segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Asas da Poesia * 209 *

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Trova de
LUIZ POETA
(Luiz Gilberto de Barros)
Rio de Janeiro/RJ

Num jardim de alvenaria,
numa fenda da calçada,
uma flor, por ironia,
construiu sua morada.
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Soneto do
PROFESSOR GARCIA
Caicó/RN

Quem não sonha não vive

Peço a Deus, nessa nova caminhada,
que o meu sonho não seja prematuro;
Querer pingos de luz na minha estrada,
muitas gotas de amor, no meu futuro.

E amanhã, ao romper de outra alvorada,
ver a luz de um porvir, santo e seguro,
sentir paz na mais terna madrugada
e os encantos de tudo que procuro.

Querer raios solares me beijando,
e o sossego das nuvens passeando
em meus sonhos febris, angelicais...

Despertar todo dia, entre os arranjos,
escutando os clarins da voz dos anjos
pelo sopro das brisas matinais!
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Triverso de
MILLÔR FERNANDES
Rio de Janeiro/RJ, 1923-2012

Eremita, me afundo
No deserto, pra ser
O centro do mundo.
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Spina de
CLEUSA PIOVESAN
Capanema/PR

Tecelã

Tecelã de destinos
visto-me de gala
modelo grandes alegorias.

Alinhavo meus sonhos, pesponto dores,
costuro a roupa de Carnaval
com plumas, paetês, purpurina: fantasias!
Caio na sarjeta na quarta-feira
despojada de tecer os dias!
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Trova de
LUCÍLIA A. T. DECARLI
Bandeirantes/PR

O amor que trazes no olhar
transcende à própria magia
e eu nem ouso questionar
se é real ou fantasia…
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Poema de
AMILTON MACIEL MONTEIRO
São José dos Campos/SP

Homem

Um homem de verdade não despreza
o filho que gerou e pôs na terra;
pelo contrário, é genitor que preza
a bênção que essa graça em si encerra.

O homem como tal, ajoelha e reza,
pedindo a Deus, que é bom e nunca erra,
para jamais ser pai que menospreza
o filho que a família até descerra!

Um homem de verdade tem que honrar
a integridade com a qual nasceu
e dar o exemplo para o filho seu.

Não pode ser assim, por conseguinte,
um pai que represente até um acinte,
gerando um filho e não o querer criar!
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Poetrix de
DIANA PILATTI
Campo Grande/MS

Versos dolorosos

sangra insone
lambe a poesia ferida
– poeta sem nome.
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Spina de
TÂNIA MARIA ALVES
São Paulo/SP

Lua e garoa

Olhava a lua
embaçada, brilho fosco,
indefinida cor fugidia.

Minha lua, essa luz úmida
desliza tom marrom de céu,
aumenta dor, meu peito judia.
Garoa... Poste... Luz trêmula, encanto...
Assim a lua iluminou... Tardia!
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Haicai de
GUILHERME DE ALMEIDA
Campinas/SP, 1890-1969, São Paulo/SP

Velhice

Uma folha morta.
Um galho no céu grisalho.
Fecho a minha porta.
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Soneto de
ANTONIO JURACI SIQUEIRA
Belém/PA

Utopias

Cabocla bonita de olhar penetrante
que me olhas sorrindo do computador 
te vejo, a um só tempo, tão perto e tão distante
dos sonhos, dos olhos e do meu amor.

No ventre da noite, te busco ofegante,
rabisco um poema, rascunho uma flor
na tola ilusão de no mais breve instante,
te ter entre as dobras do meu cobertor.

Te vejo na teia dos teus afazeres
envolta entre sonhos, projetos urbanos…
E a vida é tão curta, um traço de giz!…

E eu, a esgrimir contra a fúria dos anos,
invento utopias, desenho prazeres
e em sonhos, contigo, me sinto feliz!
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 Trova de 
LUIZ VIEIRA
Irati/PR

Quando as palavras na trova
forem sendas para o místico,
em cada verso se prova
a essência do dito artístico.
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Poema de
APARECIDO RAIMUNDO DE SOUZA
Vila Velha/ES

Pedido

Vai, me leva pra casa,
quero ser o seu amor.
A minha imaginação,
só de pensar, cria asas;
apesar do seu desamor...
Porém, não sou de desistir
nem de entregar os pontos...
um dia, você vai descobrir:
somos dois seres “velhos e tontos”.
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Trova de
FILOMENA ZOREK
Irati/PR

Em decisão acertada,
nos seus lábios de veludo,
fizeram do quase nada
transformar-se em quase tudo.
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Spina de
RITA QUEIROZ
Salvador/BA

Lucidez e loucura

Saudades jazem absortas.
Incompletudes de mar
na peregrina escrita.

Laços materializam a insustentável leveza
dos corpos que brotam cactos,
tornando inexata a caminhada finita.
No devir das horas imprecisas,
vontades inacabadas me dão guarita.
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Trova de
MARIA SILVANA PRADO
Irati/PR

Para este mal, não tem cura,
grande é o amor que me invade.
Se vens, vibro de ternura
se vais, morro de saudade.
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Poema de
ATÍLIO ANDRADE
Curitiba/PR

O fim

Sem mala , sem nada 
No vão  do caminho
Na moita de espinho 
Que fere seu ninho
Tenta o caminho encontrar
Na escura despedida
Que vem de mansinho 
A vida... levar,
A passo, de  passarinho.
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Trova de
SÍLVIA MARIA E. SVEREDA
Irati/PR

Só uma folha em branco quando,
a inspiração vem em mim,
tal qual pássaros em bando,
pousando no meu jardim.
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Spina de
ROSANGELA BRUNO SHMIDT CONCADO
Florianópolis/SC

Agora floresço

Escrevo meus poemas
com tanto amor,
que só floresço.

