, uma das peças de maior sucesso do Estado, entre outras como A Incelença e Viva o Cordão Encarnado, esta última ganhadora do "Prêmio Molière" Pertence ainda à União Brasileira de Escritores - Seção Pernambuco.

Maria do Carmo Barreto Campello de Melo - Nasceu no Recife, a 21 de julho de 1924. Passou parte da infância no Rio de Janeiro. Jornalista profissional, atualmente está aposentada como técnica de Comunicação Social da Sudene. Com diploma de bacharela em Letras Clássicas e licenciada na mesma disciplina, tem cursos de pós-graduação e de aperfeiçoamento em literatura e língua portuguesas pela UFPE. Foi colaboradora por três anos do Jornal do Commercio, do Recife, e realizou diversas palestras sobre literatura e condição feminina. Atuou no Magistério como professora de latim, português e literatura brasileira e portuguesa. Suas principais obras são: Música do Silêncio - I e II, Ser em Trânsito, Miradouro, e Retrato do Abstrato.

Maria do Carmo Tavares de Miranda - Nasceu em Vitória de Santo Antão, no dia 6 de agosto de 1926. É bacharela e Licenciada em Letras Clássicas, bacharela em Filosofia pela UFPE, doutora em Filosofia pela Sorbonne, na França e doutora e docente-livre em filosofia pela UFPE. Foi diretora-geral do Seminário de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco, pesquisadora efetiva de centros internacionais de pesquisa e membro titular da Academia Internacional de Filosofia de Arte e da Academia Brasileira de Filosofia. Entre os seus principais trabalhos estão: Pedagogia do Tempo e da História, Educação no Brasil, Os Franciscanos e a Formação do Brasil e tradução, introdução e anotações de Da Experiência do Pensar, de Martin Heidegger.

Milton Lins - Nasceu no Cabo, em 20 de julho de 1927. Fez o curso primário com professoras particulares em Recife. Em 1947, ingressou na Faculdade de Medicina. Estagiou no Hospital das Clínicas de São Paulo, em cirurgia torácica. Em 1963, ganhou bolsa de estudos do Governo da França, estagiando em Paris, no Serviço do Prof. Charles Dubost. Fez estágio de atualização no Hospital Metodista de Houston e no Texas Heart Institute, nos Estados Unidos. Entre suas principais obras estão Livro Preto, Prestações de Contos, Recontando Histórias, O Sino Escarlate e, em 1988, traduziu toda a poesia rimada e metrificada de Arthur Rimbaud. Para 2001, prepara mais dois volumes de tradução de autores franceses e ingleses.

Pelópidas Soares - Nasceu em Catende, em 27 de março de 1922. Em sua cidade, fundou colégios, clubes culturais e recreativos, bibliotecas, jornais e revistas, ao mesmo tempo que publicava artigos e poemas em jornais do interior e da capital. Tem vários poemas traduzidos para o espanhol. É também autor de teatro de bonecos, e suas peças O Boato e O Porre foram representadas por várias cidades do Estado. Entre os prêmios, recebeu o troféu Cultura Viva de Pernambuco, pela FUNDARPE, e o título de sócio-honorário da Sociedade Brasileira de Médicos e Escritores - Seção Pernambuco.

Waldemar Lopes - Nasceu em Periperi, 1 de fevereiro de 1911. Sua formação e vida intelectual foi realizada entre Pernambuco e Rio de Janeiro. Serviu à Organização dos Estados Americanos, de 1954 a 1976, como diretor-adjunto e diretor de seu escritório no Brasil. Pertence a várias instituições técnicas e culturais, tanto no Brasil quando no Exterior. Recebeu vários prêmios literários no terreno da poesia. Entre suas principais obras estão: Legenda, Os Pássaros da Noite e Jogo Inocente.

Waldenio Porto - Nasceu em Caruaru, em 29 de junho de 1935, onde fez seus estudos primários e secundários. Na mesma cidade, colaborou com o jornal A Vanguarda. No Recife, formou-se em medicina e fez seu curso de pós-graduação em cirurgia no serviço do Professor Fernando Paulino, no Rio de Janeiro. Faz parte da Sociedade Brasileira de Médicos e Escritores (SOBRAMES). Entre suas principais obras estão: As Vinhas da Esperança e Quando se Cobrem de Verde as Baraúnas. Nasceu em Caruaru, em 29 de junho de 1935, onde fez seus estudos primários e secundários. Na mesma cidade, colaborou com o jornal A Vanguarda. No Recife, formou-se em medicina e fez seu curso de pós-graduação em cirurgia no serviço do Professor Fernando Paulino, no Rio de Janeiro. Faz parte da Sociedade Brasileira de Médicos e Escritores (SOBRAMES). Entre suas principais obras estão: As Vinhas da Esperança e Quando se Cobrem de Verde as Baraúnas.

A Academia distribui prêmios literários regularmente, em edições anuais, em diversas categorias:
Prêmio Othon Bezerra de Mello;
Prêmio Pereira da Costa);
Prêmio Faria Neves Sobrinho;
Prêmio Geraldo de Andrade;
Prêmio Leda Carvalho;
Prêmio Gervásio Fioravanti (Poesia);
Prêmio Vânia Souto de Carvalho (Ensaio);
Prêmio Nanie Siqueira Santos (Poesia – não inédito);
Prêmio Dulce Chacon (Livro de autora pernambucana);
Prêmio Amaro de Lyra e César (Poesia);
Prêmio Antônio de Brito Alves (Ensaio);
Prêmio Edmir Domingues (Poesia);
Prêmio Leonor Carolina Corrêa de Oliveira (História de Condado e Goiana);
Prêmio Amaro Quintas (História de Pernambuco);
Prêmio Roval de Contos.

Fontes:
FUNDAÇÃO Joaquim Nabuco. Disponível em http://www.fundaj.gov.br/notitia/

http://apl.iteci.com.br/

PARAÍSO, Rostand. Academia Pernambucana de Letras: sua história, v. 1 e v.2 . Recife: APL, 2006. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Academia_Pernambucana_de_Letras

PERNAMBUCO -
http://www.pe-az.com.br/pernambuco/pernambuco.htm
Academias Postadas:
- Academia de Letras de Maringá

Expressões e Suas Origens = Letra A (Deonísio da Silva)

Estas expressões encabeçam cada página ímpar do livro De Onde Vêm As Palavras, Editora Mandarim. O autor apresenta a etimologia das palavras em ordem alfabética, sendo um verdadeiro dicionário.

A bom entendedor, meia palavra basta
Esta frase, dando conta de que não são necessárias muitas palavras para um bom entendimento entre as pessoas, está coberta de sutilezas, pois sugere que os interlocutores compreendem o sentido exato do que se disse por meio das mais leves alusões. Às vezes, é pronunciada também como advertência ou ameaça disfarçada de boas intenções. Os franceses são ainda mais sintéticos: para bom entendedor, meia palavra. E os espanhóis dizem: a bom entendedor, meio falador. A frase consagrou-se no famoso livro Dom Quixote de la Mancha, do celebérrimo Miguel de Cervantes Saavedra (1547-1616).

A burrice é contagiosa; o talento, não.
Esta é uma das muitas frases célebres da autoria do crítico literário Agripino Grieco (1888-1973), famoso por tiradas cheias de verve e maledicência, proferidas contra pomposos escritores nacionais, até então convictos de que, dado o ofício que praticavam, muitas vezes confundido com sua posição social ou política, não poderiam ter suas obras criticadas, a não ser em comentários favoráveis. O corajoso paraibano, entretanto, culto e irônico, não poupava ninguém e levou à posteridade uma obra de crítica literária desassombrada, imune às tradicionais igrejinhas e confrarias tão presentes na cultura brasileira. Entre seus livros estão Vivos e mortos, Recordações de um mundo perdido e Gralhas e pavões.

Abre-te sésamo
Esta frase reúne as palavras mágicas e cabalísticas que, proferidas pelo herói do episódio "Ali-Babá e os quarenta ladrões", das Mil e uma noites, resultam na abertura da porta misteriosa da caverna onde eram guardados os tesouros. Aqui está presente também a etimologia para explicar o significado de sésamo, em latim sesamum, que é uma planta em cujas sementes, muito pequenas e amareladas, está contida numa cápsula que se abre sem muita pressão. O sésamo nada mais é do que o nosso popular gergelim, utilizado nas padarias para o fabrico de pães especiais e outras delicadezas de sabor muito raro.

A casa da mãe Joana
A expressão ‘casa da mãe Joana’ alude a lugar em que se pode fazer de tudo, onde ninguém manda, uma espécie de grau zero de poder. A mulher que deu nome a tal casa viveu no século XIV. Chamava-se, obviamente, Joana e era condessa de Provença e rainha de Nápoles. Teve vida cheia de muitas confusões. Em 1347, aos 21 anos, regulamentou os bordéis da cidade de Avignon, onde vivia refugiada. Uma das normas dizia: "o lugar terá uma porta por onde todos possam entrar". ‘Casa da mãe Joana’ virou sinônimo de prostíbulo, de lugar onde impera a bagunça, mas a alcunha é injusta. Escritores como Jean Paul Sartre, em A prostituta respeitosa, e Josué Guimarães, em Dona Anja, mostraram como o poder, o respeito e outros quesitos de domínio conexo são nítidos nos bordéis.

