terça-feira, 31 de julho de 2012

Ademar Macedo (Mensagens Poéticas n. 624)

Uma Trova de Ademar 

Sinto que aquela criança
que nunca usou um fuzil,
traz nas mãos toda esperança
no futuro do Brasil...
–Ademar Macedo/RN–

Uma Trova Nacional 


Todo indivíduo que é tolo
mas que de sábio se arvora,
é tal o pão sem miolo...
só tem a casca por fora!
–Francisco José Pessoa/CE–

Uma Trova Potiguar 


Os meus carnavais partiram,
levando os tempos risonhos
e as fantasias fugiram
no delírio dos meus sonhos!...
–Rodrigues Neto/RN–
Uma Trova Premiada 

2012  -  Caxias do Sul/RS
Tema  -  UVA  -  1º Lugar


Sou como as uvas pisadas
pra fazer vinho e licor,
que mesmo sendo esmagadas
dão de presente o sabor.
–Manoel Cavalcante/RN–

...E Suas Trovas Ficaram 


Não é quando vais embora
que tenho ciúmes assim.
É quando estás como agora,
pensativo, junto a mim...
–Carolina A. de Castro/PE–

Uma  Poesia 


Quando avisto uma nuvem carregada
avisando que o céu já tá se pondo,
bem do oco do mundo ouço um estrondo
de um corisco ou trovão pai da coalhada;
vem a chuva enfermeira dedicada
pra curar as feridas do verão,
onde Deus o maior cirurgião
recupera o sertão tão castigado;
quando o tempo se fecha, o céu nublado
é sinal que vem chuva pra o sertão.
–Júnior Adelino/PB–

Soneto do Dia 

AS MÃOS DE VITALINO.
–Rafael dos Santos Barros/PE–


Vitalino com mãos sujas e santas
modelava em barro os nordestinos
e transportava a dor e os desatinos
para os bonecos tantas vezes, tantas.

Bonecos mudos, quantas vezes quantas,
Minha alma cega por meus olhos viu?
A tua dor meu coração sentiu
no canto triste que ainda hoje cantas.

Soprou a vida num boneco mudo
que sem falar, assim, dizia tudo
dos nordestinos, dos desatinos seus,

advertência dos que nascem pobres
pelas mãos rudes que ficaram nobres,
abençoadas pelas mãos de Deus.

Mia Couto (A Carteira de Crocodilo)

A Senhora Dona Francisca Júlia Sacramento, esposa do governador-geral, excelenciava-se pelos salões, em beneficentes chás e filantrópicas canastas. Exibia a carteirinha que o marido lhe trouxera das outras Áfricas, toda em substância de pele de crocodilo. As amigas se raspavam de inveja, incapazes de disfarce. Até a bílis lhes escorria pelos olhos. Motivadas pela desfaçatez, elas comentavam: o bichonho, assim tão desfolhado, não teria sofrido imensamente? Tal dermificina não seria contra os católicos mandamentos?

-  E com o problema das insolações, o bicho, assim esburacado, apanhando em cheio os ultravioletas...

-  Cale-se, Clementina- .

Mas o governador Sacramento também se havia contemplado a ele mesmo. Adquirira um par de sapatos feitos com pele de cobra. O casal calçava do reino animal, feitos pássaros que têm os pés cobertos de escamas. Certo dia, uma das nobres damas trouxe a catastrágica novidade. O governador-geral contraíra grave e irremediável viuvez. A esposa, coitada, fora comida inteira, incluído corpo, sapatos, colares e outros anexos.

-  Foi comida mas... pelo mando, supõe-se?

-  Cale-se, Clementina- .

Mas qual marido? Tinha sido o crocodilo, o monstruoso carnibal. Que horror, com aqueles dentes capazes de arrepiar tubarões.

-  Um crocodilo no Palácio?

-  Clemente-se, Clementina- .

O monstro de onde surgira? Imagine-se, tinha emergido da carteira, transfigurado, reencarnado, assombrado. Acontecera em instantâneo momento: a malograda ia tirar algo da mala e sentiu que ela se movia, esquiviva. Tentou assegurá-la: tarde e de mais. Foi só tempo de avistar a dentição triangulosa, língua amarela no breu da boca. No resto, os testemunhadores nem presenciaram. O sáurio se eminenciou a olhos imprevistos.

E o governador, sob o peso da desgraça? O homem ia de rota abatida. Lágrimas catarateavam pelo rosto. O dirigente recebeu o desfile das condolências. Vieram íntimos e ilustres. A todos ele cumprimentou, reservado, invisivelmente emocionado. Os visitantes se juntaram no nobre salão, aguardando palavras do dirigente. O governador avançou para o centro e anunciou não o luto mas, espantem-se cristãos, a inadiável condecoração d crocodilo. Em nome da protecção das espécies, explicou. A bem da ecologia faunística, acrescentou.

No princípio, houve relutâncias, demoras no entendimento. Mas logo os aplausos abafaram as restantes palavras. O que sucedeu, então, foi o inacreditável. O governador Sacramento suspendeu a palavra e espreitou o chão que o sustinha. Pedindo urgentes desculpas ele se sentou no estrado e se apressou a tirar os sapatos. Entre a audiência ainda alguém vaticinou:

-  Vai ver que os sapatos se convertem em cobra...

