quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Gildo Henrique (Lançamento de Livro dia 22 de setembro em Campos/RJ)


              
              Lançado pela Editora Autografia na XVIII Bienal do Livro - Rio (2017) e no Festival Doces Palavras (FDP) de Campos dos Goytacazes-RJ.
        Trata-se de um livro de contos com narrativas sobre meados da década de 1960, tendo como cenário Tócos, 17º Distrito de Campos, além do texto integral da peça teatral de mesmo nome, levada à cena em 2011 no Teatro do SESI/Campos, e com direção de Fernando Rossi.

            Contos:

            O Segredo do Capitão Garrafa
Premiado no Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho/2010, é uma metáfora de preocupações ambientalistas, com ênfase na degradação da Lagoa Feia, a segunda maior do Brasil, ao mesmo tempo em que revela a inocência da puberdade, com um passeio entre o religioso e o profano.

            Tinenti 
Revive um importante momento de transição na história do Brasil: no dia da morte de Tancredo Neves, presidente eleito e não empossado em 1985, jornalista marca entrevista com oficial do Exército Brasileiro. Enquanto aguarda o encontro, vive reminiscências do início da Ditadura militar, quando o Capitão Francisco, seu entrevistado e amigo de infância, já demonstrava sua tenência durante as algazarras próprias da garotada.

            Jovinha Doida 
É personagem marcante na localidade. Uma mulher surge, sem paradeiro e sem parentes, pelas ruas e cercanias do distrito, provocando a população com atitudes nada convencionais. Enquanto jogam sinuca, rapazes relembram fatos da velha caduca em sua juventude. Premiado no Concurso Nacional de Contos José Cândido de Carvalho/2014.

            Filatelia
Conto escolhido para publicação pela revista Correio Filatélico da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, é uma reflexão sobre colecionadores e a busca da felicidade a partir da reunião de objetos similares, como tijolos de uma obra interminável, ao mesmo tempo em que acentua o contraste entre o camponês e o urbanóide, uma referência ao papa-goiaba e a linguagem própria da região.

            O cinema, a lupa e o tempo  
Uma casa em escombros e o reencontro com um passado em que o cinema da pacata localidade acalentava sonhos pueris. Sem dinheiro para  bilhetes, a curiosidade da gurizada era o lixão no centro de um terreno e que continha preciosidades: pedaços cortados de películas cinematográficas que apresentavam problemas durante a semana.

            Um pé de tamarindo 
 Diplomata aposentado resolve voltar ao cenário de sua infância. Nunca mais consegue retornar do labirinto em torno de uma velha árvore.
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- O livro tem ilustrações e fotografias coloridas, estas da montagem teatral da estreia da peça em 2011.

- A capa é do talentoso designer Genilson Soares.
- Possui prefácio assinado pelo Mestre Orávio de Campos Soares.
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Sobre o autor:

GILDO HENRIQUE é natural de Tócos, 17º distrito de Campos dos Goytacazes, RJ. 61 anos, pai de quatro filhos. É graduado em Design Gráfico e licenciado em Letras - Português e Literaturas, ambos pela Instituto Federal Fluminense. Autor de diversos contos e de diversas peças teatrais, muitas já encenadas.
     É dramaturgo, autor de várias peças teatrais:
      
- Negrinha, adaptação do conto de Monteiro Lobato;
       - Oliver Twist, adaptação do romance de Charles Dickens;
       - A evangelização da Planície Goitacá;
       - O Segredo do Capitão Garrafa e outras histórias;
       - Marginais - nada que é dourado permanece, adaptação do romance de Susan E. Hinton;
       - Olha para o céu, Frederico!, adaptação do romance de José Cândido de Carvalho; etc.
            Foi diretor e premiado ator de teatro e de cinema Super 8mm na década de 1970, tendo sido destaque como Zé-do-burro em O Pagador de Promessas, espetáculo de sucesso na região do Norte-Fluminense.

Fontes:
Sinopse do Livro enviada pelo escritor.
Biografia = O Escritor e  Recanto das Letras 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

36ª Semana Literária Sesc Curitiba (Programação de 20 de setembro - Quarta)

10h
Minioficina: Utilizando contos populares na formação de jovens leitores

Essa atividade, conduzida por Samuel Teixeira e Tatiane Phauloz, pretende apresentar e discutir questionamentos acerca da literatura popular e seus pontos de contato com a literatura infantil. A discussão será feita a partir dos questionamentos levantados pelo autor e ilustrador paulistano Ricardo Azevedo em seus textos teóricos “Conto popular, literatura e formação de leitores”. Além disso, serão apresentados alguns contos populares para fomentar a discussão.

10h às 13h e 14h às 20h
FaceLivro

A iniciativa da oficina FaceLivro consiste, através de uma técnica fotográfica chamada ilusão de perspectiva ou perspectiva forçada, em completar uma capa de livro ou disco utilizando esse segmento de imagem (a capa) em frente a uma pessoa e essa pessoa imitar a pose ou cena, imaginando como seria a foto em um enquadramento geral. A oficina será coordenada por Daniel Grizza.

das 10h às 20h30
Museu de Arqueologia e Etnologia – UFPR
O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR oferece, além de exposições em seus espaços, uma série de atividades e materiais lúdico-pedagógicos preparados para o público jovem, crianças do ensino fundamental, médio e professores. Entre esses materiais, o museu apresenta seu guia para visita no museu, livros de contos indígenas e africanos – também disponíveis em áudio, além de jogos, videojogos e um livro de RPG ambientado no Brasil pré-colonial, cuja perspectiva privilegiada é a dos grupos ameríndios quando dos primeiros momentos da ocupação europeia no território do sul do Brasil.

das 10h às 20h30
Vidas Refugiadas

Focada no cotidiano de oito mulheres refugiadas que vivem no Brasil, a mostra apresenta um grupo de imagens do fotógrafo Victor Moriyama. Seja pelas singulares expressões das fotos em estúdio ou mesmo dos registros das refugiadas em seus respectivos cotidianos, a exposição revela as dificuldades e os problemas enfrentados por elas ao mesmo tempo em que joga luz sobre suas conquistas, seus valores e seus esforços feitos para construir dias melhores no país que as acolheu como refugiadas. A curadoria do projeto é de Gabriela Ferraz em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ANHCR/ACNUR) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

das 10h às 20h30
Exposição CLOSER

A exposição CLOSER, de Tom Lisboa, é uma intervenção urbana que traz para bem perto dos transeuntes alguns monumentos públicos que estão distantes dos seus olhares. Confeccionados em grandes displays de papelão (como os que são feitos nos cinemas), eles revelam para os espectadores detalhes de obras que antes lhes eram inacessíveis.

às 10h e às 14h
Contação de História – O Sonho de Davi

A contação “O Sonho de Davi” é inspirada no cordel de Antônio Klévisson Viana. A história conta a saga de Davi, menino que, depois de ter um sonho especial, sai do sertão em busca de um tesouro na cidade grande. A narração é recheada com cantigas e ritmos da cultura nordestina.

10h; 17h
Oficina tipográfica

Oficina de gravura tipográfica abordando os seguintes tópicos: composição tipográfica, gravura em madeira, incunábulos, ex-libris e outros elementos tipográficos utilizados para a impressão de livros.

14h
Caminhada Cultural

Programação Patrimônio Movimentos de Memória
Com Maria Luiza Gomes e Ronaldo Bevilacqua Marcondes
A “Caminhada: cultura e patrimônio”. Realizaremos uma visita guiada pelo centro histórico da cidade com a proposta de sensibilizar o olhar do participante e valorizar o patrimônio local, passando por lugares como Praça Santos Andrade, Sesc Paço da Liberdade, Ruas Riachuelo e São Francisco, entre outros. Os grupos serão de no máximo 20 pessoas e as inscrições, gratuitas, feitas antecipadamente durante o evento.
Saídas para as caminhadas: palco central (Praça Santos Andrade)

11h
Roda de leitura de autores angolanos

Leitura de alguns contos e poemas dos escritores angolanos Ondjaki e José Eduardo Agualusa.

12h
Banda Lyra Curitibana

A Banda Lyra Curitibana existe há 34 anos e é mantida pela Fundação Cultural de Curitiba (FCC) e Instituto Curitiba de Arte e Cultura (ICAC). É responsável principalmente pela animação musical dos eventos públicos. Conta atualmente com 28 integrantes e faz uma média de 160 apresentações por ano. Os músicos tocam instrumentos de sopro e percussão e o repertório é bem variado, composto por mais de 400 músicas, desde música erudita a samba, trilhas musicais, mambos, marchas e hinos.

14h
Amigos Bichos com Adélia Maria Woellner

Em Amigos Bichos, há uma história a ser vivida pela criança que também participa da “autoria” ao colorir as imagens, de acordo com sua visão cromática, terá um livro exclusivo, pessoal. Mais que isso, a história poderá estimular a descoberta de demonstrações de amor, generosidade, desprendimento, carinho, nas atitudes do menino que observa as características e beleza dos animais, sendo a criança, assim, incentivada a respeitar a natureza.

14h
Roteiro e produção de filmes de animação com Gustavo Ribeiro

Quais são as etapas de produção de um filme? Talvez você já tenha até parado para pensar nisso. Mas e um filme em 3D? Como se cria um universo do zero? Nessa oficina, pretende-se fazer um apanhado geral do processo de produção de um filme de animação, com ênfase na criação do roteiro e do storyboard.
Roteiro; Personagens: Elementos externos e internos; Estrutura da história; Desenvolvimento dos atos Storyboard: Uma nova vida, uma nova história; Roteiro e limitações de produção em um ambiente de animação 3D.