Mesmo não sendo musa, enrubesço,
jardim abandonado, solitário sem brilho,
me encanto com jardineiro, incandesço.
Penso como moça à janela...
Agora flor viçosa, bela, rejuvenesço!
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Trova de
CATERINA BALSANO GAIOSKI
Irati/PR

Raças, cores e sabores,
nas rodas de chimarrão,
falam de sonhos e amores,
bendizendo este chão.
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Poema de
CECY BARBOSA CAMPOS
Juiz de Fora/MG

Dores

Uma dor que fica lá dentro
da qual não se pode falar
mas que finca, com agudeza,
incurável,
sem desvio nem esperança.
Sem revelar o motivo
a vida vai me levando
e a dor comigo persiste,
por dentro me lacerando.
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Haicai de
HELENA KOLODY
Cruz Machado/PR, 1912 – 2004, Curitiba/PR

Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
Que há pouco chorou.
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Mensagem na Garrafa 204 = A cruz e a ponte

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AUTOR ANÔNIMO

Certa vez um homem que foi visitado pôr um certo anjo do senhor, disse a ele: – Eu vim trazer a sua cruz para que você possa carrega-la na sua jornada. 

Ele pegou a cruz e seguiu. Quando ele já estava bem adiante de sua jornada, ele encontrou um homem que disse a ele o seguinte:

- Como vai, tudo bem? O que você está fazendo com esta cruz ai? Está maluco? Ela dever ser muito pesada.

E o outro respondeu: 

- Não estou maluco não, cada um deve carregar a sua cruz. Mas ela realmente é pesada.

- Então por que você não corta um pedaço do pé da cruz? Vai ficar mais leve.

- Eu não posso fazer isso, é a minha cruz eu tenho que carregá-la.

- Que besteira, isso é besteira. Corta só um pedacinho ninguém vai saber. Assim vai ficar mais leve para você carregar. 

E o homem o convenceu de cortar um pedaço.

- Viu, não ficou mais leve?

- É, você tinha razão, só um pouco não vai fazer mal. 

E ele continuou seguindo sua jornada. Bem mais lá na frente de sua longa caminhada eis que ele encontra novamente aquele homem.

- Como vai? Você continua carregando isso ai? Achei que tivesse desistido.

- Sim, eu continuo carregando a minha cruz.

- Mas ela deve estar muito pesada. Por que você não corta mais um pouco? Vai ficar mais leve.

- É, pode ser, não doeu nada da outra vez.

- Vamos cortar. Só que vamos cortar um pouco mais pra ela ficar bem mais leve né?

Ele concordou em cortar e depois seguiu sua jornada.

Muito tempo depois ele avista a cidade maravilhosa, cheia de ouro, pedras preciosas, prata. Era a visão mais maravilhosa que ele já teve em toda a sua vida. Era tão iluminada que não precisava do sol. Brilhava tanto...

Quando sem esperar ele se depara com um abismo e ele não entendeu o porque o abismo. E tamanho era o desespero que ele começa a gritar e gritar e gritar:

- Socorro, me ajudem, quero atravessar, socorro alguém por favor me ajude quero entrar na cidade!!!

Cansado de tanto gritar, ele vê do outro lado do abismo o anjo, aquele que entregou a cruz. E o anjo pergunta a ele:

- O que você esta fazendo aí do outro lado? Por que você ainda não atravessou?

- Como? Não vê o abismo que nos separa?

- Sim, vejo, respondeu o anjo.

- Então, como que eu vou atravessar?

- Onde esta a ponte que eu te entreguei?

- Que ponte? Você me entregou uma cruz e ela está comigo.

E o anjo disse: 

- Então coloque-a no meio do abismo, porque o tamanho dela é exato para que você possa atravessar.

José Feldman (A Lâmpada Mágica)


À beira de uma praia deserta, dois amigos de longa data, Joca e Cido, caminhavam sob o sol quente quando algo brilhou na areia. Era uma lâmpada de bronze, antiga e descascada.

Cido, o mais apressado, limpou o objeto e, num estalar de dedos, um gênio surgiu entre fumaças azuis.

— Por terem me libertado, concederei um único desejo que valerá para os dois — trovejou a entidade. — Mas cuidado: o desejo deve ser escolhido em comum acordo até o pôr do sol, ou a lâmpada desaparecerá.

Cido, cujos olhos já brilhavam com a cobiça, gritou imediatamente:

— Quero uma montanha de ouro! Seremos os homens mais ricos do mundo, Joca! Pense nas festas, nos palácios e no poder!

Joca, porém, sentou-se na areia e olhou para o horizonte.

— Cido, o ouro traz ladrões e preocupações. Se tivermos uma montanha de ouro, nossa amizade morrerá na disputa por cada grama. Eu prefiro desejar uma fonte eterna de saúde e paz. Com o corpo são e a mente tranquila, podemos trabalhar e conquistar o que quisermos, sem medo.

A discussão começou. Cido chamava o amigo de tolo; Joca chamava o outro de imprudente. O sol começou a beijar o mar, tingindo o céu de laranja. A ganância de um não cedia à cautela do outro. Cido queria o mundo aos seus pés; Joca queria o mundo dentro de si.

Quando o último raio de sol sumiu no oceano, o gênio soltou uma gargalhada profunda e desapareceu, levando a lâmpada consigo para as profundezas. Os dois ficaram ali, parados na areia escura, com as mãos vazias. Tinham perdido a oportunidade não porque o gênio era ruim, mas porque a ambição de um e a intransigência do outro impediram o equilíbrio.

