FRANCISCO AZUELA ESPINOZA
León/Guanajuato/México, 1948
Lágrima Cinco
Inventor de mentiras,
demônio enganador, caçador do vento,
empoleirado no bico de um pássaro de neve ardente,
queimador de asas de anjo, estrelas desnudas,
galho e cão,
mordedores de moinhos antigos.
Cavaleiros rançosos apodrecem,
cavalos de osso vermelho,
a face recupera seu rio de sangue como um eco,
fuzil, bloqueador de tiros.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
WASHINGTON DANIEL GOROSITO PÉREZ
Irapuato/ Guanajuato/ México
Poesia em movimento
A palavra poética
é um pássaro.
Em seu voo,
para falar com os deuses,
ela desvia das lanças do sol,
deixando em seu rastro
minúsculos cristais de mar etéreo.
A palavra incandescente
faz a névoa de tinta
dissipar-se.
As letras fluem em bandos,
tecendo poesia em movimento,
e à medida que os versos nascem,
são coroados com halos
de poeira solar.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
MANUEL ACUÑA
Saltillo/México, 1849 – 1873, Cidade do México/México
À Uma Flor
Quando teu botão mal se abria
para respirar alegria e contentamento,
já te dobras, cansada e sem alento,
rendendo-te à dor e à agonia?
Não vês, talvez, que esta sombra ímpia
que escurece o azul do firmamento
não passa de uma nuvem que ao soprar o vento,
te fará ver novamente o dia?...
Levanta-te e ergue-te!... Ainda não chega
a hora de abrigares no fundo do teu botão
a tristeza que te verga.
Ao sol é injusta tua reprovação,
pois aquela sombra passageira que te cega,
é apenas uma sombra, mas ainda não é noite, não.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
JAIME TORRES BODET
Cidade do México/México, 1902 – 1974
Canção das Vozes Serenas
A tarde se esvaiu
cantando uma canção,
perseguindo uma nuvem,
e colhendo as pétalas de uma flor.
Se desvaneceu a noite
fazendo uma oração,
conversando com uma estrela,
e morrendo com uma flor.
E se esvairá a aurora
retornando àquela canção,
perseguindo outra nuvem,
e desfolhando outra flor.
E se desvanecerá a vida
sem ouvir nenhum outro rumor
além do da água das horas
levando o coração…
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
NELLIE CAMPOBELLO
(Nellie Francisca Ernestina Campobello Luna)
Villa Ocampo/Durango/México, 1900 – 1986, Progreso de Obregón/Hidalgo/México
Na Areia
Eu não pedi
tuas lágrimas
Eu estava brincando
quando pedi
tua alma
Você não vê que eu rio
quando você
me chama de amada?
Se eu não quero
tuas lágrimas
Eu estava pedindo
tua alma
Mas eu estava jogando
o jogo
das
almas
que não
querem
nada.
(tradução do espanhol por Jfeldman)
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Poema de
EDUARDO LIZALDE
Cidade do México/México, 2929 – 2022
Grande é o ódio
1
Grande e dourado, amigos, é o ódio.
Todo o grande e dourado
vem do ódio.
O tempo é ódio.
Dizem que Deus se odiava em ato,
que se odiava com a força
dos infinitos leões azuis
do cosmos;
que se odiava
para existir.
Nascem do ódio, mundos,
óleos perfeitíssimos, revoluções,
tabacos excelentes.
Quando sonha alguém que nos odeia, apenas,
dentro do sonho de alguém que nos ama,
já vivemos no ódio perfeito.
Ninguém vacila, como no amor,
na hora do ódio.
O ódio é a única prova indubitável
da existência.
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Trova Humorística de
ÉLBEA PRISCILA DE SOUZA E SILVA
Piquete/SP, 1942 – 2023, Caçapava/SP
– Esta pimenta é de cheiro?
Pergunta com azedume,
e o garçom fala ligeiro:
– Se não é… boto perfume!
