Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Jeremias Ribeiro Filho (Jerry Filho) Trovas

1
Amor, renúncia e perdão,
tudo isto na Mãe se encerra:
Mãe tem grande coração,
um ser divino na terra!
2
Ao ler o livro da vida
gravei a lição que diz:
– nem sempre a guerra vencida
traz lucros para um país.
3
Aos céus, minha mãe, tão crente,
por mim pediu com fervor,
e o destino, surpreendente,
fez-me, agora, um trovador.
4
Às vezes, tento esquecer
carinhos que foram meus,
e que um dia os vi morrer,
naquele tão triste adeus!
5
A trova é rica mensagem
que nos toca o coração:
– remédio que dá coragem
no instante da indecisão.
6
Com fervor ao Pai Divino,
Criador desse universo,
pedi pão, quando menino,
deu-me o consolo do verso.
7
Dar-te queria o carinho
que nunca dei a ninguém,
porém, sem ser adivinho,
sei que não me queres bem.
8
Do forró, quando termina,
resta mais do que poeira:
a saudade da menina
que dançou a noite inteira.
9
Fitar-te não é problema,
querer-te é minha paixão,
mas surge um grande dilema:
ganhar o teu coração.
10
Já dizia um certo nobre
ao filosofar aos seus:
“aquele que empresta ao pobre,
simplesmente dá... Adeus!”
11
Meu coração machucaste,
não sei se foi por querer.
Só sei que o mal que plantaste,
um dia, ainda vais colher!
12
Não há qualquer esperança,
segundo as Leis da Nação,
pra quem, por ódio ou vingança,
tira a vida de um irmão.
13
Não se deve propalar
que não existe esperança,
pois ninguém pode negar
ter sido, um dia, criança.
14
Nesta vida amargurada
onde o mal se opõe ao bem,
a poesia é nossa fada
no Universo ou mesmo além.
15
Neste mundo enganador,
na vida de uma criança,
Pai e Mãe – seja onde for,
são a sua segurança.
16
No adulto que agora sou
ainda se oculta a criança
que a pipa no ar lançou,
tendo as cores da esperança.
17
O mar revolto da vida
tenta abafar ideais,
e a gente – vaga perdida -
procura a praia da paz.
18
O tempo tem seu conceito
e dele não abre mão:
– aproveite-me direito,
perder-me é péssima opção.
19
Pela rua vou sorrindo,
pra tentar, não sei por que,
deslembrar teu nome lindo,
mas – dele – como esquecer?
20
Pela sombra do destino
o qual traça a diretriz,
viajo desde menino
na ilusão de ser feliz.
21
Por dinheiro, quanta lida
do homem, julgando-se esperto,
mas, na luta pela vida,
vem a morte – prêmio certo.
22
Quando alguém tenta brigar,
a confusão sempre cresce,
só porque, para atiçar,
um idiota aparece.
23
Quantas canções de ninar
eu ouvi, quando menino,
e não consigo cantar
as de enganar o destino.
24
Quem sempre vive pensando
no mal ou no pessimismo,
vai aos poucos se enterrando
na profundeza do abismo.
25
Se alguma coisa renova
e alegra meu coração,
essa coisa é mesmo a trova
que me traz consolação!
26
Se dizes: – sou homem triste,
estás errado, és risonho,
pois, na vida, ainda existe
momentos para um bom sonho.
27
Sofrendo, porém lutando,
continua o meu Nordeste,
e estamos testemunhando
seu crescimento inconteste.
28
Sorrindo à vida que finda,
começa a vida a criança…
Não sabe: aquela foi linda
e a sua é vasta esperança!
29
Todos nós queremos tanto
paz, amor, satisfação,
mas a vida traz o pranto
que abafa toda ilusão.
30
Vejo agora que o destino
surpreendeu meu coração.
Ontem, sonhos de um menino;
hoje, apenas ilusão!

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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