15h
Formação de Leitores e Multiletramentos com Lúcia Peixoto Cherem e Sandra Bozza
Mediação: Milena Ribeiro Martins
Através do tema da mesa “Formação de Leitores e Multiletramentos”, intentamos contribuir para a necessária e pertinente reflexão sobre o fato da interação social não mais ser garantida apenas através do texto escrito. Fica cada vez mais explícita a imprescindibilidade de se conceber que a formação de leitores e leitoras ultrapassa as barreiras do trabalho com a multiplicidade de suportes discursivos.  Dada à contemporaneidade do tema, pensar sobre muitos espaços e formas de interação e organização social a partir e através de diferentes ícones e diversos códigos visuais, sonoros e plásticos se mostra inevitável e relevante, considerando os novos espaços de comunicação, informação verbal e não verbais hoje utilizados tanto nas mídias virtuais como nos espaços físicos das cidades. Esse complexo sistema cria e possibilita a conveniência de formação diferente de leitor, o que, consequentemente, implica a obrigação de se formar diferentes formadores de leitores.

das 15h às 19h
Oficina de Marmorização em Papel
Esta técnica também é conhecida como Ebru ou ainda Marbling Paper e consiste na feitura de desenhos sobre água condensada. A cor que fica flutuando sobre a água pode ser manipulada e com isso é possível criar padrões semelhantes ao mármore liso ou outra pedra. Os desenhos são posteriormente transferidos para o papel ou tecido. Suas aplicações são diversas, mas é especialmente utilizada como capas de livros e guardas em encadernações e papelaria. Parte do seu apelo é que cada impressão é um original único.

15h30
Literatura Fantástica: mundos fantásticos com Thiago Tizzot e Gabriela Ribeiro
Muito além de monstros, heróis e magia. Cada ano que passa, a literatura fantástica cresce, o número de leitores aumenta, seus livros invadiram as telas de cinema, da TV e dos jogos e hoje muitos são fenômenos culturais. Apesar de ainda ser visto como um gênero sem muita importância pelos críticos e estudiosos, é inegável seu sucesso absoluto.
Como livros repletos de aventuras e mundos fantásticos conseguem cativar tantas pessoas? Por que ainda existem tão poucos autores de literatura fantástica no Brasil?

18h30
Show em homenagem a Mercedes Sosa
No show Tributo a Mercedes Sosa, o AVEduo, formado pelas cantoras Andréa Bernardini e Viviana Mena, apresentam um repertório selecionado da cantora argentina, que exerceu grande influência para cantores e músicos latino-americanos de diversas gerações. Clássicos como Merceditas, Los Hermanos e Volver a los 17, entre outras zambas, chacareras e huaynos, ritmos típicos da música sul-americana, simbolizam diferentes momentos dos 50 anos de carreira de Mercedes Sosa.

19h
Poesia Contemporânea: Ensayos del Tiempo com Leopoldo Castilla e Pedro Ezequiel Marotta
Mediação: Isabel Jasinski
Leopoldo Castilla, conhecido como “Teuco”, nasceu em Salta, Argentina, 1947, sendo exilado na década de 70. Tem uma vasta publicação em poesia, narrativa e ensaio e já recebeu diversos prêmios, sendo o último o prémio Víctor Valera Mora (2014), por seu livro “Gong (Canto Al Asia)”, sobre suas viagens ao oriente. A mediadora é Isabel Jasinski, professora de literatura hispânica na UFP. Realizou seu doutorado e pós-doutorado na UFSC, com um período de estágio no México (Unam). Entre outros assuntos, é especialista em literatura e exílio, literatura e alteridade e literatura e outras artes.

19h
CineSesc – HOPE(Dir. Boris Lojkine, FRA, 2014, 86min)
Sinopse: Enquanto atravessa o Saara em direção à Europa, Léonard, um jovem camaronês, presta auxílio a Hope, uma nigeriana. Em um mundo hostil onde cada um deve ficar com os seus, eles vão tentar avançar juntos e se amar.

20h
Poesia Contemporânea: entre lugar e não lugar com Marcelo Ariel e Rodrigo Garcia Lopes
Mediação: Diamila Medeiros dos Santos
A crise da poesia como advertida por inúmeros críticos rende, desde o início do século XX, inúmeros debates. Mas, e os poetas o que têm a dizer sobre isso? Inegavelmente, a poesia não deixou de ser produzida, ao contrário, parece ser escrita cada vez por um maior número de pessoas, mas quem são os leitores de poesia?  Além disso, quais são as possibilidades para o discurso poético em meio a uma instrumentalização cada vez maior dos discursos? Essas são algumas questões a serem debatidas com os poetas Marcelo Ariel e Rodrigo Garcia Lopes.
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A Semana Literária em Curitiba
De 18 a 22 de setembro de 2017 das 10h às 20h30.
Dia 23 de setembro de 2017 (sábado) das 10h às 18h.
Endereço: Praça Santos Andrade
Telefone: (41) 3304-2266
Realização Fecomércio PR; Sesc PR; UFPR; Editora UFPR; PROEC
Apoio: Prefeitura de Curitiba; RPC TV;

Patrocínio da XIV; Feira do Livro Editora UFPR; Caixa Econômica Federal

Fonte:
http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/programacao/curitiba/

domingo, 17 de setembro de 2017

36ª Semana Literária Sesc Curitiba (Programação de 19 de setembro - Terça)

10h; 14h
Modos de criar – Laboratório de Criação Literária com Gabriela Ribeiro

Em um laboratório de duas horas vamos explorar diferentes meios de passar uma ideia da cabeça para o papel. Serão apresentados: breve panorama da história do conto; como trabalhar com narrativas curtas; técnicas para sair da página em branco; diferentes modos de criação; a eterna busca pela voz autoral.

10h às 13h e 14h às 20h
FaceLivro
A iniciativa da oficina FaceLivro consiste, através de uma técnica fotográfica chamada ilusão de perspectiva ou perspectiva forçada, em completar uma capa de livro ou disco utilizando esse segmento de imagem (a capa) em frente a uma pessoa e essa pessoa imitar a pose ou cena, imaginando como seria a foto em um enquadramento geral. A oficina será coordenada por Daniel Grizza.

das 10h às 20h30
Museu de Arqueologia e Etnologia – UFPR
O Museu de Arqueologia e Etnologia da UFPR oferece, além de exposições em seus espaços, uma série de atividades e materiais lúdico-pedagógicos preparados para o público jovem, crianças do ensino fundamental, médio e professores. Entre esses materiais, o museu apresenta seu guia para visita no museu, livros de contos indígenas e africanos – também disponíveis em áudio, além de jogos, videojogos e um livro de RPG ambientado no Brasil pré-colonial, cuja perspectiva privilegiada é a dos grupos ameríndios quando dos primeiros momentos da ocupação europeia no território do sul do Brasil.

das 10h às 20h30
Vidas Refugiadas
Focada no cotidiano de oito mulheres refugiadas que vivem no Brasil, a mostra apresenta um grupo de imagens do fotógrafo Victor Moriyama. Seja pelas singulares expressões das fotos em estúdio ou mesmo dos registros das refugiadas em seus respectivos cotidianos, a exposição revela as dificuldades e os problemas enfrentados por elas ao mesmo tempo em que joga luz sobre suas conquistas, seus valores e seus esforços feitos para construir dias melhores no país que as acolheu como refugiadas. A curadoria do projeto é de Gabriela Ferraz em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (ANHCR/ACNUR) e a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

das 10h às 20h30
Exposição CLOSER
A exposição CLOSER, de Tom Lisboa, é uma intervenção urbana que traz para bem perto dos transeuntes alguns monumentos públicos que estão distantes dos seus olhares. Confeccionados em grandes displays de papelão (como os que são feitos nos cinemas), eles revelam para os espectadores detalhes de obras que antes lhes eram inacessíveis.

às 10h e às 14h
Contação de História – O Sonho de Davi
A contação “O Sonho de Davi” é inspirada no cordel de Antônio Klévisson Viana. A história conta a saga de Davi, menino que, depois de ter um sonho especial, sai do sertão em busca de um tesouro na cidade grande. A narração é recheada com cantigas e ritmos da cultura nordestina.

10h; 17h
Oficina tipográfica
Oficina de gravura tipográfica abordando os seguintes tópicos: composição tipográfica, gravura em madeira, incunábulos, ex-libris e outros elementos tipográficos utilizados para a impressão de livros.

10h
Caminhada Cultural

Programação Patrimônio Movimentos de Memória
Com Maria Luiza Gomes e Ronaldo Bevilacqua Marcondes
A “Caminhada: cultura e patrimônio”. Realizaremos uma visita guiada pelo centro histórico da cidade com a proposta de sensibilizar o olhar do participante e valorizar o patrimônio local, passando por lugares como Praça Santos Andrade, Sesc Paço da Liberdade, Ruas Riachuelo e São Francisco, entre outros. Os grupos serão de no máximo 20 pessoas e as inscrições, gratuitas, feitas antecipadamente durante o evento.
Saídas para as caminhadas: palco central (Praça Santos Andrade)

11h
Teatro greco-romano com Richard Hunter
Bate-papo sobre sobre teatro greco-romano.