-  Clementina!-

Sucedeu exactamente o inverso. O ilustre nem teve tempo de desapertar os atacadores. Perante um espanto ainda mais geral que o título do governador, se viu  o honroso indignitário a converter-se em serpente. Começou pela língua, afilada e bífida, em rápidas excursões da boca. Depois, se lhe extinguiram os quase totais membros, o homem, todo ele, um tronco em flor. Caiu desamparado no mármore do palácio e ainda se ouviu seu grito:

-  Ajudem-me!-

Ninguém, porém, avivou músculo que fosse. Porque, logo e ali, o mutante mutilado, em total mutismo, se começou a enredar pelo suporte do microfone. Enquanto serpenteava pelo ferro ele se desnudava, libertadas as vestes como se foram uma desempregada pele. O governador finalizava elegâncias de cobra. O ofídio se manteve hasteado no microfone, depois largou-se. Quando se aguardava que se desmoronasse, afinal, o governador encobrado desatou a caminhar. Porque de humano lhe restavam apenas os pés, esses mesmos que ele cobrira de ornamento serpentífero.

-  Não aplauda, Clementina, por amor de Deus!

Falas do velho tuga

Quer que eu lhe fale de mim, quer saber de um velho asilado que nem sequer é capaz de se mexer da cama? Sobre mim sou o menos indicado para falar. E sabe porquê? Porque estranhas névoas me afastaram de mim. E agora, que estou no final de mim, não recordo ter nunca vivido.

Estou deitado neste mesmo leito há cinco anos. As paredes em volta parecem já forrar a minha inteira alma. Já nem distingo corpo do colchão. Ambos têm o mesmo cheiro, a mesma cor: o cheiro e cor da morte. Morrer, para mim, sempre foi o grande acontecimento, a surpresa súbita. Afinal, não me coube tal destino. Vou falecendo nesta grande mentira que é a imobilidade.

Também eu amei uma mulher. Foi há tempo distante. Nessa altura, eu receava o amor. Não sei se temia a palavra ou o sentimento. Se o sentimento me parecia insuficiente, a palavra soava a demasiado. Eu a desejava, sim, ela inteira, sexo e anjo, menina e mulher. Mas tudo isso foi noutro tempo, ela era ainda de tenrinha idade.

Este lugar é a pior das condenações. Já nem as minhas lembranças me acompanham. Quando eu chamo por elas me ocorrem pedaços rasgados, cacos desencontrados.  Eu quero a paz de pertencer a um só lugar, a tranquilidade de não dividir memórias. Ser todo de uma vida. E assim ter a certeza que morro de uma só única vez. Mas não: mesmo para morrer sofro de incompetências. Eu deveria ser generoso a ponto de me suicidar. Sem chamar morte nem violentar o tempo. Simplesmente deixarmos a alma escapar por uma fresta.

Ainda há dias um desses rasgões me ocorreu por dentro. É que me surgiu, mais forte que nunca, esse pressentimento de que alguém me viria buscar. Fiquei a noite às claras, meus ouvidos esgravatando no vão escuro. E nada, outra vez nada. Quando penso nisso um mal-estar me atravessa. Sinto frio mas sei que estamos no pico do Verão. Tremuras e arrepios me sacodem. Me recordo da doença que me pegou mal cheguei a este continente.

África: comecei a vê-la através da febre. Foi há muitos anos, num hospital da pequena vila, mal eu tinha chegado. Eu era já um funcionário de carreira, homem feito e preenchido. Estava preparado para os ossos do ofício mas não estava habilitado às intempéries do clima. Os acessos da malária me sacudiam na cama do hospital apenas uma semana após ter desembarcado. As tremuras me faziam estranho efeito: eu me separava de mim como duas placas que se descolam à força de serem abanadas.

Em minha cabeça, se formavam duas memórias. Uma, mais antiga, se passeava em obscura zona, olhando os mortos, suas faces frias. A outra parte era nascente, reluzcente, em estreia de mim. Graças à mais antiga das doenças, em dia que não sei precisar, tremendo de suores, eu dava à luz um outro ser, nascido de mim.

Fiquei ali, na enfermaria penumbrosa, intermináveis dias. Uma estranha tosse me sufocava. Da janela me chegavam os brilhos da vida, os cantos dos infinitos pássaros. Estar doente num lugar tão cheio de vida me doía mais que a própria doença.

Foi então que eu vi a moça. Branca era a bata em contraste com a pele escura: aquela visão me despertava apetites no olhar. Ela se chamava Custódia. Era esta mesma Custódia que hoje está connosco. Na altura, ela não era mais que uma menina, recém-saída da escola. Eu não podia adivinhar que essa mulher tão jovem e tão bela me fosse acompanhar até ao final dos meus dias. Foi a minha enfermeira naqueles penosos dias. A primeira mulher negra que me tocava era uma criatura meiga, seus braços estendiam uma ponte que vencia os mais escuros abismos.

Todas as tardes ela vinha pelo corredor, os botões do uniforme desapertados, não era a roupa que se desabotoava, era a mulher que se entreabria. Ou será que por não ver mulher há tanto tempo eu perdera critério e até uma negra me porventurava? Me admirava a secura daquela pele, 0 gesto cheio de sossegos, educado para maternidades. Enquanto rodava pelo meu leito eu tocava em seu corpo. Nunca acariciara tais carnes: polposas mas duras, sem réstia de nenhum excesso.

Os dias passavam, as maleitas se sucediam. Até que, numa tarde, me assaltou um vazio como se não houvesse mundo. Ali estava eu, na despedida de ninguém. Olhei a janela: um pássaro, pousado no parapeito, recortava o poente. Foi nesse pôr do Sol que Custódia, a enfermeira, se aproximou. Senti seus passos, eram passadas delicadas, de quem sabe do chão por andar sempre descalço.