Moral: 
A oportunidade perdida por falta de entendimento é o maior prejuízo que dois amigos podem sofrer; a teimosia em querer tudo impede que se ganhe o essencial.
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JOSÉ FELDMAN (71) é um influente escritor, poeta, gestor cultural e um dos mais proeminentes trovadores contemporâneos do Brasil. Embora tenha nascido em São Paulo, ele possui uma ligação profunda com o estado do Paraná, onde está radicado e atua de maneira incansável como um polo difusor da literatura trovadoresca. Nasceu em São Paulo (SP), em 1954,: sua história com o estado do Paraná começou a se consolidar no final da década de 1990. Residiu em cidades como Curitiba e Ubiratã e em Maringá (PR) no ano de 2011. Sempre buscou uma formação multidisciplinar vasta, realizando cursos que vão de Filosofia e Contabilidade a Artes Dramáticas. Em 1975, formou-se como Técnico de Laboratórios Médicos, trabalhando por anos no setor hospitalar. Atua fortemente como gestor cultural e editor virtual. É o criador e comandante de importantes veículos de informação poética, como os blogs Singrando Horizontes e Voo da Gralha Azul. Exerce papel de liderança institucional, atuando como Presidente da Confraria Brasileira de Letras, sendo um os fundadores e Conselheiro Internacional do Movimento União Cultural, agraciado com o título de Comandante Supremo do Saber, em Timisoara/Romênia; honra ao mérito supremo na Academia de Letras, em Berna/Suiça; título Magnus Magister, em Portugal; No Brasil, Título de Comendador pela Academia Pan-Americana de Letras e Artes; Prêmio Liderança pela paz, do Rotary Club; Prêmio Monteiro Lobato, do Movimento União Cultural, etc.
No início de sua formação, estudou romance com Mário Amato e ficção científica com o renomado escritor André Carneiro, além de receber orientações literárias do célebre. Sua introdução ao universo das trovas (poemas de quatro versos de sete sílabas poéticas com rimas) deu-se pelas mãos do Magnífico Trovador Izo Goldman. Tornou-se um trovador premiado nacionalmente, acumulando vitórias em concursos de destaque, como os tradicionais Jogos Florais de Curitiba e de Nova Friburgo.  É visto na literatura contemporânea como um pioneiro na democratização digital da poesia clássica, atuando em três pilares principais:
1 - Almanaques Literários (Chuva de Versos e O Voo da Gralha Azul): Feldman é amplamente elogiado pela crítica e por seus pares por organizar e editar e-books coletivos de distribuição gratuita, Distribuição massiva e gratuita de compilações literárias em formato PDF. O seu Almanaque Chuva de Versos ultrapassou centenas de edições. Esses e-books são vistos como um valioso serviço de utilidade pública cultural, pois servem de vitrine para autores consagrados e novos talentos de todo o Brasil e de países de língua portuguesa.
2 - Preservação e Ativismo da Trova: No meio acadêmico, ele é descrito como um "incansável divulgador da Trova". Em uma época em que o verso livre predomina, a sua insistência na trova e no soneto confere-lhe o status de guardião da tradição poética luso-brasileira.
3 - Recepção dos Textos: Suas trovas pessoais são vistas como reflexivas, sensíveis e dotadas de uma sabedoria cotidiana. Elas abordam temas como o amor, a esperança, a passagem do tempo e as incertezas humanas através de uma linguagem limpa, porém tecnicamente perfeita.
No universo literário, a prosa de Feldman (seus contos e crônicas) é vista como um reflexo humanista, sensível e acessível da realidade, mantendo grande coerência com a sua identidade poética. Enquanto suas trovas seguem o rigor da métrica, seus textos em prosa desfrutam de maior liberdade criativa, destacando-se pelos seguintes fatores: 1. Foco no Cotidiano e na Infância: Seus contos e crônicas costumam resgatar memórias afetivas, a simplicidade do dia a dia e reflexões sobre a passagem do tempo. O próprio autor destaca que seu interesse pela literatura começou na infância justamente por meio da criação de contos; 2. Olhar Filosófico e Psicológico: Influenciados por sua formação multidisciplinar (que inclui estudos de Filosofia), seus textos curtos não buscam apenas entreter, mas provocar no leitor uma postura investigativa, questionadora e mais atenta ao mundo ao seu redor; 3. Democratização da Leitura: Assim como ocorre com seus e-books de poesia, suas coletâneas de crônicas e contos em formato digital são vistas pela crítica como ferramentas fundamentais de inclusão cultural. Ao distribuí-los gratuitamente na internet, ele rompe as barreiras do mercado editorial tradicional, fazendo com que sua prosa chegue diretamente ao leitor comum e sirva de incentivo para novos leitores.
Possui reconhecimento internacional, inserido principalmente no contexto da comunidade lusófona (países que compartilham a língua portuguesa). Em Portugal e Angola: Suas trovas, contos e crônicas circulam amplamente em portais literários europeus e africanos. Ele participa ativamente de intercâmbios culturais virtuais com escritores desses países, o que consolidou seu nome entre os entusiastas da literatura ibero-americana. O grande vetor de sua internacionalização são seus e-books e almanaques (como o Chuva de Versos). Como essas coletâneas são publicadas digitalmente e de forma colaborativa, Feldman frequentemente seleciona, edita e publica textos de poetas e prosadores residentes na Europa, África e outros países da América Latina, integrando redes globais de literatura independente. Dessa forma, seu nome é respeitado fora do Brasil tanto por sua produção autoral quanto por seu papel como embaixador cultural e agregador de escritores da Língua Portuguesa no ambiente digital.

Fontes:
José Feldman. Pergola de textos. Floresta/PR: Biblioteca Sunshine, 2026.
Biografia: Antonio Miranda; Ed. Pragmatha; Confraria Brasileira de Letras, Bonde; Francisco Pessoa, UFRJ, etc.