A crítica não ensina a fazer obras de arte; ensina a compreendê-las
Frase do jornalista e romancista carioca Raul d’Ávila Pompéia (1863-1895), patrono da cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras. Foi também diretor da Biblioteca Nacional, cargo atualmente ocupado pelo poeta, crítico e ensaísta Affonso Romano de Sant’Anna. Os críticos nem sempre foram bem entendidos, mas freqüentemente hostilizados. O autor do famoso romance O ateneu foi um dos poucos escritores que, com isenção, esforçaram-se por praticas ou entender a crítica. Seu contemporâneo francês, também romancista, Gustave Flaubert (1821-1880), tinha opinião radicalmente contrária. Segundo ele, era crítico quem não podia criar, assim como tornava-se delator quem não podia ser soldado.

Acta Est Fabula
O cuidado com dois momentos decisivos das narrativas, o começo e o desfecho, resultou na criação de formas fixas como "era uma vez" para a abertura das fábulas, e "foram felizes para sempre", para a conclusão. No teatro romano, o fim dos espetáculos era anunciado aos espectadores com a frase acima, que significa "a peça foi representada". O imperador romano Caio Júlio César Otaviano Augusto escolheu esta frase como última a ser pronunciada por ele antes de morrer. Tinha feito uma administração tão primorosa que o século em que viveu foi chamado pelos historiadores de o século de Augusto.

Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura
Utilizada para designar a pertinácia como virtude que vence qualquer dificuldade, por maior que seja, esta frase perde-se nas brumas do tempo, mas um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio (43 a.C.-18 d.C), autor de célebres livros como A arte de amar e Metamorfoses, que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase para que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio portugueses e brasileiros.

Alea Jacta Est
O general e estadista romano Júlio César (101-44 a.C.) pronunciou esta frase, que significa ‘a sorte está lançada’, em 49 a.C., durante a campanha da Gália. Ele decidira atravessar o rio Rubicão, transgredindo a lei do Senado romano que determinava o licenciamento das tropas toda vez que um general de Roma entrasse na Itália pelo norte. A tradição consagrou-a como sinônimo de decisão importante, tomada após reflexão e seguida de risco. É lembrada quando se quer ressaltar ou não há mais possibilidade de voltar atrás, nem que se queira. Célebre em razão de quem a pronunciou em situação tão dramática, tem sido com freqüência para ilustrar decisões irrevogáveis.

A imprensa é o quarto poder
Esta frase, que expressa em boa síntese a importância que tem a imprensa, deve sua criação ao escritor e grande orador britânico Edmund Burke (1729-1797). Ao lado dos três poderes clássicos de uma sociedade democrática, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, a imprensa seria o quarto poder pela influência exercida sobre as votações do primeiro, as ações do segundo e as decisões do terceiro. Quem mais divulgou a frase em seus escritos, defendendo a mesma concepção, foi o famoso historiador e crítico inglês Thomas Carlyle (1795-1881). A imprensa foi sempre importante também para nossas letras. Os primeiros romances brasileiros foram publicados em jornais e revistas.

A mulher é a porta do diabo
Esta famosa frase foi originalmente dita e escrita em latim – mulier janua Diaboli – por Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona, na África, doutor da Igreja e um dos pilares da teologia cristã e da filosofia ocidental. Antes de proferi-la, entretanto, levou vida amorosa das mais conturbadas, entregando-se a prazeres que depois condenou. Sua conversão é atribuída às orações de sua mãe, sobre quem escreveu um texto famoso, o Panegírico de Santa Mônica. Para um dialético como Agostinho, nada mais sintomático: sua salvação e perdição foram obras femininas. "A mulher é a porta de Deus" também poderia ser uma frase agostiniana.

A política não é uma ciência, mas uma arte.
Frase pronunciada pelo lendário príncipe, chefe militar e estadista prussiano, Otto von Bismarck (1815-1898), que fez da Alemanha uma grande potência, garantindo-lhe unidade não apenas territorial, pois com ele o povo alemão conquistou sua autonomia. Para tanto, Bismarck enfrentou sérias dificuldades e ousou sustentar uma de suas guerras até mesmo contra o partido católico. Além disso, deu especial atenção às classes trabalhadoras, protegendo-se numa espécie de socialismo de Estado. A frase acima foi dita pela primeira vez num discurso pronunciado em alemão no dia 18 de dezembro de 1863 e desde então insistentemente repetida em muitas outras línguas.

A pressa é inimiga da perfeição
Esta frase antológica passou ao acervo de ditos célebres pela pena do famoso jurisconsulto brasileiro Rui Barbosa de Oliveira ao comentar a rapidez com que se redigia o Código Civil Brasileiro, que trouxe em sua versão final preciosas anotações do mestre. Os detalhes sempre foram importantes, nas redações das leis como nas obras artísticas. Ao longo dos carnavais, várias foram as escolas de samba que perderam pontos importantes pelo desleixo com pormenores. O águia de Haia, como era chamado por sua atenção em famosa conferência que pronunciou na Holanda, acrescentou que a pressa é também "mãe do tumulto e do erro".

Assim é, se lhe parece
Frase de autoria do célebre escritor italiano, Prêmio Nobel da Literatura em 1934, Luigi Pirandello (1967-1936), autor de contos, romances e peças de teatro. Algumas de suas obras foram transpostas para o cinema. Seus livros mais conhecidos são O falecido Matias Pascal, Seis personagens à procura de um autor e Assim é, se lhe parece, comédia em três atos que discute a busca da verdade. Dois dos principais personagens, o senhor e a senhora Ponza, por meio de diálogos, apresentam um espelho da vida provinciana, no estilo habitual do autor, marcado por fina ironia, grande dose de sarcasmo, mas também grande compaixão humana. A frase passou a ser usada para encerrar uma discussão.

As mulheres perdidas são as mais procuradas
Cantores e cantoras, como Roberto Carlos e Sula Miranda, muso e musa de caminhoneiros, a quem dedicaram várias de suas canções, souberam inspirar-se num imaginário rico em metáforas, presente em frases como esta, extraída do pára-choques de um caminhão. Tendo abandonado os projetos de ferrovias, o desenvolvimento brasileiro dos anos de pós-guerra deu preferência ao transporte rodoviário. Formou-se, então, um tipo de profissional que está presente desde então na cultura brasileira, não apenas com o trabalho importantíssimo que realiza, inclusive carregando este livro até você, leitor, mas também em frases picantes, aludindo a amores passageiros que podem durara penas por um trecho de suas longas viagens.

À sombra de um grande nome
Esta frase tem sua origem na expressão latina Magni nombris umbra, encontrável em vários escritores antigos que escreviam em latim, entre os quais Lucano (39-65) e seu tio Sêneca (4 ªC.-65 d.C.), o primeiro lamentando a rápida transformação do seu caráter do grande general romano Pompeu (106-48 a.C.) que abandonou suas virtudes guerreiras ao tornar-se paisano, ainda que sob os eflúvios solenes da toga. A frase é citada quando um grande homem, por seus atos, faz com que se apaguem antigas lembranças de feitos memoráveis que o credenciaram à admiração, mas que vão para a vala comum dos esquecimentos em virtude de seus desvios. As boas recordações são apagadas e o povo passa a relembrar apenas os malefícios da grande figura. É também utilizada para identificar quem faz o mal à sombra de um bom nome, como ocorre a auxiliares de vários governantes.

A Terra é Azul
Esta frase foi a declaração do cosmonauta soviético Yuri Alekseyevich Gagarin (1934-1968), o primeiro a fazer um vôo espacial, a bordo da nave Vostok 1, em 12 de abril de 1961. Antes dele, a cadelinha Laika, também soviética, se é que se pode dar nacionalidades a cachorros, foi o primeiro ser vivo a ir ao espaço, no Sputnik 2 (um dos dez satélites soviéticos lançados a partir de 1957), mas morreu ao entrar em órbita. Gagarin disse a famosa frase quando contemplou a Terra de um lugar onde homem nenhum estivera. Não foi apenas um pioneiro, mas alguém que, a bordo de sofisticada tecnologia da época, lançou um olhar humano sobre o planeta e soube expressá-lo com simplicidade e poesia.

Até que a morte os separe
A história desta frase prende-se às cerimônias de casamentos, principalmente dos ritos cristãos, que concebem os laços do matrimônio como indissolúveis. Está presente em numerosas narrativas, sejam contos, novelas, romances ou poesias. Integra também a ensaística que trata das relações entre marido e mulher na estrutura familiar. Um de seus mais antigos registros foi feito pelo apóstolo São Paulo (10-67) em sua Primeira Epístola aos Coríntios, em que se esforça para demonstrar aos leitores e ouvintes daquela famosa carta que os laços que unem homem e mulher no casamento foram instituídos, não pelos homens, mas por Deus, ainda no paraíso.