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Poema de
JOÃO MELO
(Aníbal João da Silva Melo)
Luanda/Angola
A Lagartixa Frustrada
Um dia
a lagartixa
quis ser dinossauro
Convencida
saltou pra rua
montada em blindados
pra disfarçar a sua insignificância
Tentou mobilizar as formigas
que seguiam
atarefadas
pro trabalho
"Ó pobre e reles lagartixa
condenada
à fria solidão
das paredes enormes e nuas
tu não sabes que os dinossauros
são fósseis
pré-históricos?"
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Aldravia de
AMÉLIA LUZ
(Amélia Marciolina Raposo da Luz)
Pirapetinga/MG
Teu
vestido
amarelo
rodopia
compasso,
bolero!
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Soneto de
PATRÍCIA NEME
Palmas/TO
Soneto da Saudade
O céu desperta triste, em tom cinzento,
qual lhe fora penoso um novo dia;
aos poucos, verte, em gotas, seu lamento...
Um pranto ensimesmado, de agonia.
Um rouco trovejar, pesado, lento,
parece suplicar por alforria,
num rogo já exangue, sem alento...
A chuva... O cinza... A dor... A nostalgia...
O céu despertou triste... O céu sou eu,
perdida num sonhar que feneceu,
sou prisioneira à espera de mercê.
Sonhando conquistar a liberdade
desta prisão, que existe na saudade...
Saudade, tanta, tanta... De você!
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TROVA POPULAR
Já não posso ser contente,
tenho a esperança perdida
ando perdido entre a gente
nem morro nem tenho vida.
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Soneto de
LUCÍLIA ALZIRA TRINDADE DECARLI
Bandeirantes/PR
Divino mistério
Pura eclosão no encontro de dois seres,
ou de um só ser, chamado hermafrodita.
Sem ser movida por carnais prazeres,
carrega em si leal prenhez, prescrita.
Nas mãos a tens, quiçá sem compreenderes
que um divino mistério nela habita.
Sequer refletes, junto aos afazeres,
quão essencial é o ser que ali dormita…
Mas, lá na roça, alguém sempre a cultua,
vislumbra o embrião, que a espécie perpetua:
- o apaixonado e atento lavrador!
E, na expansão do gérmen, a semente
exalta a vida e aquEle que consente
nesse milagre – prova audaz de AMOR!…
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Trova de
FAUSTO PARANHOS
Rio de Janeiro/RJ (1910 – ????)
Em certos beijos se esconde
um demônio singular
que nos conduz não sei aonde,
donde é difícil recuar.
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Poema de
CLEVANE PESSOA
Belo Horizonte/MG
Chuva de Versos
Quando versos chovem n'alma
trovas lindas nos florescem...
Sua beleza nos acalma,
e sob as águas, mais crescem...
Para a chuva, "n" versos
pelas rimas tão molhados,
- microcosmos bem diversos
a criar trovas e fados...
Se a paixão nos incendeia,
dançam loucas labaredas,...
Vou apagar minha candeia
e chover versos de sedas...
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Haicai de
BENEDITA SILVA DE AZEVEDO
Magé/RJ
Noite de inverno -
A tremer sob jornais
O pobre na esquina
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Soneto de
LÊDO IVO
Maceió/AL, 1924 – 2012, Sevilha/Espanha
Acontecimento do Soneto
À doce sombra dos cancioneiros
em plena juventude encontro abrigo.
Estou farto do tempo, e não consigo
cantar solenemente os derradeiros
versos de minha vida, que os primeiros
foram cantados já, mas sem o antigo
acento de pureza ou de perigo
de eternos cantos, nunca passageiros.
Sôbolos rios que cantando vão
a lírica imortal do degredado
que, estando em Babilônia, quer Sião,
irei, levando uma mulher comigo,
e serei, mergulhado no passado,
cada vez mais moderno e mais antigo.
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Glosa de
NEMÉSIO PRATA
Fortaleza/CE
Mote...
Carnaval... tanta folia.
Sincopados corações...
Desfile de alegoria...
Passarela de ilusões!
JOSÉ FELDMAN
(Floresta/PR)
Glosa...
Carnaval... tanta folia.
Alegria "mascarada"...
Foliões, com distonia,
destoam na batucada!
Carnaval.. quanta apatia.
Sincopados corações
batucam, sem alegria
no peito dos foliões!
Carnaval... quanta ironia!
Colombinas e Pierrôs...