12h
Duo Folkears
A parceria dos artistas Jade Farah e Rafael Dauer começou em junho de 2015, em Curitiba, com a música “Noite Lenta”, de autoria de Jade. O duo Folkears surgiu em maio de 2016, fazendo shows dentro e fora da cidade.
Em seus shows costumam explorar instrumentos acústicos como violão, gaita harmônica, viola caipira, cavaco banjo, além da harmonia das vozes nos duetos. Atualmente estão gravando seu primeiro EP no Mylo Estúdio, com produção de Luciano Frank. Lançaram o single “Sonhos de Realidade” em julho deste ano nas plataformas YouTube e SoundCloud (disponível para download livre).

das 15h às 19h
Oficina de Marmorização em Papel
Esta técnica também é conhecida como Ebru ou ainda Marbling Paper e consiste na feitura de desenhos sobre água condensada. A cor que fica flutuando sobre a água pode ser manipulada e com isso é possível criar padrões semelhantes ao mármore liso ou outra pedra. Os desenhos são posteriormente transferidos para o papel ou tecido. Suas aplicações são diversas, mas é especialmente utilizada como capas de livros e guardas em encadernações e papelaria. Parte do seu apelo é que cada impressão é um original único.

18h30
Bruna Lucchesi interpreta canções do Clube da Esquina
Com repertório que homenageia expoentes da música produzida em Minas Gerais, como Milton Nascimento, Lô Borges e Beto Guedes, a Semana Literária recebe o show da cantora Bruna Lucchesi em homenagem aos 45 anos do álbum “Clube da Esquina”. O disco, lançado em 1972, foi um marco na história da nossa música, referência também no exterior e símbolo de uma nova estética.

19h
Livro e Cidadania com Darci Piana, Ricardo Marcelo Fonseca e Marcelo Luciano Martins Di RenzoMediação: Rodrigo Tadeu Gonçalves
Existem livros que tratam da cidadania, trazem conceitos sobre o que é, como se desenvolve, como se pratica. Existem estudos e ensaios que tratam da leitura como um processo significativo na formação do cidadão. No primeiro caso, o livro é um suporte do texto; no segundo, a leitura não se remete ao tal livro, como conhecido. Examinaremos, assim, a relação entre esses dois conceitos, Livro e Cidadania.

19h
Cinesesc – O Estacionamento
(Dir. William Biagioli, BRA, 2016, 16min)
Sinopse: Jean é um imigrante haitiano que vem para o Brasil. Para sobreviver, ele arruma emprego em um estacionamento de carros e passa a viver lá. Jean descobrirá que essa rotina pode ser enlouquecedora.

19h20
CineSesc – Terra Firme
(Dir. Emanuele Crialese, FRA/ITA, 2011, 93min)
Classificação indicativa: 14 anos
Sinopse: Sicília, Itália. A família Purcillo vive em uma ilha remota, onde a maior fonte de trabalho é o turismo. Ernesto, o patriarca da família, ainda mantém seu barco de pesca, mais por razões sentimentais do que pela renda que consegue obter através dele. Já Nino desistiu de vez da pescaria e agora se dedica a entreter turistas. Um dia, Ernesto e o neto Filippo estão no mar e, ao perceberem que um barco naufragou, ajudam algumas pessoas. O problema é que o barco estava repleto de imigrantes ilegais e ajudá-los, mesmo nestas condições, é considerado crime. Vivendo entre o medo de serem flagrados e a necessidade de prestar ajuda, a família Purcello passa a abrigar em sua própria casa dois dos imigrantes: Sara e seu filho.

20h
Tradução Literária e as Diferentes Culturas: palavras sem fronteiras com Guilherme Gontijo Flores e Eduardo Ribeiro da Fonseca
Mediação: Caetano Waldrigues Galindo
Os dois tradutores convidados, ambos ganhadores do Prêmio Jabuti na categoria de Tradução, com obras publicadas pela Editora UFPR, debaterão os desafios da tradução no presente, do mercado editorial, da vida acadêmica, da distância entre línguas, dos projetos poéticos, filosóficos e literários em jogo a cada empreitada tradutória.

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A Semana Literária em Curitiba
De 18 a 22 de setembro de 2017 das 10h às 20h30.
Dia 23 de setembro de 2017 (sábado) das 10h às 18h.
Endereço: Praça Santos Andrade
Telefone: (41) 3304-2266
Realização Fecomércio PR; Sesc PR; UFPR; Editora UFPR; PROEC
Apoio: Prefeitura de Curitiba; RPC TV;

Patrocínio da XIV; Feira do Livro Editora UFPR; Caixa Econômica Federal

Fonte:
http://www.sescpr.com.br/semanaliteraria/programacao/curitiba/

sábado, 16 de setembro de 2017

Olivaldo Júnior (Buquê de Trovas para o Dia do Cliente)

15 de setembro: Dia do Cliente

- Atenção: liquidação!
E uma fila já se engrossa!
No mercado da ilusão,
todo mundo se alvoroça...

Coração de vendedor
vende sonhos a varejo,
mas é mero sonhador
quando vem o realejo...

O cliente chega à porta,
para, espia, nada quer...
Para ele, o que conforta
é 'sondar' o que puder.

No pregão daquela feira,
passa o mundo da Cidade;
só não passa a feiticeira
que oferece a eternidade...

Tenho luas pra vender,
quero noites pra comprar...
Mas acabo sem saber
quanto o sonho irá custar.

Fonte:
O Autor

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Contos do Mundo (O Dragão e a Princesa)

Era uma vez um Dragão. Ou melhor, era uma vez um terrível Dragão, todo embolotado, que habitava a tenebrosa caverna negra do Reino das Águas Cantantes.

Todos os habitantes do Reino temiam o Dragão, pois como todo Dragão que se preza, este também soltava fogo pelas ventas. O rei buscava heróis que destruíssem a fera pois as colheitas estavam aos poucos sendo destruídas pelas suas labaredas e o reino empobrecia.

Por anos a fio o Rei procurou corajosos que exterminassem o ameaçador dragão, com ofertas de luxos e riquezas, mas agora, não havendo mais fortuna para premiar quem acabasse com o terrível dragão, o rei prometia casamento com Marinalva, sua filha predileta.

Mas onde é que andavam os heróis? Todos ocupadíssimos, nenhum se interessava pela oferta. Não que a princesa fosse feia, mas tinha um gênio danado! Chegava a ser mais temida do que o dragão. Aliás, não queria se casar com ninguém. Gostava de ser princesa, livre de compromissos, passear em seus cavalos e dar ordem a torto e a direito.

A oferta transtornou Belzabum, bruxo particular do rei, que há muito alimentava a pretensão de desposar Marinalva. Casando-se, assumiria o controle das finanças do reino e aumentaria seu poder. Fingia-se de doce apaixonado, mas Marinalva sempre o repudiava, aliás, como fazia com qualquer pretendente. Agora então, estando a princesa prometida para o destemido que enfrentasse o dragão, Belzabum viu suas esperanças transformadas em pó.

- Já que Marinalva não pode ser minha esposa, não será mais de ninguém! - gritou Belzabum lançando um terrível feitiço sobre a princesa.

Imediatamente, Marinalva sentiu um impulso irresistível de conduzir-se até a caverna do Terrível Dragão. O feitiço começava a fazer efeito.

Enquanto isso, o Dragão em sua caverna, reclamava:

- Como dói! Dói tudo! Deve ser gripe! Ou enfarte! A cabeça dói! As costas doem!!!! Como dói!!!

Quando ele ouviu ruídos de passos, gritou:

– Quem está aí???

Marinalva sentiu o calor. Sua pele tornou-se embolotada de urticária.

– Onde estou? Perguntou ela em voz alta.

– Quem é você? – perguntou o dragão ao perceber a silhueta de Marinalva surgindo da fumaça.

– Uau!!! Quanta luz! Quanta fumaça! – exclamou Marinalva coçando os olhos já vermelhos. A fumaça era tanta que, sem querer, ela pisou na cauda do dragão.

– O#### w##$***!!!!! – Além destas exclamações, o monstro soltou uma labareda que chamuscou os cabelos da princesa que ficaram arrepiados!

– Mas que dragão malcriado! – gritou Marinalva com o dedo em riste em direção do dragão. - Escute aqui, seu fogão de lenha quebrado, que negócio é este de me queimar? Não gostei nem um pouco. Estou uma fera!!!

O Dragão não resistiu. Vendo-a de perto, com os cabelos em pé, fumaça saindo pelas orelhas, olhos vermelhos e coberta de pelotas, apaixonou-se perdidamente! Finalmente encontrara um par! Usou sua voz mais doce, soltou uns estalidos, piscou três vezes, e disse:

– Como você é linda!

Neste momento, Marinalva viu-se refletida em uma poça d´água e deu um grito.

– AAAARGHH!

– Que voz maviosa! - elogiou o dragão.

Envergonhada de sua aparência, a princesa Marinalva não teve mais coragem de sair da caverna do dragão. Este, muito apaixonado, também enclausurou-se para viver um romance com sua amada e com isso, deixou as colheitas em paz. Não se sabe se viveram felizes, mas nunca mais foram vistos por ninguém!

Fonte:
Disponível em Contos de Encantar

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Carlos Leite Ribeiro ("Oh!... Destino…")

Queria que aquelas imagens desaparecessem completamente de sua cabeça. Não se queria lembrar do passado, mas não conseguia tirar essa ideia do cérebro por mais que tentasse.

