domingo, 5 de janeiro de 2025

Vereda da Poesia = 193


Trova de
ARI SANTOS CAMPOS
Balneário Camboriú/ SC

Não se vá, não, por favor, 
não me faça essa maldade! 
Se de fato você for, 
eu vou morrer de saudade.
= = = = = =

Poema de
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ilhavo/ Portugal

Buscando a luz da madrugada pura
(Sophia de Mello Breyner Andresen in "Mar novo")

Buscando a luz da madrugada pura
Vou perseguindo o rasto desta aurora
Do sol, o raio primo não demora
A dividir em duas a planura.

O sol, quebrando a noturna clausura
Nos montes crava a ardente e rubra espora
E queima o céu e traz a fúlvida hora
Em que a anemia desce à sepultura.

Pleno, sento-me à beira do crepúsculo
Saboreando o dom de ser minúsculo
Mas peça deste mundo singular.

Desponta a branca lua, como gesso
E eu cerro os olhos lassos e adormeço
À espera já de um novo despertar. 
= = = = = = = = =  

Poetrix de
RAFAEL NORIS 
Pedreira/SP

Arritmia

o músico bêbado
leva à noite
emoções violadas
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Poema de
VANICE ZIMERMAN
Curitiba/PR

Três sílabas

Noite outonal -
Estava a três passos
De reencontra-lo,
Antigo piano -
Debussy...
Durante as aulas
Ficava com meu caderno
Próximo de ti
Tínhamos
Conversas
(Segredos) -
E, em silêncio
Nos olhávamos...
Não tivemos
Tempo de despedidas,
Estava a três passos
De ti, mas há
Um mundo de distância
Entre nós -
Solidão,
Apenas, três sílabas
Contidas em um universo
De saudade...
= = = = = = 

Trova de
DOROTHY JANSSON MORETTI 
Três Barras/SC, 1926 – 2017, Sorocaba/SP

- Ai, doutor, não acredito...
Picada por um "barbeiro"?
Veja só, pois o maldito
me disse que era engenheiro!
= = = = = = 

Poema de
ANGELA TOGEIRO
Belo Horizonte/MG

Mulher

    Sou mulher,
    sou todas as mulheres:
    sou Afrodite, Amélia, Angela, Eva, Diana, Joana,
    Madalena, Maria, Raquel, Rita, Sara,
    Salomé, Tereza, Vênus, Zênite...
    Tenho na genética
    a herança dos tempos,
    que me dá todos os nomes,
    que me tira todos os nomes,
    quando me desdobro em outra mulher.
    Nasci em todas as raças,
    tenho todas as cores puras e miscigenadas.
    Pratico todos os credos.
    Nasci em todos os cantos deste planeta.
    Vivi em todas as eras.
    Registrei meus gritos em todos os rincões,
    mesmo se expulsos da alma
    no mais profundo silêncio.
    Vim de todos os lugares,
    nasci em berço de ouro, em choupana,
    na rua, nas matas, hospitais, templos...
    Fui vestida, fui enrolada,
    despida, jogada.
    Gerada num útero que me amou,
    ou num que me recusou.
    Pouco importa, se rica ou pobre,
    se esculpida no Belo ou no Feio,
    preciso cumprir meu destino,
    meu destino de Mulher.
= = = = = = = = = 

Trova de
GERSON CÉSAR SOUZA
São Leopoldo/RS

Num show que bem poucos olham,
no palco das noites calmas,
chuvas de estrelas não molham,
mas lavam as nossas almas...
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Soneto de
OLAVO BILAC
Rio de Janeiro/RJ, 1865 – 1918

Desterro

Já me não amas? Basta! Irei, triste, e exilado
Do meu primeiro amor para outro amor, sozinho...
Adeus, carne cheirosa! Adeus, primeiro ninho
Do meu delírio! Adeus, belo corpo adorado!

Em ti, como num vale, adormeci deitado,
No meu sonho de amor, em meio do caminho...
Beijo-te inda uma vez, num último carinho,
Como quem vai sair da pátria desterrado...

Adeus, corpo gentil, pátria do meu desejo!
Berço em que se emplumou o meu primeiro idílio,
Terra em que floresceu o meu primeiro beijo!

Adeus! Esse outro amor há de amargar-me tanto
Como o pão que se come entre estranhos, no exílio,
Amassado com fel e embebido de pranto...
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Trova de 
ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/ RN, 1951 – 2013, Natal/ RN

Chega a causar agonia,
uma visita sacana,
que vem pra passar um dia,
passa mais de uma semana!
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Poema de 
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ ES

Eterno motivo

A tua vida,
na minha vida,
foi um tempo lindo.
Havia esperança,
na minha ilusão,
e em teu querer,
um gostar infindo... 

Mas, de repente,
sem que alguém pedisse,
tu foste embora
para sempre
e eu fiquei triste...
E ainda hoje, 
aqui estou.

Depois 
de todo 
tempo 
que passou,
aqui estou 
ainda, a esperar 
tua volta.

Compreendo, 
o amor 
acabou,
meu coração 
não se conformou,
e a tua ausência 
não suporta.
= = = = = = 

Trova de
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS, 1932 – 2013, São Paulo/SP

Cara cheia...Perna bamba,
ele mesmo se conforta,
olha a rua e diz: - "Caramba!"
Nunca vi rua mais torta!...
= = = = = = 

Soneto de
LUCIANO DÍDIMO
Fortaleza/CE

A luz

A luz da Estrela Azul, que é tão brilhante
Adoça a roxa fé como um licor,
Abrindo os nossos olhos para a cor
Que apaga o tempo cinza já distante:

Do tão avermelhado Sol do Amor,
Do verde da esperança ali adiante.
A luz que resplandece radiante
Nos mostra um novo mundo e seu primor.

As águas cor de prata descem rio,
Varrendo a negra cor da noite escura
E dissipando a dor com cortesia.