Desfile de alegoria...
Foliões "borocochôs"!
Carnaval... que desalento!
Desfiles sem emoções...
Foliões em fingimento...
Passarela de ilusões!
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Trova de
DEODATO PIRES
Olhão/Portugal
Neste mundo em convulsão
dia a dia a denegrir
temo com apreensão
o que será o porvir…
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Soneto de
PERO DE ANDRADE CAMINHA
Porto/Portugal (1520 – 1589) Vila Viçosa/Portugal
Quando cuido, senhora, quanto escrevo…
Quando cuido, senhora, quanto escrevo…
tudo em vossos formosos olhos leio,
neles, ante quem tudo é escuro e feio,
aprendo e vejo como amar-vos devo.
Vejo que ao vosso amor todo me devo,
mas não vos sei amar, e assi'me enleio
que não sei se vos amo ou se o receio,
e a julgar em mim isto não me atrevo.
Em vós cuido, em vós falo o dia e ora,
mouro por ver-vos, ir-vos ver não ouso,
por não ver quanto mais devo do que amo;
ó sol e ó sombra o vosso nome chamo,
fora destes cuidados não repouso;
se isto é amor, vós o julgai, senhora!
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Trova de
ANALICE FEITOZA LIMA
Bom Conselho/PE, 1938 – 2012, São Paulo/SP
Dinheiro, não tenho tanto
para os seus luxos “bancar”.
Mas o pão nosso, garanto,
Deus não vai deixar faltar!
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Poema de
HANS ULRICH TREICHEL
Versmod/Alemanha
Progressos na investigação do caos
Esteja à vontade,
trate-me só por eu
ou omita-me de todo.
Afinal ninguém sabe ao certo
onde começa o próximo.
Poderá dispersar-se,
mas permaneça deitado.
Feche os olhos
e não ouça nada.
Quando nada sentir,
tem de sentir o que sente.
Ou será que também é daqueles
que sangram a cada tiro?
O meu conselho é gorduras vegetais
e inteligência animal.
No entanto, tudo com medida
e sempre de cabeça inclinada.
O resto é bastante simples.
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Quadrão à Beira Mar de
CREUSA MEIRA
Salvador/BA
Queria por um momento
Falar de contentamento
Esquecer o sofrimento
Neste breve versejar
Sorrir para não chorar
Ao lembrar o triste dia
Que perdi minha alegria
No quadrão à beira mar
“Beira mar, beira mar,
O quadrão só é bonito
Quando é feito a beira mar”
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Trova Humorística de
EDMAR JAPIASSÚ MAIA
Miguel Couto/RJ
Pergunta a mestra ao menino,
aluno meio confuso:
– A porca… tem masculino?
– Tem, fessora… o parafuso!
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Hino de
CAMPOS DOS GOYTACAZES/ RJ
Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais
Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés
Nada iguala os teus dons, os teus primores
Val de delícias, o teu céu azul
Minha terra natal ninho de amores
Urna de encantos, pérola do sul
Campos Formosa, intrépida amazona
Do viridente plaino goitacás
Predileta do luar como Verona
Terra feita de luz e madrigais
Ó Paraíba, ó mágica torrente
Soberana dos prados e vergéis
Por onde passas como um rei do oriente
Os teus vassalos vêm beijar-te os pés
Ó Paraíba, ó mágica torrente
Rio que rolas dentro do meu peito.
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Uma Ode à Beleza e História
O 'Hino de Campos dos Goytacazes - RJ' é uma celebração poética da cidade localizada no estado do Rio de Janeiro. A letra exalta a beleza natural e a riqueza cultural da região, utilizando uma linguagem rica em metáforas e referências históricas. A cidade é descrita como uma 'intrépida amazona', uma figura de força e coragem, que se destaca no 'viridente plaino goitacás', uma referência às planícies verdes habitadas pelos índios Goitacás.
A canção também faz uma homenagem ao rio Paraíba do Sul, descrito como uma 'mágica torrente' e 'soberana dos prados e vergéis'. O rio é personificado como um rei oriental, cujos 'vassalos vêm beijar-te os pés', simbolizando a importância vital do rio para a região e seus habitantes. Essa personificação do rio como uma entidade majestosa e vital reforça a conexão íntima entre a natureza e a vida cotidiana dos moradores de Campos dos Goytacazes.
