LUIZ POETA
(Luiz Gilberto de Barros)
Rio de Janeiro/RJ
Num devaneio, a velhinha
volta aos tempos de criança
e brinca, sorri, caminha ...
pelas ruas da esperança.
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Soneto de
ERIGUTEMBERG MENESES
Blumenau/SC
Máquina de costura
Máquina de costura relegada,
Sem uso por não ter manutenção,
Ganhou de um mecânico a atenção
E teve a engrenagem reparada.
Passando novamente a ser cuidada,
Recuperou depressa a tração
E de quem dela entende a função
Ganhou uma agulha calibrada.
A agulha nova entrando na fissura
Dos dentes, ao dar pontos à costura,
Deixava a costureira satisfeita.
Moral da história: sendo bem mexida,
Até máquina velha esquecida,
No ponto atrás e à frente, é perfeita.
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Poema de
DANIEL MAURÍCIO
Curitiba/PR
Sonhos
Tenho os
sonhos
pichados no muro,
que sorri ensolarado
sua própria miséria
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Soneto de
LUCIANO DÍDIMO
Fortaleza/CE
Coração branco
Receberia de Deus, com prazer,
Um coração com a paz de criança
Que confiante, no colo, descansa,
Tendo por certo que o sol vai se erguer.
Um coração a pulsar no meu ser,
Dilacerando aflições feito lança,
Embora frágil, intrépido em dança,
Inquebrantável, com luz de poder.
Um coração infantil, com efeito,
Que seja puro, inocente, sem tranca,
Nos alforria do mal que atravanca.
Eu gostaria de ter em meu peito,
Para que um dia, no céu, seja aceito,
Um coração que tivesse a cor branca.
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Trova de
FABIANO FECHINE TORRES CLEMENTE
Natal / RN
Ao olhar pela janela,
raiando a primeira hora,
sinto a esperança que nela
o bem renasça na aurora.
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Soneto de
JERSON BRITO
Porto Velho/RO
Penitência
Os lívidos despojos desgarrados
do sopro infecto, negro, pestilento,
sinistro mausoléu, são monumento
aos sonhos pelo tempo aniquilados.
Entregam-se ao prazer do acerbo vento,
num coração sem luz ergastulados,
escombros de desejos malogrados,
retrato do final definhamento.
Trilhado seu percurso derradeiro,
guardando passos jaz o caminheiro.
Emudecidos, dormem seus clamores...
Um rosto descorado, sem fulgência,
exprime a vergastante penitência
que cumprem neste plano os sonhadores.
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Trova de
MARIA HELENA URURAHY CAMPOS
Angra dos Reis/RJ
E procurando ensinar,
a minha vida passei,
pra no final constatar:
– Aprendi mais que ensinei.
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Soneto de
ELVIRA GLÓRIA DRUMMOND
Fortaleza/CE
… E a vida?
A vida? Simplesmente uma passagem…
em âmbito terreno, o nosso espaço
de experiências — rol de aprendizagem —
que ajunto dando o norte do que faço.
A vida? Pura e bela jardinagem…
em que a mãe-terra serve de regaço
para acolher sementes de coragem
florindo a comunhão que anseio e abraço.
A vida? Segue a bússola da ação,
em que o retorno vem, na contramão,
com flores que colheu no entardecer…
E o tempo — nosso grande grão-vizir —
diz: — quem não vive para, aqui, servir,
enfim, não serve para, aqui, viver…
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Trova de
ARTHUR THOMAZ
Campinas/SP
Mesmo ao teu lado eu estando,
é sensação dolorida
ver a saudade chegando,
antes da tua partida.
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Soneto de
FERNANDO ANTONIO BELINO
Sete Lagoas/MG
A vida
Tal punhado de areia, a vida humana
Esvai-se, fatalmente, grão em grão.
Deter o tempo é sempre esforço vão;
Contra a morte voraz, a luta é insana!
A vida é sopro apenas, e se engana
Quem crê na vida além, pura ilusão,
Pois, ao negar a própria condição,
Caminha para o abismo em caravana.
A eternidade é a grande fantasia
Que a humanidade em desespero cria,
Tentando resistir à triste sorte.
E, assim, desperdiçando o dom da vida,
Na busca de uma terra prometida,
Encontra, simplesmente, a fria morte.
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Trova de
LUCÍLIA A.T. DECARLI
Bandeirantes/PR
Para mais elo entre os seres,
e estenderem horizontes,
atentos aos seus deveres
os homens construíram pontes,
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES
Funesto
Amar, amar,
amar, amar, eternamente;
amar até os nossos corações,
descompassados,
fora de si e extasiados,
a se sentirem cansados;
“por tudo que nos deixou cegos de amor
num amar tresloucadamente envolvente...”
E, logo depois, logo depois, de novo,
de novo, amar, amar, amar,
e deixar que eles parem de bater
do nada, num “de repente”,
levados pelas loucuras insanas
desse nosso gostar,
desse nosso gostar inconsequente...
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Trova de
LILIAN MAIAL
Rio de Janeiro/RJ
A palavra é como a flecha,
atravessa o coração;
a ferida nunca fecha,
sangra lágrima-canção!
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