Até tu, Brutus?
A história desta frase famosa, comumente aplicada a situações de traição, remonta ao episódio que resultou no assassinato do grande imperador, estadista e general romano Caio Júlio César (101-44 a.C.), vítima de conspiração organizada por senadores e aristocratas e liderada, entre outros, por Marco Júnio Bruto (85-42 a.C.), nos idos de março de 44 a.C. A vítima defendeu-se quanto e como pôde de punhais e espadas, até que reconheceu entre os que o atacavam e feriam o próprio filho adotivo. Ao vê-lo, teria pronunciado esta frase que o historiador Suetônio celebrizou em A vida de César. O enteado pagou caro por tramar a morte do pai e, derrotado, suicidou-se dois anos depois.

Ave, Maria!
Uma das mais célebres frases de todas as religiões cristãs, significando salve, Maria! Foi transcrita do Evangelho de Lucas 2, 28, constituindo-se na saudação com que o anjo Gabriel anunciou à Virgem Maria que ela estava grávida do Espírito Santo e iria ganhar um menino a quem deveria pôr o nome de Jesus. Tão famosa ficou a expressão que tornou-se tema e título de diversas obras artísticas, como pinturas, esculturas e até músicas. É também o nome de uma das mais notórias orações, que tem uma segunda parte acrescentada às palavras proferidas pelo anjo Gabriel no momento da anunciação. Ave já era forma de saudação na antiga Roma, como o clássico Ave, Caesar.

A vida é breve
Esta frase constitui o primeiro dos célebres aforismos de Hipócrates (460-377 a.C.), que o escreveu originalmente em grego, precedido de outra frase: a arte é longa. Tem sido muito citada ao longo dos séculos, e o cantor e o compositor Tom Jobim foi um dos que a aproveitaram, inserindo-a nos versos de uma de suas famosas músicas, porém em ordem inversa para fazer a rima: "breve é a vida". O pai da medicina, ainda que praticando uma ciência, reconheceu ser a arte mais duradoura do que a vida, inaugurando assim uma linhagem de médicos escritores, presentes em todas as literaturas do mundo, incluindo a brasileira, em que se destacam autores que exerceram a medicina como ofício principal.

A voz do dono
Tornou-se célebre a figura de um cão ouvindo um fonógrafo, acompanhada desta expressão que foi utilizada por um fabricante de discos e de um aparelho destinado a reproduzir os sons gravados. A frase teria sido pronunciada pela primeira vez por Thomas More (1478-1535), depois transformado em santo, quando atuava como juiz de uma causa entre sua esposa e um mendigo. Lady More trouxera para casa um cachorrinho extraviado e um dia um mendigo apresentou-se como dono do animal. Querendo ser justo, o famoso humanista inglês pôs sua esposa num dos cantos da sala e o mendigo no outro, ordenando que cada qual chamasse ao mesmo tempo o cachorrinho, que estava no meio dos dois. Sem vacilar, o animal correu para o mendigo, reconhecendo a voz do dono. Para não deixar muito triste sua esposa, o marido pagou uma moeda de ouro pelo cãozinho.

A voz do povo é a voz de Deus
A expressão veio do latim vox populi, vox Dei, traduzida quase literalmente. Há milênios o povo simples considera que o julgamento popular é a voz de Deus. Tal crença tem raízes na cultura das mais diversas procedências. Tudo começou em Acaia, no Peloponeso, onde o deus Hermes se manifestava em seu templo do seguinte modo: o consulente entrava, fazia a pergunta ao oráculo, depois do que tapava as orelhas com as mãos e saía do recinto. As palavras errantes ditas pelos primeiros transeuntes seriam as respostas divinas. Perguntava-se a um deus, mas era o povo quem respondia. No Brasil, um instituto de pesquisa de opinião pública chama-se Vox Populi e foi um dos primeiros a prever a vitória de Fernando Collor nas eleições presidenciais de 1989 por larga margem. Curiosamente, não previu seu afastamento. Teria faltado a vox Dei?

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Deonísio da Silva é catarinense, ou catarinauta, como diz, de Siderópolis, onde nasceu em 1948. Em 1976, pelas mãos de Rubem Fonseca, publicou seu primeiro livro, Exposição de Motivos, logo premiado pelo MEC e transposto para teleteatro por Antunes Filho, ao qual seguiram A Mulher Silenciosa, Orelhas de Aluguel, A Cidade dos Padres. Em 1991 recebeu o Prêmio Internacional Casa de las Américas pelo romance Avante, Soldados: para Trás. Seu romance Teresa, lançado em 1997, baseado na vida de Teresa D'Ávila, foi premiado pela Biblioteca Nacional e transposto para teatro antes mesmo de ser publicado. Doutor em letras pela USP, é professor da Universidade Federal de São Carlos.

Fonte:
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=curiosidades/docs/vempalavras1
P.S.: As Letras G, H e I foram postadas em dezembro de 2007.

De onde vêm nossas palavras (Hélio Consolaro)

Tudo tem a sua história. A língua portuguesa não é diferente. Toda língua possui uma história que se confunde com a de seus falantes, ou seja, o seu povo. O português também é assim. Nossas palavras vêm de várias fontes. Vejamos:

1ª) Fonte primária e básica é o LATIM FALADO, que os filólogos denominam de "latim vulgar". Este latim era levado pelos soldados romanos a cada região conquistada pelo império. Em cada terra, os soldados romanos se misturavam na convivência, que também gerou uma mistura lingüística do latim vulgar com a língua nativa do lugar, dando origem a vários idiomas, como: português, castelhano, catalão, provençal, francês, rético, italiano, sardo, dalmático (morto) e romeno.

A Península Ibérica foi conquistada no século III A.C.. Nela habitavam celtas, iberos, fenícios, gregos e outros grupos. Celso Cunha diz que poucas palavras destes povos permaneceram no português, como: balsa, barro, carrasco, louça, manteiga e alguns sufixos.

2ª) LATIM ESCRITO usado pela Igreja Católica e pelos intelectuais, de onde nasceram as palavras eruditas no português, como: celeste, fascículo, homúnculo, lácteo, miraculoso (de milagre).

3ª) Outras línguas, quase sempre neolatinas, das quais recebemos palavras que tiveram origem também no latim, como "amistoso", ligado à palavra castelhana amistad (no português amizade), do latim amicitate.

4ª) Invasões estrangeiras. Os visigodos, no século V, como os árabes, do século VII ao XV, estiveram na Península Ibérica, por isso há no português várias palavras de origem gótica, como: albergue, bando, guerra, trégua; de origem árabe, como: alface, álcool, cifra, faquir, tripa, xadrez.
De 1580 a 1640 Portugal permaneceu sob o domínio espanhol, são desta época o espanholismo, como: alambrado, granizo, hombridade, neblina redondilha, tablado, vislumbrar.

5ª) Imigrações. Já no Brasil, o português sofreu influência dos negros, que foram trazidos como escravos, como acarajé, candomblé, dengue, vatapá. Recebemos palavras também do povo nativo, os índios, principalmente nos nomes dos acidentes geográficos e das cidades. Depois dos europeus e asiáticos vindos ao Brasil no final do século XIX e início do século XX, como: italianos, espanhóis, japoneses. Por isso, o português do Brasil foi se distanciando do português de Portugal.

6ª) Influência cultural. A intelectualidade brasileira já sofreu forte influência cultural da França, por isso temos palavras importadas do francês, como: chique, croqui, tricô, menu, omelete, purê, sutiã. Atualmente sofremos uma influência forte do inglês norte-americano, como: basquete, vôlei, boxe, ringue, uísque, nocaute, cartum, filme. Havendo muitas palavras que conservam a ortografia inglesa, como: marketing, software, overnight, holding, lobby.

E o português continua aberto à importação de termos estrangeiros, principalmente em tempos de globalização.

*Hélio Consolaro é professor do Ensino Médio, cronista diário da Folha da Região.