-  Eu tenho um remédio- , disse Custódia. - _É um medicamento que usamos na nossa raça. O Senhor Fernandes quer ser tratado dessa maneira?

-  Quero.

-  Então, hoje de noite lhe venho buscar- .

E saiu, se apagando na penumbra do corredor. Como em caixilho de sombra a sua figura se afastava, imóvel como um retrato. Na janela, o pássaro deixou de se poder ver. Adormeci, doído das costas, a doença já  tinha aprisionado todo meu corpo. Acordei com um sobressalto. Custódia me vestia uma bata branca, bastante hospitalar.

-  Onde vamos?

-  Vamos- .

E fui, sem mais pergunta, tropeçando pelo corredor. Dali parei a tomar fôlego e, encostado na umbreira da porta, olhei o leito onde lutara contra a morte. De repente, estranhas visões me sobressaltaram: deitado, embrulhado nos lençóis, estava eu, desorbitado. Meus olhos estavam sendo comidos pelo mesmo pássaro que atravessara o poente. Gritei - _Custódia, quem está na minha cama?-  Ela espreitou e riu-se:

-  É das febres, ninguém está lá- .

Fui saindo, torteando o passo. Afastámo-nos do hospital, entramos pelos trilhos campestres. Naquele tempo, as palhotas dos negros ficavam longe das povoações. Caminhava em pleno despenhadeiro, o pequeno trilho resvalava as infernais e desluzidas profundezas. Me perdi das vistas, mais tombado que amparado nesse doce corpo de Custódia. Voltei a acordar como se subisse por uma fresta de luminosidade. Aquela luz fugidia me pareceu, primeiro, o pleno dia.

Mas depois senti o fumo dessa ilusão. O calor me confirmou: estava frente a uma fogueira. O calor da cozinha da minha infância me chegou. Escutei o roçar de longas saias, mulheres mexendo em panelas. Saí da lembrança, dei conta de mim: estava nu, completamente despido, deitado em plena areia.

-  Custódia!- , chamei.

Mas ela não estava. Somente dois homens negros baixavam os olhos em mim. Me deu vergonha ver-me assim, descascado, alma e corpo despejados no chão. Malditos pretos, se preparavam para me degolar? Um deles tinha uma lamina. Vi como se agachava, o brilho da lamina me sacudiu. Gritei: aquela era a minha voz? Me queriam matar, eu estava ali entregue às puras selvajarias,  candidato a ser esquartejado, sem dó na piedade. Me desisti, desvalente, desvalido. De nada lucrava recusar os intentos do negro. O homem cortou-me, sim. Mas não passou de uma pequena incisão no peito. Sangrei, fiquei a ver o sangue escorrer, lento como um rio receoso.

Um dos homens falou em língua que eu desconhecia, seus modos eram de ensonar a noite, a voz parecia a mão de Custódia quando ela me empurrava para o sonho. Voltei a deitar-me. Só então reparei que havia uma lata contendo um líquido amarelado. Com esse líquido me pintavam, em besuntação danada. Depois, me ajeitaram o pescoço para me fazerem beber um amargo licor. Choravam, pareceu-me de início. Mas não: cantavam em surdina. Dores de morrer me puxavam as vísceras. Vomitei, vomitei tanto que parecia estar-me a atirar fora de mim, me desfazendo em babas e azedos. Cansado, sem fôlego nem para arfar, me apaguei.

No outro dia, acordei, sem estremunhações. Estava de novo no hospital, vestido de meu regulamentar pijama. Qualquer coisa acontecera? Eu tinha saído em deambulação de magias, rituais africanos? Nada parecia. Verdade era que eu me sentia bem, pela primeira vez me chegavam as forças. Me levantei como uma toupeira saída da pesada tampa do escuro. Primeira coisa: fui à janela. A luz me cegou. Podia haver tantas cores, assim tão vivas e quentes?

Foi então que eu vi as árvores, enormes sentinelas da terra. Nesse momento aprendi a espreitar as árvores. São os únicos monumentos em África, os testemunhos da antiguidade. Me diga uma coisa: lá fora ainda existem? Pergunto sobre as árvores.

Quer saber mais? Agora estou cansado. Tenho que respirar muito. Há tanto tempo que eu não falava assim, às horas de tempo. Não vá ainda, espere. Vamos fazer uma combinação: você divulga estas minhas palavras lá no jornal de Portugal --  como é que se chama mesmo  o tal jornal? -- e depois me ajuda a procurar a minha família. É que sabe: eu só posso sair daqui pela mão deles. Senão, que lugar terei lá no mundo? Traga-me um qualquer parente. Quem sabe, depois disso, ficamos mesmo amigos. Você sabe como eu confirmo que estou ficando velho? É da maneira que não faço mais amigos. Aqueles de que me lembro são os que eu fiz quando era novo. A idade nos vai minguando, já não fazemos novas amizades. Da próxima vez venha com um parente. Ou faça mesmo o senhor de conta que é meu familiar.

Fonte:
Mia Couto. Contos do Nascer da Terra. Vol.1. Porto: CPAC, 1998.

Cândida Vilares Gancho (Como Analisar Narrativas) Parte 7 – Discurso Indireto Livre e Parte 8 – Algumas questões práticas de análise de narrativas

Discurso indireto livre

       É um registro de fala ou de pensamento de personagem, que consiste num meio-termo entre o discurso direto e o indireto, porque apresenta expressões típicas do personagem mas também a mediação do narrador. Veja as diferenças entre o discurso direto, o indireto e o indireto livre no quadro abaixo:

Discurso direto
Ela andava e pensava:- Droga! Estou tão cansada!
Discurso indireto
Ela andava e pensava que (a vida) era uma droga e que estava cansada
Discurso indireto livre
Ela andava (e pensava). Droga! Estava tão cansada.