Interlúdio * 14 *

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        OLYMPIO DA CRUZ SIMÕES COUTINHO é um renomado jornalista e poeta mineiro, amplamente reconhecido no meio cultural como um dos grandes nomes da trova no Brasil. Nasceu 1940, na cidade de Ubá/MG Passou a infância e a juventude em sua cidade natal. Em 1962, mudou-se para Belo Horizonte, capital mineira, onde fixou residência e se radicou. Formou-se em Jornalismo em 1965. Iniciou imediatamente sua carreira na imprensa e na comunicação. Atuou em importantes jornais mineiros da época, incluindo a edição estadual do Última Hora, o Folha de Minas e o Jornal de Minas.
Descobriu sua vocação poética muito cedo e começou a compor trovas em 1958, aos 18 anos de idade. Durante a adolescência e juventude, manteve intensa correspondência literária com os grandes pioneiros do movimento trovadoresco e criadores dos Jogos Florais no Brasil, como Luiz Otávio, J. G. de Araújo Jorge, Aparício Fernandes. É membro histórico e ativo da seção de Belo Horizonte (UBT/BH), integrou a diretoria oficial exercendo o cargo de Vice-Presidente de Cultura e Relações Públicas. Ao longo de suas décadas de dedicação à poesia, conquistou diversas classificações e premiações em concursos nacionais e internacionais, como
Prêmios em certames oficiais de trovas no Brasil e em Portugal ainda na juventude, Destaques e Menções Honrosas em renomados Jogos Florais e concursos da UBT por todo o país, como em Ribeirão Preto, Nova Friburgo, Santos, Taubaté, Bandeirantes, Caicó, Cambuci e Natal. Eleito para o seleto grupo de Mestres Trovadores da Literatura.
Livros Publicados: Festival de Trovas (1966); Um Punhado de Trovas e outros Escritos (2015).
A relevância de Olympio Coutinho reside no fato de ele ser considerado um remanescente da "era de ouro" da trova no Brasil. Ele atuou diretamente como uma ponte viva entre a geração que fundou o movimento no século XX e os novos poetas contemporâneos. Sua dedicação em preservar a trova e sua liderança cultural ajudam a manter viva uma das manifestações poéticas mais tradicionais e populares da Língua Portuguesa.

António Lobo Antunes (Elogio do subúrbio)


Cresci nos subúrbios de Lisboa, em Benfica, então quintinhas, travessas, casas baixas, a ouvir as mães chamarem ao crepúsculo:

— Víííííííítor

Num grito que, partido da Rua Ernesto da Silva, alcançava a cegonhas no cume das árvores mais altas e afogava os pavões no lago sob os álamos. 

Cresci junto ao castelinho das Portas que nos separava da Venda Nova e da Estrada Militar, num país cujos postos fronteiriços eram a drogaria do senhor Jardim, a mercearia do Careca, a pastelaria do senhor Madureira e a capelista Havaneza do senhor Silvino, e demorava-me à tarde na oficina de sapateiro do senhor Florindo, a bater sola num cubículo escuro rodeado de cegos sentados em banquinhos baixos, envoltos no cheiro de cabedal e miséria que se mantém como o único odor de santidade que conheço. 

A dona Maria Salgado, pequenina, magra, sempre de luto, transportava a Sagrada Família, numa caixa de vivenda em vivenda, e os meus avós recebiam na sala durante quinze dias essas três figuras de barro numa redoma embaciada que as criadas iluminavam de pavios de azeite. 

Cresci entre o senhor Paulo que consertava com guitas e caniços as asas dos pardais, e os Ferra-a-Bico cuja tia fugiu com um cigano e lia a sina nas praias, embuçada de negro como a viúva de um marujo que nunca deu à costa. 

Os meus amigos tinham nomes próprios tremendos (Lafaiete, Jaurés) e habitavam rés do chão de janelas ao nível da calçada onde e distinguiam aparelhos de rádio gigantescos, vasos de manjerico e madrinhas de chinelos. O cão da fábrica de curtumes acendia latidos fosforescentes nas noites de julho, quando o pólen me chovia nas pálpebras, eu, morto de amores pela mulher de Sandokan, descobria-me unicórnio trancado na latrina da escola, e o brigadeiro Maia, de boina basca, descia à Adega dos Ossos a gesticular contra o regime. Na época em que aos treze anos me estreei no hóquei em patins do Futebol Benfica, o guarda-redes enchumaçado como um barão medieval apontou-me ao pasmo dos colegas.

— O pai do ruço é doutor. – no que constituiu de imediato a minha primeira glória desportiva e a primeira tenebrosa responsabilidade, a partir do momento em que o treinador, a apalpar-me os músculos com os olhos, preveniu numa careta de dúvida

— Sempre estou para ver se lhes chegas, ó ruço, que o teu pai no ringue era lixado para a porrada.

O dono da Farmácia União jogava o pau, a esposa do proprietário da Farmácia Marques era uma grega suntuosa de nádegas de ânfora e pupilas acesas, que me fazia esquecer a mulher de Sandokan ao vê-la aos domingos a caminho da igreja, o sineiro a quem chamavam Zé Martelo e que tocava o Papagaio Loiro na Elevação da missa do meio-dia em vez do A treze de Maio obrigatório, possuía uma agência funerária cujo prospecto-reclame começava "Para que teima Vossa Excelência em viver se por cem escudos pode ter um lindo funeral?", e eu escrevia versos nos intervalos do hóquei, fumava às escondidas, uma das minhas extremidades tocava Jesus Correia e a outra Camões, e era indecentemente feliz.