Fonte:
http://www.portrasdasletras.com.br/pdtl2/sub.php?op=curiosidades/docs/origens

Palavras e Expressões Regionais do Pernambuco

Ababacado, Abestado – Bobo, tolo, idiota.
Abiscoitado – Bobo, ingênuo.
Abisuntado - Enganado, lesado.
Abufanar – Provocar; irritar; perturbar.
Acertar na veia - Fazer a coisa com exatidão; dar o tiro certo.
Acochado – Destemido, valente.
Acunhar - Perseguir, chegar junto.
Afolozado – Folgado.
Alcoviteira – Pessoa que faz intermediação ou apóia namoro proibido.
Aloprado – Ousado.
Alpercata - Sandália de couro cru.
Aluado – Meio louco.
Amarrar-o-bode – Ficar de mau humor.
Amojada – Prenhe, grávida.
Amolegado - Coisa remexida, mole; pessoa frouxa.
Amundiçado – Desprovido de bons modos; mal-educado.
Ancho - Feliz, contente; metido.
Aperriado – Aflito, irritado.
Apoquentado – De cabeça quente; irritado.
Aprochegar - Aproximar-se; se enturmar.
Arenga – Briga.
Ariado – Sem rumo, desorientado.
Aruá – Bobo, idiota.
Arregar – Pegar carona sem ser convidado; usufruir de algo sem pagar.
Arremedar - Imitar, geralmente os pássaros.
Arretado – De boa qualidade, excelente.
Arriado – Enamorado, apaixonado.
Arrilique - Remédio eficaz, santo remédio.
Arribar – Partir, fugir.
Arrocha-o-nó - Agir com firmeza.
Arrudiar - Dar a volta pelo lado de fora ("O moleque arrudiou o circo, procurando um buraco pra entrar").
Arupemba – Peneira.
Avexar – Apressar .
Avia – Apressa, agiliza ("Avia logo com esse serviço, menino!").
Babão - Puxa-saco.
Baitola - Bicha, homessexual masculino.
Baixa-da-égua - Lugar muito distante.
Balai-de-gato - 1. Situação confusa; 2. Coisa muito ruim.
Baleado – Ligeiramente embriagado.
Bambo - Por acaso, por sorte (Não sabia o endereço, acertou no bambo).
Barata-de-igreja – Beata.
Barroada – Choque, batida entre dois ou mais automóveis.
Bascui – Sujeira, entulho.
Bater-fofo - Falhar, não cumprir o prometido.
Berrante - Revólver, arma de fogo.
Bexiga – Coisa ruim; situação complicada.
Bexiguento - Patife, cretino.
Bicada – Dose de aguardente, dose de bebida alcoólica.
Bicado – Embriagado.
Bigu – Carona.
Bila – Bola de gude.
Bip – Pessoa insistente; pessoa pegajosa; pessoa que fala muito.
Biritado – Bêbado, embriagado.
Bizu - Cola de prova; fraude em vestibular.
Boca-quente - Pessoa influente, importante.
Bodeado – Chateado; embriagado.
Bode-moco - Pessoa com problema de audição.
Borrego – Filhote de cabra.
Brebote – Comida com baixo teor de nutrição.
Bregueço - Objeto sem valor, desprezível.
Brenhas - Lugar longe e de difícil acesso.
Bruaca – Mulher feia.
Bujinganga – Conjunto de objetos variados, sem ou de pouco valor; miudezas.
Bunda-nacasta – Cambalhota.
Buruçu – Confusão.
Cabra – Pessoa não identificada; pessoa má; trabalhador braçal.
Cabrita – Menina-moça, moça sapeca.
Cabroeira – Grupo de cabras, pessoas.
Cabuetar – Denunciar.
Cabuloso – Chato; desagradável (O sujeito é muito cabuloso).
Cachete – Comprimido.
Cafofa - No futebol, chute fraco, sem força.
Caixa-dos-peito - Tórax (O cabra levou um tiro bem na caixa-dos-peito).
Caixa-prego - Lugar muito distante.
Califon - Sutiã, corpete.
Calombo - hematoma, galo, caroço.
Calunga – Aquele que trabalha descarregando caminhão.
Cambota - Pessoa de joelhos separados, que caminha de pernas abertas.
Canso - Cansado; Informação velha (Ele casou com ela porque quis, mas estava canso de saber que ela não prestava).
Cão chupando manga - Muito competente no que faz.
Capiongo - Desanimado, triste, abatido.
Caritó – Estado da mulher que envelheceu e não conseguiu casar (Ela ficou no caritó).
Carraspana - Bebedeira, cachaça.
Catatau - Entulho, amontoado de objetos.
Catinga – Mau-cheiro.
Catombo - Parte elevada de alguma superfície; hematoma.
Catota - Secreção nasal, meleca.
Catrevage - Coisa velha, objetos sem valor.
Cavalo batizado - Grosseiro, estúpido.
Cavernosa - Pessoa ou coisa misteriosa.
Chamar-na-grande - Advertir seriamente.
Cheleléu - Puxa-saco, xaleira.
Chililique – Desmaio.
Chirimbamba - Mundiça, ralé.
Chirre – Sopa rala, caldo sem consistência.
Chumbado - Meio embriagado.
Chupitilha – Refresco.
Cocorote – Cascudo.
Coivara - Ajuntamento de galhos preparativo na queimada.
Comunismo – Carestia (Os preços na feira hoje estavam um comunismo).
Conxambrança – Acordo entre duas ou mais pessoas, com objetivo de ação maldosa.
Corta-jaca – Intermediário de namorados.
Corpete - Sutiã.
Cotoco – Pedaço muito pequeno de um objeto (O lápis está só no cotoco).
Couro-de-pica – Diz-se da pessoa ou situação que vai e volta freqüentemente sem nada resolver.
Cromo – Calendário.
Curriola – Grupo de pessoas da baixa classe social.
Cuvico - Pequeno cômodo.
Dar o grau - Caprichar num serviço.
Dar o prego - Enguiçar, quebrar (o carro deu o prego na subida da ladeira).
Derna – Desde.
Derrubado – Feio; decrépito.
Desenxavido – Desinibido.
Desopilar - Descontrair .
Desmilinguido – Magro; sem vigor.
Despachada – Pessoa desinibida; pessoa folgada.
Despautério – Desaforo.
Despanaviado – Desajeitado; tonto.
Desunerar – Engrolar; ficar mal cozido ou mal assado; comida fora do ponto.
Difunço – Gripe, resfriado.
Disgramado - Atrevido ou sujeito desgraçado.
Dois gatos pingados - Platéia minúscula, pouca gente.
Do tempo do ronca - Muito antigo, fora de moda, ultrapassado.
Embarrigar – Engravidar, ficar grávida.
Emburacar - Entrar sem pedir licença.
Empazinado - Estado daquele que comeu além da conta.
Empeleitada – Empreitada, trabalho com pagamento previamente ajustado.
Emprenhar – Engravidar.
Empombar - Implicar.
Empulhado - Pessoa constrangida, sem graça diante de uma situação.
Encangados – Unidos, inseparáveis.
Encasquetar - Ficar com idéia fixa em alguma coisa
Encruar - Emperrar; empacar.
Engembrado - Dolorido, esfolado (Depois da corrida, fiquei com o corpo todo engembrado).
Engrisilha – Situação confusa; coisa enrolada.
Entonce – Então.
Entupido – Pessoa com prisão de ventre.
Escafedeu – Sumiu, desapareceu.
Escurrupichado - Muito comprido, esticado.
Esparro – Arrogância.
Espinhela caída - Doença na coluna vertebral.
Espoletado – Brabo; inconseqüente.
Espragatar – Esmagar (Ele caiu e ficou espragatado no chão).
Esprivitado - Agitado, atrevido.
Estabanado – Destemperado.
Estalecido – Gripe, resfriado.
Estambocar - Quebrar partes do reboco da parede.
Estoporar - Explodir; passar da conta; gastar em excesso (Ele estoporou todo o dinheiro apurado).
Estribado – Endinheirado, rico.
Estrupício - Aquilo ou a pessoa que dá trabalho, que sobrecarrega a vida de alguém ("Aquele menino é o estrupício da minha vida!").
Esturricar – Secar ao sol em demasia.
Farnesim – Gastura, arrepio, comichão, agitação nervosa.
Farofa - Enganação; pose (Ele muito frouxo, só tem farofa).
Farrapar – Não cumprir, falhar (Assumiu o compromisso comigo mas farrapou; o motor do meu carro está farrapando).
Febrento - Chato; mau-caráter.
Ferrado - Derrotado; em situação de apuro.
Fita - Amostração; que só tem pose.
Foi o bicho – Foi excelente.
Folote - Frouxo, folgado, afolozado.
Frege – Agitação, reboliço, festa ou função de aparência má.
Fubento – Desbotado, velho, surrado (O paletó do médico está fubento).
Fubica – Carro velho, imprestável.
Fuleiro – Usa-se para classificar objeto sem valor ou pessoa que não cumpre o prometido.
Fuleragem – Atitude desprezível.
Furdunço – Briga, bagunça, confusão.
Futricar – Bisbilhotar, remexer.
Fuxico – Mexerico, intriga, fofoca.
Gaia – Traição ao cônjuge, infidelidade conjugal.
Gaiato - Gozador.
Gaitada – Gargalhada.
Galalau – Homem de alta estatura.
Garajau – Grade feita em madeira para transportar galinhas.
Gargantilha - Homossexual masculino.
Gasguita - Mulher de voz estridente.
Gastura – Mal estar estomacal; arrepio.
Goga – Empáfia, soberba.
Góia – Resto, ponta de cigarro.
Gota-serena – Enraivecido, irado (Ficou com a gota-serena porque o time dele perdeu o jogo).
Gréia – Zombaria, gozação.
Grude – Sujeira; cola de farinha de mandioca; pessoa pegajosa.
Guelar – Apropriar-se indevidamente de algo; roubar.
Guenzo – Pessoa magra, esquelética.
Incandeado – Ofuscado.
Inguizira – Coisa ou situação complicada.
Inhaca – Mau-cheiro, fedor, catinga.
Injiado - Enrugado.
Inté – Até.
Interar – Completar.
Istruir – Desperdiçar, estragar (É pecado istruir comida).
Jabá – Propina; qualquer comida sem muito preparo, grosseira.
Jabaculê – Dinheiro; propina.
Jaburu – Mulher feia.
Jamanta – Pessoa grande e gorda.
Jararaca – Mulher que gosta de brigar, valente.
Jerico - Jumento; pessoa ignorante, burra.
Lambedor – Xarope caseiro.
Lambisgóia – Mulher magra, esquelética; mulher namoradeira.
Lacraia – Escorpião; mulher de gênio mau.
Lapada – Dose (Tomei apenas uma lapada de cachaça).
Latumia - Conversa sem controle, algazarra, confusão.
Lero – Conversa descontraída, sem compromisso.