A luz clareia tudo o que é sombrio,
Fazendo a paz mostrar sua brancura
E rebrilhar o ouro da poesia!
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Trova do
PROFESSOR GARCIA
Caicó/ RN

Larga a tristeza e acalanta
teus sonhos, por onde fores.
Nada no mundo suplanta
teus lindos sonhos de amores!
= = = = = = 

Hino de
IÚNA/ ES

Na minha terra, tem lindos campos
Cidade cheia de tradições
Na minha terra, tem lindos pássaros
Que cantam ao ar livre, lindas canções

Minha Iúna,
Você me viu nascer
Minha Iúna
Sou filho de você

Eu gosto muito, muito do meu lugar
Dos meus amigos que vivem lá
A minha Iúna, terra querida
Onde eu nasci, onde aprendi amar

Minha Iúna,
Você me viu nascer
Minha Iúna
Sou filho de você

A minha escola, no fim da rua
A minha casa, frente ao jardim
A minha Iúna, fica bem perto
Das cachoeiras do Itapemirim

Minha Iúna,
Você me viu nascer
Minha Iúna
Sou filho de você
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Dobradinha Poética (trova e soneto) de
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DECARLI
Bandeirantes/PR

Fruta da Semente

Não meças nela o trabalho,
pois colheita é contingente,
mas quanto, de orvalho a orvalho,
tu já plantaste… em “semente”…

De sol a sol, firmando as mãos no arado,
suor pingando, ao solo se entregava…
– Hoje, um trabalho rude e ultrapassado
do lavrador, que a terra cultivava.

Com grande afinco e sempre atarefado,
fazia os sulcos, com as mãos semeava
e, esperançoso a capinar, cansado,
o agricultor, temente a Deus, rezava…

Pedia chuva para aquela empreita,
o pensamento firme na colheita,
depois que via germinando o grão…

E desejava, então, ardentemente,
ver pão na mesa, fruto da semente,
que enverdecera todo aquele chão!
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Trova de
RITA MOURÃO
Ribeirão Preto/ SP

Abro a porta, enxugo o pranto
e fico a esperar teus braços,
mas para o meu desencanto
os passos não são teus passos.
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José Luiz Boromelo (Tenha paciência!)

Nessa época atribulada em que as pessoas vivem correndo de um lado para o outro, a falta de paciência é a face mais visível desse novo conceito de vida moderna. No ambiente doméstico casais vivem às turras por deixarem o diálogo e a paciência de lado. Os filhos carecem de paciência para superar a fase quase sempre instável da adolescência. Os namorados brigam por qualquer coisa, por mais ínfima que seja. No trânsito a coisa é pior ainda. Sempre apressados, motoristas, ciclistas e pedestres travam uma batalha diária por um espaço cada vez mais raro em nossas vias públicas. Nos serviços essenciais nossa paciência é colocada à prova a todo o momento. Quem ainda não perdeu a sua, além do tempo precioso diante de uma fila completamente estática nas agências bancárias de nosso país? E o exercício de se manter a estabilidade emocional em dia não para por aí. Tente fazer alguma reclamação, solicitação ou coisa parecida para algum serviço de atendimento telefônico do tipo 0800. Além de esperar por um bom tempo e em alguns casos por horas o cidadão tem que ser dotado de muita paciência mesmo, para não mandar às favas os atendentes e ainda conseguir atingir seus objetivos.

Mas sem paciência não conseguimos nada, inclusive uma senha na madrugada para atendimento no caótico ambiente dos hospitais públicos, mais parecidos com um “front” de guerra. E haja uma dose cavalar dela ao esperar por dias e até meses para se agendar uma cirurgia, por mais urgente que seja. Exercite sua paciência para suportar o aperto nos ônibus, metrô e trens urbanos, comparados a latas de sardinha. Nesse caso específico, a paciência é um equipamento de porte obrigatório, pois a população não encontra alternativas para evitar esse tão importante meio de transporte.

Outras situações também colocam nossa pouca paciência à prova: ao ligar a TV temos a impressão que as emissoras competem entre si para nos brindar com o que há de pior; há que se ter ainda a paciência de Jó ao enfrentar longas filas para depositar nas urnas o nosso voto e outras tantas mais, que requerem uma dose extra dessa incrível capacidade em suportar as adversidades do cotidiano.

 De tanto falar em paciência lembrei-me do saudoso amigo Anacleto, uma pessoa exageradamente tranquila, que não tinha pressa alguma na vida. O que ele mais tinha era paciência. Quando encontrava os amigos, vinha sempre com uma de suas tiradas impagáveis: “Tenha paciência nessa vida, pois tudo é passageiro. Menos o cobrador e o motorista”. Obrigado companheiro, por seu exemplo de como levar a vida com paciência, mesmo que ultimamente eu não tenha seguido à risca seus conselhos. E você leitor, que teve paciência suficiente para ler tudo isto, faça como o Anacleto: no seu dia a dia, tenha um pouco mais de paciência...!
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José Luiz Boromelo, é de Marialva/PR, policial rodoviário aposentado, escritor, cronista e agricultor, colaborador da Orquestra Municipal Raiz Sertaneja.

Fontes:
https://www.recantodasletras.com.br/cronicas/5253583
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing

José Feldman (O Encontro no Cemitério)

Era uma noite tranquila em Piracicaba, e a lua cheia iluminava a rua Boa Morte, onde o Leandro, dono da funerária "Pé na Cova", fazia sua última checagem nas flores do altar no cemitério. Ele sempre achou que as flores eram como os clientes: tinham que estar sempre bem apresentáveis, mesmo que a maioria não estivesse mais entre os vivos.