Hoje, se vou a Benfica não encontro Benfica. Os pavões calaram-se, nenhuma cegonha na palmeira dos Correios (já não existe a palmeira dos Correios, a quinta dos Lobo Antunes foi vendida) o senhor Silvino, o senhor Florindo e o senhor Jardim morreram, ergueram prédios no lugar das casas, mas eu suspeito que por baixo destes edifícios de cinco e seis e sete e oito e nove andares, num ponto qualquer sob marquises e sucursais de banco, o senhor Paulo ainda conserta, com guitas e caniços, as asas dos pardais, a dona Maria Salgado ainda trota de vivenda em vivenda com a Sagrada Família na sua redoma embaciada, o Lafaiete e o Jaurés jogam ao virinhas na Calçada do Tojal cercados de vasos de manjerico e madrinhas de chinelos. Não há aviões, nem cegonhas e contudo a acácia dos meus pais, teimosa, resiste. Talvez que só a acácia resista, que só ela sobeje desse tempo como o mastro, furando as ondas, de um navio submerso. A acácia basta-me. Arrasaram as lojas e os pátios, não tocam o Papagaio Loiro no sino, mas a acácia resiste. Resiste. E sei que junto do seu tronco, se fechar os olhos e encostar a orelha ao seu tronco, hei-de ouvir a voz da minha mãe chamar:

— Antóóóóóóóónio!!!

E um miúdo ruço atravessará o quintal, com um saco de berlindes na algibeira, passará por mim sem me ver e sumir-se-á lá em cima no quarto, a sonhar que ao menos a mulher de Sandokan não o obrigaria nunca a comer purê de batata nem sopa de nabos durante o tormento do jantar.
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O escritor e médico psiquiatra ANTÓNIO LOBO ANTUNES é amplamente consagrado como um dos maiores e mais revolucionários nomes da literatura em língua portuguesa contemporânea. Nasceu em 1942, em Lisboa/ Portugal falecendo nesta mesma cidade em 2026 (aos 83 anos). Passou a maior parte de sua vida em Lisboa especialmente no bairro de Benfica, com exceção do período de 27 meses em que foi mobilizado para a Guerra Colonial em Angola. Pressionado pelo pai, graduou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e especializou-se em Psiquiatria. Exerceu a profissão por muitos anos no Hospital Miguel Bombarda, em Lisboa. Entre 1971 e 1973, atuou como médico militar e tenente do exército português durante a violenta Guerra Colonial em Angola. Essa vivência clínica e o contato íntimo com o trauma da guerra moldaram profundamente sua visão sobre o sofrimento e a mente humana. Em 1985, afastou-se da medicina para dedicar-se exclusivamente à literatura.
Sua estreia oficial ocorreu em 1979 com o aclamado romance Memória de Elefante, seguido de Conhecimento do Inferno (1980). Esses primeiros livros focaram nos traumas, no absurdo e nas marcas psicológicas deixadas pela Guerra Colonial e pelo regime salazarista. A partir daí, construiu uma carreira prolífica e contínua de mais de quatro décadas, publicando dezenas de romances e coletâneas de crônicas. Membro fundador da Academia Pedro Hispano (Portugal). Embora consagrado mundialmente, Lobo Antunes optou historicamente por manter um isolamento voluntário no circuito literário tradicional, sendo as suas obras amplamente integradas e estudadas pelas maiores academias universitárias do mundo. Traduzido em dezenas de idiomas, foi por muitas décadas considerado o eterno candidato português ao Prêmio Nobel de Literatura. Entre as suas distinções mais célebres destacam-se: Prêmio Camões (2007); Prêmio Juan Rulfo / Prêmio FIL de Literatura em Línguas Românicas (2008); Prêmio Jerusalém (2005); Prêmio Europeu de Literatura (2001); Prêmio Ovidio (2003); Prêmio José Donoso (2006).
Condecorado como Comendador das Artes e das Letras pelo governo francês e, postumamente, com o Grande Colar da Ordem de Camões em Portugal. Com uma extensa bibliografia de mais de 30 romances, como: Memória de Elefante (1979); Conhecimento do Inferno (1980); Explicação dos Pássaros (1981); Fado Alexandrino (1983); As Naus (1988); O Manual dos Inquisidores (1996); Ontem Não Te Vi Em Babilônia (2006); O Tamanho do Mundo (2022) – Seu último romance publicado em vida.
A relevância de António Lobo Antunes reside na sua profunda revolução estética e estilística. Ele rompeu completamente com a estrutura linear, tradicional e neorrealista do romance português. Sua escrita é marcada pela polifonia (múltiplas vozes que se sobrepõem) e por uma narrativa fragmentada, que mimetiza o fluxo de consciência e os labirintos da memória humana. Misturando prosa, poesia e autoficção em um estilo barroco denso, ele conseguiu colocar o tempo em suspensão — onde vivos e mortos dialogam no mesmo plano. Lobo Antunes foi crucial para dissecar as entranhas da sociedade portuguesa pós-ditadura, transformando o trauma histórico da guerra e as patologias da alma em uma literatura universal, poética e arrebatadora.

Fontes:
António Lobo Antunes. Livro de Crônicas. Lisboa/Portugal: Publ. Dom Quixote, 1998.
Biografia = Wikipedia, Wook Portugal, G1 Globo, CNN Brasil, Público Portugal, Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas de Portugal, etc.

Arthur Thomaz (Oscar, o espantalho)


Na solidão do milharal, o espantalho cumpria a sua função, chacoalhando ao sabor do vento, assustando os pássaros que vinham assolar a plantação. A exceção ficava por conta do casal, Corvolinda e Corvolino, que depois de devorarem algumas espigas, vinham sentar-se nos ombros do espantalho e ficavam horas conversando com ele.

Certo dia, lá no alto de uma montanha, em seu castelo assombrado, a feiticeira Luana ensinava a sua neta Polidora a fazer feitiços utilizando uma varinha mágica.