Em sua casa, chorava muitas vezes sozinha. Nem as conversas banais com as vizinhas lhe davam um pouco de alegria, nem a televisão, que passava dias sem a ligar. Chegou a odiar os sábados e os domingos, pois, durante a semana embrenhava-se no seu trabalho e por vezes nas conversas das colegas de trabalho. Muitas vezes pensava no seu triste destino.

Tudo começou no Liceu e, desde os primeiros dias, elegeu como seus amigos especiais o Acácio Manuel e a Ernestina. Para ela eram a sua companhia predileta, não só nas aulas, como nas “escapadas” para irem ao cinema; por vezes, até ao Domingo se encontravam.

O tempo foi passando e um belo dia o Acácio apresentou a um amigo de ocasião, a Mariana como sua “namorada”. Esta ficou muito admirada com esta apresentação de “namorada”, e mais tarde perguntou-lhe:

Mariana: Olha lá, Acácio, eu sou tua namorada?!

Acácio: Pois claro que és, e desde o primeiro dia que te conheci!

Ela limitou-se a sorrir. Mais tarde deu a notícia à Ernestina, que ficou muito admirada, limitando-se a balbuciar: “Sempre pensei que era eu a escolhida…”.

Quando terminaram o Liceu, casaram-se e tudo parecia correr às mil maravilhas. Até que…

A Mariana e a Ernestina trabalhavam na mesma empresa de exportações; o Acácio trabalhava num escritório de contabilidade.

Algum tempo depois, Mariana começou a notar que a sua colega Ernestina todas as semanas pedia uma tarde, alegando “estar muito mal-disposta”. Até aí…

Numa dessas tardes, para tratar qualquer assunto, telefonou para o escritório onde o marido trabalhava, e de lá responderam que o “Acácio” tinha ido para casa com uma grande enxaqueca. À noite e já em casa, perguntou ao marido se estava melhor da “enxaqueca”. A resposta foi que tinha dado aquela desculpa para poder ir ao banco tratar de uns assuntos. A Mariana limitou-se a encolher os ombros.

Na semana seguinte, a mesma cena: A Ernestina “mal-disposta” e o Acácio com “enxaqueca”. Talvez o seu sexto sentido a avisasse que devia ir naquele momento a casa. Deu uma desculpa ao seu chefe e lá foi a caminho de sua casa. Com todo o cuidado, meteu a chave na fechadura da porta e entrou em casa sem fazer ruídos. Dirigiu-se ao seu quarto que tinha até a porta entreaberta, e ao abri-la, não gostou do que viu: o seu marido com a sua melhor amiga. Ficou como petrificada. Quando recuperou, saiu a correr de casa, meteu-se dentro do carro, e andou, andou nem sabe por onde.

Apesar dos sucessivos e pungentes pedidos de desculpas do marido, não lhe perdoou, e o divórcio deu-se.

Foi trabalhar numa sucursal da empresa, mas em outra terra…

OH!... DESTINO…

O Setembro estava a findar e com ele as primeiras chuvadas. Naquele dia até trovejava e o ar estava um pouco frio.

Como os relâmpagos sempre lhe causaram pavor, entrou no primeiro lugar que lhe parecia oferecer mais segurança, e que, por acaso, era o restaurante Grill que por vezes costumava frequentar. Era um restaurante considerado popular, quase sempre cheio à hora do almoço.

Os trovões continuavam cada vez mais fortes e os relâmpagos espalhavam raios eletrizantes em todas as direções, projetando uma luz intensa por toda a cidade. Era realmente uma tempestade assustadora. Tinha na altura 28 anos.

Recordando: “Aguardava que me servissem o almoço, quando um belo moço assomou à porta. Hesitou, mas por fim resolveu entrar. Como as outras mesas estavam ocupadas, dirigiu-se à minha e, delicadamente, perguntou:

- Dá-me licença que me sente, pois as outras mesas estão ocupadas?

Ele não era uma daquelas figuras que os gregos descrevem, mas era simpático, embora tivesse nos seus belos olhos castanhos-escuros, uma tristeza profunda. Eu não costumava compartilhar com estranhos os meus "solenes" momentos das refeições e detestava quando alguém tentava invadir a minha privacidade, mas, percebendo que não havia outro lugar desocupado, secamente, respondi-lhe:

- Sim, pode sentar-se…

Ele agradeceu e, calmamente, sentou-se. Comecei a sentir algo diferente em mim, mas logo afastei qualquer ideia da minha mente. Ele também não se mostrava muito à vontade, embora intimamente me estivesse a admirar (intuição feminina...). Eu fingia que não o estava observando, mas, volta - e - meia, descobria um ou outro detalhe interessante no meu imposto companheiro de mesa que naquela altura já saboreava um vinho tinto como se fosse a bebida mais saborosa do mundo. Olhando de vez em quando, de relance, percebi que era charmoso, muito bem cuidado. Além dos olhos castanhos e amendoados, tinha traços de pessoa fina, enfim, não deixava de ser um homem muito interessante.

Por fim, começou por perguntar se o comer era bom naquele restaurante; depois, se o meu marido não se importava que a esposa estivesse à mesa com outro homem, etc., etc. Respondi-lhe que não era casada, mas sim completamente livre. Ele pareceu ter ficado mais calmo e menos tímido. De início, eu não me senti à vontade com o rumo que a conversa estava tomando, e fiquei nervosa ao perceber que algumas pessoas conhecidas estavam nos lançando olhares atravessados, imaginando não sei o quê... Como em cidade pequena quase todas as pessoas se conhecem, no mínimo estavam censurando a minha "prosa" forçada com um cavalheiro desconhecido. Contudo, depois de algumas frases trocadas, fiquei mais descontraída e até fiz algumas indagações de somenos importância. Entretanto, começámos a almoçar e ele aproveitou para me ir dizendo que era aluno de Engenharia de Máquinas, mas por vários motivos não podia terminar o curso, sendo o principal o facto de uma moça que ele amava e já namorava há anos, o ter traído. Até parecia que se estava a confessar! Comecei a pensar:

"Este quer cantar-me a "canção do bandido", mas comigo vem de carrinho e para lá vai de carroça! Ainda tenho em mente o que sofri anteriormente"

Sorri. O que deve ter desencorajado o meu belo interlocutor, que, delicadamente, se despediu, levantou-se e foi-se embora, depois de ouvir pacientemente eu dizer, num gesto de amizade, que lamentava profundamente o que havia acontecido com ele, que o que lhe aconteceu poderia acontecer com qualquer pessoa e que a minha história não era muito diferente. Comigo, havia acontecido coisa pior, porque eu tinha sido "trocada" pela minha “melhor amiga", o que tornava a traição muito mais dolorida.

Mas, embora eu não quisesse admitir, fiquei muito decepcionada com aquela despedida algo apressada, que mais me parecia uma fuga. Fiquei ainda alguns minutos a pensar naquilo que tinha acontecido naquele almoço. Mas a vida tinha de continuar e eu tinha de entrar a horas no escritório. Tinha muitos trabalhos para fazer no computador. Realmente, precisava voltar ao trabalho e aceitar a minha realidade: a solidão.

Numa cidade pequena há sempre uma escassez muito grande de verdadeiros cavalheiros disponíveis e, querendo ou não, eu tinha que continuar levando a minha vidinha pacata e sem grandes perspectivas.

Durante muitos dias ainda alimentei a secreta esperança que ele aparecesse, mas em vão. Já fazia muito tempo que tinha chegado à conclusão que ele tinha uns belos olhos castanhos-escuros. Mas ele nunca mais apareceu e a minha vida continuou a ser o que tinha sido até aí: emprego – casa – emprego – casa.

De quando em vez ia ao cinema, mas numa localidade pequena é sempre difícil arranjar divertimentos. Por vezes mergulhava-me na Internet, horas e horas, sem saber bem o que queria navegar, o que me interessava procurar. Nem sabia o nome daquele “intruso” que tinha entrado na minha vida sem ele próprio o saber.

Mas aquele homem... Aquele homem não saía da minha cabeça... Era tão forte a presença dele no meu pensamento que parecia que eu já o conhecia há muitos anos. Era uma espécie de "namorado virtual". O namorado que era na minha mente sem nunca ter sido.

O tempo foi passando. Já estava perdendo a esperança de reencontrá-lo e cada dia ficava mais decepcionada comigo mesma por perder tanto tempo esperando por um milagre que, talvez, nunca acontecesse.

No ano seguinte, como é óbvio, o Setembro voltou.

Estava um dia esplendoroso, com muito sol e uma temperatura agradável. Como habitualmente, eu estava sentada na mesma mesa, do mesmo restaurante, em que pela primeira e última vez o tinha encontrado.

Pensava nele...

Pensava como seria maravilhoso se ele estivesse ali à minha frente, mesmo que fosse só para mostrar os seus olhos castanhos com aquela tristeza quase indecifrável. E, de vez em quando, me perguntava como uma mulher podia trair um homem como aquele, elegante, de traços finos, cavalheiro, e que, mesmo não sendo um " bonitão " , tinha uns olhos castanhos tão lindos, tão expressivos, apesar da tristeza que tentava ofuscar todo o seu brilho. Quando…

"OH!... Destino!... Tu por vezes fazes coisas maravilhosas..." De repente, como num toque de magia, ouvi uma voz que me parecia familiar, olhei de relance, e quase sem acreditar no que via, dialoguei imaginariamente com o meu Destino, e o meu coração pulsou mais forte quando tive a certeza de que era ele mesmo.