Características do discurso indireto livre

1. Geralmente é usado para transcrever pensamentos.

2. Mantém as expressões peculiares do personagem (por exemplo, “droga!”) e a correspondente pontuação: interrogação, exclamação.

3. Não apresenta o “que” e o ‘‘se”, típicos do discurso indireto.

4. Não apresenta geralmente verbo de alocução.

5. A fala ou pensamento do personagem segue tempos verbais, adjuntos adverbiais e pronomes como no discurso direto (3ª pessoa).

(...) Ouviu o falatório desconexo do bêbado, caiu numa in ‘ J decisão dolorosa. Ele também dizia palavras sem sentido, conversava à toa. Mas irou-se com a comparação, deu marradas na parede. ( NARRADOR)

Era bruto, sim Senhor, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se Estava preso por isso? Como era? Então mete-se um homem na cadeia porque ele não sabe falar direito? Que mal fazia a brutalidade dele? Vivia trabalhando como um escravo. Desentupia bebedouro, consertava as cercas, curava os animais — aproveitava um casco de fazenda sem valor. Tudo em ordem, podiam ver. Tinha culpa de ser bruto? Quem tinha culpa? (...) ( personagem – discurso indireto livre)
(RAMOS, Graciliano Vidas secas. Rio de Janeiro, Record, 1982. p. 35-6.)

Algumas questões práticas de análise de narrativas

Questões gerais

1. Comandos diferentes: você pode se ver frente a questões (exercícios, perguntas, testes etc.) que suponham análise de texto (qualquer tipo de texto); neste caso saiba distinguir:

Identificar: é reconhecer, achar um elemento entre outros;

Comentar: é geralmente tecer comentários gerais sobre o conteúdo do texto, o que supõe uma leitura atenta;

Relacionar/Comparar: é estabelecer os pontos comuns e diferentes entre dois elementos do texto ou entre ele mentos do texto e da realidade (do autor, do leitor etc.);

Analisar: é separar as partes, compará-las e tirar conclusões lógicas, coerentes com o texto;

Interpretar: pode significar comentar ou analisar, dependendo do contexto; de qualquer forma, é uma tarefa que deve se ater aos limites do texto, evitando-se, sempre que possível, misturar as afirmações do texto com aquilo que achamos;

Dar opiniões: é posicionar-se criticamente frente ao texto, ou a algum aspecto dele, emitir idéias pessoais, desde que comprovadas com argumentos lógicos ou com passagens do texto.

2. Como citar: nem sempre é necessário citar o texto que se analisa para responder a uma questão sobre ele; você pode (e até deve) resumir “com suas palavras” o que o texto diz para explicar algum aspecto do texto. Mas há casos em que é necessário citar, ou porque isso foi solicitado (com comandos do tipo: retire do texto, transcreva etc.), ou porque quer provar com as palavras do texto uma opinião sua a respeito de uma questão polêmica suscitada pela leitura. Assim, para citar, use:

aspas: sempre que for citar o texto integralmente ou parte dele;

reticências entre parênteses: para abreviar a citação, isto é, pular um pedaço da seqüência do texto.

Por exemplo: “xxxxxxxxxxxxx (...) xxxxxxxx”

Obs.: Se você necessitar citar outros textos de outros autores para fundamentar suas posições na análise de um texto, proceda como foi mencionado acima e não se esqueça de dar a fonte bibliográfica: autor, obra, edição, cidade, editora, ano, torno, volume, capítulo e página.

Questões específicas (do texto narrativo)

       Vamos tomar como base o texto a seguir para esclarecer alguns problemas específicos da análise das narrativas que costumam apresentar dificuldades:

       1º p.     Cheguei em casa carregando a pasta cheia de papéis, relatórios, estudos, pesquisas, propostas, contratos. Minha mulher, jogando paciência na cama, um copo de uísque na mesa de cabeceira, disse, sem tirar os olhos das cartas, você está com um ar cansado. Os sons da casa: minha filha no quarto dela treinando empostação de voz, a música quadrafônica do quarto do meu filho. Você não vai largar essa mala? perguntou minha mulher, tira essa roupa, bebe um uisquinho, você precisa aprender a relaxar.

       2° p.     Fui para a biblioteca, o lugar da casa onde gostava de ficar isolado e como sempre não fiz nada. Abri o volume de pesquisas sobre a mesa, não via as letras e números, eu esperava apenas. Você não pára de trabalhar, aposto que os teus sócios não trabalham nem a metade e ganham a mesma coisa, entrou a minha mulher na sala com o copo na mão, já posso mandar servir o jantar?

       3° p.     A copeira servia à francesa, meus filhos tinham crescido, eu e minha mulher estávamos gordos. E aquele vinho que você gosta, ela estalou a língua com prazer. Meu filho me pediu dinheiro quando estávamos no cafezinho, minha filha me pediu dinheiro na hora do licor. Minha mulher na da pediu, nós tínhamos conta bancária conjunta.

       4º p.     Vamos dar uma volta de carro? convidei. Eu sabia que ela não ia, era hora da novela. Não sei que graça você acha em passear de carro todas as noites, também aquele carro custou uma fortuna, tem que ser usado, eu é que cada vez me apego menos aos bens materiais, minha mulher respondeu.