Enquanto isso, Belarmino, um vendedor ambulante que passara os últimos anos viajando pelo Brasil, finalmente decidira voltar à sua cidade natal. Ele carregava uma sacola cheia de bugigangas variadas — desde chaveiros de plástico até garrafinhas de água com a imagem do Cristo Redentor. Seu retorno, no entanto, não era apenas para vender suas quinquilharias, mas também para visitar os túmulos dos pais.

Assim que Belarmino chegou ao cemitério, avistou Leandro, que estava concentrado em arrumar as flores. Um sorriso brotou em seu rosto ao ver o amigo de infância.

— E aí, Leandro! — gritou Belarmino, acenando com a mão. — O que você está fazendo tão tarde aqui? Esperando alguém?

Leandro virou-se, surpreso, e logo reconheceu a figura conhecida. 

— Belarmino! Que surpresa! Você não mudou nada, só adicionou algumas bugigangas a mais! — riu Leandro, enquanto se aproximava.

— É, meu amigo! O mundo é cheio de coisas inúteis, e eu sou o mestre em vendê-las! — respondeu Belarmino, piscando.

— Que bom que você voltou! Estava pensando em quem eu poderia contratar para ajudar na funerária. Você não quer trabalhar comigo? Poderíamos usar alguém com seu talento de vendas.

Belarmino arregalou os olhos, como se Leandro tivesse sugerido que ele vendesse almas.

— Trabalhar em uma funerária? Ah, não, Leandro! Você sabe que eu sou supersticioso! — disse ele, dando um passo para trás, como se afastasse um espírito maligno.

— Supersticioso? E desde quando? Você sempre foi o primeiro a se arriscar em tudo! — provocou Leandro, cruzando os braços.

— Olha, eu já vendi de tudo, de cuia de chimarrão a saquinho de erva-dos-gatos. Mas trabalhar em um lugar que lida com a morte? Isso é de dar medo! — respondeu Belarmino, olhando ao redor como se esperasse ver fantasmas.

Leandro riu e gesticulou dramaticamente.

— Ah, vai! Você não precisa ter medo! Morto não morde! Venha passar um tempinho aqui. Você ia adorar. Podemos até criar promoções! “Compre um caixão e leve um jazigo de brinde!”

Belarmino fez uma careta.

— E se as almas não gostarem da promoção? Já pensou que eu posso atrair uma maldição? — a expressão no rosto era de receio genuíno.

— Maldição? Você já vendeu itens com zumbis e ainda está aqui, vivinho da silva! Olha, a gente poderia fazer um grande evento: “O Dia da Morte com Desconto!” — sugeriu Leandro, rindo.

— Isso é um marketing pesado, meu amigo! — Belarmino balançou a cabeça, tentando se conter. — E se, em vez de clientes, aparecerem só almas penadas?

— Então a gente oferece um pacote promocional: “Traga um amigo e ganhe uma lápide personalizada!” — Leandro se divertia com a ideia.

Belarmino não conseguia mais se conter. 

— Você é maluco, sabia? Mas não posso negar que a ideia é boa! E quanto mais eu penso, mais eu imagino o caos que isso ia causar no cemitério. 

Leandro, agora sério, perguntou:

— Mas, sinceramente, o que você tem contra a morte? Todo mundo vai passar por isso um dia. A diferença é que eu ajudo a tornar a passagem mais tranquila.

Belarmino suspirou, um pouco mais sério agora.

— Olha, eu só não gosto de lidar com essas coisas. É como se eu fosse um vendedor de sonhos e você fosse o vendedor do fim. Não dá! Eu prefiro o lado alegre da vida!

Leandro assentiu, compreendendo a perspectiva do amigo. 

— Tá certo, Belarmino. Mas uma coisa é certa: se precisar de caixão, você sabe onde me encontrar! — disse, piscando.

— E se precisar de bugiganga, é só me contatar! — Belarmino respondeu, estendo a mão com um cartão.

Os dois se entreolharam e, por um momento, a amizade que os unia desde a infância se fortaleceu ainda mais. 

— Então, vamos tomar uma cerveja? — sugeriu Leandro, mudando de assunto. — Para celebrar nossos trabalhos!

— Com certeza! E nada de ultrapassar os limites do cemitério, hein? — Belarmino disse, enquanto os dois caminhavam em direção à saída.

A cerveja que Leandro e Belarmino escolheram era uma artesanal local chamada "Pira Pura". Servida em canecos de vidro gelado, sua cor âmbar brilhante refletia a luz da lua, criando um brilho dourado que parecia dançar entre as bolhas.

Leandro e Belarmino estavam sentados em uma mesa de madeira rústica, com os canecos de "PiraPura" à frente. A conversa começou a fluir naturalmente, acompanhada de risadas. 

Leandro começou a contar casos que ocorreram com ele: “Houve uma vez em que um cliente pediu um caixão "temático", sabia? Ele queria um que parecesse uma guitarra!”

 Ah, claro, lembro vagamente! E você acabou fazendo um caixão que mais parecia um palco de rock! O cara deveria ter sido enterrado com um microfone! (Fingindo ser solene) "Aqui jaz o grande roqueiro, que nunca parou de tocar até o fim!" E o que foi aquele funeral? Todo mundo dançando e batendo cabeça ao som de "Highway to Hell"!

Ambos riram muito.

Leandro abrindo os braços disse: “Foi o primeiro enterro que eu vi ser animado! Aposto que até as almas estavam batendo palmas!  Mas teve uma vez que eu fui fazer uma visita a um cemitério onde um "cliente" pediu para ser cremado com seu gato. Fui até lá e, surpresa! O gato estava mais vivo que nunca!"

— O que você fez? Deu um jeito de convencer o gato a entrar no caixão? - disse, rindo.

— Até que tentei convencer o gato, ele simplesmente se recusou a entrar, deu um miado e sumiu de vista.

— É, gato é um bicho complicado. Eles têm um senso de sobrevivência bem apurado!” – disse Belarmino, rindo. 

— E você, Belarmino? Alguma história engraçada das suas vendas de bugigangas?