Sem querer, a menina virou a varinha em direção ao sopé da montanha, e atingiu o espantalho, que imediatamente tornou-se humano.

Atônito, sem saber o que fazer, dirigiu-se à cidade mais próxima. Com sua roupa esfarrapada, descalço, na esperança de conseguir uma roupa em algum lugar, chegando em uma loja encontrou uma menina rica, fazendo compras com a mãe. Ela, na inocência, olhou para ele e disse:

– Mamãe, olhe que homem feio. Parece o tio Itamar.

E continuou:

– Mamãe, vamos comprar uma roupa para ele, porque ele está vestindo farrapos.

A mãe, envergonhada, pediu ao dono da loja uma peça de roupa para o rapaz feio.

E foram embora.

Mas quando a mãe e a filha saíram da loja, o dono tomou a roupa nova, e deu-lhe uma usada, uma velha sandália e expulsou-o da loja.

Oscar, assim mesmo, agradeceu, despiu-se dos farrapos, colocou a roupa que lhe fora dada e perambulou pela cidade, procurando um trabalho qualquer, que lhe desse condições de comprar comida. Era rejeitado em todas as casas pelo seu aspecto.

Quase chegando a noite, viu um grupo de pessoas embaixo de um viaduto, em torno de uma pequena fogueira. Eles acenaram para ele, pensando que era mais um deles.

Eram moradores de rua e estavam cozinhando algo em uma grande panela. Oscar aproximou-se e foi muito bem acolhido.

Nada lhe perguntaram, e ele também nada indagou sobre o fato de estarem ali. Alimentou-se e a noite dividiu com eles os papelões que serviam de colchão, e cobriu-se com jornal para enfrentar o frio da madrugada. Em pouco tempo, ambientou-se ao grupo heterogêneo.

Ouviu as histórias, cada uma mais triste que a outra, das razões que os levaram à condição de vida nas ruas. Sentiu-se como em uma família.

Em grupos, andavam pelas ruas, pedindo esmolas, ou oferecendo-se para fazer pequenos trabalhos, como capinar, carregar ou descarregar caminhões e outros, a fim de conseguirem um pouco de dinheiro para comprarem a refeição da noite.

Em determinada manhã, agentes públicos chegaram ao local onde estavam, com uma ordem judicial para removê-los. Foram empurrados e alguns levaram golpes de cassetete ao reagirem.

Queimaram todos os pertences que ali haviam. Sem opções, todos foram para as ruas em busca de outro local que os abrigasse. Rechaçados em todos os lugares onde foram, dormiram ao relento, sem terem sequer o papelão para deitarem em cima.

Oscar, perante tudo isso, percebeu que a vida aqui era muito pior do que a solidão do milharal. Despediu-se de todos, agradeceu a hospitalidade e o carinho, e foi até o morro onde ficava o castelo da feiticeira.

Gritou lá de baixo, solicitando que desfizessem o feitiço que o tornara humano. A feiticeira perguntou se era isso que realmente ele desejava. Diante da confirmação, desfez todo o feitiço que a sua neta havia feito sem querer.

Hoje, Oscar, o espantalho, vive feliz e tranquilo no meio do milharal, mantendo longas conversas com Corvolinda e Corvolino, bem afastado dos seres humanos.
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ARTHUR THOMAZ (assinando em concursos de trovas também como Arthur Thomaz da Silva Neto) é um escritor, médico e poeta paulista contemporâneo, de Campinas/SP. Ele vem se destacando no cenário da literatura do interior de São Paulo, pela versatilidade na prosa e pelo resgate ativo do movimento trovadoresco regional. A trajetória profissional de Arthur Thomaz concilia a carreira na saúde, o serviço militar e a dedicação integral à escrita: É médico de formação e atuou na área da saúde no interior paulista; Serviu ao Exército Brasileiro, onde alcançou o posto de 2º Tenente da Reserva (R2) do Corpo de Oficiais Médicos; Suas atividades literárias frequentemente se cruzam com espaços de reabilitação e saúde integrada, realizando lançamentos de livros em centros e clínicas especializadas da região de Campinas.
Embora com uma carreira consolidada na medicina como anestesista, Arthur Thomaz despontou no universo literário com uma produção altamente prolífica e diversificada, publicada e distribuída principalmente pela Bueno Editora. Sua vida literária transita por três vertentes principais: 
Os Romances e Ficção de Costumes: Escreve histórias que valorizam a simplicidade, o cotidiano e a vida no campo. Suas principais obras de prosa incluem Leves contos ao Léu (alguns volumes): Pedro Centauro (2024), Sofia e o Circo (2025) e Laura, a Autoridade.
Presença no Movimento Trovadoresco: Consolidou-se como um trovador premiado em importantes competições dos Trovadores e academias paulistas. Conquistou colocações de destaque em certames tradicionais, como o Concurso de Trovas da Academia Campinense de Letras e os Jogos Florais de Curitiba.
Produção de Trovas em Livro: No ano de 2024, lançou a obra de trovas Rimando Ilusões e Rimando Sonhos. O livro inovou no mercado editorial recente ao focar de maneira temática e exclusiva na estrutura clássica da trova.
A relevância de Arthur Thomaz na literatura contemporânea de Campinas e região apoia-se em fatores estéticos e de incentivo cultural: Em um mercado literário dominado por versos livres e e-books rápidos, Thomaz atua na contramão ao publicar Rimando Ilusões, trazendo visibilidade de mercado para a estrutura da trova (redondilha maior, com rimas fixas e métrica rigorosa de sete sílabas). Suas obras de ficção resgatam uma "literatura gentil", focada na vida rural paulista, no acolhimento de sua gente e nas sutilezas de personagens comuns. Isso ajuda a documentar a identidade sociocultural da região metropolitana de Campinas para além do caos puramente urbano. Por meio de seus lançamentos e de sua dupla jornada antigamente como médico e se mantendo como escritor, ele fomenta discussões sobre o papel da escrita como ferramenta de bem-estar, aproximando a literatura de círculos de saúde e desenvolvimento psicossocial na comunidade campineira.