Leseira – Bobagem, idiotice.
Leso – Bobo; Pessoa esperta que se faz de boba para levar vantagem.
Liseu – Estado de quem está sem dinheiro (Maria está num liseu que faz pena).
Loiça – Homossexual masculino.
Lombrado – Cansado.
Lumia – Clareia.
Lundu – Saudade.
Macaca – Estado de pessoa irritada, raivosa (Ele estava com a macaca).
Maçaroca – Grande quantidade de objetos desordenados (Era uma maçaroca de papel).
Madorna – Dormir (Vou tirar uma madorna).
Mafuá - Bagunça; confusão.
Malamanhado – Mal vestido.
Malassada – Omelete.
Maloqueiro - Moleque, vagabundo.
Maluvida – Pessoa sem educação, malcriada.
Mangote – Grande grupo de pessoas (Tinha um mangote de velhas na missa).
Manzanza – Lentidão; pessoa lenta.
Marinete - Carro tipo perua, utilitário.
Marmota - Pessoa desajeitada, mal-vestida.
Marretar – Roubar.
Mas é nada! - Interjeição indicando discordar, não permitir algo.
Mata-fome – Bolacha.
Matulão – Sacola de couro; bizaco.
Meganha – Soldado; recruta.
Meiota – Metade de uma garrafa de cachaça.
Melado - Embriagado .
Miolo-de-pote - Bobagem, conversa fiada.
Misto – Caminhão com metade da carroceria transformada em cabine para o transporte de passageiros: a outra metade leva as cargas.
Mocréia - Mulher feia; mulher sem classe.
Mondrongo – Engenhoca sem utilidade, coisa malfeita.
Mormaço – Ambiente sem ventilação, quente e úmido.
Mosqueiro – Restaurante malcuidado, sujo.
Mufino - Medroso, covarde.
Muiar – Molhar.
Mulesta-dos-cachorros - Ira, raiva (Ele ficou com a muleta-dos-cachorros).
Mundiça – Ralé, pessoa(s) sem educação.
Munganga – Careta, trejeito.
Munheca-de-pau – Motorista sem habilidade, mau motorista.
Muruanha – Muriçoca.
Murrinha - Coisa emperrada; pessoa com raiva.
Mussiça – Macia; carne sem osso.
Nebrina – Sereno.
Nesga ou Nesguinha - Pedaço pequeno, minúsculo.
Nó-cego – Dificuldade; pessoa ou coisa complicada.
Noda – Nódoa, mancha.
Novela – Situação de difícil solução, interminável.
Oitão - Corredor lateral entre a casa e o muro do quintal
Ôxe ou oxente – Exclamação de surpresa.
Pabulagem – Orgulho vão, empáfia; embuste, impostura.
Pacaia – Cigarro feito com palha e fumo de rolo.
Paia – Coisa sem valor; restos.
Pamonha – Diz-se da pessoa tola, sem iniciativa: comida de milho.
Pandemonho – Correria, confusão.
Pantim – Artimanha; trejeito; disfarce com objetivo de esconder algo a outrem.
Papagaio – Pipa; dívida não paga.
Pareia – Par; coisa ou pessoa sem igual (Na ruindade, aquele ali não tem pareia, não) .
Passado na casca do angico - Pessoa experiente, madura.
Pau-do-canto - Diz-se quando o aluno é aprovado com nota mínima (Eduardo passou no pau-do-canto).
Peba - Coisa sem valor, ruim.
Pedir penico - Fracassar, desistir.
Peguenta – Pessoa pegajosa, que não desgruda das outras.
Penca – Grande quantidade; cacho.
Penosa.- Galinha.
Penso - Torto, desalinhado.
Pereba – Ferimento, ferida.
Pia – Olha, veja.
Picinês – Óculos.
Pílula-bufante - Batata-doce.
Pindaíba – Estado de pobreza, liseu.
Pinguela – Passagem estreita, de madeira, sobre riacho.
Piniqueira – Empregada doméstica.
Piola – Ponta de cigarro.
Piquai - Objeto sem valor, peba.
Pirangueiro – Pessoa mão-fechada, pão-duro.
Pirobo - Bicha, homossexual masculino.
Pirraia – Criança, pessoa de comportamento infantil.
Pisante – Sapato.
Pitaco – Palpite.
Pitéu - Gata, mulher jovem e bonita.
Pitoco – Coisa ou pessoa pequena.
Pixaim – Cabelo encaracolado.
Pixotinho - Pessoa pequena, ainda criança.
Ponche – Refresco; suco de fruta.
Potoca - Conversa fiada, conversa besta.
Pra mode - De modo a.
Precisão – Necessidade.
Precondia – 1. Estado de tristeza, de abatimento (Depois que a mulher o deixou, ele ficou numa precondia danada) 2. Situação monótona (Sem festas, a cidade fica numa precondia horrorosa).
Presepe – Pessoa vestida com roupa espalhafatosa, desajeitada.
Presepada – Estripulia, confusão; atitude desonesta; atitude ridícula.
Presepeiro – Aquele que pratica presepadas.
Pru qui - Por aqui.
Quartim – Uma quarta parte da garrafa de cachaça.
Quartinha - Reservatório, de barro, para armazenar água, bem menor que pote.
Quartinho - Um quarto da garrafa de cachaça.
Quebra-queixo - Doce de ponto apurado, à base de coco e de castanha de caju, vendido nas ruas num tabuleiro que o ambulante carrega na cabeça.
Queijudo – Donzelo; abestalhado.
Queixão – Falar em tom arrogante, desafiador (Ele veio com queixão pra cima de mim).
Quenga – Prostituta; mulher de comportamento condenável.
Quengo – Cabeça.
Rabiçaca – Derrapada (Na curva, o carro deu uma rabiçaca e quase capotou).
Rançosa – Comida ou bebida amarga.
Rafaméia – Ralé; grupo de pessoas sem linhagem.
Reboculosa – Mulher de corpo avantajado e atraente.
Rebordosa - Reviravolta; prejuízo.
Rebutalho – Restos de qualquer coisa; coisa sem valor.
Refém – Referente a; a respeito de (Não sei nada refém ao crime).
Remosa – Comida gordurosa, carregada, indigesta.
Resmungar – Reclamar repetidas vezes, geralmente em voz baixa.
Revestrério – Reviravolta, mudança de situação para melhor ou pior.
Riba – A parte superior; em cima.
Rimueta – Vai-e-vem; situação que não se resolve.
Riúna – Botina, calçado.
Rodage – Estrada de barro.
Roendo - Sofrendo por desilusão amorosa (Ela vive o tempo todo roendo por ele).
Rojão – Ritmo puxado, cansativo.
Rolete – Rodela de cana-de-açúcar.
Ronceiro – Lento; preguiçoso.
Roncha - Mancha provocada por pancada.
Roscofe – Relógio de pulso de baixa qualidade.
Rudilha - Pano de apoio para carregar lata de água na cabeça.
Ruma – Grande grupo de pessoas ou grande quantidade de objetos (Tinha uma ruma de gente na procissão).
Saída – Pessoa desinibida, afoita, atrevida.
Saimento - Paquera agressiva, fogosa; oferecimento (Neuza tá com muito saimento pro lado do namorado).
Sair com dois quentes e um fervendo - Reagir energicamente; entrar na briga pra valer.
Sair de bandinha - Deixar o lugar discretamente, sem chamar atenção.
Sambado – Estado de coisa muito gasta, velha, surrada.
Samboque - Buraco aberto em superfície lisa; ferimento.
Sapecado - Assado apenas superficialmente.
Sarrar - Namorar agarrado; amasso.
Se abrir - 1. Achar graça; 2. Ceder (a mulher) às investidas amorosas do homem.
Se aprochegue - Venha pra cá; chegue mais perto.
Segurar cabra pra bode mamar - Facilitar as coisas para outra pessoa.
Sibito – Pessoa magra e de baixa estatura; pequeno pássaro.
Sobejo – Resto de comida.
Sobrada - 1. Diz-se da ocasião em que uma pessoa tentou realizar alguma coisa e não conseguiu; 2. Quando um carro tentar fazer uma curva e derrapa.
Sobroço – Mágoa.
Soneca – Cochilo.
Sonsa – Pessoa falsa; pessoa fingida.
Supimpa – De boa qualidade, excelente.
Sustança – Valor altamente nutritivo de um alimento.
Talaigada - Grande gole de cachaça.
Tampa - Coisa ou pessoa de grande valor; o melhor, o primeiro .
Tapa-no-beiço – Tomar uma dose de cachaça (Vamos dar uma tapa-no-beiço?).
Tapiar - Enganar; distrair.
Tá variando – Endoidecido.
Teitei - Confusão, algazarra.
Teréns – Pertences de uma pessoa; objetos pessoais.
Tico - Quantidade mínima, pequena porção.
Tição – Pedaço de madeira queimada; pessoa de cor negra.
Timbugar – Mergulhar na água de um rio ou açude.
Tiririca – Estado de uma pessoa enraivecida (Ele ficou tiririca com a acusação).
Tirrina – Tigela grande.
Toitiço - Nuca; juízo.
Tome tento - Tome juízo; se ligue.
Tô operado – Significa: Sinto, mas não posso te ajudar.
Trepeça - 1. Pessoa má; 2. Objeto sem valor.
Troço – Objeto pessoal; pessoa desqualificada.
Trojão - Mulher gorda.
Tronchura - 1. Situação embaraçosa; 2. Coisa mal-feita.
Truado – Embriagado.
Trunfa – Topete, cabeleira.
Trafuá – Briga, confusão.
Trapusapo – Em tempo recorde; o mesmo que vapt-vupt.
Trepeça – Pessoa ou coisa sem valor.
Tribuzana – Algazarra.
Troncho – 1. Inclinado; tortuoso 2. Indivíduo de vida desregrada.
Truado – Embriagado.
Trupicão – Tropeço; topada.
Trupizupe – Pessoa desajeitada.
Tufo - Molho (Arrancou um tufo de cabelo).
Tuia – Grande quantidade; muitas pessoas ou coisas.
Uruvai – Orvalho.
Urucubaca – Azarão.
Urupemba – Peneira; o mesmo que Arupemba.
Vai dar bode – Vai acabar em confusão.
Vara de tirar coco - Pessoa alta e magra.
Varapau - Homem alto e magro.
Vascui – Restos; resíduos.
Velhaco - Mau pagador.
Vexado – Que tem pressa, apressado.
Vuco-vuco – Casa que comercializa objetos usados.
Xanha – Coceira.
Xenhenhém - Conversa mole, desculpa mal dada.
Xeleléu – Bajulador.
Xêxo – Calote.
Xexeiro - Mau pagador, caloteiro.
Xilindró – Presídio.
Xilique – Mal estar; desmaio.
Xiringar - Lançar jato de água.
Xodó – Namoro; paquera.
Xoxo – Magro, franzino, raquítico.
Zambeta – Indivíduo que tem os dois pés tortos.
Zarói – Pessoa caolha, estrábica.
Zuadenteo – Barulhento.
Zureia - Orelha..