Entrou no restaurante e, assim que me viu, dirigiu-se logo para a mesa onde eu estava sentada. Aproximou-se de mim e, como se quisesse contar um segredo, foi logo me dizendo:

- Não acredito que um ano depois, você esteja sentada no mesmo lugar, no mesmo restaurante, e parecendo a mesma "garotinha" assustada que eu conheci aqui, sem esse sorriso lindo estampado no rosto, como tem agora. E encostando-se em mim quase ousadamente, perguntou-me tentando parecer engraçadinho:

- Por acaso tínhamos marcado alguma comemoração um ano depois do nosso primeiro encontro?

Sorrimos, parecendo velhos amigos, e ficámos rindo como duas crianças que apreciavam as mesmas brincadeiras. Desta vez nem pediu licença, sentou-se logo. E logo senti um enorme desejo que ele me contasse todas as "histórias de bandido que ele conhecesse". E que me conhecesse melhor... Mas ele limitou-se a contar que tinha emigrado para o Rio de Janeiro para refazer a vida, mas que nunca me tinha esquecido. Eu nem podia dizer que não acreditava, porque parece que ele estava em todas as coisas bonitas que eu via, e embora eu ainda não soubesse nem o seu nome, eu não o havia esquecido em momento algum e, para falar a verdade, estava ali quase chorando de tanta felicidade.

Foi nesse dia, um ano depois de nos termos encontrado, que tivemos oportunidade de revelar os nossos verdadeiros nomes: ele João e eu Mariana.

Hoje, estou aqui emocionada, sentada no mesmo lugar, do mesmo restaurante, a pensar naqueles belos olhos castanhos que um dia me apareceram e que modificaram completamente a minha vida. Alguns anos se passaram, mas para nós parece que o tempo não passou, porque parecemos eternos namorados. João trabalha numa cidade vizinha onde moram seus pais, mas não deixa de voltar para casa todos os dias porque nos amamos muito e não podemos ficar separados muito tempo porque sentimos muita falta um do outro. Por isso, até hoje, agradecemos a Deus por aquele dia de temporal em que nos conhecemos. Sou casada com ele. Temos dois filhos amorosos e, para o fim deste ano espero ter o terceiro. A nossa vida em comum cada dia se torna mais bonita. Temos gostos e gênios bem-parecidos, e naquilo em que não combinamos, respeitamos mutuamente as nossas diferenças. Nossos filhos são o Leonardo e o Telmo.

O terceiro e último, terá o nome de Miguel, que talvez venha ao mundo no próximo dia 25 de Dezembro. Já escrevemos ao Pai Natal para que não se esqueça de lhe mandar uma prenda.

Lembro-me das palavras de minha avó: “A Felicidade é como a Fortuna, vem na hora e se não é aproveitada, vai-se logo embora”

OH!... DESTINO…

Fonte:
Portal CEN

domingo, 10 de setembro de 2017

Virgínia Woolf (Objetos Sólidos)

A única coisa a se mover no vasto semicírculo da praia era um pontinho preto. Quando ele chegou mais perto das vértebras e espinha do barco de sardinhas na areia, tornou-se visível, por certa tenuidade em seu pretume, que o ponto tinha quatro pernas; e tornou-se mais claro, de momento a momento, que era composto pelas pessoas de dois jovens. Mesmo assim, em contorno contra a areia, havia neles uma vitalidade inconfundível; um vigor indescritível na aproximação e no retraimento dos corpos a indicar, malgrado sua insuficiência, alguma discussão violenta que saía das bocas diminutas das cabecinhas redondas. O que era confirmado, a uma inspeção mais atenta, pelas repetidas estocadas que uma bengala vinha dando pelo lado direito. “Você então quer me dizer… Você de fato acredita…”, assim, do lado direito, perto das ondas, parecia sustentar a bengala, enquanto cortava pela areia tiras retas e longas.

“Que se dane a política!”, adveio claramente do corpo à esquerda e, ao serem pronunciadas tais palavras, as bocas, narizes, queixos, bigodinhos, gorros de lã, botas grosseiras, capotes de caça e meias axadrezadas dos dois falantes tornaram-se cada vez mais distintos; a fumaça dos seus cachimbos subia pelo ar; nada era tão sólido, tão vivo, tão rijo, rubro, viril e hirsuto quanto esses corpos por quilômetros e mais quilômetros de mar e dunas de areia. Lançaram-se os dois ao fundo das seis vértebras e espinha dorsal do barco negro de sardinhas. Sabe-se como o corpo parece sacudir-se para livrar-se de uma discussão e desculpar-se por uma exaltação de ânimo; lançando-se ao fundo e exprimindo em seu afrouxamento de atitude a presteza para se ocupar de algo novo — seja o que for que a seguir venha à mão. Assim Charles, cuja bengala estivera, por quase um quilômetro, a retalhar a praia, começou a atirar pedaços planos de lousa para ricochetear sobre a água; e John, que havia exclamado

“Que se dane a política!”, começou a meter seus dedos na areia, cada vez mais fundo. Quanto mais ele enfiava a mão, que ao chegar além do pulso forçou-o a puxar a manga um pouco mais para cima, mais seus olhos perdiam em intensidade, ou melhor, o substrato de pensamento e experiência que dá profundidade inescrutável aos olhos das pessoas adultas desaparecia, para deixar apenas a clara superfície transparente, nada expressando além do espanto que os olhos das crianças demonstram. Sem dúvida o ato de cavar na areia tinha alguma coisa a ver com isso. Lembrava-se ele como, depois de cavar um pouco, a água escorre pelas pontas dos dedos; o buraco então se torna um fosso; um poço; uma nascente; um canal secreto para o mar. Enquanto ele decidia qual dessas coisas fazer, seus dedos, ainda se movendo na água, enroscaram-se em torno de algo duro — toda uma gota de matéria sólida — para desentocar pouco a pouco, trazendo-o à superfície, um grande e irregular fragmento. Ao ser lavada a areia que o cobria, surgiu um verde desmaiado. Era um caco de vidro, tão grosso a ponto de se tornar opaco; tudo o que fosse forma ou gume já se gastara por completo com o alisamento do mar, sendo impossível dizer assim se havia sido de garrafa, vidraça ou copo; não era nada, a não ser vidro; era quase uma pedra preciosa. Bastaria circundá-lo de uma borda de ouro, ou perfurá-lo com um arame, para que se tornasse uma joia; parte de um colar, ou uma luz verde e fosca sobre um dedo. Afinal, talvez fosse realmente uma gema; alguma coisa usada por uma princesa negra que, sentada na popa da embarcação, ia arrastando o dedo pela água enquanto ouvia os escravos que cantavam ao conduzi-la a remo através da baía. Ou então as tábuas de carvalho de uma arca do tesouro elizabetana é que se haviam despregado, tendo suas esmeraldas, ao sabor das ondas, para cá e para lá, finalmente chegado à praia. John se pôs a revirá-lo nas mãos; e o ergueu na luz; ergueu-o de tal modo que sua massa irregular eclipsou o corpo e o braço direito esticado de seu amigo. O verde se atenuava e turvava ligeiramente ao ser mantido contra o céu ou o corpo.

Causava-lhe prazer; intrigava-o; comparado ao vago mar e à costa tão imersa em brumas, era um objeto bem duro, bem concentrado, bem definido. Uma visão o perturbava agora — decisiva e profunda, tornando-o consciente de que seu amigo Charles havia jogado todas as pedras planas ao alcance da mão, ou chegado à conclusão de que não valia a pena fazê-lo. Lado a lado eles comeram seus sanduíches. Tendo-o feito, já se punham de pé e sacudiam-se quando John pegou o caco de vidro para o olhar em silêncio.

Charles olhou também. Mas imediatamente viu que ele não era achatado e, enchendo seu cachimbo, disse com a energia que rejeita um descabido esforço de pensamento: “Para voltar ao que eu estava falando…”.

Ele não tinha visto ou, se visse, mal teria notado que John, após examinar por um momento o vidro, como que em hesitação, o enfiara no bolso. Tal impulso poderia também ter sido o impulso que leva uma criança a apanhar uma pedrinha num caminho no qual elas se esparramam, prometendo-lhe uma vida em segurança e quentura sobre a lareira do quarto, deleitando-se com a sensação de poder e benignidade que uma ação como essa propicia e acreditando que o coração da pedra pula de alegria quando se vê escolhido, dentre um milhão de iguais, para gozar de tal felicidade, não de uma vida de umidade e frio na estrada. “Bem que poderia ter sido qualquer outra dos milhões de pedras, mas fui eu, eu, eu!”

Estivesse ou não essa ideia na cabeça de John, o fato é que o pedaço de vidro encontrou seu lugar em cima da lareira, onde solidamente se plantou sobre uma pequena pilha de cartas e contas, servindo não só como excelente peso de papéis, mas também como ponto natural de parada para o olhar do rapaz, quando ele se desviava do livro. Visto repetidas vezes e de modo semiconsciente por uma cabeça que pensa noutra coisa, qualquer objeto se mescla tão profundamente à substância do pensar que perde sua forma verdadeira e se recompõe com alguma diferença numa feição ideal que obseca o cérebro, quando menos se espera. John se via assim atraído, quando saía para andar, pelas vitrines das lojas de raridades, simplesmente por ter visto alguma coisa que o lembrava daquele caco de vidro. Qualquer coisa, desde que fosse algum tipo de objeto, mais ou menos redondo, talvez com uma chama agonizante imersa a fundo em sua massa, qualquer coisa — porcelana, vidro, âmbar, rocha, mármore — até mesmo o ovo liso e oval de uma ave pré-histórica serviria.