— Ah, teve uma vez que eu tentei vender chapéus de palha em uma feira. Um cliente pegou um e disse: "Esse chapéu é tão bonito que me faz parecer rico!" E eu respondi: "Se você comprar dois, eu garanto que você vai parecer um milionário!" 

Leandro rindo: “E o que aconteceu? O cara comprou dois?”

— Não! Ele ficou tão distraído que saiu correndo e deixou o chapéu pra trás!

Leandro se divertindo: “Então você se tornou o primeiro vendedor a vender chapéus invisíveis!” 

— Exatamente! E ainda consegui um novo slogan: ‘Se você não vê, é porque é caro!’

Os dois gargalharam, e a cerveja "Pira Pura" descia suave, acompanhada de histórias que só reforçavam a amizade deles. 

Leandro levantando o caneco: Às nossas aventuras! Que venham mais histórias malucas!

— E que cada caneco venha cheio de boas risadas! Saúde!

Os canecos se chocaram mais uma vez, ecoando na noite, enquanto eles continuavam a compartilhar suas memórias hilárias, cada gole de cerveja trazendo à tona mais risadas e lembranças.

E assim, sob a luz da lua e com risadas ecoando pelo cemitério, Leandro e Belarmino se afastaram, cada um com suas peculiaridades, mas unidos pela amizade que transcendia até mesmo a linha da vida e da morte.
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José Feldman nasceu na capital de São Paulo. Formado técnico de patologia clínica, não conseguiu concluir o curso superior de psicologia. Foi enxadrista, professor, diretor, juiz e organizador de torneios de xadrez a nível nacional durante 24 anos; como diretor cultural organizou apresentações musicais; trovador da UBT São Paulo e membro da Casa do Poeta “Lampião de Gás”. Foi amigo pessoal de literatos de renome (falecidos), como Artur da Távola, André Carneiro, Eunice Arruda, Izo Goldman, Ademar Macedo, Hermoclydes S. Franco, e outros. Casado com a escritora, poetisa e tradutora professora Alba Krishna mudou-se em 1999 para o Paraná, morou em Curitiba e Ubiratã, radicou-se definitivamente em Maringá/PR. Consultor educacional junto a alunos e professores do Paraná e São Paulo. Pertence a diversas academias de letras e de trovas, fundador da Confraria Brasileira de Letras e Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, possui o blog Singrando Horizontes desde 2007, com cerca de 20 mil publicações. Atualmente assina seus escritos por Campo Mourão/PR. Publicou mais de 500 e-books. Em literatura, organizador de concursos de trovas, gestor cultural, poeta, escritor e trovador. Dezenas de premiações em trovas e poesias.

Fontes:
 José Feldman. Peripécias de um jornalista de fofocas & outros contos. Maringá/PR: Plat.Poe. Biblioteca Voo da Gralha Azul.
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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Erigutemberg Meneses (Cascata de versos) 06

 
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José Erigutemberg Meneses de Lima nasceu em Fortaleza/CE, radicou-se em Blumenau/SC. Advogado aposentado do Banco do Brasil, com graduação em Ciências Econômicas e Direito pela FURB - Fundação Universidade Regional de Blumenau, dedica-se às letras, escrevendo prosa na forma de crônicas, contos, ensaios, textos jurídicos e poesia, especialmente, sonetos. Publicou “Raptos Líricos” - Sonetos, 2005; Portas da Solidão pela Fundação Cultural de Blumenau, 1996. 

Humberto de Campos (A derradeira "morada")

O administrador do cemitério de S. Geraldo, Alfredo Costa Ximenes, residia, há anos, à rua Real Grandeza, quando, em março último, forçado a mudar de casa, foi alugar um prédio de segunda ordem, de que era proprietário o comendador Augusto Gonçalves Teixeira, que lhe foi dizendo, logo, sem circunlóquios:

- O aluguel da casa é quinhentos e vinte mil réis, fora a pena d'água e a taxa sanitária. Além disso para que eu lhe dê a chave, o senhor terá de pagar-me seis contos de réis de "luvas".

Debalde o honrado funcionário da Morte chorou, suplicou, implorou; o comendador mostrou-se inabalável na sua exigência, e ele teve de arranjar, mesmo, as "luvas", para se não ver, de uma hora para outra, lançado à rua com a família.

Dois meses depois desse episódio, estava o administrador, uma tarde, no seu posto, na secretaria da necrópole, quando parou ao portão, buzinando e rolando, um cortejo funerário. Levada às suas mãos a papeleta fúnebre, o funcionário viu pelo nome, que o morto era, nada mais, nada menos, do que o seu senhorio, o comendador Gonçalves Teixeira e teve, de repente, a ideia de uma represália: chegou ao portão, onde o esquife já repousava, agaloado, na carreta do cemitério, e, recebendo da família a chave do caixão, mandou rodar o ataúde no rumo da sepultura.

Terminadas, ali, entre lágrimas e vertigens, as angustiosas despedidas da praxe, um filho do defunto mandou chamar o administrador, a quem havia dado a chave do esquife, para que fosse identificar o morto, e fechar o caixão.

- Pronto! - apresentou-se Ximenes, apertado na sua sobrecasaca preta. - Que desejam?

- A chave, - explicou um parente do defunto.

- Suspendam a tampa do esquife, - ordenou o administrador.

Um amigo abriu o caixão funerário, onde jazia, inteiriçado, vestido de preto o corpo do desventurado capitalista.

Ximenes passou, meticuloso, a vista sobre o cadáver, e, vendo-lhe as mãos nuas, cruzadas sobre o peito bojudo, reclamou, severo:

- E as "luvas"? Querem, então, que ele desça à derradeira "morada" sem as "luvas"?