Fonte:
http://www.pe-az.com.br/especiais/pernambuques.htm

Ziraldo (Crônica: Reminiscência)

Nasci numa pequena cidade de Minas. Até aí nada demais. Muita gente nasce em cidades pequenas, distantes e quietas. Seria feliz, de qualquer maneira, se quem lê neste instante pudesse saber a alegria que existe em se nascer num lugar assim, em que as ruas pequenas e estreitas, as altas palmeiras, a água macia da chuva que cai sempre, as muitas estrelas e a lua, as pedrinhas das calçadas, a meninada, a carteira da sala de aula, a mestra e mais uma quantidade destas lembranças simples sejam, mais tarde, influências reais na vida da gente. Na vida de quem, afinal, preferiu enfrentar a cidade grande: as águas desse mar, a luz dessas lâmpadas frias, a sala fechada, triste e sem perspectivas em que se ganha a vida, a cadeira quente e insegura das tardes de ir e vir — pura fadiga — das empresas, a luta, a dura luta de ser alguém, um peixe grande em mar estranhamente grande. A verdade é que, um dia, a pensar e refletir na grama macia da pracinha da matriz, a criança decidiu sair.

E a estrada se abriu a sua frente. Vir era uma idéia. Fixa. Caminhar era fácil.

A chegada: a rua imensa, as buzinas, as luzes, sinal verde, aquela cidade grande, grande ali, na sua frente. Cada face, cada ser que passava — pra lá e pra cá — inquietamente, tanta gente, suada, apressada, sem alegria, sem alma, a alma cerrada, enrustida, cada triste surpresa era a chegada.

Cheguei. Um táxi. A mala. As esquinas. Está bem, mas, que fazer? Sentei e pensei. Pela janela da casa alta vai a vida. Seria a vida? E disse a primeira frase na cidade grande, as primeiras palavras diante da grande luta e as palavras eram: Meu Deus, que saudade! E nem um dia me separava da pracinha da matriz. Cada dia que, a seguir, vi passar, esqueci.

Diante da máquina, neste instante, há uma distância imensa entre aquele dia na missa cantada na minha igrejinha e este dia em que, diante de mim, diante de minha mulher e da minha casa feita de cidade grande, minhas filhas brincam de ser gente grande.

E elas. Que vai ser delas? Sem palmeiras, sem um pai de ar grave; sem entender a chuva a cair em jardins humildes, nas margaridas branquinhas; sem entender de lua e de estrelas — que céu aqui, pra se ver nem se vê —, sem brincar na lama das ruas, a lama das chuvas, casca de palmeira, descer as barracas, nadar sem mamãe saber, nas águas escuras, fim de quintal, quintal, quintal? sem quintal? pedrinha de calçada, marcar a canivete sua inicial na carteira da sala. Ainda bem que nasceram meninas.

Já é diferente. Será que é? Sei lá. Entre a chegada e este instante, lembrança nenhuma. Sei que cheguei.

E sei mais: que esta página está é uma grande besteira, dura de cintura, sem graça, uma m... Já se vê que quem nasceu para caratinguense nunca chega a Rubem Braga. E também tem mais: Quem é capaz de escrever uma página literária decente — igual a essa (?) — sem usar uma vez sequer a letra O? Leiam mais uma vez. Atentamente. Se tiver um — além deste aí em cima — eu como!

Fonte:
ZIRALDO. Crônicas Mineiras. São Paulo: Editora Ática, 1984. Disponível em http://www.releituras.com/ziraldo_reminiscencia.asp

José Sant' anna (Cronica: O Folclore)

"Velho é o tema, mas tão velho como o folclore é o sol, e o sol é sempre novo, quando esparge sobre o céu silencioso o ouro e a púrpura de sua flama, nos deslumbramentos do amanhecer.”

Velha é a terra, mas o rejuvenescimento constante de seu seio, abrindo-se fecundo, em flores e frutos, repete-lhe, em cada instante que passa, a ressurreição de sua mocidade eterna. Como o sol e a terra, o folclore é sempre novo, porque como o sol e a terra é também eterno e imortal.

Crescem-se-lhe as asas, em cada voejar sobre os seres, novas asas lhe nascem para suster na sua trajetória infinita.

E porque é eterno e imortal, vive o folclore em todos os seres, e espalha os tesouros imensos de sua força milagrosa.

Na infância do homem, as cantigas de ninar perpassam sob a gaze dos berços na voz carinhosa da mãe que sorri, contemplando a imagem do filhinho adormecido.

Na noite silenciosa e muda sopram aos ouvidos os acordes de uma serenata, inebriando os seres, vibrando em ternas canções de amor.

Canções que encheram a alma de nossos avós, umas e outras fizeram vibrar corações, que amaram e sofreram por nós, que, como nós, foram moços e envelheceram, que como nós, entraram na vida sob o fulgor de alvoradas de ouro e dela desertaram entre sombras e desenganos.

O folclore está em todo o meio ambiente. E põe a magia do seu gênio em toda a parte: Nas crendices, nas simpatias e nas superstições contra os ventos, as chuvas, os raios e as doenças.

E invade palácios, para fazer dançar os corações em festa, e entra na casinha pobre para minorar a dor, afugenta a tristeza e enfrenta a morte.

O folclore é como se fosse poema de amor feito em luz, do amor que cria, do amor que une, do amor que redime, do amor que purifica as almas.

O folclore espalha a paz. A paz é filha dileta do amor.

E só é feliz o homem, e só são felizes os povos, nas horas de paz, nas horas em que sob seus tetos e dentro de suas almas não pairam as apreensões da maior de todas as calamidades que os afligem, que é a guerra.

