Singrando Horizontes

Vive muito mais feliz
quem bebe as águas das fontes,
e, também, minh´alma diz,
quem vai Singrando Horizontes !
(Ialmar Pio Schneider - Porto Alegre/RS)

Vai, Singrando Horizontes,
O infinito é a ambição
rumo aos mais distantes montes,
rumo à imaginação!
(Sinclair Pozza Casemiro - Campo Mourão/PR)

Você é a Gralha Poeta
que leva nossa poesia
ao mundo, em que o grande esteta
criou com tanta harmonia!
(Nei Garcez – Curitiba/PR)
Nas artes e na literatura, vão surgindo as classificações didáticas, as separações por faixas etárias, estilos, temáticas etc. Ha professores e alunos no Brasil, que aprendem só isso da produção artística. Decoram nomes, escolas e datas, mas não se embrenham nos livros, preferem o futebol ou o vídeo-game. A Literatura de boa qualidade nos empolga, lemos sem poder largar o livro, as páginas suscitam nossa emoção, respondem ou provocam perguntas.

Sem a Literatura acumulada nos séculos, o ser humano estaria muito mais próximo da animalidade que ainda o caracteriza nas páginas policiais. Em minhas oficinas ninguém gasta muito tempo com aquela americana lista de soft, hard etc. etc. Falamos em cenas que não saem da memória, em emoções que derramam lágrimas, falamos em idéias e como expressa-las com eficiência. Quem entra em um Museu não fica procurando renascentistas, impressionistas, dadaistas, cubistas ou abstracionistas. O espectador inteligente não procura escolas ou datas, procura obras primas. Nossa ambição deve ser a obra-prima.

(André Carneiro)


Fonte da Imagem da Pomba = http://www.senado.gov.br/portaldoservidor/jornal/jornal121/qualidade_vida_paz.aspx

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Normatização de Concursos de Trovas


Normatização dos Concursos de Trovas da UBT, de acordo com decisão tomada pela II CONAPREST – 2015

1. REGULAMENTO
A.   Todos os concursos em Âmbito Nacional, deverão incluir no tema lírico/filosófico, as duas categorias: Veteranos e Novos Trovadores.
B.  Quando o tema for o mesmo para as duas categorias, o regulamento deverá trazer a instrução: “O Novo Trovador deverá digitar abaixo da Trova: NOVO TROVADOR”.
C.  As trovas deverão ser digitadas ou datilografadas. Não serão aceitas Trovas manuscritas, mesmo que sejam em letra de forma.
D.   A UBT não adota o sistema de letras maiúsculas no início de cada verso. O primeiro verso nunca deve ser iniciado com letra minúscula. Os demais não devem ser iniciados com maiúscula, exceto quando a pontuação anterior o exigir e justificar. (veja após o regulamento, artigo sobre este item)
E.   Só serão reconhecidos pela UBTN os concursos publicados no Boletim Nacional, em pelo menos três edições consecutivas, e cujos resultados forem também publicados no mesmo boletim.
2. MODO DE ENVIO
         Os concursos deverão admitir duas formas de envio:
         1 – Por sistema de envelopes.
         2 – Por e-mail.
         A UBTN continuará a não dar aval para concursos feitos somente pela internet.
        2.1 Envelope
A.   Não serão aceitos envelopes coloridos.
B.  O prazo para remessa dos envelopes deverá ser sempre no último dia útil do mês.
C.  O remetente do envelope deverá ser sempre “Luiz Otávio”.
        2.2 Envio por e-mail
         Afim de preservar a imagem de isenção do coordenador de concursos pela internet, passa a valer as seguintes normas para este tipo de concurso.
A. Ao publicar o concurso, o coordenador já deverá ter o nome de um trovador de outra seção, que não seja a sua, para ser o Fiel Depositário das trovas recebidas. O concorrente enviará as suas trovas digitadas, por e-mail para o Fiel Depositário, que as enviará para o Coordenador, sem a identificação do concorrente. O coordenador será responsável por escolher os julgadores e pelo envio das trovas a eles, tal como as recebeu do Fiel Depositário, ou seja, sem a identificação dos autores das trovas. Feito o julgamento, os julgadores enviarão cópias das trovas com as notas, ao Coordenador. Este então verificará se as trovas enviadas pelos julgadores não foram corrigidas ou modificadas, verificará a soma das notas e se tudo estiver correto, enviará o resultado ao Fiel Depositário para que as trovas sejam devidamente identificadas. O Fiel Depositário retornará ao Coordenador, que fará o anúncio do resultado do concurso.
        3. DOS CONCORRENTES
A.   Poderá participar dos concursos qualquer trovador, associado ou não da UBT.
B.  Os concursos restritos aos associados da IBT (Inter Sedes, Confraternização, etc) deverão trazer em seu regulamento: “Exclusivo para Associados da UBT”.
C.  A idade mínima para concorrer nos concursos deverá ser de 16 anos. Os menores desta idade deverão ter um tema para Juventrova, caso a seção promotora do concurso assim o desejar.
D.  O trovador poderá concorrer somente em um âmbito:
         LOCAL: para trovadores domiciliados na cidade que promove o concurso.
         ESTADUAL: para trovadores residentes no Estado a que pertence a Seção promotora do concurso.
         NACIONAL: para todos os trovadores do Brasil, exceto do Estado e da seção que promove o concurso.
         O trovador não poderá concorrer em mais de um âmbito. Esta divisão tem como intenção dar chance a que mais concorrentes se classifiquem.
Comentário ao item 1 D, por Vanda Fagundes Queiroz
         De acordo com o item “D”, a UBT desaprova o uso de maiúsculas no início de cada verso da trova.
         Sim, sim. Trata-se de uma prática em desuso (parece que poetas mais antigos adotavam).
         Assim tenho orientado quem me mostra alguma trova. E advirto que o próprio computador automaticamente coloca maiúscula, quando teclamos “Enter”, para mudarmos de linha. Cabe-nos então prestar atenção, quando digitamos, para mudarmos as maiúsculas em minúsculas, se for o caso.
         A pontuação da trova deve obedecer à estrutura do texto, ou seja: – deve-se pontuar qual se tratasse de um texto em prosa. Portanto, letra maiúscula, somente quando a pontuação do verso anterior o exigir.
         Neste sentido, consta que não é somente o “ponto final” que assim exige. Outros sinais gráficos igualmente pedem o uso da inicial maiúscula na palavra seguinte, a saber:
         – Dois pontos – quando se faz uma assertiva, e a seguir muda-se o foco, para uma citação, por exemplo:
Ao romper os nossos laços,
chego à estranha conclusão:
– A saudade não tem braços,
mas aperta o coração!
(Therezinha D. Brisolla)
         – Reticências – praticamente no mesmo caso de mudança do foco, quando se isola a sequência anterior (um pensamento suspenso, meditativo, por exemplo), para acrescentar outra ideia, que venha a complementar.
Vaidade que se promulga,
só aos incautos ilude…
Façanha que se divulga
não será jamais virtude…
(JB Xavier)
Infância, em mim, é saudade
de um tempo ingênuo inocente…
Lá em casa a Felicidade
sentava-se à mesa com a gente!
(Waldir Neves)
         – Ponto de interrogação – caso de pergunta e resposta, por exemplo. Ou outra colocação gramatical, em dois segmentos.
Felicidade… Quem sabe
dizer tudo o que ela seja?
É tão grande e, às vezes, cabe
num “sim” que a gente deseja.
(Carlos Guimarães)
        – Ponto de exclamação – caso de uma ênfase independente, seguida de justificação, causa, efeito, etc.
Trova! Trova abençoada!
Nesta dura escuridão,
és a porta escancarada
para a minha salvação!
(Ercy Maria Marques de Faria)
         – Travessão – quando introduz fala, diálogo, citação.
Ao beijar-lhe o maridinho,
diz a onça, boca em chama:
– Mas que bafo, meu benzinho.
– Não liga, não, é só fama…
(Flávio R. Stefani)
         Em suma: A pontuação define o ritmo do pensamento.
         Só venho expor a ideia, visto constar no referido item “D” que nos concursos da UBT serão desclassificadas as trovas cujos versos se iniciem, todos, com letra maiúscula, exceto após ponto final.
         Suponho – que talvez a orientação mais clara poderia ser:
         – O primeiro verso nunca deve ser iniciado com letra minúscula. Os demais não devem ser iniciados com maiúscula, exceto quando a pontuação anterior o exigir e justificar.
         Afinal, a pontuação é que define o pensamento escrito.
         Que Viva a Trova!!!
(regulamento e comentário retirados do Informativo da União Brasileira dos Trovadores, Seção São Paulo/SP, ano 37, n. 446 – setembro 2015, p.7-8)