Conto: (Arthur Thomaz. Leves contos ao léu: Inimagináveis. Santos/SP: Buena Ed., 2025. Enviado pelo autor.)

domingo, 2 de agosto de 2026

Chafariz de Trovas * 26 *


Teus olhos são dois poemas,
escritos na mesma cor;
são dois rosários de penas,
são duas trovas de amor.
ANTÔNIO LAFAYETTE 
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Embora mortos estejam,
não feches os olhos meus;
pois eles talvez te vejam,
por um milagre de Deus!
ARCHIMIMO LAPAGESSE 
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Sê franca e bem humorada,
mostra em tua alma e dulçor.
— Flor de corola fechada
nunca atraiu beija-flor!
ARGENTINA DE ARARIPE AIGNER
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A saudade tem tal arte,
é em bondade tão rica,
que não despreza quem parte,
nem abandona quem fica!
ARLETE REGINA
- - - - - -

Grande alegria me deste,
pois, quando eu me despedia,
numa lágrima disseste
tudo aquilo que eu queria!
APARÍCI0 FERNANDES
- - - - - -

Quis rasgar o teu retrato,
mas que tristeza, que sina...
— Até no papel, o ingrato
do teu olhar me domina!
BENNY SILVA
- - - - - -

O que é preciso na trova?
A paz, a delicadeza
de um beijo de lua nova
nuns lábios de camponesa...
BRITO MACHADO
- - - - - -

O Tempo ao Amor não mata...
é disso prova fiel
as nossas Bodas de Prata,
em plena Lua de Mel.
CARLOS GUIMARÃES 
- - - - - -

Vou pelo braço da noite,
levando tudo que ó meu:
— a dor que os homens me deram
e a canção que Deus me deu.
CECÍLIA MEIRELES 
- - - - - -

Eu da morte não me agrado,
mas morreria com gosto,
se fosse logo enterrado
na covinha de teu rosto.
CHRISTIANO TAVARES SIMÕES
- - - - - -

Tu não crês no que te digo,
o teu Sorriso me diz.
— Mas só quando estou contigo
é que me sinto feliz!
CLÓVIS RAMOS 
- - - - - -

Quanto mais por ti eu peno,
mais gosto tenho em penar.
— O mundo inteiro é pequeno
para a glória de te amar!
COLOMBINA 
- - - - - –

Fico a ver se ouço os teus passos,
quando estás para chegar,
que um só momento em teus braços
paga a pena de esperar!
DANIEL DE CARVALHO
- - - - - –

Creio que você não sabe
(se sabe, você não crê...):
— Não há no mundo o que acabe
meu grande amor por você!
DELMAR BARRÃO 
- - - - - -

Se ela de mim chega perto
e há troca de saudação,
sua mão é um lírio aberto
perfumando minha mão!
DIAS MONTEIRO
- - - - - -

Enfrentando o mundo bronco,
ponho, apesar das perfídias,
ternura do velho tronco
alimentando as orquídeas.
DORMEVILLY NÓBREGA
- - - - - -

Esse teu beijo, querida,
profundo, louco, fremente,
tem tudo que, nesta vida,
desgraça a vida da gente!
DURVAL MENDONÇA 
- - - - - -

Não chores, linda menina,
não chores, botão de flor!
— O teu sorriso ilumina
as trevas da minha dor.
EDGAR REZENDE
- - - - - -

Saudade, lembrança triste
de tudo que já não sou.
Passado que tanto insiste
em fingir que não passou...
EDGARD BARCELLOS CERQUEIRA 
- - - - - -

Queres partir? Sê feliz!
Porém te digo sincero:
ninguém te quer como eu quis,
ninguém te quis como eu quero!...
EDGAR DE ALENCAR
- - - - - -

Saudade é tudo que fica
de uma ventura fugaz,
no pranto que não se explica,
no verso que não se faz!,..
ERASMO SILVA
- - - - - -

Retornado ao pó obscuro,
coração, urna de pranto,
quem saberá no futuro
que amaste e sofreste tanto?
ESMERALDO SIQUEIRA
- - - - - -

Saudade, velha canção,
saudade, sombra de alguém,
que os tempos só levarão
se me levarem também.
FERNANDES SOARES
- - - - - -

Contemplar, risonha, a face
de uma criança contente,
é como se o céu cantasse
para a ternura da gente!
FERNANDO BURLAMAOUl
- - - - - -

Não tremas ingenuamente,
nem te cubras de rubor!...
O beijo é coisa inocente
na velha história do amor.
F. LUZIA NETTO
- - - - - -