Fonte:
SANT’ANNA, José. Anuário do Folclore. Disponível em http://ifolclore.vilabol.uol.com.br/div/folclore/index.htm

O Folclore

A Linguagem criptologica

A palavra é o mais notável privilégio do homem e se transmite de geração a geração, alterando-se, as conservando o seu sentido original.

Para que se crie una linguagem, a vida social é absolutamente necessária.

O homem é dotado da faculdade de linguagem, isto é, da comunicação de seus pensamentos.

Falando, nós podemos fazer com que o nosso interlocutor nos entenda a mensagem. Nossa língua tem sons característicos, seus gestos e seus artifícios de linguagem. A linguagem é exercida, principalmente, pelos sons da voz humana.

A Linguagem Criptológica (Conversa Criptológica, Idioma Criptofônico ou Falar em Língua) é tradição popular e lembra costumes da coletividade infanto-juvenil de épocas remotas que persistem até hoje. É convencional e resulta de um prévio entendimento e conhecimento de seus adeptos.

Sua fonte natural é o povo que transmite suas experiências, isto é, sua fonte é folclore.

Sua manifestação primitiva é a linguagem oral, então é evidente que não se possa fixar a sua origem, dizendo de onde veio ou quem a inventou. É transmitida de boca em boca pelas criaturas. É anônima, pois não é de ninguém. Pertence ao povo.

A civilização pouco a pouco vem instruindo, educando e disciplinando a inteligência do homem, cerceando-lhe a imaginação, a ingenuidade e simplicidade, porém, não lhe destrói a feição folclórica, o que nos permite encontrar a linguagem criptológica como extraordinário legado de ontem à geração de hoje.

Enquanto o povo, desejando sempre uma clareza maior, simplifica, instintivamente, a língua que fala, sem se preocupar com a simples correção; de outro lado, integrantes deste mesmo povo, procuram complicá-la, com o sentido de confundir ou tomar sigilosa a emissão do pensamento.
O êxito da linguagem criptológica consiste no surpreendente segredo de transformar as variantes dos fonemas, isto é, os sons reais da palavra escapam a nossa observação; não podem ser, portanto, compreendidos pelo ouvinte destreinado. O ato complica a comunicação.

O único recurso empregado é a repetição, pois é incontestável esse valor.

Com método, com atenção, com interesse inspirado sempre no pensamento reflexivo, este passatempo revela a criança e a criança revela-se neste passatempo.

Os pré-adolescentes, os adolescentes e mesmo alguns adultos participam do Falar em Língua, porque adentra-lhes a alma, captando-lhes as reações.

E um tipo de argô (língua completamente adulterada, pois as “palavras” têm sentido só compreensível pelos que as usam ou têm interesse em conhecê-las). Só os iniciados são capazes de praticá-la, pois criam-se novos sons no sistema.

Não deixa de ser um ato de comunicação, pois há alguém que transmite a mensagem: o Emissor, e alguém que recebe essa mensagem e a compreende: o Receptor; os quais obedecem a regras certas, pré-estabelecidas, para essa linguagem fechada.

O papel do curioso é observar os fatos de linguagem para descobri-los, somente ouvindo quem fala, pois para consolidar os conhecimentos adquiridos, sem treino, só há o meio de ouvir freqüentemente os que falam, isto é, dependendo da inteligência, do raciocínio e da observação.

Existe um rico material de observação no que diz respeito a linguagem criptológica, com embaraços (sons intermediários articulados antes, depois ou no meio das sílabas da. palavra que gera esse exótico linguajar).

A linguagem criptológica é uma arte e uma técnica. Arte, porque estabelece os preceitos de uma ação prática. Técnica, porque racionaliza os preceitos desta arte. Apresenta várias funções, das quais apontamos:

a) Preparadora - coordena noções principais, totalizando particularidades que são necessárias para a comunicação. Prepara o falante para receber a instrução.

b) Motivadora - desperta entre os falantes o interesse pelo assunto. Apresenta a experiência.
c) Disciplinadora - alerta os falantes, chama-lhes a atenção para o assunto.
d) Reflexiva - leva a raciocinar e refletir sobre o assunto. Esclarece dúvidas.
e) Diagnosticadora - apura se os talantes estão ou não preparados para a conversação.
f) Recapituladora - encoraja as atividades dos falantes. Orienta a formação de hábitos. Toca nos pontos fundamentais já tratados.
g) Aplicadora - usa a teoria nos exercícios práticos.

A aprendizagem deste divertimento popular, depende, sobretudo, da associação de novos estímulos sensitivos, com padrões de memória que existem anteriormente.

Apresenta algumas vantagens:

Prende a atenção e desperta o interesse dos que a falam. Aproxima as amizades. Torna o assunto movimentado e alegre. Distrai. Educa a atenção. Toma a comunicação secreta. Exerce o autocontrole. Desenvolve um sistema de treinar a memória. É analítica e exige memória auditiva, vocal ou fônica, desenvolvendo a facilidade, tenacidade e exatidão. Vence dificuldades. Consolida os conhecimentos adquiridos. Forma o hábito de falar e ouvir.

Salvo os casos de gravidade, próprios de especialistas e psiquiatras, os exercícios freqüentes da conversa criptológica servem de terapêutica na correção de algumas anomalias da linguagem - comunicação, como algumas perturbações não muito graves:

A) Dislalia: articulação imperfeita por deficiência de estrutura nos nervos glóssicos.
B) Mogilalia: dificuldade de articulação de muitos sons, por falta do domínio dos órgãos periféricos da palavra:
-gamacismo (dificuldade de pronunciar fonemas constritivos : C, G e X = cs);
-sigmatismo (dificuldade na pronunciação do S);
-rotacismo (dificuldade de pronunciação do R)
-Lambdacismo (dificuldade de pronunciação do L).
C) Bradilalia: articulação lenta e defeituosa da palavra.

D) Bradiartria: Articulação lenta e defeituosa da sílaba.

O sigilo produz-se quando o som interposto às sílabas torna confusa a compreensão do vocábulo. Esta compreensão só é possível apenas por um esforço de atenção. A causa das transformações do som da palavra reside nas modificações impostas (determinadas) pela intercalação do vocábulo - obstáculo.

Quando pronunciamos uma palavra, com os sons partitivos da sílaba, produz-se a abertura de um caminho para a classe de fatores que vêm perturbar a regularidade da prolação dessa palavra.

Estas alterações constituem variantes extrafonológicas de uma cadeia sonora vocabular e somente, com dificuldade, se atinge o sistema fonológico da língua, pois se perde o reflexo e a generalização, na consciência social, da palavra emitida.

A alteração vai interessar somente às pessoas que fizeram os treinos, que descobriram o segredo. Pode-se comparar ao idioleto - linguagem especial, fechada, de um grupo, ou melhor, de até somente duas pessoas.

Assim sendo, a língua passará a um estágio monossilábico. A palavra se produzirá completamente pela eliminação dos vocábulos - dificuldade, na maioria dos casos artificiais, com raríssimas exceções não constituídas de vocábulos onomatopaicos, tornando-se o som da voz pelo signo dos sons da natureza, com variedades caprichosas de uma língua inteiramente “estranha”.

Pode-se, pois, afirmar que sob a influência da intromissão de vocábulos - chave, só através de maiores estorços para organizar esse tipo de língua, pode a pessoa aprender os seus segredos.

O som que se intercala, apresenta dificuldade de pronúncia para o emissor (o codificador) e também para o recebedor (o decodificador).

Com isto há uma série de fatores que perturbam a marcha normal da comunicação. Mas há palavras que não sofrem alterações. Passam a exceções. Nelas estão as partículas, palavras monossilábicas da língua.

Se o que é emitido pelo sujeito falante for compreendido por um interlocutor, constatamos um ato de comunicação pela língua (secreta), pois equivale a uma ação e é um ato da linguagem individual; o circuito lingüístico estabelecido entre o sujeito falante e o interlocutor, não deixa de representar, para eles, uma instituição social: uma língua.

Pelo estabelecimento de uma norma adotada pelos sujeitos falantes do grupo ensaiado, passa da linguagem individual à língua, e serve para um grupo de pessoas se comunicar.

É preciso que o receptor compreenda o código usado pelo emissor, pois haverá efetivamente comunicação se os dois conhecerem o mesmo código, isto é, é preciso que eles usem a mesma linguagem secreta, para a transmissão de mensagens e de comunicação.

Se ouvirmos alguém conversar numa língua que não entendemos, somos capazes de perceber os significantes, isto é, os sons que a pessoa emite, porém, não conseguimos associá-los a nenhum significado. Podemos combinar de modo pessoal o material lingüístico e dessa forma, criar a fala. Por outro lado, se houver alguém ouvindo aquela transmissão criptológica, mas que não conheça o código, poderá perceber alguma coisa, mas não poderá decifrar a mensagem, pois não é capaz de relacionar os sons a nenhum significado.