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Autor Anônimo (Oração do Cão Abandonado)

DEUS
Sei que sou um ser criado por ti, para ser amado
pelos homens mas nasci sem a sorte de alguns de minha espécie.

Hoje meu dono levou-me a um passeio de carro.
Chegamos em uma praça, ele tirou minha coleira,
me fez descer do carro, e virando-me as costas,
foi embora e nem se despediu.

Tentei segui-lo mas o carro corria muito e não pude alcançá-lo.
Caí exausto no asfalto. Ainda não entendi. Por que ele me abandonou?

Eu sempre o recebi abanando o rabo, fazia festa e lambia seus pés.
Sempre lati forte, para defendê-lo e afastar os estranhos da porta.

Eu brincava com as crianças... ah! elas me adoravam.
Que saudades. Será que elas ainda se lembram de mim?

Deus, eu fico imaginando como seria bom se eu pudesse
comer agora. Puxa, estou faminto.

Não tenho água para beber, e estou tão cansado.

Procuro um cantinho onde possa me abrigar da chuva,
mas muitas vezes sou chutado.
As pessoas não gostam muito de mim aqui nas ruas.

Estou fraco, não consigo andar muito,
mas encontrei enfim um lugar para passar essa noite.

Está muito frio e o chão está molhado.
Já não tenho pêlo para me aquecer, estou doente,
e creio que ainda hoje vou me encontrar contigo.
Aí no céu meu sofrimento vai terminar.

Peço-vos então, pelos outros, por todos os cãezinhos e animais
abandonados nas ruas, nos parques, nas praças.

Mande-lhes pessoas que deles tenham compaixão,
pois sozinhos, viverão poucos meses, serão atropelados,
sofrerão maltratos dos impiedosos. Proteja-os.

Amenize-lhes esse frio, com o calor das pessoas abençoadas.

Diminua-lhes a fome, tal qual a que sinto, com o alimento do amor que me foi negado.

Sacie-lhes a sede com a água pura dos Seus ensinamentos.

Elimine a dor das doenças, dos maltratados, estirpando a
ignorância do homem.

Tire o sofrimento dos que estão sendo sacrificados em atos
apregoados como religiosos, científicos, tirando das mãos
humanas a sede pelo sangue.

Abrande a tristeza dos que, como eu, foram abandonados,
pois, dentre todos os sofrimentos, esse foi o maior e mais
duro de suportar.

Receba, DEUS, nesta noite gelada, a minha alma, e
minha oração pelos que aqui ficam. É por eles que vos peço,
pois não são humanos, mas são Seus filhos, e são leais e inocentes, e foram criados por Suas mãos e merecem o Seu abrigo.

Amém.

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