Habituou-se ele também a andar de olhos no chão, especialmente nas adjacências dos terrenos baldios onde são jogados fora os refugos das casas. Tais objetos ocorriam lá com frequência — jogados fora, de nenhuma utilidade para ninguém, disformes, descartados. Em poucos meses ele fez uma coleção de quatro ou cinco espécimes que foram para o mesmo lugar, parando em cima da lareira. Eram úteis também, pois um homem que concorre ao parlamento, no limiar de uma brilhante carreira, tem uma boa quantidade de papéis para manter em ordem — comunicados a eleitores, plataformas políticas, apelos a subscrições, convites para jantares e assim por diante.

Um dia, saindo de seus aposentos no Temple para pegar um trem, a fim de falar aos eleitores, seus olhos bateram num objeto extraordinário que jazia semioculto numa dessas bordaduras de grama que orlam as bases dos grandes prédios forenses. Não podendo senão tocá-lo, através da cerca, com a ponta da bengala, ele podia ver no entanto que era um caco de porcelana de forma bem singular, quase tão parecido com uma estrela-do-mar como qualquer coisa formada — ou acidentalmente quebrada — em cinco pontas irregulares, não obstante inconfundíveis. Se em sua coloração predominava o azul, ao azul se sobrepunham faixas ou manchas verdes de algum tipo, enquanto linhas carmesins davam-lhe uma riqueza e um brilho da mais atraente espécie. John estava decidido a possuí-lo; quanto mais perseverava nisso, mais no entanto ele retrocedia.

John, por fim, se viu forçado a voltar a seus aposentos para improvisar uma argola de arame presa na ponta de uma vara, com a qual, à força de grande habilidade e com muito cuidado, finalmente trouxe o pedaço de porcelana ao alcance das mãos. Ao apanhá-lo, soltou uma exclamação de triunfo. E o relógio bateu nesse momento. Já não lhe era mais possível cumprir seu compromisso. A reunião foi realizada sem ele. Mas como o caco de porcelana se partira daquele modo notável? Um exame cuidadoso deixou fora de dúvidas que a forma de estrela era acidental, o que tornava tudo ainda mais estranho, e parecia improvável que pudesse existir outro assim. Posto sobre a lareira, no lado contrário ao do caco de vidro que havia sido retirado da areia, dava ele a impressão de ser uma criatura de outro mundo — fantástica e extravagante como um arlequim. Parecia estar fazendo piruetas no espaço, tremeluzindo como uma estrela que pisca. Fascinado pelo contraste entre a porcelana, tão vívida e alerta, e o vidro, tão contemplativo e calado, ele se perguntou, pasmo e perplexo, como os dois tinham vindo a existir no mesmo mundo, para plantar-se, além do mais, no mesmo cômodo, na mesma estreita faixa de mármore. Mas a pergunta permaneceu sem resposta.

Ele então passou a frequentar os lugares em que os cacos de porcelana mais proliferam, como as nesgas de chão que sobram entre as linhas de trem, os terrenos de casas demolidas e as áreas públicas dos arredores de Londres. É porém muito raro, é um dos mais raros dentre os atos humanos, que se jogue porcelana de uma grande altura. É preciso achar em conjunção uma casa bem alta e uma mulher tão impulsiva e de prevenções tão coléricas que é capaz de atirar pela janela seu jarro ou pote, sem pensar em quem está embaixo.

Encontravam-se em abundância cacos de porcelana, porém quebrados na trivialidade de um acidente doméstico, não de propósito, e sem caráter. Não obstante ele se admirava com frequência, quando veio a entrar mais a fundo na questão, da imensa variedade de formas a encontrar-se apenas em Londres, havendo ainda mais motivos para especulação e espanto nas diferenças de padrões e qualidade. Os melhores espécimes ele levaria para casa e colocaria em cima da lareira, onde a função que lhes cabia era porém cada vez mais de natureza ornamental, já que os papéis que necessitavam de um peso para os manter sem voar tornavam-se progressivamente mais raros.

Descuidou-se de suas obrigações, talvez, ou as cumpria de um modo por demais desatento, ou então seus eleitores, quando o visitavam, viam-se desfavoravelmente impressionados pelo aspecto de sua lareira. Fosse como fosse, não foi eleito para os representar no parlamento, e seu amigo Charles, sentindo muito e se apressando a manifestar seu pesar, achou-o tão pouco abalado com a derrota que não pôde senão supor que a questão era grave demais para ele a entender de imediato.

Na verdade, John havia estado nesse dia nas áreas públicas de Barnes, onde achara, sob uma moita de tojo, um pedaço de ferro bem pouco comum. Era, na conformação, quase idêntico ao vidro, maciço e globuloso, mas tão frio e pesado, tão metálico e negro, que evidentemente era estranho à Terra, tendo sua origem numa das estrelas mortas, se não fosse em si mesmo escória de uma lua. Em seu bolso, pesava muito; e pesou muito em cima da lareira, irradiando frio. No entanto, o meteorito ficou na mesma prateleira com o caco de vidro e a porcelana em forma de estrela.

Quando seus olhos passavam de um para o outro, a determinação de possuir objetos que chegassem a ultrapassar aqueles atormentava o rapaz. Resolutamente ele se consagrou cada vez mais à procura. Se não ardesse de ambição, se não estivesse convencido de ser recompensado algum dia por um monte de lixo recentemente descoberto, as decepções que sofreu, sem falar do cansaço e do ridículo, teriam-no feito desistir da empreitada. Munido de uma bolsa e de uma vara comprida na qual se adaptava um gancho, revolveu todos os monturos de terra; escarafunchou sob densos emaranhamentos de mato; buscou por todas as vielas e espaços entre paredes onde se habituara a esperar descobrir objetos desse tipo jogados fora. Tornando-se seus critérios mais rígidos e seu gosto mais exigente, as decepções eram inumeráveis, mas sempre um brilho de esperança, um caco de porcelana ou de vidro com alguma marca curiosa ou curiosamente quebrado, o enganava. Passou-se um dia após o outro. E ele já não era mais jovem. Sua carreira — isto é, sua carreira política — tornou-se coisa do passado. As pessoas deixaram de visitá-lo. Ele era muito calado para que valesse a pena convidá-lo para jantar. Nunca falava com ninguém sobre as ambições tão sérias que tinha; a falta de compreensão dos outros transparecia no seu comportamento.

Recostado em sua cadeira, ele agora observava Charles, que repetidas vezes erguia as pedras em cima da lareira e enfaticamente as repunha em seu lugar para marcar o que ele estava dizendo sobre a orientação do governo, sem nem sequer notar a existência delas.

“Qual é a verdade, John?”, perguntou Charles de repente, virando-se para encará-lo. “O que o levou a desistir de tudo assim sem mais nem menos?”

“Eu não desisti”, respondeu John.

“Mas agora você não tem mais chance nenhuma”, disse Charles com aspereza.

“Nisso eu discordo de você”, disse John convictamente. Charles, olhando-o, sentiu-se profundamente incomodado; foi possuído pelas dúvidas mais extraordinárias; teve uma impressão esquisita de que os dois estavam falando de coisas diferentes. Olhou em torno, a fim de encontrar algum alívio para sua horrorosa depressão, mas a aparência desordenada do quarto o deprimiu ainda mais. O que eram aquela vara e a velha bolsa de tapeçaria pendurada na parede? E aquelas pedras? Ao olhar para John, algo fixo e distante em sua expressão o alarmou. Ele sabia muito bem que a presença do amigo num palanque já estava fora de questão.

“Bonitas pedras”, disse tão jovialmente quanto pôde; e foi dizendo que tinha um compromisso a cumprir que ele se despediu de John — para sempre.

Fonte:
Virginia Woolf. A Marca na Parede e Outros Contos

sábado, 9 de setembro de 2017

Solano Trindade (Poemas Escolhidos)

BALADA DO AMOR

É preciso fugir
De todo o amor que faz sofrer
É preciso fugir do amor...
Talvez a chuva lá fora faça bem
Talvez o frio da noite
Seja como alguém...

MEU CANTO DE GUERRA

Eu canto na guerra,
Como cantei na paz,
Pois meu poema
É universal.
É o homem que sofre,
O homem que geme,
É o lamento
Do povo oprimido,
Da gente sem pão...
É o gemido
De todas as raças,
De todos os homens.
É o poema
Da multidão!

O CANTO DA LIBERDADE

Ouço um novo canto,
Que sai da boca,
de todas as raças,
Com infinidade de ritmos...
Canto que faz dançar,
Todos os corpos,
De formas,
E coloridos diferentes...
Canto que faz vibrar,
Todas as almas,
De crenças,
E idealismos desiguais...
É o canto da liberdade,
Que está penetrando,
Em todos os ouvidos...