Como “coisas” de crianças e jovens, é um divertimento que se caracteriza pela vivacidade e parece misterioso. Utilizada como língua secreta e com extraordinária rapidez, maior é o desafio à perplexidade dos circunstantes.

Depois de haver aprendido, racionalmente, toda a parte básica dos truques, o participante assenhorar-se-á dos pormenores e das particularidades, formando um bom alicerce, e isto servirá para a combinação de brinquedos, recreação e distrações: jogar bola, nadar, caçar, pescar ou, ainda, para marcar encontro de rua aos namorados.

Apresenta algumas desvantagens: é cansativa, enervante. Irrita os adultos, principalmente os mais idosos, que se aborrecem por desconhecerem os segredos dessa comunicação verbal.

Hoje os tempos estão mudando. Poucas são as pessoas que ainda cultivam o passatempo da comunicação criptológica, porque precisam instruir-se, realizando ensaios. E a criançada só quer moleza.

História do Folclore

Folclore é um gênero de cultura de origem popular, constituído pelos costumes, lendas, tradições e festas populares transmitidos por imitação e via oral de geração em geração. Todos os povos possuem suas tradições, crendices e superstições, que se transmitem através de lendas, contos, provérbios e canções.

O termo folclore (folklore) aparece pela primeira vez cunhado por Ambrose Merton - pseudônimo de William John Thoms - em uma carta endereçada à revista The Athenaeum, de Londres, onde os vocábulos da língua inglesa folk e lore (povo e saber) foram unidos, passando a ter o significado de saber tradicional de um povo. Esse termo passou a ser utilizado então para se referir às tradições, costumes e superstições das classes populares. Posteriormente, o termo passa a designar toda a cultura nascida principalmente nessas classes, dando ao folclore o status de história não escrita de um povo.

À medida que a ciência e a tecnologia se desenvolveram, todas essas tradições passaram a ser consideradas frutos da ignorância popular. Entretanto, o estudo do folclore é fundamental de modo a caracterizar a formação cultural de um povo e seu passado, além de detectar a cultura popular vigente, pois o fato folclórico é influenciado por sua época.
No século XIX, a pesquisa folclórica se espalha por toda a Europa, com a conscientização de que a cultura popular poderia desaparecer devido ao modo de vida urbano. O folclore passa então a ser usado como principal elemento nas obras artísticas, despertando o sentimento nacionalista dos povos.

Características do fato folclórico

Para se determinar se um acontecimento é folclórico, ele deve apresentar as seguintes características:

- Tradicionalidade: vem se transmitindo geracionalmente.
- Oralidade: é transmitido pela palavra falada.
- Anonimato: não tem autoria.
- Funcionalidade: existe uma razão para o fato acontecer.
- Aceitação coletiva: há uma identificação de todos com o fato.
- Vulgaridade: acontece nas classes populares e não há apropriação pelas elites.
- Espontaneidade: não pode ser oficial nem institucionalizado.

As características de tradicionalidade, oralidade e anonimato podem não ser encontrados em todos os fatos folclóricos como no caso da literatura de cordel, no Brasil, onde o autor é identificado e a transmissão não é feita oralmente.

Linguagem

As principais manifestações do folclore na linguagem popular são as seguintes:

Adivinhas. Consistem em perguntas com conteúdo dúbio ou desafiador, do tipo “O que é o que é???”Como por exemplo: 1. Está no meio do começo, está no começo do meio, estando em ambos assim, está na ponta do fim? 2. Uma casa tem quatro cantos, cada canto tem um gato, cada gato vê três gatos, quantos gatos têm na casa?


Parlenda: são palavras ordenadas de forma a ritmar, com ou sem rima.

Provérbios: ditos que contém ensinamentos. Dinheiro compra pão, mas não compra gratidão. A fome é o melhor tempero. Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão. Pagar e morrer é a última coisa a fazer.

Quadrinhas: estrofes de quatro versos sobre o amor, um desafio ou saudação.

Literatura de Cordel: livrinhos escritos em versos, no nordeste brasileiro, e pendurados num barbante (daí a origem de cordel), sobre assuntos que vão desde mitos sertanejos às situações social, política e econômica atuais.

Frases prontas: frases consagradas de poucas palavras com significado direto e claro.

Frase de pára-choque: Trabalho com minha família para servir a sua

Frases de pára-choque de caminhão: frases humorísticas ou religiosas que caminhoneiros pintam em seus pára-choques.

Trava-Língua: É um pequeno texto, rimado ou não, de pronunciação difícil.

Campos do Folclore

Música

Caracteriza-se pela simplicidade, monotonia e lentidão. Sua origem pode estar ligada a uma música popular cujo autor foi esquecido ou pode ter sido criada espontaneamente pelo povo. Observa-se a música folclórica, sobretudo em brincadeiras infantis, cantos religiosos, ritos, danças e festas.

São exemplos: cantigas de roda; Ciranda cirandinha; acalantos; modinhas; cantigas de trabalho; serenatas; velório; cemitério; canto[ciranda cirandinha];

Danças e festas

As danças acompanham as músicas em vários rituais folclóricos, sendo as principais danças folclóricas brasileiras samba, baião, frevo, xaxado, maracatu, tirana, catira, quadrilha.
As principais festas são Carnaval, Festas juninas, Festa do Rosário e Congado.

Algumas lendas, mitos e contos folclóricos do Brasil

Boitatá : Representada por uma cobra de fogo que protege as matas e os animais e tem a capacidade de perseguir e matar aqueles que desrespeitam a natureza. Acredita-se que este mito é de origem indígena e que seja um dos primeiros do folclore brasileiro. Foram encontrados relatos do boitatá em cartas do padre jesuíta José de Anchieta, em 1560. Na região nordeste, o boitatá é conhecido como "fogo que corre".

Boto: Acredita-se que a lenda do boto tenha surgido na região amazônica. Ele é representado por um homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas. Após a conquista, leva as jovens para a beira de um rio e as engravida. Antes de a madrugada chegar, ele mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto.

Curupira: Assim como o boitatá, o curupira também é um protetor das matas e dos animais silvestres. Representado por um anão de cabelos compridos e com os pés virados para trás. Persegue e mata todos que desrespeitam a natureza. Quando alguém desaparece nas matas, muitos habitantes do interior acreditam que é obra do curupira.

Lobisomem: Este mito aparece em várias regiões do mundo. Diz o mito que um homem foi atacado por um lobo numa noite de lua cheia e não morreu, porém desenvolveu a capacidade de transforma-se em lobo nas noites de lua cheia. Nestas noites, o lobisomem ataca todos aqueles que encontra pela frente. Somente um tiro de bala de prata em seu coração seria capaz de matá-lo.

Iara: Encontramos na mitologia universal um personagem muito parecido com a mãe-d'água : a sereia. Este personagem tem o corpo metade de mulher e metade de peixe. Com seu canto atraente, consegue encantar os homens e levá-los para o fundo das águas.

Corpo-seco:É uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada.

Pisadeira: É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio.

Mula-sem-cabeça: Surgido na região interior, conta que uma mulher teve um romance com um padre. Como castigo, em todas as noites de quinta para sexta-feira é transformada num animal quadrúpede que galopa e salta sem parar, enquanto solta fogo pelas narinas.

Mãe-de-ouro: Representada por uma bola de fogo que indica os locais onde se encontra jazidas de ouro. Também aparece em alguns mitos como sendo uma mulher luminosa que voa pelos ares. Em alguns locais do Brasil, toma a forma de uma mulher bonita que habita cavernas e após atrair homens casados, os faz largar suas famílias.

Saci Pererê: O saci-pererê é representado por um menino negro que tem apenas uma perna. Sempre com seu cachimbo e com um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Vive aprontando travessuras e se diverte muito com isso. Adora espantar cavalos, queimar comida e acordar pessoas com gargalhadas.

TRAVA LÍNGUAS

O que são

Podemos definir os trava línguas como frases folclóricas criadas pelo povo com objetivo lúdico (brincadeira). Apresentam-se como um desafio de pronúncia, ou seja, uma pessoa passa uma frase difícil para um outro indivíduo falar. Estas frases tornam-se difíceis, pois possuem muitas sílabas parecidas (exigem movimentos repetidos da língua) e devem ser faladas rapidamente. Estes trava línguas já fazem parte do folclore brasileiro, porém estão presentes mais nas regiões do interior brasileiro.


Crenças e superstições

Sabença: sabedoria popular utilizada na cura de doenças e solução de problemas pessoais através de benzeduras.

Crendice: crença absurda, também chamada de ablusão.

Superstição: explicações de fatos naturais como conseqüências de acontecimentos sobrenaturais.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Folclore

SANT’ANNA, José. Linguagem Criptológica. Disponível em http://ifolclore.vilabol.uol.com.br/div/verbal/index.htm

SANT’ANNA, José. Anuário do Folclore. Disponível em http://ifolclore.vilabol.uol.com.br/div/folclore/index.htm