Além disso, o hino destaca a cidade como um 'val de delícias' e 'urna de encantos', enfatizando a ideia de Campos dos Goytacazes como um lugar de beleza e prazer. A comparação com Verona, cidade italiana famosa por sua beleza e romance, sugere que Campos dos Goytacazes é igualmente encantadora e inspiradora. A repetição de frases e a estrutura lírica reforçam o sentimento de orgulho e amor pela terra natal, criando uma imagem vívida e apaixonada da cidade.
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Poetrix de
ANDRA VALLADARES
Vila Velha/ES
in memoriam
A vida é bordadeira,
com pontos de cruz
orna nosso destino.
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Soneto de
JORGE DE LIMA
(Jorge Mateus de Lima)
União dos Palmares/AL, 1895 – 1953, Rio de Janeiro/RJ
O Acendedor de Lampiões
Lá vem o acendedor de lampiões de rua!
Este mesmo que vem, infatigavelmente,
Parodiar o Sol e associar-se à lua
Quando a sobra da noite enegrece o poente.
Um, dois, três lampiões, acende e continua
Outros mais a acender imperturbavelmente,
À medida que a noite, aos poucos, se acentua
E a palidez da lua apenas se pressente.
Triste ironia atroz que o senso humano irrita:
Ele, que doira a noite e ilumina a cidade,
Talvez não tenha luz na choupana em que habita.
Tanta gente também nos outros insinua
Crenças, religiões, amor, felicidade
Como este acendedor de lampiões de rua!
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Trova de
MAGDALENA LÉA
(Magdalena Léa Barbosa Corrêa)
Rio de Janeiro/RJ, 1913 – 2001
Ah se eu pudesse saber
qual a mulher que ele quer!
Que não iria eu fazer
para ser essa mulher?
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Fábula em Versos de
JEAN DE LA FONTAINE
Château-Thierry/França, 1621 – 1695, Paris/França
A raposa, as moscas e o ouriço
Deixando pelo chão rastros do próprio sangue,
Uma astuta raposa audaz que outrora fora
Enérgica, sutil, leve, jazia agora
Sobre um montão de lama, inanimada e exangue.
Tinha-a ferido em cheio um caçador valente...
E a Mosca, o parasita alado do monturo,
Vinha alegre, num voo enérgico e seguro,
Cevar-se no seu corpo ainda vivo e quente.
E o mísero animal, com as pupilas foscas,
Invetivava triste o seu terrível norte,
Por lhe ter conferido a desgraçada sorte
De, com seu próprio corpo, alimentar as moscas.
«Fazerem-me sofrer assim um tal vexame,
A mim, ao mais sutil vivente das florestas!
Quando é que uma raposa alimentou as festas,
Os banquetes cruéis de esfomeado enxame?!
De que me serve a cauda? Acaso é um fardo antigo,
Inútil? Ah! que o céu te pague, Mosca bruta!
Vai cevar noutro corpo a tua fome astuta,
E deixa só ficar a minha dor comigo.
Nesta mesma ocasião, um ouriço piedoso,
(Personagem estranho e novo nos meus versos)
Quis livrá-la, com dó, dos animais perversos
Que a afligiam assim, e disse-lhe bondoso:
— Raposa amiga, espera um só instante apenas...
Com meus espinhos bons eu mato-as num momento;
Vais ver como te vou tirar o sofrimento,
Como te vou tirar essas horríveis penas.
— Não quero, respondeu, não as enxotes, deixa...
Oh! deixa-as acabar o seu furor nefando...
Quase estão fartas já... viria um outro bando
Que teria mais fome, e eu mais razão de queixa.»
Assim é esta vida e tudo neste mundo,
Desde a negra miséria aos grandes resplendores;
Ministros, cortesãos... são todos comedores,
Todos têm consigo o mesmo mal profundo.
Este apólogo audaz foi aplicado ao homem;
Aristóteles fê-lo e tinha-o como certo;
Exemplos destes há imensos e bem perto...
Quanto mais cheios, mais saciados, menos comem.
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