ORGULHO NEGRO

Eu tenho orgulho de ser filho de escravo...
Tronco, senzala, chicote,
Gritos, choros, gemidos,
Oh! que ritmos suaves,
Oh! como essas cousas soam bem
Nos meus ouvidos...
Eu tenho orgulho em ser filho de escravos...

POEMA DO HOMEM

Desci à praia
Para ver o homem do mar,
E vi que o homem
É maior que o mar

Subi ao monte
Pra ver o homem da terra,
E vi que o homem
É maior que a terra

Olhei para cima
Para ver o homem do céu,
E vi que o homem
É maior que o céu.

QUEM TÁ GEMENDO?

Quem tá gemendo,
Negro ou carro de boi?
Carro de boi geme quando quer,
Negro, não,
Negro geme porque apanha,
Apanha pra não gemer...

Gemido de negro é cantiga,
Gemido de negro é poema...

Gemem na minh'alma,
A alma do Congo,
Da Niger, da Guiné,
De toda África enfim...
A alma da América...
A alma Universal...

Quem tá gemendo,
negro ou carro de boi?

TEM GENTE COM FOME

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Piiiiii

Estação de Caxias
de novo a dizer
de novo a correr
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Vigário Geral
Lucas
Cordovil
Brás de Pina
Penha Circular
Estação da Penha
Olaria
Ramos
Bom Sucesso
Carlos Chagas
Triagem, Mauá
trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Tantas caras tristes
querendo chegar
em algum destino
em algum lugar

Trem sujo da Leopoldina
correndo correndo
parece dizer
tem gente com fome
tem gente com fome
tem gente com fome

Só nas estações
quando vai parando
lentamente começa a dizer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer
se tem gente com fome
dá de comer

Mas o freio de ar
todo autoritário
manda o trem calar
Psiuuuuuuuuuuu

VOU PRA TERRA DE IRACEMA

Vou pra terra de Iracema,
Amanhã - se Deus quiser,
Dizem que a terra é bonita,
Como olhar de mulher...

Vou pra terra de Iracema
Vou m'imbora prô Ceará
Meu coração quer queu siga
A minh'alma quer qu'eu vá...
 
POEMA AUTOBIOGRÁFICO

Quando eu nasci,
Meu pai batia sola,
Minha mana pisava milho no pilão,
Para o angu das manhãs...
Portanto eu venho da massa,
Eu sou um trabalhador...

Ouvi o ritmo das máquinas,
E o borbulhar das caldeiras...
Obedeci ao chamado das sirenes...
Morei num mucambo do "Bode",
E hoje moro num barraco na Saúde...

Não mudei nada...

NEGRA BONITA

Negra bonita de vestido azul e branco
Sentada num banco de segunda de trem
Negra bonita o que é que você tem?
Com a cara tão triste não sorri pra ninguém?

Negra bonita
É seu amor que não veio
Quem sabe se ainda vem
Quem sabe perdeu o trem
Negra bonita não fique triste não
Se seu amor não vier
Quem sabe se outro vem
Quando se perde um amor
Logo se encontra cem
Você uma negra bonita
Logo encontra outro bem.

Quem sabe se eu sirvo
Para ser o seu amor
Salvo se você não gosta
De gente da sua cor
Mas se gosta eu sou o tal
Que não perde pra ninguém
Sou o tipo ideal
Pra quem ficou sem o bem...

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Conto da Sibéria (A Princesa Marya e Blênio)

Certa vez, numa terra muito distante, vivia uma princesa tão bela que muitos príncipes vieram pedir sua mão em casamento. Mas seu pai, o czar, recusou-os todos, achando que nenhum era bom o bastante para ela. Um dia, um velho perguntou ao czar, se seu filho poderia casar-se com a princesa.

– Quem é seu filho? -perguntou o czar.

– Majestade - respondeu o velho - “meu filho é um blênio”.

– Mas esse é um peixe que vive no fundo do rio! - o czar exclamou - O que você está dizendo é ridículo!

- Sim, de fato - persistiu o velho - Durante muitos anos minha mulher e eu sofremos porque não tínhamos filhos. Então, certo dia, enquanto eu pescava, encontrei Blênio na ribanceira do rio. O peixe pediu-me que lhe poupasse a vida e prometeu que seria um filho para mim e minha esposa, e então o levei para casa. Agora, como ele cresceu, pediu-me que lhe arranjasse o casamento com sua filha.

– Por que eu deixaria que a princesa se casasse com ele? - perguntou o czar.

Naquele momento, detrás de uma cortina, a filha se manifestou.

– Pai, por que você não dá uma tarefa ao Blênio? Se ele obtiver êxito, casar-me-ei com ele, mas se ele fracassar, será morto. É assim que os russos fazem, disse ela.

O czar pensou por um instante.

– Bom, meu velho, o seu filho pode se casar com minha filha se ele construir um novo palácio para ela, melhor que o meu. E deve fazer isso até amanhã de manhã, do contrário cortar-lhe-ei a cabeça e a sua também, para que sirva de lição!

O velho quase morreu de terror, mas ao voltar para casa e contar ao filho qual era a exigência do czar, Blênio disse: – Não tema, pai. Vá dormir, e “amanhã veremos o que tivermos de ver”.

Naquela noite, Blênio deslizou até a porta da casa, saltou o muro, e transformou-se num lindo rapaz. Ergueu um bastão de ferro e fincou sua ponta no chão. Instantaneamente, surgiram trinta homens armados que lhe perguntaram: – Qual é o seu desejo?

– Construam-me um palácio vizinho ao do czar, ainda mais belo que o dele.

Os homens responderam que fariam o serviço e ele voltou para casa como peixe. Na manhã seguinte, ele acordou o pai e disse: – Pegue um machado, vá ao palácio do czar, depois volte e diga-me o que viu.

O velho fez o que o filho pediu e não conseguiu acreditar no que seus olhos viam. O palácio era mais lindo do que o do czar e o velho pegou o machado e atingiu suas paredes, mas nem uma só lasca saiu das paredes. Voltou para casa e disse o que vira ao filho.

– Agora - disse o filho - vá até o czar e peça a mão de sua filha, novamente.

Nesse ínterim, o czar tinha visto o novo palácio e ficou intrigado. Pensou: - “O filho deste velho não é um homem comum!” Entretanto, odiava a ideia de sua filha casar-se com um peixe. Quando o velho chegou, o czar disse: - Tenho outra tarefa para seu filho. Ele deve construir uma igreja , tão linda como a catedral. E tem que construir três pontes : uma que vá da velha catedral até a nova, outra da nova igreja até o palácio e a terceira da minha casa até o palácio dele. Se ele não construir até amanhã vocês morrerão.

O velho tremeu e pensou: - Eu devia ter matado Blênio no rio! – Mas quando contou ao filho a nova tarefa, ele sorriu e disse: –  Não tema, pai. Vá dormir e “amanhã veremos o que tivermos de ver.”

Naquela noite, depois do velho ir dormir, ele novamente saiu de casa e virou um rapaz e quando seus homens apareceram ele mandou que construissem a catedral e as três pontes. Ele voltou para casa e foi dormir.

No dia seguinte ele acordou o pai e disse novamente para ele pegar o machado e ir até o palácio do czar. O velho foi, e quando chegou perto viu a linda catedral que fora erguida e as três pontes. O velho tentou atingir a Igreja com o machado, mas nem uma só lasca saiu. Voltou para casa contando tudo para o filho.

– Meu pai, vá até o palácio e veja o que o czar dirá desta vez. Quando chegou, o velho viu o czar admirando assombrado a catedral e as três pontes. Mas ele disse ao velho que tinha uma última tarefa para seu filho.

– Diga a ele que quero que me traga um trenó e três cavalos melhores do que todos os que possuo. Se ele conseguir casar-se-a com a princesa, mas se fracassar terão as cabeças cortadas.

Mas quando o velho voltou para casa e contou ao filho este sorriu e mandou o pai dormir: - “Amanhã veremos o que tivermos de ver.”

Mais tarde, saiu de casa e ordenou aos seus homens que achassem um trenó com três cavalos mais maravilhosos do que os do czar.

No dia seguinte, ele novamente acordou o pai e mandou que ele fosse até o palácio e depois voltasse para contar o que vira. O velho quando chegou perto, viu assombrado o trenó com os três lindos cavalos. Ele voltou para casa e contou ao filho, que mandou que ele voltasse e pedisse a mão da princesa. O czar que já tinha visto o trenó, declarou que: – Como seu filho cumpriu as tarefas, eu manterei minha promessa. Traga-o até aqui e a princesa se casará com ele, hoje mesmo, não importando o que o povo diga.

O velho correu para casa e contou as novidades ao filho, e este lhe disse: - Coloque-me num saco e leve-me até o palácio para a festa de casamento. 

Todos riam porque a princesa ia se casar com um peixe.

O velho chegou ao palácio e colocou Blênio numa banqueta, aí começou a comemoração das bodas. Por fim, foram todos para a Igreja onde os dois se casaram. Depois das festas o casal recolheu-se à sua nova casa.

Eles viveram juntos por três anos, mas toda noite Blênio transformava-se num rapaz. A cada manhã ele voltava a ser peixe, só a princesa sabia da verdade.

Certa manhã a princesa acordou mais cedo e sentiu-se sozinha e triste, pois todos riam dela por ter se casado com um peixe. Ela teve uma ideia. Resolveu queimar a pele de peixe do marido antes que ele acordasse, assim ele ficaria homem para sempre. Ela queimou o traje e quando entrou no quarto, seu marido havia sumido. Naquele mesmo instante, um pequeno pássaro entrou voando pela janela.