E não entregou a chave!
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Humberto de Campos Veras nasceu em Miritiba/MA (hoje Humberto de Campos) em 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1934. Jornalista, político e escritor brasileiro. Aos dezessete anos muda-se para o Pará, onde começa a exercer atividade jornalística na Folha do Norte e n'A Província do Pará. Em 1910, publica seu primeiro livro de versos, intitulado "Poeira" (1.ª série), que lhe dá razoável reconhecimento. Dois anos depois, muda-se para o Rio de Janeiro, onde prossegue sua carreira jornalística e passa a ganhar destaque no meio literário da Capital Federal, angariando a amizade de escritores como Coelho Neto, Emílio de Menezes e Olavo Bilac. Trabalhou no jornal "O Imparcial", ao lado de Rui Barbosa, José Veríssimo, Vicente de Carvalho e João Ribeiro. Torna-se cada vez mais conhecido em âmbito nacional por suas crônicas, publicadas em diversos jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e outras capitais brasileiras, inclusive sob o pseudônimo "Conselheiro XX". Em 1919 ingressa na Academia Brasileira de Letras. Em 1933, com a saúde já debilitada, Humberto de Campos publicou suas Memórias (1886-1900), na qual descreve suas lembranças dos tempos da infância e juventude. Após vários anos de enfermidade, que lhe provocou a perda quase total da visão e graves problemas no sistema urinário, Humberto de Campos faleceu no Rio de Janeiro, em 1934, aos 48 anos, por uma síncope ocorrida durante uma cirurgia. Além do Conselheiro XX, Campos usou os pseudônimos de Almirante Justino Ribas, Luís Phoca, João Caetano, Giovani Morelli, Batu-Allah, Micromegas e Hélios. Algumas publicações são Da seara de Booz, crônicas (1918); Tonel de Diógenes, contos (1920); A serpente de bronze, contos (1921); A bacia de Pilatos, contos (1924); Pombos de Maomé, contos (1925); Antologia dos humoristas galantes (1926); O Brasil anedótico, anedotas (1927); O monstro e outros contos (1932); Poesias completas (1933); À sombra das tamareiras, contos (1934) etc.

Fontes: Humberto de Campos. A Serpente de Bronze. Publicado originalmente em 1925. Disponível em Domínio Público.  
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Vereda da Poesia = 192


Trova de
FRANCISCO JOSÉ PESSOA
Fortaleza/CE, 1949 - 2020

Nos quatro dias de momo
ante tanta bebedeira,
eu estarei, não sei como,
quando chegar quarta-feira!
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Poema de
DOMINGOS FREIRE CARDOSO
Ilhavo/ Portugal

Assim em suas mãos nos troca a vida
(Sophia de Mello Breyner Andresen in "Mar novo")

Assim, em suas mãos nos troca a vida
As sendas que escolhemos percorrer
Só porque ela quer, pode e tem prazer
Em ver a nossa sorte confundida.

Não vale a pena a um sonho dar guarida
Por no peito um desejo de viver
Que a vida tem o modo e o poder
De nos abrir na alma uma ferida.

Impotentes ficamos para dar
Outros rumos ao nosso caminhar
Sujeitos aos caprichos do destino.

Aos ombros carregando cruz tão má
Indo o Homem, por onde quer que vá
Será sempre um eterno peregrino.
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Trova de
MAURÍCIO FERNANDES LEONARDO
Ibiporã/PR

O pobre muito detesta
se o rico diz por chalaça:
“Arruaça de rico é festa, ...
festa de pobre é arruaça”!
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Poema de
VANICE ZIMERMAN
Curitiba/PR

Prenúncios

Sensível, o olhar
Pousa na fonte
Repleta,
De falhas do plátano,
Sinto a poesia
E solidão do cântaro...

Distancia-se o pensamento,
O venta sussurra teu nome...
E, nas esmaecidas e diáfanas cores
De mais um por do sol -
Prenúncios de Saudade...
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Trova de
AUROLINA ARAÚJO DE CASTRO
Manaus/AM (1933 – 2004)

Ao reler o livro antigo,
grande emoção me tomou:
deu-me a impressão de um amigo
que de repente voltou.
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Poema de
CARLOS FERNANDO BONDOSO
Alcochete/ Portugal

Canto à flor

germinam sementes
e outras secam por incúria

nascem trepadeiras e uma flor 
que guardo no espaço
e no tempo
é o cheiro do mundo 
num momento de silêncio

é a flor da buganvília
que cresce sempre primeiro
histórias escritas
e rasuradas
contadas como contos verdadeiros

pinceladas
aquarelas
tintas trabalhadas
com cheiros de verdade

é a flor
que se solta no tempo
com a fúria do temporal
mas que não se quebra
nas asas do vento

é a tristeza e a dor
num canto simples e triste
que se funde na alma
onde só os sonhos podem morar

é este o meu canto à flor 
aqui nesta folha de papel
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Trova de
CAMPOS SALES
Lucélia/SP, 1940 – 2017, São Paulo/SP

Não gostou de ser cobrado,
no velório o Zé pirou,
foi tapa pra todo lado,
até o defunto apanhou.
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Poema de
OLAVO BILAC
Rio de Janeiro/RJ, 1865 – 1918

Campo-Santo

Os anos matam e dizimam tanto
Como as inundações e como as pestes...
A alma de cada velho é um Campo-Santo
Que a velhice cobriu de cruzes e ciprestes
Orvalhados de pranto.

Mas as almas não morrem como as flores,
Como os homens, os pássaros e as feras:
Rotas, despedaçadas pelas dores,
Renascem para o sol de novas primaveras
E de novos amores.

Assim, às vezes, na amplidão silente,
No sono fundo, na terrível calma
Do Campo-Santo, ouve-se um grito ardente:
É a Saudade! é a Saudade!... E o cemitério da alma
Acorda de repente.