       5° p.     Os carros dos meninos bloqueavam a porta da garagem, impedindo que eu tirasse o meu carro. Tirei os carros dos dois, botei na rua, tirei o meu, botei na rua, coloquei os dois carros novamente na garagem, fechei a porta, essas manobras todas me deixaram levemente irritado, mas ao ver os pára-choques salientes do meu carro, o reforço especial duplo de aço cromado, senti o coração bater apressado de euforia. Enfiei a chave na ignição, era um motor poderoso que gerava a sua força em silêncio, escondido no capô aerodinâmico. Saí, como sempre sem saber para onde ir, tinha que ser uma rua deserta, nesta cidade que tem mais gente do que moscas. Na Avenida Brasil, ali não po dia ser. muito movimento. Cheguei numa rua mal iluminanda, cheia de árvores escuras, o lugar ideal Homem ou mulher? realmente não fazia grande diferença, mas não aparecia ninguém em condições comecei a ficar tenso, isso sempre acontecia, eu até gostava o alivio era maior. Então vi a mulher, podia ser ela, ainda que mulher fosse menos emocionante, por ser mais fácil. Ela caminhava apressadamente, carregando um embrulho de papel ordinário, coisas de padaria ou de quitanda, estava de saia e blusa, andava depressa, havia árvores na calçada, de vinte em vinte metros, um interessante problema a exigir uma grande do se de perícia. Apaguei as luzes do carro e acelerei. Ela só percebeu que eu ia para cima dela quando ouviu o som da borracha dos pneus batendo no meio-fio. Peguei a mulher acima dos Joelhos, bem no meio das duas pernas, um pouco mais sobre a esquerda um golpe perfeito, ouvi o barulho do impacto partindo os dois ossões dei uma guinada rápida para a esquerda passei como um foguete rente a uma das árvores e deslizei com os pneus cantando de volta para o asfalto. Motor bom, o meu, ia de zero a cem quilômetros em onze segundos Ainda deu para ver que o corpo todo desengonçado da mulher havia ido parar, colorido de sangue, em cima de um muro, desses baixinhos de casa de Subúrbio.

6.° p. Examinei o carro na garagem. Corri orgulhosamente a mão de leve pelos pára-lamas, os Pára-choques sem marca. Poucas pessoas, no mundo inteiro, igualavam a minha habilidade no uso daquelas máquinas.

7.° p. A família estava vendo televisão. Deu a sua Voltinha, agora está mais calmo? perguntou minha mulher, deitada no sofá, olhando fíxamente o vídeo. Vou dormir, boa noite para todos, respondi, amanhã vou ter um dia terrível na companhia.
(FONSECA Rubem Passeio noturno
In:________Feliz Ano Novo. Rio de Janeiro, Artenova, 1975. Parte i, p. 49-50.)

Continua…

Fonte:
Cândida Vilares Gancho . Como Analisar Narrativas. 7. Ed. Editora Ática. http://groups.google.com.br/group/digitalsource/

Nilton Manoel (São Paulo é Esperança Todos os Dias)