– Que pena, princesa Marya, disse a ave. Se você tivesse esperado mais três dias, seu marido teria ficado livre de um feitiço. Teria ficado humano para sempre, mas agora você o perdeu. – Falou e saiu voando pela janela.

Ela ficou desesperada pensando porque tinha feito aquilo. Durante uma semana ela sofreu, mas depois levantou-se e jurou que iria em busca do marido e o salvaria. Naquele mesmo dia saiu do palácio, partindo sem saber para onde. Sua única pista era a avezinha. Quando chegou nos limites da cidade ela encontrou uma velha debruçada numa janela de uma pequena cabana.

– Por que esse ar tão triste, princesa Marya?, perguntou a velha.

– Estou procurando por meu marido. Queimei a pele dele e o perdi para um feitiço.

– Você jamais irá encontrá-lo viajando do modo como está. Volte para casa e peça ao ferreiro que lhe prepare três pares de botas de ferro, três chapéus de ferro e três pães de ferro. Então volte aqui e eu lhe direi onde ir em busca do seu marido.

A princesa agradeceu pelos conselhos da velha e voltou para casa. Pediu aos ferreiros que fizessem tudo que a velha mandara. Depois ela foi encontrar-se com a velha.

– Hoje está muito tarde para você seguir viagem, disse a velha. Jante comigo e descanse. Amanhã poderá partir.

No dia seguinte, ao amanhecer, a velha ofereceu-lhe alguns conselhos.

– Depois de sair daqui, procure um grande buraco na terra , disse a velha. Quando chegar ao abismo, coloque um dos pares de botas, um dos chapéus e coma um pão. Então desça. Você encontrará lá muitas pessoas gritando, cantando e chorando, e elas lhe pedirão que fique com elas, entretanto você deve seguir em frente sem demora. Se parar, jamais sairá desta caverna. Quando tiver gasto os três pares de botas, os três chapéus e comido os três pães de ferro, chegará ao fim da passagem. Do outro lado vive minha irmã, e ela lhe dirá o que fazer a seguir.

A princesa ficou horrorizada por tudo que teria que passar, mas agradeceu e partiu. Depois de muito andar, seu caminho terminou repentinamente na beira de um abismo. Ela espiou lá embaixo e não viu o fim. Destemida ela colocou o par de botas, o chapéu e comeu um pão de ferro. Depois começou a descer no vazio. Desceu, desceu, desceu, até que chegou num túnel sombrio. Lá ouviu pessoas que gritavam, cantavam e choravam, as quais lhe pediam que ficasse com elas. Mas ela os ignorou e foi em frente. A cada passo ela sangrava , pois o chão tinha lâminas de ferro e penduradas no teto também havia lanças de ferro, e sua cabeça as tocava e fios de sangue corriam em seu rosto.

Conforme ela afundava, mais e mais na escuridão, mais estridentes eram os gritos à sua volta. Ela lutou muito e, quando comeu seu derradeiro pão, usou o último par de botas e o último chapéu, viu um lampejo de luz ao longe. Chegou no final da caverna e arrastou-se até a luz do sol e despencou numa encosta gramada. Por uma semana ficou imóvel, fraca demais para se movimentar.Levantou-se ainda enfraquecida e andou aos tropeções, chegando numa casa que bateu na porta. BabaYaga, a grande bruxa apareceu para recebê-la.

– Princesa Marya! Aonde vai nesse estado? Minha irmã deve tê-la mandado aqui!

Marya contou o que acontecera com seu marido por sua culpa, mas que por amá-lo muito estava a sua procura.

BabaYaga suspirou, e disse: – Já se passaram dez anos desde que seu marido passou por minha casa. Agora ele é humano, mas nesse intervalo, casou-se com a filha do Rei de Fogo e agora vive com ela em seu palácio. Eu lhe direi como encontrá-lo e conquistá-lo de novo, mas antes descanse e coma.

Por uma semana a princesa ficou com BabaYaga, recuperando as forças. Então a bruxa lhe disse: – Chegou a hora de você ir ver seu marido. Eis o que você deve fazer. No jardim em torno do palácio em que ele vive, há uma pequena encosta. Sente-se no chão gramado desse morro e penteie-se com este pente de ouro. A filha do rei sairá do palácio ao vê-la e pedirá para comprar o pente de ouro. Ela estará acompanhada de duas mulheres, e elas têm exatamente a mesma aparência. Por isso, você deve cuidar para escolher a mulher certa, que será a do meio. Diga-lhe que você troca o pente por uma noite a sós com Blênio, mas não lhe dê o pente antes de estar com seu marido.

A princesa Marya agradeceu a BabaYaga pela sua ajuda e saiu da casa dela.

Chegou a um grande palácio, parou à entrada do jardim e sentou-se na encosta gramada. Começou a pentear os cabelos e logo as três mulheres acercaram-se dela. A do meio exclamou: – Nunca vi pente tão lindo. Você o venderia para mim? Posso pagar do jeito que você quiser.

– Não o vendo por dinheiro, mas posso trocá-lo por outra coisa.

– O que você deseja? , perguntou a outra . Ela disse: Apenas passar uma noite sozinha com seu marido.

– Ora , isso não é nada, disse a filha do rei. Você pode fazê-lo hoje mesmo. Agora dê-me o pente.

– Não disse Marya, ele será seu somente quando eu pisar dentro do quarto do seu marido.

– Muito bem, disse a outra. Vamos, venha comigo.

Chegando à porta do palácio ela entrou, e deixou Marya esperando, mas logo depois reapareceu. Você pode vir comigo agora e guiou a moça para o quarto. Pegou o pente de ouro das mãos de Marya e deixou-a sozinha com Blênio. Marya correu até o marido e chamou-o pelo nome, mas ele estava dormindo e não se moveu. Ela chorou e contou-lhe, mesmo assim, da longa viagem que vinha fazendo para encontrá-lo, mas nem assim ele se mexeu. Quando amanheceu a mulher expulsou a moça do quarto.

Marya voltou até BabaYaga, com o coração partido e desencorajada, e por uma semana ela chorou. Então, BabaYaga deu-lhe um lindo anel de ouro: - Use esse anel e vá novamente ao palácio e sente-se no jardim. As três mulheres virão novamente até você e a do meio vai querer comprar o anel. Faça igual da outra vez, mas só entregue o anel quando estiver dentro do quarto.

Assim ela fez e a mulher levou-a até seu marido. Ela novamente chamou-o pelo nome, mas ele dormia e não se mexeu. Mais uma vez a mulher colocou-a para fora do quarto e do palácio.

Ela voltou até BabaYaga dizendo que fracassara mais uma vez. A bruxa disse que a outra dera uma poção para que ele dormisse porque era esperta. Mas a bruxa não deixou que ela desistisse e tirou do armário um lenço muito bonito. Disse que essa seria a última chance dela recuperar o marido: –  Use este lenço e faça tudo como das outras vezes, mas se você não conseguir acordá-lo nada mais posso fazer por você. Esta é a última vez que a ajudo.

Marya agradeceu e seguiu seu rumo. Como antes, tudo aconteceu igual, mas Marya disse que só daria o lenço quando estivesse do lado do rapaz. Mais uma vez ele dormia e ela não conseguia acordá-lo. Quando amanheceu ela estava desesperada e chorou muito, mas naquele momento que a outra já a expulsava do quarto, uma lágrima dela caiu no rosto de Blênio que acordou sobressaltado.

A mulher gritava para que Marya saísse do quarto, mas quando ele a viu em pé ao seu lado logo a reconheceu e disse: – Finalmente você chegou!

A mulher gritava para tirar Marya do quarto, mas ele disse que a deixasse ficar.

– Ela é Marya minha primeira e verdadeira esposa.

Ele abraçou-a e ela lhe contou por tudo que passara desde que ele desaparecera.

Blênio reuniu todos os anciãos do reino, ofereceu um festa e perguntou-lhes: – Qual destas mulheres é minha verdadeira esposa? A que arriscou a vida para me encontrar, usando botas, chapéus e comendo pães de ferro, ou a que me trocou por um pente, um anel e um lenço?

Os anciãos responderam que sua verdadeira esposa era Marya, e é com ela que você deve viver.

Blênio concordou e voltando-se para Marya chamou-a para voltarem para casa. Ele pegou uma pequena caixa enferrujada e disse: – Marya feche os olhos.

Assim ela o fez, e no mesmo instante sentiu um vento soprando em seu rosto, ele aí sussurrou: – Agora pode abrir os olhos.

Quando ela olhou em volta, ficou atônita. Eles estavam num campo ao ar livre, e diante deles uma cidade fervilhava.

– Você reconhece esse lugar? ,disse ele.

– Sim, penso que sim.

– É o reino do seu pai disse ele, enquanto abria de novo a caixa.

Marya desfaleceu e acordou no palácio que fora construído por Blênio para conquistá-la. Ao seu lado estava seu marido dormindo. Alguns instantes depois ele acordou e disse: – Você me deu três tarefas antes de casarmos, essa é a razão de você ter sofrido tanto. Porém, agora estamos juntos mais uma vez.

Enquanto os dois se abraçavam, os pais de Blênio entraram, seguidos pelos pais de Marya. Todos comemoraram juntos o reencontro dos dois, com uma grande festa.

Fonte:
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