Uivam os ventos funerais medonhos...
Brilha o luar... As lápides se agitam...
E, sob a rama dos chorões tristonhos,
Sonhos mortos de amor despertam e palpitam,
Cadáveres de sonhos...
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Trova de 
ADEMAR MACEDO
Santana do Matos/ RN, 1951 – 2013, Natal/ RN

Inimigo do trabalho,
é meu primo, o “Paraíba;” 
seu emprego é no baralho: 
buraco, truco e biriba.
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Poema de 
MÁRIO JSL LOUREIRO
Ourém/ Portugal

Amo-te como quem ama uma trajetória lunar
como quem mata a sede na areia do deserto
Amo-te como à luz do sol que aquece a terra
sempre terno e empenhadamente marítimo 
E como não haveria eu de amar dos teus lábios
a mais eloquente poesia
Dos teus olhos encantados risos 
e os mais coloridos sonhos de amor
Amo-te nua
sem outra decoração que a do teu coração
Sólida sensual como um axioma que é livre
pedra filosofal da alegria ou de uma lágrima
que repousa funda na verdade que nunca foi dita
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Trova de
IZO GOLDMAN
Porto Alegre/RS, 1932 – 2013, São Paulo/SP

O pai da moça, que é mau, 
chega em casa e acaba o "baile"...
É que o Zé, "cara de pau", 
tava namorando em..."braile"!!!
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Poema de
AUTA DE SOUZA
Macaíba/RN (1876 – 1901) Natal/RN

Pombos Mensageiros

Transformados em pombos cor de neve,
Entraram-me a cantar pela janela,
A tua carta delicada e leve
E o beijo amigo que envolveste nela.

Ó que alegria para o coração
Onde a Saudade, sempre em flor, renasce!
A carta leve me pousou na mão
E o beijo amigo acarinhou-me a face.

E então, a rir, ó pomba idolatrada!
Eu transformei meu coração em ninho:
Nele repousa a tua carta amada
E canta o beijo a ária do carinho.
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Trova do
PROFESSOR GARCIA
Caicó/ RN

Morre a flor na flor da idade,
padece a planta de dor;
a ausência deixa saudade,
até na morte da flor!
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Hino de
RONDONÓPOLIS/MT

Quão rebento brotastes radiantes, 
como estrela de raro fulgor
Tão sonhada na força que emana, 
fruto terno de nosso suor
Neste solo de seiva gigante, 
esta linda cidade floriu
Dando brilho as cores que marcam, 
a bandeira do amado Brasil.

Rondonópolis, Rondonópolis
Surgiste oh... brasão imponente
Praza Deus que em ti paire a graça
Que envolve de amor tua gente

Nas belezas das matas e montes, 
nas entranhas de vales e rios
Na nobreza do denso cerrado, 
foi assim que este sonho seguiu
Brasileiros de plagas distantes, 
cá vieram trazer seu labor
E na luta perene e vibrante, 
construímos solene penhor

Rondonópolis, Rondonópolis
Surgiste oh... brasão imponente
Praza Deus que em ti paire a graça
Que envolve de amor tua gente

Rio vermelho e majestoso, 
lenda viva que a todos encanta
Onde a balsa Rosa Bororo, 
navegou transportando esperança
Foi sustento do índio que viu, 
tudo isso gestar e nascer
E o presente nos passa o comando, 
pra fazer essa terra crescer

Rondonópolis, Rondonópolis
Surgiste oh... brasão imponente
Praza Deus que em ti paire a graça
Que envolve de amor tua gente

Todos que precederam essa história, 
salve, salve a nobre missão
Pois sabiam que a nossa vitória, 
era certa na força do chão
E cantamos tuas maravilhas, 
em memória do marechal
Novos passos teu povo palmilha, 
pelas trilhas do seu ideal.

Rondonópolis, Rondonópolis
Surgiste oh... brasão imponente
Praza Deus que em ti paire a graça
Que envolve de amor tua gente
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Poema de
CÉLIA EVARISTO
Lisboa/ Portugal

A última vez

Nunca soube
quando seria a última vez
que te beijava,
que te abraçava,
que te tocava.

Nunca soube…
Vivi tudo tão intensamente,
pensando apenas no presente
e nunca num futuro fugidio.
Porque, se soubesse
que seria a última vez,
tudo teria sido diferente.

Mas nunca soube,
nunca me despedi,
levaram-te os ventos,
fiquei sem ti.
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Trova de
RITA MOURÃO
Ribeirão Preto/ SP

Eu juro, mas com loucura, 
minha emoção num relance, 
abre a porta, quebra a jura 
e a ti concede outra chance.
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Grinalda de Trovas de
FILEMON MARTINS
São Paulo/ SP

Vive sem paz, meu amigo, 
sem cultivar a harmonia 
sem pressentir o perigo 
quem aos outros calunia. 

Quem aos outros calunia 
sem procurar a verdade, 
tem a vida mais vazia 
por interesse ou maldade. 

Por interesse ou maldade 
é burrice e covardia 
quem age sem humildade 
não pode ter alegria. 

Não pode ter alegria, 
quem vive sem amizade. 
Não há luz, sabedoria, 
nem paz e felicidade.
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Estante de Livros (7 livros de Júlio Verne: resumos)

1. Keraban, o cabeçudo (1883)

Keraban é um rico comerciante turco que se recusa a pagar um imposto para atravessar um rio. Determinado a não ceder, ele opta por uma jornada difícil e cheia de aventuras, que o leva a explorar a natureza e a cultura da região. Durante sua travessia, Keraban enfrenta desafios e perigos, ao mesmo tempo em que aprende sobre a importância da amizade e da solidariedade. 

Combina humor e crítica social, refletindo sobre a teimosia e a obstinação do protagonista.

2. Norte contra Sul (1887)

Neste romance, Verne retrata a rivalidade entre o Norte e o Sul dos Estados Unidos durante a Guerra Civil. A história acompanha um grupo de personagens que, em meio ao conflito, se deparam com dilemas morais e questões de lealdade. 