Na pureza da inocência
e no cálice da flor
há, decerto, a florescência
sublime e santa do amor!
LUIZ G. CASTELLIANO
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É na tarde que desmaia, 
é numa canção dolente 
que a saudade se atocaia 
para apunhalar a gente. 
LOURDES STROZZI 
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Por nunca amar quem me ama 
e amar quem nunca me quis, 
as feridas do meu drama 
deixam dupla cicatriz... 
LUCÍLIA A. T. DECARLI
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Poesia estado de graça, 
chama da alma em delírio. 
É prazer que nos abraça 
mas, também nos traz martírio. 
LÚCIO DA COSTA BORGES 
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Saudade, quase se explica
nesta trova que te dou:
Saudade é tudo que fica
daquilo que não ficou.
LUIZ OTÁVIO 
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Só, eu vivo bem comigo, 
pois sou boa companhia; 
nem preciso de um amigo 
para sentir harmonia. 
LYGIA LOPES DOS SANTOS 
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Longe vão minhas andanças 
e, em meu trêmulo cansaço, 
tento fazer das lembranças... 
bastão... e assim firmo o passo. 
MARIA CONCEIÇÃO FAGUNDES
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Ao longo desta jornada 
percorri "sobes e desces", 
mas sempre bem humorada 
envolvida em minhas preces! 
MARIA DE LOURDES AKEL
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Se a vida apaga as estrelas
e espalha trevas na estrada,
meu sonho pode acendê-las
criando luzes...do nada!...
MARIA LUA
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Em meus rascunhos guardados, 
não há mistérios… Porquê 
nos versos que são lavrados 
o tema é sempre… você! 
MARIA LÚCIA DALOCE
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Quisera ser um brinquedo
ou ser fios de esperanças,
para morar em segredo
no coração das crianças!
MARIA NASCIMENTO A. CARVALHO
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Vem, andorinha migrante,
pois aqui já é verão;
o teu voo esfuziante
alegra o meu coração.
MARINA VALENTE
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É fácil de fazer trovas 
quando se tem grande amor. 
Mil ideias sempre novas 
descem dos céus em louvor! 
MARITA FRANÇA
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Sobre a vida do vizinho, 
o porteiro argumenta... 
já faz dele um picadinho... 
se puder... joga pimenta! 
MARIZA SOARES DE AZEVEDO 
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O amor chega de mansinho 
como quem está brincando… 
Mostra a flor, esconde o espinho, 
e acaba nos machucando! 
MAURÍCIO LEONARDO 
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Minhas trovas são singelas, 
sem marcas nem pedantismo, 
pois eu faço, assim, com elas, 
arautos do romantismo. 
MAURÍCIO NORBERTO FRIEDRICH 
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A melhor sogra do mundo, 
que não é uma qualquer, 
encontrei-a num segundo 
e a dei pra minha mulher. 
NEI GARCEZ 
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Soprei. Apagou-se a chama.
disse-te adeus em seguida.
– Quem diz adeus a quem ama
diz adeus à própria vida!
OLEGÁRIO MARIANO 
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Se a saudade em mim subisse 
como me sobe a pressão, 
o dia em que eu não te visse 
me explodia o coração. 
ORLANDO WOCZIKOSKY 
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A liberdade do poeta,
está num verso... Num grito...
No equilíbrio se completa,
vencendo o próprio infinito!
PROFESSOR GARCIA
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No espaço, brilhando inquieta,
cadente estrela me induz
a pensar que algum poeta
faz no céu versos de luz.
RITA MOURÃO
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Depois da aviária e a suína, 
mais folga o aluno cobiça: 
quer que venha, repentina, 
a gripe bicho-preguiça! 
ROZA DE OLIVEIRA 
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Ó Senhor, com o teu poder,
deixa na praia eu sonhar,
pois as ondas irão ver
que eu também pertenço ao mar!
SARAH RODRIGUES
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À primeira claridade, 
da manhã fresca e bonita, 
a nossa bela cidade 
desperta alegre e se agita. 
SERAFIM FRANÇA 
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Amigos que não convém
São aves de arribação:
- Se faz bom tempo eles vêm...
- Se faz mau tempo eles vão...
SOARES DA CUNHA 
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A Trova é tão pequenina 
mas quanta Beleza encerra, 
feliz de quem tem a sina 
de espalhá-la pela Terra!... 
SÔNIA MARIA DITZEL MARTELO  
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Da vida no grande coro, 
eis nosso destino atroz: 
Seguirmos de choro em choro, 
até que chorem por nós. 
TASSO DA SILVEIRA  
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Ao operar seu nariz
perdeu um olho, o Batista.
Vem outro louco e, então, diz
que o pagamento era a vista!
THEREZINHA DIEGUEZ BRISOLLA
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Feliz quem, olhos sem pranto,
viu-se, alegre, envelhecer,
tanto amando e amando tanto
que se esqueceu de morrer.
TRIGUEIRO LINS 
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Pelo bem, lute na terra, 
com garra: seja tenaz; 
Pois é através da guerra 
que só se consegue a paz. 
VANDA ALVES DA SILVA
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Num dos lances mais astutos
que a vida tem-me inspirado,
eu mostro os olhos enxutos,
e escondo o lenço molhado.
VANDA FAGUNDES QUEIROZ
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Amor, um santo remédio,
que revitaliza e cura.
Livra-nos de qualquer tédio,
também nos leva à loucura.
VÃNIA ENNES
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Estudar é necessário 
quanto o alimento tomar. 
Saber é chave do armário 
pra experiência acumular. 
VASCO TABORDA RIBAS 
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Angústia é isto: este anseio, 
pássaro aflito, doente. 
Nem se sabe de onde veio 
pra sofrer dentro da gente! 
VERA VARGAS  
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Quando chora um trovador 
não é o seu pesar somente, 
canta, sofre e chora a dor 
colhida de toda gente. 
VICTORINA SAGBONI 
Curitiba/PR 
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Seja estrela sorridente 
no seu modo de viver, 
e com força transcendente 
faça o bem acontecer! 
VIDAL IDONY STOCKLER 
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Quando encontram-se as amigas, 
mil fofocas vão pro ar... 
Sob a trança das intrigas, 
se divertem: tudo ao par! 
WALDEREZ DE ARAÚJO FRANÇA 
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No caminhar, vença o atalho 
da vida, exercite a messe, 
veja o exemplo do carvalho, 
demora a crescer, mas cresce! 
WALNEIDE FAGUNDES S. GUEDES 
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Passa o tempo... e a mocidade 
vai deixando, em seu lugar, 
pegadas para a saudade, 
um dia, me procurar! 
WANDIRA FAGUNDES QUEIROZ 
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