homenagem aos 450 anos de São Paulo
1
No meu antigo toca discos,
ouço com muita atenção,
lindas canções de outrora:
- "São Paulo  Quatrocentão",
da "Rapaziada do  Brás"...
O "Trem das Onze me traz",
saudade e muita emoção.
2
O trem pelos velhos trilhos,
a história do povo escreve!
e a cidade em seu cenário
sempre arrojada se atreve
a plantar modernidade;
sofra a gente com a saudade,
o progresso não é breve.
3
São Paulo, não perde tempo,
inova, protege, acolhe,
quer sua gente contente
não há garoa que molhe,
o entusiasmo dessa sina;
quem vence sua rotina
dá vida aos sonhos que escolhe.
4
O povo quer movimento,
quer cenário, quer ação,
quer futuro e conforto
pela glória da nação...
Todo mundo quer ter paz,
como é bom sonhar no Brás,
há poesia nesse chão!
5
Sou paulista do interior
e passo a vida na estrada,
quem gosta de movimento
quer vida facilitada:
- ao modernismo dou fé,
por todo lado dá pé,
se a cidade é bem cuidada...
6
Quando estou na capital
tenho eficiente o transporte;
seguro, rápido, alegre,
em toda estação o bom porte
que, nem posso imaginar
sem metrô pra trabalhar...
Ser pontual é ser forte!
7
A inspiração não me falta
e até me lembro que, a gente,
há trinta e cinco anos tem,
esse serviço excelente
que movimenta a cidade
e dá ao povo a vontade,
de viver mais... felizmente!
8
São estações variadas
espalhadas pela cidade,
elevados, com plataformas
e na sua versatilidade,
põe no cenário, poesia,
integra-se com a ferrovia,
caminho de prosperidade.
9
Entre fixas e rolantes,
gente que faz movimento
no ganha pão habitual...
páro, olho e  meu pensamento
cola imagens que, resumo
para as falas de consumo...
Reportagens do momento!
10
Quem tem vida solidária
dá valor à cortesia:
por favor... muito obrigado...
dá licença... que poesia,
nas convenções sociais;
todos nós somos serviçais,
pelo pão de cada dia.
11
Jânio Quadros fez história
melhorou a imagem do Brás.
com novas edificações
e o povo cheio de paz,
se orgulha a todo o instante,
por ser sempre o Bandeirante,
de eras que não voltam mais...
12
Nossa vida que é cíclica,
deve a Anchieta, o jesuíta,
que nem sabia, Senhor!
a vida rica e catita
que sua instalação
da história da fundação,
seria plena e bonita.
13
Na seqüência do transporte
o tempo não segue à toa
e o cenário num instante
de São Paulo da garoa
vai e volta com o metrô
rápido como um alô
de celular... Coisa boa!
14
Na integração, a saudade
que traz Maria Fumaça
é recompensa gostosa
é vida cheia de graça
é tempo cheio de glória
é povo que faz a história
nas estações em que passa.
15
Sertanejo, deslumbrado,
da capital do Interior,
Paro e olho como poeta
e fotografo com amor,
a cidade velha e a nova...
Faço haicai, cordel e trova,
São Paulo em tudo tem cor.
16
Fora e dentro da paisagem
do metrô, pelas estações,
a moda que inventa moda
tem espaço de emoções,
nos projetos culturais,
além de artes visuais
concertos e belas canções
17
Viajando, cheio de sonhos,
o usuário com vigor,
faz a vida mais contente,
tem no metrô, o esplendor,
do minuto brasileiro.
Sabe que tempo é dinheiro
e dinheiro é vida e valor.
18
Nestes bons trinta e cinco anos
dos quais dez Companhia
de Trens Metropolitanos.
São Paulo que é poesia.
tem seus pontos cardeais
movimentos cordiais,
na vida do dia a dia...
19
Entre túneis e superfícies.
neste cenário bacana,
paz pelas quatro estações
com as vitrines de Ikebana...
Esculturas e poesia...
O jornal de todo o dia...
É obra que de Deus emana.
20
Nesse progresso incomum
de terra quatrocentona
dos cafezais à indústria
ao comércio em maratona
o povo que se desdobra...
O imigrante tudo cobra
da cidade que emociona.
21
Cenário amigo é o Metrô!
solidário,  nada esconde...
Relembre através da história
a vida dura do bonde,
no meu relógio de ponto...
Todo mês quanto desconto!
A rapidez corresponde.
22
"São Paulo dos meus amores"
treze listras das bandeiras
progressista a todo o instante
de vida gentil de ordeira
cidade que se desdobra,
urbanidade que sobra
pela pátria brasileira.
23
Nesta vida, coisa boa,
meu trem das onze, é fulgor,
corre até a meia-noite;
é transporte de valor
é segurança de fé
é sorriso que dá pé
é verso de cantador...
24
Vai-e-volta, gente bonita,
da pátria do bom cidadão
em sua faina diária,
carteira assinada ou não
que, São Paulo que é formiga
também é cigarra e abriga
a saga da Educação.
25
Neste  mundo transversal
temas escolares tantos,
em seu cenário tem vida...
Num programa, com encantos
comunitários, o fascínio,
dá a todos tirocínio
da grandeza em todos cantos.
26
No "Ação Escolar" projeta
a influência, positiva,
do metrô pela cidade...
Movimento que motiva,
no urbanismo, novos lares,
é nos bancos escolares,
consagra-se em voz ativa.
27
Os conceitos cidadãos
são plenos em toda parte
faz da cultura de então
dar vivas a vida com arte
que o visual é fartura
que encanta, fascina e apura,
É saber que se reparte...
28
Como patrimônio público
paisagístico e de transporte
Metrõ é riqueza da história,
trouxe à vida a melhor porte,
é tudo que o povo queria...
Foguete de todo o dia
do meu trabalho, o suporte.
29
São Paulo é renovação,
canteiro da arquitetura,
pátria de nossos estados
onde se sonha fartura...
Ambição a luz do dia
de noite sonho e poesia...
Vive-se bem... A vida é dura!
30
Por todas as linhas que passo,
por todos sonhos que planto
a trabalho ou a passeio
O metrô tem seu encanto
viajo em paz, sossegado,
feliz e cheio de agrado
e meus limites suplanto.
31
Recordo dos velhos tempos
do transporte e nossa história...
Museu Gaetano Ferolla
têm muito da trajetória...
O bondinho da novela
se à saudade dá trela?
Metrô é conforto e glória!
32
Salve os metroviários. Viva!
gente amiga e de paz!
quem trabalha por São Paulo,
é ordeiro em tudo que faz.
Viva minha gente de fé,
em Sampa tudo da pé!...
Viva o Metrô!  Viva o Brás!
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NILTON MANOEL
Pedagogo (hab/ supervisão. direção; PCP  1996 / 2002 ), professor de Língua Portuguesa, Jornalista (MTb), Contabilista (CRCsp), Escritor, Ativista Cultural, 3 gestões de Conselho Municipal de  Cultura; autor de Cem anos de jornalismo escolar, Didática da Trova, Trovas da Juventude, Poetas de Ribeirão Preto.

Fonte:
O Autor

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Sexteto em Sextilhas (Parte 6)

151 – Assis 
Quem não canta já levanta
espantando a freguesia,
pois que até na luz do sol
joga um balde de água fria,
dessa forma se fechando
para o encanto da poesia.

152 – Ademar
Não tenho sabedoria,
mas sei falar quase tudo;
não sou bom em português,
é fraco o meu conteúdo;
mas para fazer poesia
não é necessário estudo!

153 – Delcy
Ademar,  tu negas tudo
que o Senhor te deu de graça,
a  vida te fez um sábio,
mas a modéstia te abraça...
e  até a  própria   desdita,
com tua coragem,  passa!

154 – Prof. Garcia
Penso na vida que passa
ligeira como quem voa,
no amor que se faz presente
no lar de cada pessoa,
e em tudo quanto se alcança
na graça de quem perdoa!

