Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Luiz Otávio, Príncipe dos Trovadores (Centenário de Nascimento)



Não, Luiz Otávio não morreu. Vive em cada coração amigo e esclarecido que lhe sabe reconhecer o valor.

Luiz Otávio continua, entretanto, presente em sua obra monumental, através da sua ternura sem limites que abraçou o Brasil inteiro numa ciranda trovadoresca que encontrou eco nos países de língua irmã. Luiz Otávio continua presente nos frutos que semeou, colhido por quem os merece e por quem não os merece, também. Presente nas suas trovas, presente nos seus versos. Fundador da União Brasileira dos Trovadores, vários livros seus foram de trovas e poesias. 

Continua presente no elo de amor que aquece o coração de quantos souberam entender a sua luminosa passagem por este mundo.E que seguiram os seus conselhos, expressos nos seus atos desassombrados nem sempre compreendidos e aceitos com a mesma sinceridade. Presentes no seu idealismo puro e autêntico, desprendido e apaixonado, como difícil encontrar igual, e também no seu acervo de trabalho, repleto de vigor e energia de alma, ainda mesmo quando lhe fugiam as forças físicas. Sublimando os próprios sofrimentos e limitações gradativas, até o último momento dirigiu em prol e em defesa da sua “Rosa”, a “União Brasileira de Trovadores”, filha dileta do seu sonho de poeta. Seu “ex-libris”: 

“Quer ser feliz? Então siga 
a minha vida bizarra 
que tem muito de formiga
e ainda mais de cigarra…”

A formiga descansa. A cigarra continua cantando. Cantando indefinidamente, em ressonâncias de ternura espalhadas por todo este Brasil, Portugal, Angola, que choraram a parida do Príncipe da Trova. 

Em sua sepultura, em Santos, estas palavras lhe servem de epitáfio:

“O que mais me comove neste Príncipe adormecido é a sua fidelidade a uma flor; é a imagem de uma rosa que brilha nele como a chama de uma lâmpada, mesmo quando dorme (Antoine Sant-Exupery, Pequeno Príncipe)

E nas palavras de J.B. Xavier,

O vitorioso sorri quando outros choram, avança quando outros param, persiste quando outro outros retornam, cria onde outros copiam, transpira quando outros descansam. E, se chora, será de alegria, se arrefece a caminhada será para admirar a paisagem que transformou, se retorna será para auxiliar os que não lhe acompanham o passo, se copia será para ratificar, com o devido crédito,  o que de bom se fez antes dele, e, se descansa, será para se preparar a retomada do caminho em direção ao sonho ainda não realizado.  Luiz Otávio esculpiu com primor, em pedra rara, o teu sonho ideal de puro artista!

Finalizando,

Luiz Otávio foi um construtor de sonhos, cujo encanto maior está pelo fato de que não quis só para si, mas sim, para que todos nós que hoje aqui estamos (e muitos outros que ainda virão) façam parte destes sonhos. Por isso, meus irmãos e irmãs, Luiz Otávio não morreu, continua vivo e firme no coração de cada um segurando o estandarte da Rosa!

De Luiz Otávio:

“Prossegue a cantar! Insiste!
Mesmo a sofrer e a chorar!
Pois, pior que um canto triste,
é uma vida sem cantar.”
______________________________________

Quanto poema extenso e mudo,
sem transmitir nada à gente,
e eu sei que te digo tudo
com quatro versos somente…

Fontes:
- Carolina Ramos. Jornal “A Tribuna”, de Santos em 1977.
- J B Xavier
- José Feldman



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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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