Verne utiliza a narrativa para explorar os efeitos da guerra nas vidas das pessoas comuns, mostrando suas esperanças e desilusões. A trama é marcada por uma crítica à guerra e à busca por um futuro melhor.

3. Os Filhos do Capitão Grant (1866)

A história começa quando um grupo de amigos encontra uma mensagem em uma garrafa, que pertence ao Capitão Grant, desaparecido em uma expedição. Com a ajuda dos filhos do capitão, eles embarcam em uma aventura marítima para resgatar Grant. A jornada os leva a diferentes partes do mundo, repleta de perigos e descobertas. 

Ao longo da história, temas de coragem, lealdade e a busca pela verdade são explorados, enquanto os personagens enfrentam desafios inesperados.

4. Robur, o Conquistador (1886)

Robur é um inventor brilhante que cria um gigantesco aeróstato, desafiando a ciência e a tecnologia da época. Ele sequestra membros da elite científica para provar sua invenção e demonstrar que a aviação pode revolucionar o transporte. 

A história mistura aventura e reflexão sobre o progresso tecnológico, à medida que Robur enfrenta seus opositores e luta por reconhecimento. O conto também explora a ambição e a visão de futuro do protagonista.

5. A Ilha da Hélice (1895)

Um grupo de cientistas e aventureiros se une para explorar uma misteriosa ilha que aparece em mapas antigos. A ilha é cercada por mistérios e perigos, revelando segredos sobre civilizações perdidas e tecnologias avançadas. 

À medida que os personagens se aprofundam na ilha, eles enfrentam desafios físicos e morais, levando a reflexões sobre a ambição humana e o desejo de conhecimento. A narrativa combina elementos de ficção científica com aventuras emocionantes.

6. O Farol do Fim do Mundo (1905)

A história se passa em um farol isolado na costa da Patagônia, onde um grupo de faroleiros enfrenta a ameaça de piratas. Com coragem e determinação, eles lutam para proteger o farol e a comunidade local. 

A obra explora temas de heroísmo e sacrifício, revelando a importância da união em tempos de crise. Verne descreve a vida no farol com detalhes vívidos, criando uma atmosfera de tensão e aventura.

7. Miguel Strogoff (1876)

Miguel Strogoff é um mensageiro do czar que recebe a missão de atravessar a Rússia até a Sibéria para entregar uma mensagem crucial. Durante sua jornada, ele enfrenta muitos perigos, incluindo inimigos e adversidades naturais. 

O livro é uma emocionante história de coragem, lealdade e sacrifício, à medida que Miguel luta para cumprir sua missão e proteger sua família. Verne explora a resiliência humana em tempos de desafio, transformando a viagem em uma épica aventura.
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Júlio Gabriel Verne nasceu em 1828, em Nantes, na França. Fez faculdade de Direito, em Paris, mas não exerceu a profissão, optou por não seguir esse rumo profissional e investiu na carreira de escritor. Em 1855 foi acometido por uma paralisia facial. Disposto a se casar com Honorine de Viane (1831–1910), ele se tornou corretor da bolsa de valores em 1857, até atingir grande sucesso como escritor, a partir da publicação de seu livro Cinco semanas em um balão, em 1863. Para sobreviver, foi secretário do Teatro Lírico. Foi eleito vereador em Amiens. Em 1892, se tornou oficial da Legião de Honra. Mas, com a morte de seu irmão Paul, em 1897, os problemas de saúde do escritor se agravaram. Ele morreu em 1905, na cidade de Amiens, é tido como o pioneiro da ficção científica. Assim, seus principais livros são direcionados ao público infantojuvenil e apresentam narrativas que também trazem conceitos científicos. 
Algumas obras, além das acima citadas: Cinco semanas em um balão (1863); Viagem ao centro da Terra (1864); Da Terra à Lua (1865); Vinte mil léguas submarinas (1870); A volta ao mundo em oitenta dias (1872); A ilha misteriosa (1874); A escola dos Robinsons (1882); A estrela do Sul (1884), etc.

Fonte: José Feldman (org.). Estante de livros. Maringá/PR: Poe. Biblioteca Voo da Gralha Azul.
Imagem organizada por JFeldman

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

José Feldman (Guirlanda de Versos) * 13 *

 

José Feldman nasceu na capital de São Paulo. Formado técnico de patologia clínica, não conseguiu concluir o curso superior de psicologia. Foi enxadrista, professor, diretor, juiz e organizador de torneios de xadrez a nível nacional durante 24 anos; como diretor cultural organizou apresentações musicais; trovador da UBT São Paulo e membro da Casa do Poeta “Lampião de Gás”. Foi amigo pessoal de literatos de renome (falecidos), como Artur da Távola, André Carneiro, Eunice Arruda, Izo Goldman, Ademar Macedo, Hermoclydes S. Franco, e outros. Casado com a escritora, poetisa e tradutora professora Alba Krishna mudou-se em 1999 para o Paraná, morou em Curitiba e Ubiratã, radicou-se definitivamente em Maringá/PR. Consultor educacional junto a alunos e professores do Paraná e São Paulo. Pertence a diversas academias de letras e de trovas, fundador da Confraria Brasileira de Letras e Confraria Luso-Brasileira de Trovadores, possui o blog Singrando Horizontes desde 2007, com cerca de 20 mil publicações. Atualmente assina seus escritos por Campo Mourão/PR. Publicou mais de 500 e-books. Em literatura, organizador de concursos de trovas, gestor cultural, poeta, escritor e trovador. Dezenas de premiações em trovas e poesias.

José Luiz Ricchetti (Caminhos do Tempo)

“Há um silêncio que chega com os anos, e ele não é feito apenas da ausência de ruídos, mas da transição suave entre o que éramos e o que nos tornamos. 