155 – Gislaine
Perdão é como a lagoa,
bem profunda e em calmaria,
segue encantando em beleza,
proporcionando alegria             
aos que nela, então, navegam,
em seu barco de poesia!

156 – Zé Lucas
Se alguém me ofender, um dia
eu posso estender-lhe a mão,
porque sempre acreditei
na beleza do perdão,
que, além de agradar a Deus,
dá mais vida ao coração.

157 – Assis
Eu dou-lhes plena razão
e acrescento, do meu canto:
é quando a ofensa mais dói
que o perdão tem mais encanto,
pois, tendo a força do herói,
tem a grandeza do santo.

158 – Ademar
O meu perdão entretanto
sempre darei, de verdade;
para mim não custa nada,
nem mesmo vale a metade
das contas que eu vou pagar
no reino da eternidade!

159 – Delcy
Se eu tiver a honestidade
de sempre o bem praticar,
não me preocupa o futuro,
pois viver e poetar
garantirão a ventura
de um dia, no céu, entrar!
 
160 – Prof. Garcia
Eu vivo sempre a rezar
neste mundo em desatino,
peregrinando no tempo
igualmente a um beduino,
que leva o terço na mão
e a fé na luz do destino!
 
161 – Gislaine
Um grão de fé, pequenino,
move até uma montanha;
vamos ter fé, meus irmãos,  
por ela, fazer campanha,
e, num mundo,assim, melhor,
todo o ser  humano  ganha!

162 – Zé Lucas
Que a fé remove montanha,
o Santo de Nazaré,
pelo evangelho de Marcos,
disse em nome de Javé;
no entanto, nada remove
quem nega a força da fé. 

163 – Assis
Digo e repito, de pé,
e sei que também dirás:
que  hão de todos ir às ruas
tal qual Jesus manda e faz,
levando nas mãos - nas duas -
a fé e a esperança e a paz.

164 – Ademar
É num instante de paz,
que eu, humilde trovador,
sinto minha alma liberta
de mágoas, prantos e dor
buscando as inspirações
pra fazer versos de amor!

165 – Delcy
Para ser bom trovador,
buscamos inspiração
na fé, no amor, na amizade,
na  ternura  e  na  afeição,
e versejamos  melhor,
trovando com o coração!
 
166 – Prof. Garcia
É na força da oração,
que a inspiração nos convém.
Quando dobramos o orgulho
erguemos um grande bem,
vão-se as tristezas da vida
e os desenganos também!
 
167 – Gislaine
Inspiração todos têm,
basta só saber amar,
estando, as musas, presentes,
não nos deixarão chorar...
Faremos versos na vida
em nosso eterno sonhar!

168 – Zé Lucas
Já cheguei a me espinhar
pela beleza da flor;
buscando um lugar ao sol,
expus-me à chuva e ao calor
e, pela felicidade,
tornei-me escravo do amor.

169 – Assis
Tem tanta bondade a flor,
tanta ternura e carinho,
que por filho ela adotou
o feio e agressivo espinho,
ao qual, paciente, insiste
em botar no bom caminho.

170 – Ademar
Meu verso trilha o caminho
traçado com sutileza;
tem a leveza da pluma
e a força da correnteza,
a ligeireza de um gato
e o poder da natureza! 

171 – Delcy
Considero uma riqueza,
sempre que amanhece o dia,
ter  um  cardume de  versos
para  pescar  a  poesia,
e,  com eles,  realizar
uma  grande  pescaria!

172 – Prof. Garcia
No mar onde a poesia,
beijando as ondas passeia;
meu barco cheio de encanto
por todo canto vagueia,
buscando as ondas dos versos
para adormecer na areia!

173 – Gislaine
A minha musa é sereia,
pois, como eu, adora o mar,
nem a mais alta das ondas
 faz a gente fraquejar,
velejamos pelos mares
num eterno navegar!       

174 – Zé Lucas
Quando a Lua beija o mar,
declarando amor infindo,
o céu, como testemunha,
faz-se mais terno e mais lindo;
rola um poema nas ondas
que a praia espera sorrindo.

175 – Assis
Alô, outono, bem-vindo
ao nosso belo hemisfério.
É um tempo um tanto fechado,
cercado de algum mistério,
mas bom pra pensar na vida
quando a levamos a sério.

176 – Ademar
A poesia tem mistério
de um belo e perfeito enlace.
mesmo que derrame pranto
por sobre as rugas da face,
não põe tristeza nas rimas
do verso quando ele nasce.

177 – Delcy
Que a tua ideia eu abrace,
com  relação à  poesia,
que eu amo desde criança,
que só me traz  alegria!
Com ela, as tristezas fogem
na  vida do dia-a-dia!
 
178 – Prof. Garcia
Que bom na vida seria
um sono à luz do luar,
onde um poeta cantasse
linda canção de ninar,
e a lua beijasse os lábios
dos versos que vem do mar!
 
179 – Gislaine
Faz parte, o eterno sonhar,
da minha vida, é verdade,
a poesia mora em mim,
num viver só de irmandade;
nas tristezas e alegrias,
ela  traz tranquilidade!

180 – Zé Lucas
Quero cantar a saudade
da distante meninice,
num poema que atravesse
da mocidade à velhice,
faça tudo que não fiz
e diga o que eu nunca disse.