Aos 60, você começa a sentir a sutileza do distanciamento. A sala que antes pulsava com suas ideias agora parece cheia de vozes que não pedem mais sua opinião. Não é uma rejeição, é o ritmo da vida. É quando aprendemos que nossa contribuição não está no presente imediato, mas nos rastros que deixamos nos corações e mentes ao longo do caminho.

Aos 65, você percebe que o mundo corporativo, outrora tão vital, é um fluxo incessante. Ele segue, indiferente ao que você fez ou deixou de fazer. Não é uma derrota, é a libertação. Esse é o momento de olhar para si mesmo, despir-se do ego e vestir a serenidade. Não se trata mais de provar, mas de ensinar, de compartilhar, de ser mentor. A verdadeira realização não é a que se exibe, mas a que inspira.

Aos 70, a sociedade parece lhe esquecer, mas será mesmo? Talvez seja apenas um convite para reavaliar o que realmente importa. Os jovens não o reconhecerão pelo que você foi, e isso é uma bênção disfarçada: você pode agora ser apenas quem você é. Sem máscaras, sem títulos, apenas a essência. Os velhos amigos, aqueles que não perguntam “quem você era”, mas “como você está”, tornam-se joias preciosas, diamantes que brilham no crepúsculo da vida.

E então, aos 80 ou 90, é a família que, na sua correria, se afasta um pouco mais. Mas é aí que a sabedoria nos abraça com força. Entendemos que amor não é posse; é liberdade. Seus filhos, seus netos, seguem suas vidas, como você seguiu a sua. A distância física não diminui o afeto, mas ensina que o amor verdadeiro é generoso, não exigente.

Quando a Terra finalmente chamar por você, não há motivo para medo. É a última dança de um ciclo natural, o encerramento de um capítulo escrito com suor, lágrimas, risos e memórias. Mas o que fica, o que realmente nunca será eliminado, são as marcas que deixamos nas almas que tocamos.

Portanto, enquanto há fôlego, energia, enquanto o coração bate firme, viva intensamente. Abrace os encontros, ria alto, desfrute os prazeres simples e complexos da vida. Cultive suas amizades como quem cuida de um jardim. Porque, no final, o que resta não são as conquistas, nem os títulos, nem os aplausos. O que resta são os laços, os momentos partilhados, a luz que espalhamos.

Seja luz, seja presença, e você será eterno.

Dedico a todos que entendem que o tempo não apaga, mas apenas transforma.”

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José Luiz Ricchetti é natural de São Manuel/SP, 1952.  Formado em engenharia mecânica, com pós-graduação pela FGV de SP, em Administração de Empresas e Comércio Exterior e MBA em Gestão de TI e Telecom pelo INATEL-UCAM - RJ. Atuou por mais de 40 anos, como executivo de grandes empresas brasileiras e multinacionais no Brasil e no exterior. Posteriormente fundou suas próprias empresas, com escritórios nos Estados Unidos, Portugal e Peru. Residiu no exterior por vários anos e realizou inúmeras viagens pelo mundo, onde teve a oportunidade de entrar em contato com as várias culturas, nos três continentes, América, Europa e Ásia.  Retornou ao Brasil em 2003 e fixou residência em São Paulo. Em 2017 se mudou para a cidade de São Carlos/SP, onde encerrou sua carreira de executivo para se dedicar a escrever livros de crônicas, contos.

Fontes: 
Texto enviado por Elisa Alderani.
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing 

Aparecido Raimundo de Souza (De saia justa)


ELLEN, minha neta de treze anos se desentendeu feio com a mãe dela e gritou, para todos os demais presentes que estavam na sala que iria embora. 

Subiu para seu quarto, como um foguete, pegou uma mochila da Barbie, colocou um amontoado de roupas, calçou os tênis novos que lhe dei e sem perder o pique, desceu as escadas na mesma afoiteza com a qual subiu. 

Escancarou a porta da sala que dava acesso à rua. Antes de cruzar definitivamente o umbral, olhou para trás e mandou vê:

— Mãe, pai, tio, tia, primos Heitor e João Eduardo, nesta droga de casa eu não fico nem mais um segundo. Tchau. Fui!

Ensaiou dois passos à frente, espiou para a galera que seguia sentada no sofá vendo televisão, e, de soslaio, as vistas grudadas em sua nuca. 

Por fim, com o rostinho choroso, pegou na minha mão e inquiriu muito séria e compenetrada: 

— Vô, vovozinho, você vem comigo?
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Aparecido Raimundo de Souza, natural de Andirá/PR, 1953. Aos doze anos, deu vida ao livro “O menino de Andirá,” onde contava a sua vida desde os primórdios de seu nascimento, o qual nunca chegou a ser publicado. Em Osasco, foi responsável, de 1973 a 1981, pela coluna Social no jornal “Municípios em Marcha” (hoje “Diário de Osasco”). Neste jornal, além de sua coluna social, escrevia também crônicas, embora seu foco fosse viver e trazer à público as efervescências apenas em prol da sociedade local. Aos vinte anos, ingressou na Faculdade de Direito de Itu, formando-se bacharel em direito. Após este curso, matriculou-se na Faculdade da Fundação Cásper Líbero, diplomando-se em jornalismo. Colaborou como cronista, para diversos jornais do Rio de Janeiro e Minas Gerais, como A Gazeta do Rio de Janeiro, A Tribuna de Vitória e Jornal A Gazeta, entre outras.  Hoje, é free lancer da Revista ”QUEM” (da Rede Globo de Televisão), onde se dedica a publicar diariamente fofocas.  Escreve crônicas sobre os mais diversos temas as quintas-feiras para o jornal “O Dia, no Rio de Janeiro.” Acadêmico da Confraria Brasileira de Letras. Reside atualmente em Vila Velha/ES.

Fonte:
Texto enviado pelo autor. 
Imagem criada por Jfeldman com Microsoft Bing