Jandira Barreto Pereira Maués. (Trovas da Escola Municipal Florestan Fernandes 5a. a 8a. Séries)

Quem na palavra se adestra,
imenso poder transporta
pois o verbo é chave mestra
capaz de abrir qualquer porta!
Antônio Juraci Siqueira

Trovas de Breno Lopes

Minha mãezinha querida,
Neste dia tão feliz,
Ofereço com alegria
Esta lembrança que eu fiz.

Antigamente eu cantava
Como cantava o sabiá
Mas agora eu não canto
Porque eu já vou “macaquear”.

Certo dia mamãe me disse:
Você vai se machucar
Como não lhe dei ouvido,
Comecei a me ralar.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão,
Eu dou grito de alegria,
Tão grande é minha emoção.

Trovas de Huelen Joaquim

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Por favor me diga logo
Onde anda o meu amor.

Toda vez que você passa
defronte do meu portão,
o meu coração dispara
quase morro de emoção.

Trovas de Jéssica Nunes
Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Você é meu amado
E eu sou um beija-flor.

Toda vez que você passa
defronte do meu portão,
fico logo apaixonada
pensando em meu amorzão.

Trovas de Layane Caroline

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Sabiá da goiabeira
Vá dançar com seu amor.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão
Vai chegando de mansinho,
Mexendo o meu coração.

Para a lua deixo um cheiro
Para o sol uma canção
Pra você que é minha mãe
Um beijo de coração.

Trovas de Leandro Guimarães

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Vou vivendo esta magia,
Procurando o meu amor.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão
A menina mais bonita
Mora no meu coração.

Trovas de Michele Santos

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador
Eu fico à toa, de bobeira
E esqueço até minha dor.

Atravessei sete mares
Fazendo o que sou capaz,
Arriscando a minha vida
Só por causa de um rapaz.

Você é o meu cantar
E o meu rapaz de amar,
Mas o eu dia escurece
Sempre que você me esquece.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão,
Fico olhando a sua graça
Com amor no coração

A mãe dele é esperança
E tem dele um cheiro de flor,
Minha mãe é muito linda
Quem me cria é seu amor.

Trovas de Sâmara Souto

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Me conta teu segredo
Que eu te dou o meu amor.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão,
Fico olhando muito triste
Com dor no meu coração.

Mina mãe é tão bonita,
Ela é igual uma flor,
Ela é a flor divina
Que me dá o seu amor.

Trovas de Thayane

Sabiá da laranjeira
Passarinho cantador,
Tu sumiste tão depressa
Sem encontrar o meu amor.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão,
Meu coração bate forte
Dum, dum, dum, dum, dum, dum, dão!

Trovas de Thiago S. Rosário

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Quando sobe na mangueira
Vai junto com meu amor.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão
Fico a olhar maravilhado
Com o coração na mão.

Minha mãe é tão querida,
Minha mãe é tão legal,
Minha mãe é minha vida
Porque faz o meu nescau.

Trovas de Wilhiam Clei

Sabiá da laranjeira
Passarinho cantador
Vai voando bem depressa
pra encontrar o meu amor.

Toda vez que você passa
Defronte do meu portão
Vai me dar dor de cabeça
Pois é grande a emoção.

Ó mãe, quando eu morrer
Não quero reclamação
Pois o pouco que eu fiz
Eu deixo de coração.

Trovas de Aurélio Jonatan

Vou plantar um pé de cravo
No meio do teu jardim
Nele vou mandar um beijo,
Você manda outro pra mim.

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Eu vou mandando um beijinho
Pra menina meu amor.

Mangueira da minha terra,
Cai manga no meu jardim,
Vou te mandar uma flor,
Você, um beijo para mim.

Trovas de Juliane Nascimento
Toda vez que você passa
Defronte do meu portão
Dia e noite vão passando
Só não passa esta emoção.

Vou plantar um pé de cravo
No meio do teu jardim
Pra colher todos os beijos
Que você guardou pra mim.

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Vai cantando, vai voando
Acordar o meu amor!

Vou plantar um pé de cravo
No meio do teu jardim;
Vou dizer-te bem mansinho
Que nosso amor não tem fim.

Sabiá da laranjeira
Passarinho cantador,
Tem ciranda no teu canto,
No teu canto tem amor.

Mangueira da minha terra,
Mangueira do meu amor,
Tanto longe quanto perto
Não esqueço o teu amor.

Quando chove na cidade,
Olho triste para o céu
À espera do meu amado
Que partiu lá pra Portel...

Trovas de Joyce Nunes

Vou plantar um pé de cravo
No meio do teu jardim
Pra dizer pra todo mundo:
Quero você até o fim!

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador,
Vou dizer a todo mundo
que você é meu amor.

Mangueira da minha terra
Que dá mangas com sabor,
Vou dizer para o mundo inteiro
Que você é o meu amor.

Trovas de Leandro da Conceição

Vou plantar um pé de cravo
No meio do teu jardim.
Vou querendo, enquanto isso,
Você todinha pra mim.

Sabiá da laranjeira,
Passarinho cantador
Eu queria ter certeza
Que você é meu amor.

Mangueira da minha terra,
Minha fruta é o muruci;
Para ser um bom poeta,
Tem que ser “seu” Juraci.

Trovas de Lucas Farias

Mangueira da minha terra,
Passarinho cantador,
No teu canto tem ciranda,
No teu canto tem amor.

Mangueira da minha terra,
Passarinho cantador,
Vai voando, vai cantando
Acordar o meu amor.

Fonte:
Jandira Barreto Pereira Maués. Trilogia Contos e poesias da Escola Municipal Florestan Fernandes.